« Pero de Alcáçova Carneiro que depois foi conde da Idanha, teve grande entendimento e prudência e em razão disto o mandou el-rei D. Sebastião por embaxador (1) a Castela a el-rei Dom Filipe II, seu tio, sobre matérias de muita importância. Foi esta embaxada de Pero de Alcáçova muito luzido [sic], porque o acompanharam nela D. Álvaro de Melo, neto do marquês de Ferreira Dom Rodrigo, e o bisconde Dom Francisco de Lima, ambos seus genros, com muitos criados, e todos faziam grande acompanhamento. Foi de el-rei de Castela mui bem recebido e recebeu dele sempre muita honra e mercê enquanto lá esteve.
Folgava el-rei muito de falar com ele porque era Pero de Alcáçova homem de corte, como quem se havia criado nela de minino - na de el-rei D. João III de Portugal - e quando falava com el-rei lhe falava sempre em português; sendo assim que nas vistas (2) que os senhores castelhanos lhe faziam e em qualquer parte que se achava com eles falava em castelhano. Porque o falava muito bem soube el-rei disto e, falando um dia com ele lhe disse:
— Embajador, como me hablais siempre portugués y a los otros siempre en castellano?
E Pero de Alcáçova lhe respondeu:
— Porque com V. M. falo de siso, e com os demais de zombaria. (3) »
D. João IV
Ilustração: Carlos Alberto, in História de Portugal, 13.ª ed., Agência Portuguesa de Revistas, [s.l.], 1968.
Notas:
(1) A ortografia e pontuação foram actualizadas, excepto quando se nota pronúncia diferente.
(2) O m. q. visitas.
(3) Cristopher L. Lund [intr. notas e índices], Anedotas portuguesas e memórias biográficas da corte quinhentista, Coimbra, Almedina, 1980, XC, p. 145.
Brilhante!
ResponderEliminarE agora que, com Ota à porta todos porfiam em dizer que não. Todos ? Não. Pois que a essoutros, os castelhanos, lhes calhará bem em geografia, mercado e situação.
Um abraço
Também me parece. Cumpts.
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