Entrecampos, Lisboa, 1991.
Kim Løvenskjold, in Flickr.
Bic Laranja
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Quando se ainda conseguia ver o céu à saída do Metro em Entrecampos
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
De parir em casa e em estrangeiro
A rica tem nome fino,
A pobre tem nome grosso;
A rica teve um menino,
A pobre pariu um moço!
(Ant.º Aleixo)
Passámos há muito das pobres às ricas. É o que me a linguagem diz — ou
deixa de dizer, pois ninguém há aí que diga que pariu um moço.
A
somar a tamanha riqueza, esta, nossa, havemos agora aí mulheres exóticas a
parir em casa.
Metem bruxo e rezas. Velinhas e oferendas. E
no fim, se há choro, juntam-se homens a comer.
De dizer que teve um menino
ou que pariu moço é que, em puro português, soa a nado morto.
![Materninade Dr. Alfredo da Costa, Lisboa. Estúdio de Mário de Novais, [s.d.]](https://farm4.staticflickr.com/3219/3118096382_11fb43b30c_o.jpg)
Materninade Dr. Alfredo da Costa, Lisboa, [s.d.]
Estúdio de
Mário de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
domingo, 6 de setembro de 2026
Quem se lembra da tradutora dos livros d' Os Cinco?
sábado, 5 de setembro de 2026
Excepto residentes
Praça do Chile, Lisboa, 1973.
Eduardo Gageiro,
in Lisboa no Cais da Memória: 1954-1974, Lisboa, Punkte Art, 2004, p.
189.
Em 1973, virar da Pr. do Chile para a Morais Soares tinha esta
graça que Eduardo Gageiro fixou.
Em 2026, virar a mesma esquina pelo passeio acha-se proibido a peões, excepto residentes. — Imaginai vós agora, portugueses que me ledes [se sobra algum], que espécie de residentes…
Excepto residentes, Praça do Chile — © 2026.
Nota: calhando, a do Gageiro está mal situada além aqui da esquina que proíbe o trânsito de peões em 26. Mas não invalida a questão do' residentes hoje. Sobra o quebra-tolas do lugar exacto da de 73.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
O eurideje
Ainda há não muito tempo — ou, calhando, sou eu que estou velho e perco
a noção do tempo — passávamos ali pelo café a tomar a bica antes de seguirmos
para o trabalho e, tinha graça. Era 1,10 €.
Não foi ele há muito,
pois quando começaram com os érios a bica era ainda a 60$00, 70$00
(sessenta, setenta escudos, dizendo os preços em dinheiro); trinta ou trinta e
cinco cêntimos do euro, portanto, para que os moços e os já esquecidos
entendam.
Pois, no tempo a que me refiro, tomávamos a bica ali pela
manhã, eu e a senhora, por 1,10 €. Duas bicas eram 1,10 €; cada bica era por
conseguinte 0,55 €.
Já não falávamos dos preços em dinheiro;
só em érios, como se vê.
Porém o que tinha graça não era
isto. Era que o senhor do café falava axim. E quando dijia a
conta, dijia sempre da mesma maneira:
— Ora, dois cafés
(bica só dizem os alfacinhas): um eurideje.
Com isto
diàriamente foi só natural que me eu, e a senhora, nos passássemos a referir
ao senhor do café e ao próprio café como o eurideje.
Por
isto de natural — e como o que é natural e fica bem é fechar-se para férias em
Agosto — o café do eurideje fechou em Agosto. Para férias.
E
hoje, 1 de Setembro, reabriu, o que também é natural. Lògicamente que o preço
agora da bica já nada tem que ver com os tempos a que me refiro, salvo num
pormenor…
Anda agora cada bica nos noventa cêntimos.
Ou
andava, porque quando fui hoje a pagar a bica (hoje fui sòzinho) o sr. eurideje
disse:
— Ora, um café: um euro.
O espanto foi maior numa
das duas senhoras ao meu lado no balcão do que meu. Tanto assim que de
imediato e a meio duma dentada no croissant com fiambre, uma
delas se não contivesse quanto ao aumento da bica ali no eurideje que
não dissesse dum trago:
— As férias fizeram-lhe mal!…
Um eurideje. Não tarda nada voltamos a ele…
«A "bica" tem novo preço», Diário de Lisboa, 14 de Fevereiro de
1971.
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
domingo, 30 de agosto de 2026
sábado, 29 de agosto de 2026
domingo, 23 de agosto de 2026
Postal ilustrado de Lisboa
Fui à janela. Não vi ninguém que me parecesse português.
Estátua do Marechal Duque de Saldanha, Lisboa, post 1909.
A. n/
id. — © Edições Costa, in Col. da
Portimagem.


![Pr. do Chile [i.é, R. Morais Soares, [Lisboa], 1973. Eduardo Gageiro, in «Lisboa no Cais da Memória: 1954-1974», Lisboa, Punkte Art, 2004, p. 189.](https://live.staticflickr.com/65535/55509687713_a2a939a4d8_h.jpg)


