Conversava o sr. D. Jorge comigo esta tarde e a conversa descaiu para o lugar de Sete Rios: disse-me ele das mercearias, tanoarias, tabernas, dum barbeiro debaixo de uma figueira, dum casarão com criados na Estrada de Benfica (talvez esta aqui em primeiro plano, à direita), dum clube onde se jogava dominó e outras coisas que havia ali.
Eis uma vista de cima do viaduto ferroviário.
Estrada de Benfica, do viaduto de Sete Rios, Lisboa, 1958.
Foto: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Aquele prédio lá ao fundo, ao centro da imagem, é o nº 203 da Estrada de Benfica. Aqueloutro mais alto à esquerda devia ser o nº 435 da Rua de Campolide; sabei que foi visto oito anos antes de Wim Wenders, mais ou menos donde se vê o autocarro. Duma perspectiva oposta, também oito anos antes de Wim Wenders, vereis que esta casa aqui à direita e estas outras à esquerda, meias encobertas pelas árvores, ainda não tinham sido demolidas.
Hoje, de tudo o que vedes nesta imagem, casas, carros, mota, pessoas, garantidamente só existe o nº 203 da Estrada de Benfica. Até este troço da Estrada de Benfica em primeiro plano (ou o que sobra dele) se chama agora Rua Professor Lima Basto...
(Revisto em 12/IX/16.)
Ai o Wim Wenders. E uma Borgward da frota Marcel, às voltas na Baixa. :) Abraço
ResponderEliminarDiria, a marca do tempo sobre as coisas. Beijinhos.
ResponderEliminarManuel: era no filme com a Teresa Salgueiro, não era, Lisbon Story? Tenho só uma vaga ideia... Preciso ver o filme de novo. - Maria do Céu: é a marca do tempo sobre as pessoas; já sobre as coisas é também a vontade dos humanos. Cumpts. a ambos.
ResponderEliminare os carros pá? lindos, o meu avô deixou-nos um morris minor de 1952, uma coisa fantástica... de resto é passar dos anos que se encarrega de mudar o que deve ser mudado e por vezes o que não deve... ora entao um grande bem haja
ResponderEliminarSim. Lisbon Story. Algum tempo depois, desapareceu a frota Marcel. :) Abraço
ResponderEliminarInsolente: também aprecio os carros antigos; notou o trânsito atrás do eléctrico àquela hora da tarde? Um engarrafamento há 50 anos, hem?! - Manuel: 2/3 do tríptico que montei em 'Sete Rios' pertencem-lhe; e por eles vejo que a maior mudança no lugar se deu nos últimos 20 anos: a perenidade da mudança adensa-se. Cumpts. a ambos.
ResponderEliminarPor acaso o jardim que vemos ali à direita não pertencerá ao Palácio dos Marqueses de Fronteira, agora propriedade de um marquês gordo, anafado, que dorme até às 5 da tarde (é ele que o diz) e que tem "sorte de ter nascido rico porque não gosta de fazer nada"? Nos meus tempos de estudante, saia da faculdade e descia sempre nesta paragem do palácio (não sei é se é este jardim ou este edifício, claro, mas é muito parecido com o que eu tenho na ideia). Fica bem. Queres uma Bic no Natal? Eu dou-te uma...hi, hi, hi...(pensava que gostavas mais das canetas de tinta permanente). PIU!
ResponderEliminarO palácio de Fronteira fica adiante, à mão esquerda da Estrada mas afastado. Este jardim foi ocupado pelas instalações do Metropolitano. Canetas, gosto das de aparo; ou então penas de pato. Cumpts. e obrigado! :)
ResponderEliminarPenas de pato? Muito engraçado e conveniente, sim senhora!!! PIU!
ResponderEliminarEm boa verdade foi mais para assustar mochos que disse isso. Cumpts.
ResponderEliminarNão me lembro de si mas lembro-me muito bem de Sete Rios e ao ver estas fotografias a comoção é enorme. Fui um dos promeiros nascimentos da maternidade Alfredo da Costa e um dos primeiros baptismos na Igreja de Fátima até onde íamos a pé, pela mão de nossa Avó, aos Domingos, ouvir a missa. Quando não íamos a Fátima iamos à capela dos Condes de Caria ou à Quinta das Mil Flores dos Carvalho. Pela manhã juntavamo-nos no cruzamento da rua de Campolide com a rua de Carnide e com a parte velha da estrada de Benfica esperando as camionetas dos respectivos colégios. Entre a criançada estava José Carlos Ary dos Santos e irmãs que vinham de Carnide e declamava. Às vezes era a mãe dele que nos ía buscar para juntos irmos ouvir a missa.
ResponderEliminarAli vivemos até nos terem demolido e a câmara nos ter dado tuta e meia pelas casas e terrenos. A casa dos meus trisavós beijava a linha do combóio, foi vendida posterirormente a Caeeiro da Mata e nós viviamos naquelas casas que as àrvores escondem. No prédio da direita viviam os Burnay gémeos e por baixo um parente nosso da família do conde de Farrobo. Um irmão da minha mãe morreu ali à porta de casa. Trucidado por um eléctrico que esmagou o seu side-car quando vinha duma festa no palácio dos marqueses da Fronteira. O palácio dos Fronteira já era em Benfica. A minha avó tinha como inquilino um tal advogado Palma Carlos e a firma Pardal Monteiro para onde me escapava pois adorava talhar a pedra. Que Saudades!!! Saí dali com 11 anos, não posso esquecer o enorme jardim onde demos nomes a cada rua e onde andavamos de bicicleta, jogavamos voley, tinhamos horta e estrumeira, e enchiamos de amigos e primos todos os fins de semana. Na rua de Campolide morada o nosso médico, o dr. França e os Paraty irmãos da D. Teresa de Noronha que visitava a minha avó. Mais adiante na estrada de Benquita morava a Srª. D. Angela Calheiros, amigos da minha familia que visitavamos com certa assíduidade, tinham um jardim lindo. Parece ter sido uma repartição da polícia e agora em ruínas. Muitas Histórias e muitas recordações o Sr. me veio acordar. Hoje já com uma duzia de netos estranho a emoção que estas fotografias me proporcionaram e me fez correr Sete Rios pelos olhos. Obrigada!!! Nem sei como o seu Blog me apareceu na frente...é tudo tão estranho... eu nem procurava Sete Rios... A vida tem coisas....
Tudo de Bom para si e seus familiares no Novo Ano de 2006.
Exma. Verdade,
ResponderEliminarAgradeço-lhe muito os votos de bom ano; saúde e alegria é que desejo também
a si e todos os seus!
O seu relato é extraordinariamente emocionante. Conheço mal Sete Rios e
nunca lá morei (por isso não se pode lembrar de mim). O lugar mudou muito
ultimamente e do que foi no passado só tenho vaga ideia. Já vê como não pude
compor mais que um árido escrito para acompanhar a fotografia que pus no
blogo. Muito me contento que esta minha curiosidade por coisas do passado
lhe haja avivado o interesse e motivado o seu contributo. Todas aquelas
pessoas de que fala voltaram a encher de vida o lugar; Sete Rios ganhou
alma. A poesia das suas saudades vale por mil imagens. Mil obrigados por
partilhá-la!
Com respeitosos cumprimentos,
Caro Bic Laranja, foi com surpresa que descobri o seu blog durante uma pesquisa para um trabalho academico...bastante interessante e muito util pois fez-me compreender as mudanças que a cidade de Lisboa tem sofrido, algumas bem drásticas e nem por isso para melhor. No entanto debato-me com a incógnita de saber qual a verdadeira razão para a designação de Sete Rios, pois ao longo da minha pesquisa so encontrei uma ribeira, a de Alcântara...será que me consegue esclarecer ou algum dos comentadores? Muito obrigado e até breve!
ResponderEliminarSete Rios é um vale. Pela topografia do terreno a possibilidade de haver vários regueirões fluindo para a Ribeira de Alcântara é bastante plausível. Se iam secos a maior parte do ano, se a contagem está bem ou mal feita é que é mais difícil. Cumpts.
ResponderEliminarCaro Bico Laranja,
ResponderEliminarTudo isto trz-mz velhas recordações ! vivi por ali perto, mesmo ao pé da meia laranja em frente da antoga entrada do Jardim Zoologico. Em Sete Rios tinha amigos de infancia, oe Franças, que moravam perto da C SANTOS, naquela rua perpendicular à Estrada de Benfica.
Tera conhecimento do que é feito dêles? Um dos irmãos, o Luis, entrou para frade nos Dominicanos. E a minha memoria acaba aqui...
Agradeço se me pode ajudar.
Cordialmente,
Jörge
Como dizia à leitora Verdade nunca morei em Sete Rios. Apenas publiquei esta fotografia daqueles tempos e... recebi cá estes comentários.
ResponderEliminarMuito obrigado do seu, também.
Cumpts.