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domingo, 31 de outubro de 2010

Orthographia da Lingua Portugueza

 


 


 Há por aí uma ideia feita que o 'p' de óptimo e o 'c' de director são consoantes mudas. Pois mudas não são. Se alguém há que as não ouça, deve ser surdo.

Auto da fé

 Os da S.I.C., na certa para encher o vazio que lhes ocupa as 'cachas' cranianas, abriram há pedaço um enlatado sobre abóboras e chapelinhos de bruxa.
 Enfim! Parece que tenho que aturar cada vez mais este folclore de segunda porque aqui a parvónia, de há um tempo para cá anda só povoada de imbecis que esqueceram completamente de que terra são.
 É nisto que vamos: uma arca pré-fabricada cheia de animalejos deslumbrados com brindes de cereais e descontos nos hamburgos. Depois duma geração rasca e do dilúvio que se lhe seguiu, bem podem ir fazendo todos os 'pugreides' que isto como vai já não leva melhora. Nesta apagada e vil tristeza nacional nem seria mau recuperar um velhinho auto da fé, daqueles em que se queimavam espantalhos feitos de palha: o mais que não fosse, para judiar com este bullying sistémico parido dessas cabeçorras de abóbora que por aí vegetam enfeitadas com chapéu de bruxa.

Representação de um Auto da Fé [Visual gráfico. - [Lisboa : Typ. Maigrense, 1822].

Ruas de Lisboa

Gomes-de-Brito,-Ruas-de-Lis.jpg


Água forte: Martins Barata, Rua de S. Miguel (Alfama).

 É curioso que apesar da capa, nesta obra póstuma de Gomes de Brito não existe verbete próprio da dita Rua de São Miguel, embora lhe haja referências esporádicas ao longo dos três volumes. Uma delas a propósito do Beco do Mexias:  — « Não duvido que assim esteja nos dísticos, mas devem emendar-se, tirando-se-lhe o s final; Mexia é apelido de família antiga e desta forma se encontra no Itinerário lisbonense, de 1818: [o beco é] o primeiro à esquerda na rua de S. Miguel de Alfama, vindo do nascente e termina no chafariz de Dentro.» — Mexia e não Mexias, portanto, porque é nome de família antiga...


 Ainda por isto de mexias e da coisa de mexer [cá nos bolsos] e da sua muita antiguidade, logo na introdução (vol. I, pp. VII e VIII) da obra, António Baião dá-nos a descrição dum códice do arquivo da Câmara muito estudado por Gomes de Brito para dar corpo às Ruas de Lisboa:


« Em 1563, reunidas as côrtes n'esta cidade, prometteram os povos a el-rei, para satisfação de suas dividas, a quantia de cem mil cruzados (40:000$000 reis).
  Tratou a corôa de promover o desempenho da promessa, expedindo ás camaras do reino o alvará do lançamento, acompanhado do regimento para cobrança e mais diplomas inherentes a este serviço.
  Em Lisboa, os vereadores e procuradores da cidade e dos misteres d'ella, reunidos em sessão, elegeram os lançadores, nomearam os sacadores, attribuiram ao thesoureiro da cidade, André Luiz o encargo de arrecadar o cobrado, e commetteram, emfim, a Bastião de Lucena, futuro «procurador da cidade», em companhia do seu collega Alvaro de Moraes, que tambem estava a servir pela primeira vez, o trabalho de arrolamento, ou, como hoje [1897] diriamos, do recenseamento dos contribuintes [posteriormente, creio, muitos dirão sabiamente elencagem].
  Fez-se este arrolamento conforme o alvará mandava.
  Completo, bem encadernado e bem conservado, atravessou os seculos e suas vicissitudes, guardado no Archivo da Camara [...]»
 


Mais adiante (vol. II, p. 67):


« Nesta derrama não figura senão o povo. O clero e a nobresa tiveram processo áparte. Do povo, só não contribuia quem tinha praça de bombardeiro, quem tinha emprego na casa de Sua Alteza, quem era familiar do Santo Officio.
  Nos officios, os unicos mechanicos privilegiados eram os moedeiros. Privilegio do Estado, que aproveitava a funccionarios seus.»


 Um códice com toda a actualidade. É uma pena que não contenha uma certa notável fotografia dos velhos e novos Andrés Luizes, Bastiões Lucenas, e Álvaros de Moraes...


 




Ref.ª: J.J. Gomes de Brito, António Baião (pref.), Ruas de Lisboa: Notas para a história das vias públicas lisbonenses (3 vols.), Sá da Costa, Lisboa, 1935.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O esteiro do Tejo

Esteiro do Tejo em 1147 (Castilho,


« Se o taboleiro do Rossio era alagadiço ou não, que o demonstre a inesperada chuva que em Lisboa caiu desde 8 de Outubro a 31 de Dezembro de 1755 [i.e. 1575]. “Da cópia das águas — diz Barbosa Machado — se formou um lago, que cercava a praça do Rossio e a rua Nova”; e enfim que o demonstrem certas demonstrações da autoridade; por exemplo: a ordem de el-Rei D. Manuel I para se esgotar [encanar para esgoto] uma vez a água da dita praça.
  Aí mesmo havia havia um cano de vasão junto aos Estáus (depois sede da Inquisição, depois paço da Câmara, depois Tesouro público, Teatro de D. Maria II [...]), até à Caldeiraria na freguesia de S. Nicolau, o qual cano mandou el-Rei D. Manuel tapar (talvez por já inútil) e que a Câmara aforou, para o cobrirem e fazerem casas sôbre ele.
  Além do Rossio passavam as águas do esteiro no sítio onde veio a fundar-se o Convento de S. Domingos [...] Aí mesmo cortavam [cruzava] as águas a antiga Corredoura chamada no século XIV Carreira dos Cavalos, depois rua das Portas de Santo Antão [...] 
  As águas torciam-se aí numa volta, ao sopé duma espécie de promontório que forma o monte de Sant' Ana, e alastravam-se para o nascente, por aquela região plaina que no século XVI se chamava os canos de S. Vicente, por causa da proximidade da porta de S. Vicente [antigo Arco do Marquês do Alegrete, diante da ermida da Senhora da Saúde, hoje no largo do Martim Moniz]. Esses tais canos, segundo se depreende das narrativas que Frei Luiz de Sousa nos deixou das medonhas inundações de S. Domingos, eram valas de escoante abertas para as águas confluentes das encostas visinhas [...] Além disto, em vários pontos da cêrca do Hospital de Todos-os-Santos (área hoje ocupada pela praça da Figueira) vejo no meu plano sinais de charcos, que bem revelam a natureza da formação daquele terreno.
  Por causa dessas tendências para o charco, motivadas pelas águas das encostas visinhas, que por vezes eram torrentes, serviam para muito os sabidos canos da Moiraria; e observo que depois do terramoto de 1755, logo em 27 de Novembro, o alto espírito do homem que se chamou Pombal ordena ao Senado da Câmara de Lisboa, em decreto especialíssimo que, “pela indispensável necessidade... de se desentulharem os aquedutos da rua do Canos... antes que as grossas inundações das águas que por êles se evacuam, sendo estagnadas, se corrompam com irreparáveis prejuízos”, se proceda prontamente ao desentulho.


Júlio de Castilho, Lisboa Antiga; Bairros Orientais, 2ª ed., vol. I, Lisboa, C.M.L., 1939, p. 275 e ss..

Alerta!

É Outono e está a chover.


 


DSC10854.jpg
Lisboa - (c) 2009

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Campanha

 O sr. Jacinto Apóstolo propôs e está em votação no Orçamento Participativo da C.M.L. uma obra de recuperação do Casal Vistoso, ao Areeiro. Orgulho-me que um modesto escrito meu aqui possa ter valido dalguma coisa a uma ideia muito mais valiosa: transformar num aprazível jardim, com parque infantil e de merendas, um grosso matagal e umas lastimáveis ruínas donde já quase se não tiram sequer memórias.
 O projecto é o 813 e pode votar-se até ao próximo dia 31 de Outubro.

Quinta das Ameias ou do Casal Vistoso, Areeiro, c. 1990
Quinta das Ameias ou do Casal Vistoso, Areeiro, c. 1990.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Estribilho...

Janela, Cais do Sodré, 1989
Cais do Sodré - (c) 1989

Haverá ainda no mercado oportunidades sem janela?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Jornal de [poucas] letras

Jornal de [poucas] letras, 21/10/2010

Adenda: 
 
O Jornal de [poucas] Letras não põe 'c' em 'recto'. Faz bem, mas não é assim que se livra de brasileiradas...
 No artigo retratado diz que o romance Sargento Getúlio, de Ubaldo Ribeiro, foi publicado no Brasil nos anos 60; foi publicado na América em 78; e ao depois foi traduzido para um ror de línguas. E agora rejubila: «O leitor português ganha agora, finalmente, numa louvável iniciativa [...] a sua primeira edição.» - Pois é! Faltava ser traduzido para português. Afinal no Jornal de [poucas] Letras sempre sabem que o que se escreve no Brasil não é bem português.
 (Em 27/X/2010, à meia-noite e meia.)

Figuras d' hontem e d' hoje...

Cláudia Muzo, Nova Iorque (Bain News Service, 1922)
Cláudia Muzo e o cãozinho, Nova Iorque, 1922.
Bain News Service, in Shorpy.

Programa da noite

Mrs. Harry S. New, 1924 (Shorpy)
(Imagem: Shorpy.)









sábado, 23 de outubro de 2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Genesis ao vivo

Os telediscos dos Genesis tem tendência para se apagar. Vamos se este dura...


 










Genesis, Follow You Follow Me
(Roma, 2007)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Português (*)

Português (= 10 cruzados), reinados de D. Manuel I e D. João III (Forum dos numismatas)

 Aquela sr.ª dr.ª Manuela Leite — que se não foi ministra das Finanças quando o €uro entrou, andou perto — ecoou anteontem de Badajoz de molde [i.e., de modo] a ter algumas dúvidas sobre a nossa independência económica [os Estados ou são independentes, de todo, ou não são, mas enfim…]
 Pois anteontem também, na demasia de € 5,00 que dei para pagar não sei o quê, recebi € 1,00 com cunho da República Francesa, outro com cunho da italiana e mais duas moedas com efígie do rei dos espanhóis.
 Aquela dr.ª Manuela Leite não calha muito lidar com trocos. Senão, talvez do molde dos cunhos [aqui aplica-se molde] tivesse já ela deduzido a verdadeira natureza da asfixia que em tempos por aí apregoou. E com isto assim trocado por miúdos podia ser que pudesse intuir alguns porquês do T.G.V. também. Antes que lhe falte o ar…


 




(*) « Português foi o nome dado por D. Manuel I, às grandes moedas de ouro, do valor de 10 Cruzados [=4$000 rs.], que mandou lavrar para que Vasco da Gama levasse na sua armada para mostrar ao Mundo a moeda do rei de Portugal, e ainda há as que foram cunhadas com ouro vindo da India, não só no reinado de D. Manuel I, mas também no de D. João III. Tal era a sua magificência e prestígio que era imitada por vários locais da Europa, dando origem aos Portugaloser.»
In Forum dos Numismatas, Moeda #9.

A [nova] bênção dos bacalhoeiros

Bêncção dos bacalhoeiros, Belém (A. Passaporte, c. 1940)

 Um cavalheiro que bota discurso muitas (e também poucas) vezes – um que entaramela as sílabas e lhe só sai um retorcido 'pugresso' – calhou-lhe hoje uma ainda mais tramada: imperetivelmente. Um estranho caso em que falar custa mais que ter feito naufragar a marinha mercante por inteiro, mais toda a frota de pesca.
 (Quem não esteja para gramar a arenga toda, é aos 9min 40s.)


 


Fotografia: António Passaporte, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Edição de postais

Mértola - © 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Da despesa do Estado

 Perdido no aparato de notas do badalado calhamaço sobre Salazar há uma história engraçada.
 Em Novembro de 1940 o dr. Salazar adquiriu dois dicionários. – Naquele tempo o afã de Salazar por manter a guerra longe de Portugal era grande e por tal acumulava as pastas da Guerra e dos Estrangeiros, além da Presidência do Conselho (não sei de que ganhasse por três ministros, mas tudo é possível...) – Pois bem. Os dicionários, um de Português-Inglês/Inglês Português e um Westminster English Dictionary – certamente pelos trabalhos de diplomacia em mãos –, foram comprados na livraria Sá da Costa. O primeiro sabe-se que custou 180$00 pois há recibo. E no recibo Salazar anotou: "Na Bertrand pediram 200$00".

«O Século», 21/6/1938 (?), in «Salazar. O Obreiro da Pátria»
(Imagem in «Salazar. O Obreiro da Pátria».)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O 98 da Duque de Loulé

Av. Duque de Loulé, 98 (Lisboa S.O.S., 2009)
«O 98 da Duque de Loulé», in Lisboa S.O.S., 5/IV/09.



 Um comentário hoje ao verbete do «Projecto cor..., Crono», que escrevi há dias, dum cavalheiro que não diz o nome, afirma não ser correcto eu fazer comparações entre besuntar com grafitti um prédio em ruínas e a real recuperação do edifício. Lá lhe respondi que pelo preço do m2 deve a administração municipal estar a oferecer a artistas duvidosos os cavaletes mais caros do mundo. Por conseguinte, e porque andamos numa fase de contar tostões, pergunto se é correcto a Câmara Municipal ser tão perdulária. Perdulária por não conseguir fazer simples contas de merceeiro ao m2 de terreno, porque quanto a avaliar artística e arquitectonicamente o produto, melhor é esquecer. Por menos aritmética que seja precisa, seria necessário haver por aí entre os mamíferos que tomaram de assalto a coisa pública uns que soubessem ao menos distinguir um fresco dum mural. Mas como ele é mais boys para um palácio...



(Revisto às 11h00 da noite.)

domingo, 17 de outubro de 2010

Leite com chocolate

 Em menino, na véspera de ir para a primeira classe, andava angustiado com a escola. Falaram-me de ter que ir para a escola e ter de obedecer a quem lá mandava; professores, contínuas; e sobretudo devia estar quietinho e calado na sala de aula. Lembro-me de uns dias antes andar a treinar o 'a' num caderninho como que para espantar o medo. Lembro-me de num desses dias a D.ª Adelina, uma senhora rija, já perto dos 80, que visitava amiúde a minha mãe para tomar chá e conversar, me ensinar o 'e'; para o caderno não ser só 'aa'. Lembro-me de achar o 'e' feio; tão feio que nem devia ser uma letra a sério; devia ser invenção da D.ª Adelina.
 Pois bem. No primeiro dia de escola a angústia deu em pânico. Soube que iria para a sala da D.ª Idalina. O Vijó, o meu amigo de brincar ao Bonanza, não era dessa sala. Era da da D.ª Maria do Rosário. O pânico deu num choro copioso, tanto que a minha mãe nesse dia já me não obrigou.
 No dia seguinte, porém, levou-me com ela às compras de manhã (as aulas eram de tarde, da uma e meia às cinco e meia). Comprou-me uma tablete - eu gostava de chocolates. E lá me ia dizendo que a sala da D.ª Idalina também era boa; havia lá o Zezinho da D.ª Joana. Eu era amigo do Zezinho, não era?...
 Era, mas era pouco. O pânico dava já em birra. Por conseguinte a minha mãe lá tratou duma troca e, por fim, no portão da escola só me disse: - "Tu agora vais para a sala do Vijó. Vais aqui com a D.ª Alda (a contínua). Mas ouve bem: se no fim ela me diz que te portaste mal, eu lá em casa logo te digo!..."
 Sentença lida, lá fui. Quando se abriu a porta da sala o Vijó levantou-se logo acenado-me. Foi imediatamente repreendido pela professora: - "David Jorge, sente-se!" - E a mim mandou ela friamente sentar na carteira da Ana Maria que tinha um lugar livre. Sem mais, tornou à lição: estava a ensinar a letra 'i'...
 O leite com chocolate foi na hora do recreio. Os meninos, íamos na forma à cantina onde a D.ª Alda e as contínuas nos davam um pão com mateiga e uma garrafa de leite com chocolate. Eu não gostava de leite, nem sendo com chocolate. Bebi-o todo, a custo, enjoado, e sem queixas. À hora do recreio tinha noção certa de que o crédito para caprichos se havia esgotado.

Garrafas de leite com chocolate pirogravadas(OLX Leilões)
(Imagem em OLX Leilões.)

sábado, 16 de outubro de 2010

Gótico alentejano

Ermida de Santa Clara, Vidigueira - © 2010
Ermida de Santa Clara, Vidigueira, 2010.



Ermida de S. Sebastião, Alvito (Luísa Gonçalves, 2010)
Ermida de S. Sebastião, Alvito. Cliché de Luísa Gonçalves (c) 2010.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Igreja Matriz (*)

 Numa recente passagem por Mértola ouvi com enfado, no posto de turismo, chamarem «mesquita» à igreja matriz. Já no adro torci o nariz ao texto de descrição do monumento: - «Em 1238, quando Mértola foi integrada no Reino de Portugal [...]»
 Integração. Que maneira tão asséptica de dizer Reconquista.
 Este despojar-se de si por sujeição ao outro que é agora escola seria melhor aplicado a futebóis para evitar indigestões (« – Inté os comemos, carago!») do que à História de Portugal. E logo em Mértola, onde os trabalhos da arqueologia tanto nos têm dado.
 Depois disto que conto ia procurando o que havia sobre Mértola nalguns livros mais antigos, de antes do advento desta «língua de pau» que hoje medra até das pedras e dos caquinhos da arqueologia, e enfim estaquei n' O Tempo e a Alma – um périplo do prof. Hermano Saraiva por Portugal, salvo erro em 1984-85, com o intuito de «pôr as terras a falar».
 Vede o que escrevia ele em Mértola naquele tempo:


“ A nota mais curiosa está no nome que agora lhe dão: «mesquita». Não lhe chamam «igreja matriz» – «antiga mesquita» ou qualquer expressão equivalente. É «mesquita» o que se pode ler, por exemplo, nas placas indicativas do percurso turístico. É um deslize que tem uma explicação: a avidez com que em Portugal se procuram vestígios de arquitectura árabe, que não existiam. São numerosos na Andaluzia, mas inexistentes em Portugal. Pode haver várias razões para isso, e uma delas é a violência da guerra religiosa. Tudo quanto aqui recordava a fé dos vencidos foi implacavelmente destruído. As mesquitas de Mértola (devia ser mais que uma, porque a cidade era capital dum pequeno reino) não fizeram excepção.”


José Hermano Saraiva, Jorge de Barros, O Tempo e a Alma; Itinerário Português, 2º vol., Círculo de Leitores, [Lisboa], imp. 1986, p. 64.
 


 Vá lá o benévolo leitor ler na tal integração «a violência da guerra religiosa»...
 E vá lá o leitor ver uma mesquita com interior gótico de fins do séc. XIII e portal renascentista. Com a fiada de ameias denticuladas e os coruchéus cónicos também ameados, o que eu vejo lá é uma igreja de belo estilo alentejano.

Igreja Matriz de Mértola - (c) 2010
Igreja Matriz de Mértola. © 2010.




(*) De Mértola; da invocação de N.ª S.ª da Assunção ou de Entre-Ambas-as-Águas (Raul Proença, Guia de Portugal, vol. II); ou simplesmente da de Santa Maria conforme indicado no local.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dizem que o inferno nunca acaba...

 Os mineiros do Chile lá vão sendo resgatados. Estão de boa saúde e, naturalmente, bem dispostos. Mas os psicólogos, que deram consulta aos jornalistas, fizeram o diagnóstico aos... mineiros: transtorno obsessivo-
-compulsivo, crises de pânico, catatonia ou até esquizofrenia
.
 O panorama parece mais negro agora que no fundo da mina.

Míudos mineiros, Companhia Mineira de Carvão da Pensilvânia (Lewis Wickes Hine, 1911)
Miúdos mineiros, Pensilvânia, 1911.
Lewis Wickes Hine, in Shorpy.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Projecto corn..., Crono



 "A intervenção é sempre em locais esteticamente deprimidos. Transformamos o impacto negativo em algo de estimulante e criativo", explica ao D.N. Pedro Soares Neves, arquitecto,
designer urbano e um dos mentores em Portugal do projecto [Crono].


Luís Fontes, D.N., 11/10/2010.
 


 As avenidas de Fontes e da Liberdade têm prédios deprimidos?!...
 Deprimido é o espaço entre as hastes daqueles Cronos e que só provoca borrascas nas cacholas dessa espécie de m... - perdão! - de arquitectos/designeres (sub)urbanos. Tivessem aquelas cavalgaduras e seus mentores municipais alguma pressão na vizinhança das respectivas cronaduras e veriam logo que prédios deprimidos precisam é de obras, não de antidepressivos em spray.

(Imagem, D.N.)

Pop 1981-2006















The Human League, Don't You Want Me
(1981 - 2006).


 


 


(O Tempo parece que desconsiderou mais as senhoras que os homens...)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Formação no campus

A antiga Emissora 2 anunciava esta manhã um curso formação de políticos. - "No campus da Universdade Católica do Porto" - disse o locutor.
Deve ser um curso ao ar livre.

'Campus' mertolengo (L.Gonçalves, 2010)
Campus mertolengo. Luísa Gonçalves (c) 2010.

domingo, 10 de outubro de 2010

Lei n.º 2.037 de 19/8/1949

Estatuto das Estradas Nacionais

 



CAPÍTULO I – Organização geral dos serviços

 



III) – Serviços externos


 


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A) – Demarcação

Artigo 13.°

 



     As estradas nacionais serão demarcadas por marcos miriamétricos, quilométricos, hectométricos [...] demarcação esta que obedecerá às seguintes normas:

 



            1.º Os marcos miriamétricos deverão conter: na face anterior, as indicações da estrada a que se refiram; na posterior, as do distrito, concelho e altitude; e, em cada uma das laterais, as da cidade ou vila mais próxima e do ponto extremo da estrada, com as respectivas distâncias, encimadas estas indicações pela do quilómetro correspondente ao marco;


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A este enroscaram-no ¼ de volta mais que a conta, foi o que foi.


 



E.N. 385 (km 20),  proximidades da Amareleja - (c) 2010
E.N. 385 (km 20, face lateral), Amareleja (proximidades), 2010.  


O mundo Disney

Livro das caras...

 Haverá vida além desse Mundo-Disney que é o livro das caras?
 Uma estimada leitora perguntou-me: - o Bic anda pelo 'Facebook'? Se não... - alguém me usurpara, não a identidade, mas o nome que dá título a este blogo.
 Não ando pelo livro das caras. Passeei lá por motivo muito concreto e, claro, tive de proceder ao inevitável registo. Desactivei entretanto a conta e fechei a loja.
 Ora hoje tropeço numa coisa chamada 'Networked Blogs', que vive alapada no livro das caras, e topo com... Não imagino a alminha que se desse ao trabalho de cadastrar tão modesto blogo (com BIC titulado em maiúsculas, ena! ena!) e que até o tenha classificado nos 'topics' do 'form' de registo como de reflexões, nostalgias (saudade seria mais poético) e fotografia antiga (desprezaram as do autor que são modernas, pois...)
 Espero que haja tido justa retribuição pelo labor de pôr os meus pobres desabafos na montra da moda, todavia - o/a vitrinista e o 1 seguidor 'gosto disto' que me desculpem - informo que me dei já ao trabalho de retirar o artigo da vitrina. É artigo exclusivo e desvaloriza se for massificado. Além disso os do livro das caras tem o mau hábito de tutear os fregueses.

Tutear

TV Rural

Aquele programa de escárnio das meias-noutes de sábado na SIC-N hoje tem um palrador novo com 'microchip' na orelha.

Brincos Walmur para identificação de bovinos


(Imagem em...)

sábado, 9 de outubro de 2010

O palácio real da Ajuda

 Acabo de ver o programa "A Alma e a Gente" do professor Hermano Saraiva. Depois dum enjoo da República nesta semana, o professor escolheu falar do palácio real da Ajuda. Uma finíssima ironia, na minha opinião, com recado bem dado e destinatários certos.

Ajuda, Lisboa - © 2008
Ajuda, Lisboa, 2008.

E.N. 385

Mourão © 2010

Mourão - (c) 2010

E.N. 257

E.N. 257 - © 2010

E.N. 257 (Viana do Alentejo). Cliché de Luísa Gonçalves - (c) 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Enchente diluvial

Mértola, 1876 - © 2010

Mértola, 1876 - (c) 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

∞ 45

E.N. 119, Quinta Grande (Coruche). © 2008

E.N. 119, Quinta Grande (Coruche). (c) 2008

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Retratos da República

  Na televisão S.I.C. uma reportagem, há pedaço, duma banda num coreto comemorando a República num jardim vazio, em Faro. Há qualquer coisa nesta República que falha. Como em 1910, gente grada insufla o Largo do Pelourinho, em Lisboa, de conversa que a Portugal não lhe interessa. Em Faro, nem os reformados nem os transeuntes sabem do rei há cem anos ou do presidente hoje de manhã. Um velhote ainda dá mostras de simples entendimento da vida (cito de cor): - "Com os reis passava-se de pais para filhos. Agora muda a cada quatro anos, e só andamos para trás".
 Bem-vindos ao 5 de Outubro, cidadãos. No canal da Memória está a dar o Duarte & C.ª...

D. Manuel II, o bibliófilo (angelfire.com)
(Imagem in angelfire.com)

Portugal, 2010

Quinta da Gravata, Rio de Mouro - (c) 2010

Quinta da Gravata, Rio de Mouro. (c) 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Da pendura (ou dos adesivos)

 O prof. Marcelo de Sousa disse ontem com a ligeireza que lhe conhecemos que a porção de monárquicos em Portugal deve ser de 20-25%, contra 75-80% de republicanos.
 É um palpite.
 Com a mesma ligeireza podia também ser que a porção fosse 80% de monárquicos se amanhã restaurássemos a monarquia.

Comboio real (Estúdio de M. Novais, s.d.)
Comboio real, [s.l.], [s.d.].
Estúdio de Mário de Novais (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G..

domingo, 3 de outubro de 2010

Jardim do Torel

Jardim do Torel, Lisboa - © 2007

Jardim do Torel - (c) 2007

sábado, 2 de outubro de 2010

Postal comemorativo

Palácio da Ajuda, Lisboa (ed. do centenário da República)

Vistas da Pena

Vistas da Pena - © 2007
Mem Martins — (c) 2007

Aroma

Aroma - © 2007
Mem Martins — (c) 2007

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Propaganda do Governo

Interessante detalhe sobre a taxa de juros sobre empréstimos da dívida pública nos quadros em baixo, à direita.



Portugal Pays Eqilibré (1928-35)
Exposição Internacional  de Paris (Pavilhão de Portugal. Sala do Estado), 1937.
Comissário: António Ferro. Autor do Pavilhão de Portugal: Keil do Amaral.
Fotógrafo: Estúdio Mário Novais (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G..