terça-feira, 8 de setembro de 2026

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

De parir em casa e em estrangeiro

A rica tem nome fino,
A pobre tem nome grosso;
A rica teve um menino,
A pobre pariu um moço!


(Ant.º Aleixo)

 Passámos há muito das pobres às ricas. É o que me a linguagem diz — ou deixa de dizer, pois ninguém há aí que diga que pariu um moço.
 A somar a tamanha riqueza, esta, nossa, havemos agora aí mulheres exóticas a parir em casa. 
 Metem bruxo e rezas. Velinhas e oferendas. E no fim, se há choro, juntam-se homens a comer.
 De dizer que teve um menino ou que pariu moço é que, em puro português, soa a nado morto.


Materninade Dr. Alfredo da Costa, Lisboa. Estúdio de Mário de Novais, [s.d.]
Materninade Dr. Alfredo da Costa, Lisboa, [s.d.]
Estúdio de Mário de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.

domingo, 6 de setembro de 2026

Quem se lembra da tradutora dos livros d' Os Cinco?

Assistente Graça Lobato de Faria a par dum DC-4 Skymaster, Aeroporto da Portela, 195… A. n/ id., in Museu da T.A.P.
Assistente Graça Lobato de Faria a par dum DC-4, Aeroporto da Portela, 195…
A. n/ id., in Museu da T.A.P.

sábado, 5 de setembro de 2026

Excepto residentes

Pr. do Chile [i.é, R. Morais Soares, [Lisboa], 1973. Eduardo Gageiro, in «Lisboa no Cais da Memória:  1954-1974», Lisboa, Punkte Art, 2004, p. 189.

Praça do Chile, Lisboa, 1973.
Eduardo Gageiro, in Lisboa no Cais da Memória: 1954-1974, Lisboa, Punkte Art, 2004, p. 189.


 Em 1973, virar da Pr. do Chile para a Morais Soares tinha esta graça que Eduardo Gageiro fixou. 
 Em 2026, virar a mesma esquina pelo passeio acha-se proibido a peões, excepto residentes. — Imaginai vós agora, portugueses que me ledes [se sobra algum], que espécie de residentes…


Pr. do Chile, Lisboa — © 2026

Excepto residentes, Praça do Chile — © 2026.


Nota: calhando, a do Gageiro está mal situada além aqui da esquina que proíbe o trânsito de peões em 26. Mas não invalida a questão do' residentes hoje. Sobra o quebra-tolas do lugar exacto da de 73.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O eurideje

 Ainda há não muito tempo — ou, calhando, sou eu que estou velho e perco a noção do tempo — passávamos ali pelo café a tomar a bica antes de seguirmos para o trabalho e, tinha graça. Era 1,10 €.
 Não foi ele há muito, pois quando começaram com os érios a bica era ainda a 60$00, 70$00 (sessenta, setenta escudos, dizendo os preços em dinheiro); trinta ou trinta e cinco cêntimos do euro, portanto, para que os moços e os já esquecidos entendam.
 Pois, no tempo a que me refiro, tomávamos a bica ali pela manhã, eu e a senhora, por 1,10 €. Duas bicas eram 1,10 €; cada bica era por conseguinte 0,55 €. 
 Já não falávamos dos preços em dinheiro; só em érios, como se vê.
 Porém o que tinha graça não era isto. Era que o senhor do café falava axim. E quando dijia a conta, dijia sempre da mesma maneira:
  — Ora, dois cafés (bica só dizem os alfacinhas): um eurideje.
 Com isto diàriamente foi só natural que me eu, e a senhora, nos passássemos a referir ao senhor do café e ao próprio café como o eurideje.
 Por isto de natural — e como o que é natural e fica bem é fechar-se para férias em Agosto — o café do eurideje fechou em Agosto. Para férias.
 E hoje, 1 de Setembro, reabriu, o que também é natural. Lògicamente que o preço agora da bica já nada tem que ver com os tempos a que me refiro, salvo num pormenor…
 Anda agora cada bica nos noventa cêntimos.
 Ou andava, porque quando fui hoje a pagar a bica (hoje fui sòzinho) o sr. eurideje disse:
 — Ora, um café: um euro.
 O espanto foi maior numa das duas senhoras ao meu lado no balcão do que meu. Tanto assim que de imediato e a meio duma dentada no croissant com fiambre, uma delas se não contivesse quanto ao aumento da bica ali no eurideje que não dissesse dum trago:
 
— As férias fizeram-lhe mal!…

 Um eurideje. Não tarda nada voltamos a ele…


Diário de Lisboa, 14 de Fevereiro de 1971
«A "bica" tem novo preço», Diário de Lisboa, 14 de Fevereiro de 1971.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

No tempo dos campus

«Campus» da Justiça, Beirolas — © MMXXII
«Campus» da Justiça, Beirolas — © MMXXII

domingo, 30 de agosto de 2026

Comércio que resiste

Frutalmeidas, R. Fr. Amador Arrais (A. n/ id., in Portimagem, Saudades VI, 1923)

Frutalmeidas, Lisboa, 1981.
A. n/ id., in Col. da Portimagem.

Comércio que desiste

Esteva, R. Pascoal de Melo — © 2021

Esteva, Lisboa — © MMXXI

De espécies invasoras

«Correio da Manhã», 29/VIII/26.

 De invasores que marinham pelo ar ou por terra, nada.

sábado, 29 de agosto de 2026

Caruncho

«Caruncho», Montes Claros — © 2021
«Caruncho», Montes Claros — © 2021

domingo, 23 de agosto de 2026

Postal ilustrado de Lisboa

Fui à janela. Não vi ninguém que me parecesse português.


Estátua do Marechal Duque de Saldanha, Lisboa, post 1909 — 
© Edições Costa.

Estátua do Marechal Duque de Saldanha, Lisboa, post 1909.
A. n/ id. — © Edições Costa, in Col. da Portimagem.

sábado, 22 de agosto de 2026


Barbra Streisand — Cry Me A River
Recriação cinematográfica para gravação ao vivo no clube Bon Soir, Greenwich Village, 1962.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Eclipses

 Hoje há eclipse. Do Sol. Pelas nuvens.

«À procura do eclipse», Lisboa — © 2025
«À procura do eclipse», Lisboa — © MMXXVI

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

De escoicear

«De escoicear», Estefânia — © 2025
«De escoicear», Lisboa — © MMXXV

Lisboa, cidade triste e alegre (Da série)

«Caixas do correio», Rua da Escola do Exército — © 2025
«Rua da Escola do Exército», Lisboa — © MMXXV