A Ti Altina ia dizendo para a vizinha:
— Primeiro houve qualquer coisa com o défice e aumentaram os impostos. Depois ouvi que havia qualquer coisa com a Segurança Social. Ainda havemos todas de trabalhar até estarmos com os pés para a cova.
— Olhe Ti Altina, até se compreende; os tempos estão difíceis! — respondeu calmamente a vizinha.
— Mas depois ouço Ota para cá, Ota para lá a toda a hora. E porque sim, senão ficamos todos a ver passar os comboios.
— Sabe, ainda fico é surda de ouvir tanto avião nessa Ota — confessou a vizinha.
— Também eu dou comigo a pensar se não há pouca terra para tanto tevegê, ou lá que é isso! — continuava a impaciente Ti Altina.
— Mas há mais — insurgiu-se finalmente a vizinha. — Ontem vieram com a conversa de uma grande refinaria; e hoje são mais são sei quantos hospitais novos.
— Ó vizinha, até parece que os tempos afinal são de abundância!...
Irritada, a vizinha pegou bruscamente na mão da netinha que assistia quieta e disse sem se despedir:
— Vamos embora Ernestina que isto é tudo uma grande vigarice.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
É TGV sim senhora
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O mais "grave" disto tudo é que antigamente ainda "jorrava" palhete das paredes...lol
ResponderEliminarMas agora não escorre nada para o pátio... Cumpts.
ResponderEliminarÉ a primeira vez que entro neste blog e acho-o muito interessante, não só pelas fotos antigas, que gosto muito de ver e me provocam uma certa nostalgia, bem ainda como do humor irónico com que é comentada a politiquice caseira.
ResponderEliminarUm abraço e parabéns.
P.S. Ainda uma palavra sobre os trabalhos de História que considero excelentes.
Caro sr. José, é um elogio grande que me faz, não sei se inteiramente merecido. Muito obrigado e cumpts.
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