| início |

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Esta palavra «Lixbûna»…

 
 Anda espalhada pelo mundo e outros lugares idiotas a grafia «al-Ushbuna» ou «al-Lishbuna» transliterado os arabescos لشبونة como que para inglês ver, ou «amaricano» ler. Vai daí, apresentam o gatafunho ش (Xine) sempre transcrito com o dígrafo «sh» para reproduzir o som do xis.
 É mais uma afronta que tenho de sofrer, a barbarização constante e já sem freio do idioma, a par do crioulo ortográfico dos caipiras importado directamente dos sertões tropicais para Portugal e que se já conseguiu entranhar numa geração inteira de meninos.
 Por fim, agora, isto duma nova invasão árabe que, ao ritmo alucinante com que os mandaretes lhe continuam a franquear as portas da traição, em breve acabará com tudo o que é português. Portugueses incluídos, tragados ainda vivinhos da Silva, como que a dar de comer às formigas.
 Não será preciso esperar pelo cadáver da gente, portanto. O cadáver é já toda esta situação.
 Tornando ao caso. O dígrafo «sh» não é nada em português. Não tem tradição nem locução; quando muito ler-se-ia como simples «s» por o «h» se nunca ler em português fora dos palatais «lh» e «nh». No mais, para o som de «x» em português até nos sobra o «ch». Mas, bem! O que temos é agora gerações de portugueses que a cada perdigoto só grunhem «amaricano». E do mais macarrónico, para manter o requinte à babugem!… 
 O dígrafo «sh» não pertence ao nosso alfabeto nem faz sentido escrevê-lo em português. A distinção importante aqui é se estamos a escrever em português para portugueses ou a transliterar para turistas ou para invasores doutra espécie… Calhando, é mesmo esta!…
 O uso de «sh» (como em al-Ushbuna) na transliteração internacional(ista) que se lê com a autoridade bufa que caracteriza a Wikipeida e a lusa ignorância mais modernaça de sempre é padrão internacional  para que balbuciadores da nova língua franca (o inglês) saibam que aquela letra árabe tem o som de «x».
 Ora língua franca e padrão internacional podem ser muita coisa, mas não são português.
 Enfim, gasto o meu latim. De há muito que ilustres filólogos arabistas como David Lopes e José Pedro Machado encerraram este debate de forma categórica.
 José Pedro Machado, no seu clássico Vocabulário Português de Origem Árabe e em pareceres históricos, regista explìcitamente a forma como Lixbūna ou al-Lixbûna. Numa conhecida nota à Câmara Municipal de Lisboa reforçou ele que foi a grafia árabe لشبونة que se adaptou fonèticamente àquilo que os mouros ouviam à população da cidade, devendo por conseguinte ser fixada em português com o «x».
 E David Lopes, pioneiro dos estudos árabes em Portugal, fizera já antes escola na transliteração ibérica do árabe, precisamente para combater a dependência de sistemas gráficos estrangeiros (franceses ou ingleses) que eram despropositados, e defendendo que o património fonético do português continha já, como contém ainda agora (mas está à vista que não continuará assim), as ferramentas perfeitas (como a letrinha «X») para espelhar a fonética árabe.
 A introdução do «sh» em textos portugueses é uma cedência estúpida e preguiçosa à anglicização pelo padrão universal ISO/DIN que a Internete adopta por defeito (e que defeito é, de facto). 
 Científica e culturalmente, em Portugal, os nossos mestres já tinham resolvido o assunto: escreve-se e estuda-se a etimologia o nome de Lisboa como Lix bona > Lisbona > Lixbõa > Lisbõa > Lisboa.


Sem comentários:

Enviar um comentário