sexta-feira, 30 de dezembro de 2005
quinta-feira, 29 de dezembro de 2005
Um ano antes ...
Logo que vi esta imagem fixei-me no horizonte aberto e na calma do trânsito; a correcta ordem na edificação põe em evidência o monumento e a B.N., um edifício público. Era assim Lisboa. Foi assim!...
Monumento da Guerra Peninsular, Lisboa, 1965.
Foto: Horácio Novaes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Nat King Cole Trio (?) Benny Goodman.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
Biblioteca Nacional, 1966
O edifício da Biblioteca Nacional foi inaugurado em 1969. Na imagem, vemo-lo em construção. Por demolir estava ainda o palacete do nº 89 (ou 91) do Campo Grande (em baixo à direita).
Em segundo plano está a Universidade de Lisboa: identifica-se a reitoria, as faculdades de Letras e de Direito, a cantina e o estádio universitário. Mais ao fundo alguns mamarrachos marcam a Estrada da Luz e um troço da 2ª Circular.
À esquerda da B.N. (à direita na fotografia) parece-me o colégio Moderno.
A fotografia, cedida por cortesia de Manuel, é duma publicação do M.O.P..
terça-feira, 27 de dezembro de 2005
A jogada
Lembrou-me já um par de vezes que o rei pode vir a ser um mero peão a sacrificar numa jogada de xeque com cavalo.
Mas não! Não há por aí nem sombra de raposa com engenho para tão afoita jogada!
Peça deste xadrez.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2005
O chefe
Igreja de Benfica, pouco antes da missa do galo.
- Ó chefe! Ó chefe!
- Mau! - pensei, olhando para trás.
- Ó chefe, você tirou minha fotografia.
- Como!? Não lhe tirei fotografia nenhuma - respondi tentando dar fim à conversa.
- O chefe tirou-me fotografia, agora ali - insistia o fulano atrás de mim.
- Já lhe disse que não lhe tirei fotografia nenhuma! - repeti com autoridade de chefe.
- Não tirou?! Então 'tá bem.
Parei, voltei-me e o fulano já se afastava.
Segui o meu caminho convencido que me livrara de boa.
Igreja de Benfica, Lisboa, 2005.
E afinal sempre lhe tirei a fotografia.
domingo, 25 de dezembro de 2005
sábado, 24 de dezembro de 2005
A demanda do presépio
Porque teimo em escrever cartões de Natal que representem o motivo óbvio, tive de palmilhar quatro papelarias até encontrar representações da Sagrada Família ou da Adoração do Menino. Pelo caminho topei repetidamente com representações pagãs: árvores, renas, ursinhos a patinar, bolas, velas, presentes, bebés com barrete de Pai Natal, Pais Natal com e sem barrete, barretes com ou sem Pai Natal, barretes...
Não sendo caso de me mover tamanha fé, interrogo-me porém: haverá por aí fervorosa propaganda mercantil desviando-nos do essencial?!
Feliz Natal!
O Natal, 1603-05
El Greco, óleo sobre tela, 128 cm
Hospital da Caridade, Ilhescas
sexta-feira, 23 de dezembro de 2005
Obras com pés e cabeça
Introdução:
O amianto foi reconhecido como substância cancerígena, pela Organização Mundial de Saúde, em 1960.
Desenvolvimento:
No Ministério do Ambiente, soube o D.N., já existe hoje a listagem dos edifícios sob aquela tutela que contêm amianto na sua construção.
Conclusão:
Seguir-se-á um plano de acção.
Comício Republicano, Lisboa - Avenida D. Amélia, 1906.
Foto: Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Se descobrirem que estar vivo é perigoso para a saúde... Farão uma lista? Qual será o plano de acção?
quinta-feira, 22 de dezembro de 2005
quarta-feira, 21 de dezembro de 2005
terça-feira, 20 de dezembro de 2005
Ouromilhões
O Banco de Portugal vendeu 35 toneladas de ouro.
A verba do euromilhões está por distribuir por falta de projectos.
[Será que vamos ver totomilhões a comprar ouro?!]
sábado, 17 de dezembro de 2005
quinta-feira, 15 de dezembro de 2005
O lugar de Sete Rios
Conversava o sr. D. Jorge comigo esta tarde e a conversa descaiu para o lugar de Sete Rios: disse-me ele das mercearias, tanoarias, tabernas, dum barbeiro debaixo de uma figueira, dum casarão com criados na Estrada de Benfica (talvez esta aqui em primeiro plano, à direita), dum clube onde se jogava dominó e outras coisas que havia ali.
Eis uma vista de cima do viaduto ferroviário.

Estrada de Benfica, do viaduto de Sete Rios, Lisboa, 1958.
Foto: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Aquele prédio lá ao fundo, ao centro da imagem, é o nº 203 da Estrada de Benfica. Aqueloutro mais alto à esquerda devia ser o n.º 435 da Rua de Campolide; sabei que foi visto oito anos antes de Wim Wenders, mais ou menos donde se vê o autocarro. Duma perspectiva oposta, também oito anos antes de Wim Wenders, vereis que esta casa aqui à direita e estas outras à esquerda, meias encobertas pelas árvores, ainda não tinham sido demolidas.
Hoje, de tudo o que vedes nesta imagem, casas, carros, mota, pessoas, garantidamente só existe o nº 203 da Estrada de Benfica. Até este troço da Estrada de Benfica em primeiro plano (ou o que sobra dele) se chama agora Rua Professor Lima Basto...
(Revisto em 12/IX/16.)
quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
É TGV sim senhora
A Ti Altina ia dizendo para a vizinha:
— Primeiro houve qualquer coisa com o défice e aumentaram os impostos. Depois ouvi que havia qualquer coisa com a Segurança Social. Ainda havemos todas de trabalhar até estarmos com os pés para a cova.
— Olhe Ti Altina, até se compreende; os tempos estão difíceis! — respondeu calmamente a vizinha.
— Mas depois ouço Ota para cá, Ota para lá a toda a hora. E porque sim, senão ficamos todos a ver passar os comboios.
— Sabe, ainda fico é surda de ouvir tanto avião nessa Ota — confessou a vizinha.
— Também eu dou comigo a pensar se não há pouca terra para tanto tevegê, ou lá que é isso! — continuava a impaciente Ti Altina.
— Mas há mais — insurgiu-se finalmente a vizinha. — Ontem vieram com a conversa de uma grande refinaria; e hoje são mais são sei quantos hospitais novos.
— Ó vizinha, até parece que os tempos afinal são de abundância!...
Irritada, a vizinha pegou bruscamente na mão da netinha que assistia quieta e disse sem se despedir:
— Vamos embora Ernestina que isto é tudo uma grande vigarice.
domingo, 11 de dezembro de 2005
sexta-feira, 9 de dezembro de 2005
Canoas do Tejo (hoje deu-me para recordar isto)
Carlos do Carmo Letra e música: Frederico de Brito |
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Esta [última] aqui é do Eduardo Gageiro; as [primeiras] que ladeiam o poema descobri-as na Internete há tempos, mas não consegui agora identificar o sítio nem o autor. (Revisto: se premir nas imagens, vê-las-á ampliadas e a cores, menos a do Gageiro, que é a p/b. Publicado em 9 de Dezembro de 2005 às 22 e 43. Tornado a publicar no dia de finados de 2019 à mesma hora e reposto à data original em 19 de Abril de 23.) |
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2005
O diadema da Rotunda
Segundo se escrevia no Guia de Portugal em 1924:
« Finalmente, no extremo N. dessa longa artéria, como remate da cidade moderna, abre-se o diadema da Rotunda (Praça Marquês de Pombal), de pavimento em empedrado lisboeta, com letreiros alusivos à acção reformadora do estadista, plantada de acácias do Japão (Sophora japonica), e de onde a vista se enfia através da Avenida e as ruas da Baixa até morrer nos montes azuis da outra banda. De aí irradiam em diferentes direcções uma série de avenidas: a de Brancaamp, que vai dar à praça do Brasil [Largo do Rato]; a de Fontes Pereira de Melo que comunica com a praça do Duque de Saldanha, servindo de ligação aos modernos bairros conhecidos por Avenidas Novas; e a do Duque de Loulé, que liga directamente a Rotunda com o largo do Matadouro, servindo de limite N. ao bairro de Camões.» (1)
Praça Marquês de Pombal, Lisboa, 195...
Fotografia: António Passaporte, in Postais de Lisboa, [Lisboa], C.M.L., [1998].
Notas:
(1) Raúl Proença, Guia de Portugal, 1.º v., «Generalidades; Lisboa e arredores», 1.ª ed., Lisboa, B.N., 1924, p. 251 [Reedição da F. Calouste Gulbenkian, imp. 1991, que reproduz fielmente a 1.ª ed. de 1924].
quarta-feira, 7 de dezembro de 2005
Arte & 'design'
É aceito por todos que qualquer representação figurativa que se entenda é um desenho. Já rabiscos e momices sabemos que são amiúde designados por design.
Tão subtil aplicação de significantes bárbaros a significados inferiores não é cousa maravilhosa de se ver?!...
Desenho de Luís Ribeiro em pacotinhos de açucar
ou o suporte menor de uma ironia maior.
sábado, 3 de dezembro de 2005
Ai, Mouraria
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Amália Rodrigues, Ai Mouraria
Ai, Mouraria |
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| Ai, Mouraria do homem do meu encanto que me mentia, mas que eu adorava tanto. Amor que o vento, como um lamento, levou consigo, mais que ainda agora a toda a hora trago comigo. |
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| Ai, Mouraria dos rouxinóis nos beirais, dos vestidos cor-de-rosa, dos pregões tradicionais. Ai, Mouraria das procissões a passar, da Severa em voz saudosa, da guitarra a soluçar. |
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Fotografias: — — Obras no Martim Moniz [onde foi o palácio do Marquês do Alegrete], de Ferreira da Cunha, em 11/2/1947 (ao centro e em baixo). Todas no Arquivo Fotográfico da C.M.L. |
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2005
O culto
A República Portuguesa diz-se laica mas a televisão pública está positivamente convertida à religião do deus mercado.
Assisti ontem no telejornal, em directo de um templo de Alcochete (cujo nome era ostensivamente enunciado), a um fervoroso acto de pregação da religião mercantil. A homilia versava algo no género dos «portugueses este ano vão gastar menos 6% nas compras de Natal», dogma doentiamente repetido pelo sacerdote de serviço. E era tamanha a fé, que nem a negação do dogma, em directo, por um devoto consumidor, pôde abalar.
Templo de Saturno, Roma, 2005.
Deduzo que o repórter evangelizador se haja esquecido de partilhar a prebenda com o entrevistado.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2005
Português de siso, castelhano de zombaria
« Pero de Alcáçova Carneiro que depois foi conde da Idanha, teve grande entendimento e prudência e em razão disto o mandou el-rei D. Sebastião por embaxador (1) a Castela a el-rei Dom Filipe II, seu tio, sobre matérias de muita importância. Foi esta embaxada de Pero de Alcáçova muito luzido [sic], porque o acompanharam nela D. Álvaro de Melo, neto do marquês de Ferreira Dom Rodrigo, e o bisconde Dom Francisco de Lima, ambos seus genros, com muitos criados, e todos faziam grande acompanhamento. Foi de el-rei de Castela mui bem recebido e recebeu dele sempre muita honra e mercê enquanto lá esteve.
Folgava el-rei muito de falar com ele porque era Pero de Alcáçova homem de corte, como quem se havia criado nela de minino - na de el-rei D. João III de Portugal - e quando falava com el-rei lhe falava sempre em português; sendo assim que nas vistas (2) que os senhores castelhanos lhe faziam e em qualquer parte que se achava com eles falava em castelhano. Porque o falava muito bem soube el-rei disto e, falando um dia com ele lhe disse:
— Embajador, como me hablais siempre portugués y a los otros siempre en castellano?
E Pero de Alcáçova lhe respondeu:
— Porque com V. M. falo de siso, e com os demais de zombaria. (3) »
D. João IV
Ilustração: Carlos Alberto, in História de Portugal, 13.ª ed., Agência Portuguesa de Revistas, [s.l.], 1968.
Notas:
(1) A ortografia e pontuação foram actualizadas, excepto quando se nota pronúncia diferente.
(2) O m. q. visitas.
(3) Cristopher L. Lund [intr. notas e índices], Anedotas portuguesas e memórias biográficas da corte quinhentista, Coimbra, Almedina, 1980, XC, p. 145.





