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sábado, 2 de maio de 2026

Do que está e do que se mantém (Rua Pinheiro Chagas, 27)

Rua Pinheiro Chagas 27-35; Filipe Folque, 51, Lisboa. A, n/ id. A.N.T.T., E.P. do jornal «O Século», Álbuns Gerais, n.º 9, doc. 658C.
Casa da Rua Pinheiro Chagas onde foi preso o comité revolucionário, Lisboa, 1928.
A. n/ id., A.N.T.T., Emp. Pública do Jornal «O Século», Álbuns Gerais, n.º 9, doc. 658C.



 A casa da Rua Pinheiro Chagas onde foi preso o «comité» revolucionário em 2 de Maio de 1928. Ainda lá está, acrescentada de dois andares. Perdeu os frontões e aquele lanternim envidraçado. Mas ainda lá está, com sua fachada primitiva ao nível da rua e o seu logradouro gradeado em ferro.

 Às vezes interrogo-me se esta permanência de gaioleiros, assim, tão a jeito de demolição pelo progresso, não terá que ver com acontecimentos do género libertador de oprimidos, por libertadores autoproclamados e muito, muito bentos da água baptismal da liberdade. Pobres dos povos a quem toca esta benfazeja desopressão… Nem eram nada sem esta gente libertadora autoproclamada e proclamante da liberdade. O caso é que só calha a povos que já antes eram povos por si, com património identitário, cultural e material próprio. Como terão surgido, formado a sua cultura e ganho identidade antes de haverem a liberdade que os desopressores trazem para lhe dar é um mistério.

 Ou bem isto ou, porque nesta história de as casas — no caso um prédio, como exemplo —, o património, enfim, se manter e se até ampliar anda ligado ao ter em geral; à posse. O caso mesmo é que, de ter bens e de haver de lhe manter livremente a posse há uma imperiosa necessidade de, cá está, liberdade. Liberdade de os ter, antes que alguém que queira, possa e mande mais se arrogue a liberdade de os tomar. Daqui esta coisa da bonita liberdade andar sempre ligada ao quero, posso e mando sem se dar por ela. Não vá vir aí um que tolha de todo a posse. Posse, do verbo poder…

 Divagações à parte, a dúvida que me surge de se este prédio com esta história revolucionária manter até hoje sem ter ido a baixo é se tem alguma coisa de trás, como o poder que ainda hoje irmana conjurados de loja ou de «comité» como os de 1928.


«Prisão do «comité» revolucionario que se encontrava reunido numa casa particular», (Diario de Lisboa, 2-5-928, p. 8)

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