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sábado, 30 de maio de 2026

Fado de outrora


 A letra do «Fado de Outrora» foi escrita por Manuel Rodrigues de Sá Esteves. Embora o tema seja frequentemente tratado como popular devido ao seu forte enraizamento na tradição fadista, os registos históricos atribuem oficialmente a autoria do poema a este autor. A sua obra ganhou enorme projecção e imortalidade comercial quando se juntou à música do Fado Pechincha, composto por João do Carmo Noronha.
 O Largo da Guia (e a respectiva ermida) existiu nos baixos da Mouraria, mas foi demolido quando se prolongou a Rua da Palma por ali acima até ao Intendente, 
em 1859.
 Manuel Rodrigues de Sá Esteves escreveu o poema décadas depois da demolição usando a expressão desde a Graça até à Guia evocando um pedaço da Lisboa antiga que talvez ainda sobrevivesse na memória colectiva. Pois, agora… Só se for na dalgum mouro de Bengala!…

 Fui reviver o passado // Às ruas da Mouraria // Não vi fadistas nem fado // Desde a Graça até à Guia…. 
 Fado de outrora. Já lá não há cá nada disto.

M.ª Teresa de Noronha — Fado de Outrora
(João do Carmo Noronha, popular)

Fui reviver o passado
Às ruas da Mouraria
Não vi fadistas nem fado
Desde a Graça até à Guia

O casario se aninha
Cheio de fé e virtude
Em volta da capelinha
Da Senhora da Saúde

Foi ali onde a Severa
Cantou o fado e viveu
Mas o fado dessa era
Morreu quando ela morreu

E da velha tradição
Já pouco resta hoje em dia
Esses tempos que lá vão
Não voltam à Mouraria

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