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domingo, 31 de maio de 2026

No tempo do Portaro

O eléctrico 27 para Campolide, Madre de Deus (J.F. Bromley, 1983)
O eléctrico 27 para Campolide, Madre de Deus, 1983.
John F. Bromley, Lisboa: diapositivos 1962–2004, in Flickr.

sábado, 30 de maio de 2026

Fado de outrora


 A letra do «Fado de Outrora» foi escrita por Manuel Rodrigues de Sá Esteves. Embora o tema seja frequentemente tratado como popular devido ao seu forte enraizamento na tradição fadista, os registos históricos atribuem oficialmente a autoria do poema a este autor. A sua obra ganhou enorme projecção e imortalidade comercial quando se juntou à música do Fado Pechincha, composto por João do Carmo Noronha.
 O Largo da Guia (e a respectiva ermida) existiu nos baixos da Mouraria, mas foi demolido quando se prolongou a Rua da Palma por ali acima até ao Intendente, 
em 1859.
 Manuel Rodrigues de Sá Esteves escreveu o poema décadas depois da demolição usando a expressão desde a Graça até à Guia evocando um pedaço da Lisboa antiga que talvez ainda sobrevivesse na memória colectiva. Pois, agora… Só se for na dalgum mouro de Bengala!…

 Fui reviver o passado // Às ruas da Mouraria // Não vi fadistas nem fado // Desde a Graça até à Guia…. 
 Fado de outrora. Já lá não há cá nada disto.

M.ª Teresa de Noronha — Fado de Outrora
(João do Carmo Noronha, popular)

Fui reviver o passado
Às ruas da Mouraria
Não vi fadistas nem fado
Desde a Graça até à Guia

Foi ali onde a Severa
Cantou o fado e viveu
Mas o fado dessa era
Morreu quando ela morreu

O casario se aninha
Cheio de fé e virtude
Em volta da capelinha
Da Senhora da Saúde

E da velha tradição
Já pouco resta hoje em dia
Esses tempos que lá vão
Não voltam à Mouraria

O triunfo do movimento militar

«O triunfo do movimento militar. Foi esta manhã incumbido de formar ministerio o comandante Cabeçadas», in Diario de Lisbôa, 30-5-926, p. 1
(Diario de Lisbôa, 30-5-926, adaptado dumas fotocópias manhosas da fundação do irmão do dr. Tertuliano.)

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O movimento militar…

… continua alastrando por toda a provincia, estando o governo convencido de que o domina.


(Diario de Lisbôa, 29-5-926, adaptado dumas fotocópias manhosas da fundação do irmão do dr. Tertuliano.)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Há cem anos

«A divisão de Braga que a noite passada se revoltou vais ser atacada por tropas do Porto e de Viana», in «Diario de Lisbôa», 28-5-926, p. 1

O movimento militar

«Reuniram[-se] esta tarde no Governo Civil todos os membros do governo tendo declarado em nota oficiosa tendo declarado que dispõe[m] de todos os elementos para manter a ordem», in «Diario de Lisbôa», 28-5-926, pp. 4-5)

Ultimas noticias

«O Chefe do Estado chamou ao Palacio de Belem os 'leadesrs' parlamentares», in «Diario de Lisbôa», 28-5-926, p. 8)
( Diario de Lisbôa, 28-5-926 , adaptado dumas fotocópias manhosas da fundação do irmão do dr. Tertuliano.)

No tempo do analfabetismo

Escola Primária N.º 22 (4.ª classe), Oeiras, ano lectivo de 1958-59. A. n/ id. — © 2026 Fundação Portimagem
Escola Primária N.º 22 (4.ª Classe), Oeiras, ano lectivo de 1958-59.
A. n/ id., in Col. da Portimagem.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Esta palavra «Lixbûna»…

 
 Anda espalhada pelo mundo e outros lugares idiotas a grafia «al-Ushbuna» ou «al-Lishbuna» transliterando os arabescos لشبونة como que para inglês ver, ou «amaricano» ler. Vai daí, apresentam o gatafunho ش (Xine) sempre transcrito com o dígrafo «sh» para reproduzir o som do xis.
 É mais uma afronta que tenho de sofrer, a barbarização constante e já sem freio do idioma, a par do crioulo ortográfico dos caipiras importado directamente dos sertões tropicais para Portugal e que se já conseguiu entranhar numa geração inteira de meninos.
 Por fim, agora, isto duma nova invasão árabe que, ao ritmo alucinante com que os mandaretes lhe continuam a franquear as portas da traição, em breve acabará com tudo o que é português. Portugueses incluídos, tragados ainda vivinhos da Silva, como que a dar de comer às formigas.
 Não será preciso esperar pelo cadáver da gente, portanto. O cadáver é já toda esta situação.
 Tornando ao caso. O dígrafo «sh» não é nada em português. Não tem tradição nem locução; quando muito ler-se-ia como simples «s» por o «h» se nunca ler em português fora dos palatais «lh» e «nh». No mais, para o som de «x» em português até nos sobra o «ch». Mas, bem! O que temos é agora gerações de portugueses que a cada perdigoto só grunhem «amaricano». E do mais macarrónico, para manter o requinte à babugem!… 
 O dígrafo «sh» não pertence ao nosso alfabeto nem faz sentido escrevê-lo em português. A distinção importante aqui é se estamos a escrever em português para portugueses ou a transliterar para turistas ou para invasores doutra espécie… Calhando, é mesmo esta!…
 O uso de «sh» (como em al-Ushbuna) na transliteração internacional(ista) que se lê com a autoridade bufa que caracteriza a Wikipeida e a lusa ignorância mais modernaça de sempre é padrão internacional  para que balbuciadores da nova língua franca (o inglês) saibam que aquela letra árabe tem o som de «x».
 Ora língua franca e padrão internacional podem ser muita coisa, mas não são português.
 Enfim, gasto o meu latim. De há muito que ilustres filólogos arabistas como David Lopes e José Pedro Machado encerraram este debate de forma categórica.
 José Pedro Machado, no seu clássico Vocabulário Português de Origem Árabe e em pareceres históricos, regista explìcitamente a forma como Lixbūna ou al-Lixbûna. Numa conhecida nota à Câmara Municipal de Lisboa reforçou ele que foi a grafia árabe لشبونة que se adaptou fonèticamente àquilo que os mouros ouviam à população da cidade, devendo por conseguinte ser fixada em português com o «x».
 E David Lopes, pioneiro dos estudos árabes em Portugal, fizera já antes escola na transliteração ibérica do árabe, precisamente para combater a dependência de sistemas gráficos estrangeiros (franceses ou ingleses) que eram despropositados, e defendendo que o património fonético do português continha já, como contém ainda agora (mas está à vista que não continuará assim), as ferramentas perfeitas (como a letrinha «X») para espelhar a fonética árabe.
 A introdução do «sh» em textos portugueses é uma cedência estúpida e preguiçosa à anglicização pelo padrão universal ISO/DIN que a Internete adopta por defeito (e que defeito é, de facto). 
 Científica e culturalmente, em Portugal, os nossos mestres já tinham resolvido o assunto: escreve-se e estuda-se a etimologia o nome de Lisboa como Lix bona > Lixbona > Lixbõa > Lisbõa > Lisboa.


Crónicas do trabalho em Portugal

 Directamente do centro de emprego para a apanha dos mirtilos.

Dos trabalhos que os portugueses não querem fazer, ex-Portugal — © 2026
Al-Lixbûna [*], ex-Portugal — © 2026

terça-feira, 26 de maio de 2026

Vila Real a vapor

Comboio a vapor, Vila Real A. n/ id — © 2025 Fundação Portimagem, Saudade VI, 1814.

Comboio a vapor, Vila Real, 1970.
A. n/ id, in Col. da Portimagem.

domingo, 24 de maio de 2026

Não é só bar aberto

 É comida, cama e roupa lavada. O resto são desculpas de mau bom pagador.

 Miguel Curado, «P.S.P. adia repatriamentos de imigrantes por falta de dinheiro», Correio da Manhã, 24/V/2026
Miguel Curado, «P.S.P. adia repatriamentos de imigrantes por falta de dinheiro», Correio da Manhã, 24/V/2026.

Opinião domingueira

 Eduardo Torres, «Perigo, caos e magia em Monte Novo do Sul. Era uma vez história verdadeira», Correio da Manhã, 24/V/2026
Eduardo Torres, «Perigo, caos e magia em Monte Novo do Sul. Era uma vez história verdadeira», I, 24/V/2026.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Acabadinhos de chegar

 Directamente da Tailândia dos fundilhos da Guiné para o nosso estabelecimento.

Lisboa, ex-Portugal — © 2026
Bar aberto, ex-Portugal — © 2026

No castelo da Ilha Kirrin

Ou um mundo imaginário em Montemor…

Zé com Tim numa vereda do castelo de Montemor-o-Novo, como cenário da Ilha Kirrin.
Gravura ao estilo de Eileen Soper, adaptada do Gemini, 2026.



(O desenho original de Eileen Soper foi catado no Livro das Fuças. A fotografia do castelo de Montemor-o-Novo é minha, de 2008.)

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Autocarro da Cityrama: magia digital e erros [com sofisma]

 Inteligência artificial. Um termo que não vale. Se é inteligência não pode ser artificial. Se é artificial não há nunca de ser inteligência: antes é artifício.
 Artifício, como foguetório.
 Do artifício, agora torno a contar.

 Tenho-me entretido com o Gemini, o algoritmo do Guglo que simula a linguagem humana.   Vulgarmente chama-se-lhe inteligência artificial, nome de que não gosto porque, como já disse, a coisa não é inteligência nenhuma (salva a dos programadores que a nutrem); e de artifício tem tudo.
 Só o adjectivo lhe assenta, portanto.
 Adjectivado que está o utensílio, por conseguinte, fica pelo adjectivo nomeado: chamemos-lhe o artifício.
 Pois bem, o artifício, para lá de manobrar com jeito a gramática, parece capaz também a fazer bonecos. Aqui ou ali fundem-se-lhe os fusíveis e estoura, como qualquer máquina puxada ao limite. Ironia. É justamente quando estoura que o artifício ganha foros de coisa real.
 Voltando ao artificioso da coisa, todas as preguntas que se lhe faça têm sempre resposta pronta; verdade firmada ou disparate inventado conforme haja ou não estribo na base de dados de suporte à resposta. O caso é que inventa descaradamente.
 E a fazer bonecos?
 A fazer bonecos tem algo de sinistro. Não digo só do aspecto geral das imagens que por artifício são geradas por inteiro como das trevas do nada: notam-se-lhe monstruosidade em rostos desfigurados e um tom sempre lúgubre da luz; são imagens sinistras que não inspiram.
 Por isso, se aproveito o utensílio para foguetório aqui, é só no jeito que tem de adulterar imagens. Algumas vezes em que o fiz, à procura de melhorar algo, forneci-lhe uma imagem real, já para estragar deliberadamente, já para recompor com verosimilhança
 Ou seja, carregar numa máquina a matéria-prima essencial para obter um produto acabado.
 Estamos no âmbito da mecânica, bem entendido. Já se faz com teares mecânicos.
 O resultado do processo é quase sempre para deitar fora à primeira e, à segunda; à terceira só piora.   Escapam algumas por regra de excepção.
 Depois, há o sofisma.
 O caso da vivenda Maria de Lourdes, em Benfica, cuja fotografia original carreguei na espécie de «Bimby» que passa por ser inteligente, foi grotesco. Grotesco e tão à vista que, nem vi. À primeira, as cores demasiado saturadas suscitaram-me rejeição. Corrigidas estas, o artifício acrescentou persianas na empena da casa à direita da «Maria de Lourdes» e ampliou o arvoredo em segundo plano de maneira exuberante. Tomei por boa a fotografia processada, desapercebido da aldrabice. Só depois vi a asneira. Nestes casos já sei; vai de recomeçar o processo com o original a preto e branco e pedir pouca saturação. 
 Aqui, hoje, com o autocarro da Cityrama, o original era a cores, meio descorado ou a pender para o roxo. Quis melhorá-lo.
 Outra vez à primeira saiu com as cores saturadas, mas não lhe topei nada mais. Uma ordem de correcção desse problema e pareceu bem. Cheguei a publicá-la. Até que, revendo e ampliando, o nome Leyland na frente do autocarro tinha saído aldrabado.
 Vão três [quatro] recortes da treta que se seguiu.




Cityrama

Autocarro Leyland da Cityrama, Terreiro do Paço, 1972 (A. n/ id., in Portugal Velho)

Autocarro Leyland da Cityrama, Terreiro do Paço, 1972.
A. n/ id., in Portugal Velho.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Fado da Verdade


 Fado de abertura do último programa musical com D.ª Maria Teresa de Noronha na Emissora Nacional, acompanhada pelo conjunto de guitarras de Raul Nery.
 Apresentado por D. João da Câmara, o programa gravado em 20 ou 25 de Dezembro de 1962, conforme as fontes, só terá ido para o ar na quarta-feira seguinte, 26 de Dezembro, às 22h25, seu dia e hora habitual.
 Neste programa de despedida, D.ª Maria Teresa de Noronha esmerou-se na escolha do repertório e abriu com este «Fado da Verdade» numa resposta pronta às ideias então defendidas aos microfones da mesma E.N. por Luís Moita, de que o fado era uma «canção decadente da raça», «dormente» e duma «degradante melancolia», ideias que veio a publicar no seu livro «Fado, canção de vencidos».
 D.ª Maria Teresa de Noronha contrapõe honestamente no «Fado da Verdade» que «é heresia e é pecado dizer tal coisa do fado» e que «quem do fado diz mal, não nasceu em Portugal ou, sem querer, falta à verdade.»
 Nas palavras de Nuno Lopes 
(Inéditos Para A História do Fado, Fundação Manuel Simões, Estoril, 2008), «uma clara profissão de fé da fadista que na hora do adeus terá feito questão de acentuar o seu amor a esta canção terna e declara que abençoado país que tem tal preciosidade».

M.ª Teresa de Noronha — Fado da Verdade
(Joaquim Campos, D. António de Bragança)

Houve alguém que disse um dia
Que o fado adormecia
Os que ouvissem seus gemidos
Que o fado tira energias
Que nos leva as alegrias
Que é uma canção de vencidos

É heresia, é pecado
Dizer tal coisa do fado
Fazer tal afirmação
Se o fado é triste cantar
Ele apenas faz chorar
A quem tem um /tenha coração

E quem do fado diz mal
Não nasceu em Portugal
Ou sem querer, falta à verdade
O fado, cantar tão terno
Não acaba e é eterno
Para nossa felicidade

Não faz ninguém infeliz
Abençoado País
Que tem tal preciosidade
Do amor, ele é irmão
Tem por pai o coração
E por mãe tem a saudade

terça-feira, 19 de maio de 2026

Duma era de luz sem côr, à de uma «sem imaginação»

 As memórias fotográficas, e por conseguinte a História, são a preto e branco desde a invenção da fotografia até ao advento do filme a côres. É tôda uma era da História contemporânea em matizes de cinzento, a descair para o sépia, se tanto.
 Sucede, porém, uma curiosidade imensa de ver o mundo dessa época como ele foi: a côres. A final, a realidade dessa era — e a História que queremos vêr dela — não deixou de ser a côres. E se da luz o preto e branco dá imagem real, da côr é precisa imaginação.
 Ou não.
 Há agora utensílios que imaginam pela gente e assim ficamos a preguiçar até de imaginar.
 Mas, bem, a tentação é inevitável. E até pelo apêlo estético duma realidade que passou a querer-se vê-la como ela foi, como é o caso dos postais antigos em fototipia animada.
 Estraga a fotografia?
 Estraga.
 Estraga a História?
 Talvez. Pode só recontá-la. Ninguém garante as côres. Mas dá-lhe verosimilhança.

1.º prémio da «Eva do Natal» (à Estr. de Benfica, 747), Lisboa, 1936.
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.
1.º prémio da «Eva do Natal» (à Estr. de Benfica, 747), Lisboa, 1936.
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G. [Fototipia animada pelo Gemini.]

Ribeira de Lisboa

Lota da Ribeira, Lisboa, 195…
© Edições Lumière & Beauté.

Ribeira, Lisboa, 195…
A. n/ id. — © Edições Lumière & Beauté, in Col. da Portimagem.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Imagem à procura de lugar

Era uma vez em Portugal, [s.d.]. A. n/ id., in Col. da Portimagem.

Era uma vez em… Portugal, [s.d.].
Portugal, [s.d.]. A. n/ id., in Col. da Portimagem.



Talvez… aqui?
Ou talvez não.

Povo que lavas no rio


Excerto do programa musical com Amália Rodrigues, acompanhada à guitarra por José Nunes e à viola por Castro Mota, apresentado por Fernando Pessa e emitido dos estúdios da R.T.P. no Lumiar, em Lisboa.
Radiotelevisão Portuguesa, 1961.

Amália — Povo que Lavas no Rio
(Joaquim Campos, Pedro Homem de Mello)

Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
Água pura, fruto agreste
Mas a tua vida não.

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

domingo, 17 de maio de 2026

Povo que lavas no rio…

Lavadeiras no rio do moinho do Abegão, Valado dos Frades 195… A. n/ id. — © Edições Lumière & Beauté.

Lavadeiras no rio do Moinho do Abegão, Valado dos Frades, 195…
A. n/ id. — © Edições Lumière & Beauté, in Col. da Portimagem.

Imagem à procura de legenda

Era uma vez em Portugal, [s.d.]. A. n/ id., in Col. da Portimagem.

Era uma vez em… Portugal, [s.d.].
A. n/ id., in Col. da Portimagem.

Terreiro do Paço

Terreiro do Paço, Lisboa, [s.d.]. A. n/ id. — © 2026 Fundação Portimagem
Terreiro do Paço, Lisboa, [s.d.].
A. n/ id., in Col. da Portimagem.

sábado, 16 de maio de 2026

Imagem à procura de legenda

Nazaré, Portugal, 194…
© Edições Lumière & Beauté.

Nazaré, Portugal, 194…
© Edições Lumière & Beauté, in Col. da Portimagem.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

No tempo d` A Confidente

Rua do Ouro, Lisboa (Artur Pastor, 197…)

Rua do Ouro, Lisboa, 197…
Eduardo Gageiro, in archivo photographico da C.M.L.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Em dia de Nossa Senhora

Lisboa, Portugal — (c) 2026

 Uma coisa que noto nesta gente de importação que nos acorre para salvar a Segurança Social é que é uma gente vespertina. De manhã raro se vê, seja de porta-bagagem no lombo a parecer dar ao pedal numa bicicleta a pilhas, seja enfarroupada de saca de batatas a levar os meninos à escola, p. ex.
 Seja até — enfim,  já estamos por tudo — em negócios escuros às claras enquanto a tarde (ou a droga) passa com tanto vagar como o trânsito na ali avenida.
 Tudo vale para salvar a Segurança Social, mesmo descurando a ordinária segurança de rua. É a opção lógica da segurança maior, que se entende: a Segurança Social escreve-se com maiúscula por alguma razão; além de que é social, donde deriva o socialismo: por conseguinte, acolher a mouros de Argel ou de Fez não pode ter que se lhe diga…
 E o caso é que de manhã, vejo só ao Zé almeida, que tem muito que limpar; cacos, garrafas, dejectos, e o caixote a transbordar.
Ou a Xô D.ª Maria, mai-lo senhor seu marido; os dois ao super às compras, com o seu saco-carrinho.
 E o português prò emprego, a tomar o autocarro, não sem antes um cafèzinho, pra ficar mais acordado.
 Mas, enfim… Calhando, é a Segurança Social, que só pode ser salva à tarde.

Lisboa, Portugal — (c) 2026


Imagens de Lisboa numa destas tardes, Portugal — (c) 2026.

Desinteligência artificial

 
   
   
   


   
     

   

     
      

 



   

Talvez devesse antes juntar-me ao Miguelito…

               
             

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Da «música» que me andam a dar

O canal chamado «Música Portuguesa a Gostar dela Própria»  [publica] um vídeo de música indiana no Instagram

 A malta de esquerda e não só é dada a projectos. Dantes as coisas faziam-se; agora qualquer coisa que se faça ou não faça é um projecto. 
 Parece científico?

 A «Música Portuguesa a Gostar Dela Própria» é, por conseguinte um projecto, artístico, pessoal, particular (ou privado como só se agora diz) dum tal Tiago Pereira. Mas de interesse público, parece.
 Será?

 As gravações no terreno, do projecto artístico com o mesmo nome fundado em 2011, e que visa criar uma consciencialização para o conhecimento e importância de um património vivo e muitas vezes esquecido de tradição oral, cantigas, romances, contos, práticas sacro-profanas, músicas, danças e também gastronomia. Uma incursão profunda sobre as nossas raízes, a tradição oral e a memória colectiva.»

 Aí está: consciencialização para &c. &c. &c. — Consciencialização!… — Não é dar simplesmente a conhecer as coisas que enumera e que, diz bem, são as nossas raízes, tradição e memória colectiva. Coisas concretas. 
 Não. É antes de mais e primeiro que tudo criar uma ideia nos bestuntos da gente: consciencialização. 
 Doutrinar, bem entendido.
 E bem o é…
 O propósito é, pois,  prolixo na linguagem, e doutrinário na substância; cai no âmbito das Artes e Cultura, no caso etnográfica, o que é bonito, mas da incursão profunda sobre as nossas raízes já se está a ver o que se escava.
 Como quási todos os projectos de Artes e Cultura, também este é fraco para produzir proventos só por si. É pouco sustentável, como se diz agora. De maneira que… — Quem subsidia tão meritório quanto falido capricho ao Tiago?
 A pregunta é mera retórica. A resposta subentende-se do excerto e da exegese levada agora a cabo nas linhas acima. Aflorará fácil a qualquer mente inquiridora que destraìdamente se ainda disponha a preguntar.
 A «Música Portuguesa a Gostar Dela Própria» tem (ou tinha; não sei se se mantém em 2026) rubrica de segunda a sexta no canal do antigo Programa 2 da Emissora Nacional. O excerto que descreve o projecto, tirei-o de . Portanto, é como venho dizendo…
 A rubrica na Antena 2 (pego agora aqui pelas antenas a esta emissora nacional) funciona, porém, como uma prestação de serviços ou colaboração de autor. A R.T.P. paga (ou pagava) pelo conteúdo radiofónico do programa diário, mas não financia directamente viagens, filmagens de campo ou o trabalho de arquivo de vídeo. O mesmo sucedeu com o Canal 180, que apenas transmitia o material já produzido. O Canal 180, diga-se, também sorve no erário (SCRI.PT ou apoios do ICA), embora seja entidade privada. Subsídios, subvenções ou incentivos, há que chegue para todos; preciso é saber minerar…
 Isto foi, pelo menos, o que espremi da inteligência coisa. Não no garanto mais que isto. Se estiver errado, por favor corrijam-mo.
 O projecto da «Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, além disto, diz que vive de protocolos com autarquias que são o seu principal sustento. Muitas câmaras municipais e juntas de freguesia pagam e têm pago ao Tiago Pereira para que registe e recolha no seu território as tradições e o património etnográfico local.
 A somar há o apoio da Direcção-Geral das Artes. A Associação da «Música Portuguesa a Gostar Dela Própria» candidata-se e recebe subsídios da Direcção-Geral das Artes para projectos específicos de recolha ou para a manutenção do arquivo.
 Diz também que nos primeiros anos o projecto dependeu fortemente de financiamento colectivo (empresas?) e doações de particulares que acreditavam na missão de registar o património oral. Do que se viu ao depois e vem já mais ou menos dito acima, escavou bem na mina; percebe-se  o alcance da incursão profunda sobre as nossas raízes?!…
 Neste ano de 26 o projecto fez uma parceria com o jornal digital «Mensagem de Lisboa». Por ela obteve apoio para séries específicas (como a que deu origem ao recorte), focando-se na «identidade sonora» dos bairros da cidade, o que inclui a música dos estrangeiros das comunidades imigrantes radicadas nesses bairros
 Ora bem! Ainda ontem estes imigrantes chegaram à cidade com a sua algaraviada de vozes e falares e parece que firmaram já uma «identidade sonora» dos bairros que tomaram em Lisboa, a ponto de jorrarem num projecto de incursão profunda sobre as nossas raízes, tradição oral e memória colectiva.
 Estranho fenómeno!
 Para o Tiago Pereira a tese da «Música Portuguesa…» passa agora por ser: se alguém vive em Portugal e canta para aí a sua música, ela faz parte da païsagem sonora do país. 
 Por mais que desafine.
 E desafina. Oh, se desafina!…
 É música «portuguesa» por jus solis. Como parida do chão. Duma profundeza com raiz nos antípodas, como certas paridelas que se agora vão vendo acontecer…
 Pois, mas de ser isto música portuguesa é… darem-me «música»!…
 E se andamos numa de dar «música», português também será qualquer cão que nasça no canil municipal ou vadie pela rua sem coleira (ele agora é mais chip; havemos de lá chegar…). E antes que venham cá com o excesso da comparação, não andam já os cãezinhos de família em vias de quási obter estatuto de cidadão?!… É ver o que se diz; como se fala… Até se adoptam, como as crianças!… Baseia-se tudo isto numa seriíssima manifestação de vontade, pois, não brinquemos!…

 Por conseguinte, quanto à música desses imigrantes ser já portuguesa, a vontade é a mesma. Mas, na verdade, sê-lo-á só na qualidade da música portuguesa a fazer pouco dela própria. E dos portugueses.
 E é isto o que anda a fazer o Tiago Pereira. Não é  projecto, é dejecto. E à conta.
 O Tiago faz uso desses imigrantes. Vale-se do argumento descabido e falaz da continuidade da tradição oral (a música que viaja com as pessoas), pouco lhe importando já que seja cante alentejano ou estalidos de bosquímanos.
 Que continuidade há do vira e do malhão nisto que ele propõe, senão a substituição do povo que canta (lema original do projecto) pelo povo transumante de ontem à tarde a cantar já hoje os amanhãs do Tiago?
 Só se for a continuidade do soma e segue, pois, se qualquer povo serve, que se vá o projecto; venha é o subsídio!…
 Renegue-se lá a pátria, espezinhe-se a tradição do povo que canta e a quem se só cìnicamente estima. O caso é que para a subvenção qualquer povo serve. E imigrantes é o que está a dar. A pátria é chão que deu uvas e a rua ao virar da esquina nem precisa de ser calçada à portuguesa. E enterre-se finalmente a essência do próprio projecto sob a carranca dessas supremas virtudes do paganismo (de sermos nós, os portugueses a pagar a nossa extinção) em vigor: a «integração» e a «inclusão».
 Inclusão e integração era entrarem os imigrantes na roda do corridinho, dançarem o fandango daqui para fora por não saberem nem quererem saber cantar a chula e o malhão.
 O Tiago Pereira que se vá pondo a jeito mas é de cu para o ar aí pelos bairros da «identidade sonora». E não se preocupe ele muito em orientar-se para Meca. Para se lhe assentar um biqueiro nos glúteos, qualquer sítio para onde esteja virado serve.

domingo, 10 de maio de 2026

Fotografia estragada pela inteligência artificial

 Há muitas, agora, mas os crentes crêem que ficam melhores.

Monumento a Rosa Araújo
Monumento a Rosa Araújo, esquina das ruas Rosa Araújo e Mouzinho da Silveira, Lisboa, [1936-1940].
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.

sábado, 9 de maio de 2026

Do clima amalucado

 Chuva em Maio. Em Maio, dizem — disseram-me há pouco ao telefone —, era para estar mais calor. Esta chuva fora de época, são as alterações climáticas.
 Dizem. Vão dizendo. E a gente convence-se. 
 É verdade!
 Também já esta manhã me diziam deste tempo, que anda mudado. — Pois! Uma chuvada daquelas esta madrugada…
 No lugar do Roja Pé, vi notícia com uma fotografia a mostrá-lo, da estrada das Açoteias alagada.
 Pois é! É o clima meio marado (ou marafado, no caso); com as alterações climáticas… E que são os homens que as fazem…
 Dantes era diferente. Os homens não conseguiam acabar com o mundo. Agora só não conseguem acabar de andar à guerra…
 E realmente, em 2020, exactamente neste dia, 9 de Maio, já se bem viam as alterações climáticas; e já elas de inspiração humana, claro. Como a pandemia daquele ano, outro apocalipse da inspiração dos homens (inspiração era bem o caso, em mais dum sentido)…
 E não é que assim foi? Choveu. Era Maio e choveu. Exactamente neste dia, 9 de Maio. Aqui está a prova [amachucada].


Algarve, Portugal — 2020

Pinhal do concelho, Albufeira, 9/V/2020.

Portugal e o futuro

 Diz que o maçon do Attenburgo fez 100 anos. Pois cá vai uma locuçãozinha sobre a nova fauna do sítio meia ao estilo dele:

 Os pastores do gado humano como um todo procedem afanosamente à transumância para estas terras duma raça velha de chibos de barbicha rala como bodes. Os machos desta espécie vestem saiotes quando vão solenemente de chinelos à missa. Às fêmeas da espécie, arreiam-nas eles como trouxas à moda de sacas de batatas.

 Dizem os pastores desta transumância aos naturais da terra, com a gravidade dum juiz do Tribunal Constitucional, que, em esta espécie de bodes com trouxas atrás se tornando portuguesa por despacho administrativo, não poderá nunca, por nada, deixar de o ser.

 Eis Portugal e o futuro.


S. Jorge de Arroios, Lisboa — A.D. MMXXVI.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Já se não fazem escolas assim…

Edifício associado «há» cultura de Coimbra, «Arquite[c]tura Tradicional e Urbanismo [em] Portugal, Livro das Fuças 5/V/26; 

Grande e histórico edifício [de 1907] associado [sic] cultura de… [2026], Portugal, MMXXVI. 
Arquitectura Tradicional e Urbanismo [em] Portugal, in Livro das Fuças.

sábado, 2 de maio de 2026

Do que está e do que se mantém (Rua Pinheiro Chagas, 27)

Rua Pinheiro Chagas 27-35; Filipe Folque, 51, Lisboa. A, n/ id. A.N.T.T., E.P. do jornal «O Século», Álbuns Gerais, n.º 9, doc. 658C.
Casa da Rua Pinheiro Chagas onde foi preso o comité revolucionário, Lisboa, 1928.
A. n/ id., A.N.T.T., Emp. Pública do Jornal «O Século», Álbuns Gerais, n.º 9, doc. 658C.



 A casa da Rua Pinheiro Chagas onde foi preso o «comité» revolucionário em 2 de Maio de 1928. Ainda lá está, acrescentada de dois andares. Perdeu os frontões e aquele lanternim envidraçado. Mas ainda lá está, com sua fachada primitiva ao nível da rua e o seu logradouro gradeado em ferro.

 Às vezes interrogo-me se esta permanência de gaioleiros, assim, tão a jeito de demolição pelo progresso, não terá que ver com acontecimentos do género libertador de oprimidos, por libertadores autoproclamados e muito, muito bentos da água baptismal da liberdade. Pobres dos povos a quem toca esta benfazeja desopressão… Nem eram nada sem esta gente libertadora autoproclamada e proclamante da liberdade. O caso é que só calha a povos que já antes eram povos por si, com património identitário, cultural e material próprio. Como terão surgido, formado a sua cultura e ganho identidade antes de haverem a liberdade que os desopressores trazem para lhe dar é um mistério.

 Ou bem isto ou, porque nesta história de as casas — no caso um prédio, como exemplo —, o património, enfim, se manter e se até ampliar anda ligado ao ter em geral; à posse. O caso mesmo é que, de ter bens e de haver de lhe manter livremente a posse há uma imperiosa necessidade de, cá está, liberdade. Liberdade de os ter, antes que alguém que queira, possa e mande mais se arrogue a liberdade de os tomar. Daqui esta coisa da bonita liberdade andar sempre ligada ao quero, posso e mando sem se dar por ela. Não vá vir aí um que tolha de todo a posse. Posse, do verbo poder…

 Divagações à parte, a dúvida que me surge de se este prédio com esta história revolucionária manter até hoje sem ter ido a baixo é se tem alguma coisa de trás, como o poder que ainda hoje irmana conjurados de loja ou de «comité» como os de 1928.


«Prisão do «comité» revolucionario que se encontrava reunido numa casa particular», (Diario de Lisboa, 2-5-928, p. 8)