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sábado, 3 de dezembro de 2005

Ai, Mouraria

 



Largo Silva e Albuquerque (J. Benoliel, c. 1910)


Amália Rodrigues
(Letra e música: Amadeu do Vale; Frederico Valério)





Ai, Mouraria
da velha Rua da Palma,
onde eu um dia
deixei presa a minha alma,
por ter passado
mesmo ao meu lado
certo fadista
de cor morena,
boca pequena
e olhar trocista.


Ai, Mouraria
do homem do meu encanto
que me mentia,
mas que eu adorava tanto.
Amor que o vento,
como um lamento,
levou consigo,
mais que ainda agora
a toda a hora
trago comigo.

Obras no Martim Moniz (F. da Cunha, 1947)


Ai, Mouraria
dos rouxinóis nos beirais,
dos vestidos cor-de-rosa,
dos pregões tradicionais.

Ai, Mouraria
das procissões a passar,
da Severa em voz saudosa,
da guitarra a soluçar.

Obras no Martim Moniz (F. da Cunha, 1947)



Fotografias:
— Rua de Silva e Albuquerque [antiga Travessa dos Canos], a sul do Palácio do Marquês do Alegrete, de Joshua Benoliel, no início do séc. XX (em cima).
— Obras no Martim Moniz [onde foi o palácio do Marquês do Alegrete], de Ferreira da Cunha, em 11/2/1947 (ao centro e em baixo).
Todas no Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 

7 comentários:

  1. Que foto tão gira, nunca me terial passado tal imagem pela cabeça. Gosto do eléctrico a espreitar e dos carris no centro...

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  2. O arco era a antiga porta de S. Vicente da Mouraria da cerca fernandina. Cumpts.

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  3. Meu Deus, tu mostras fotografias que me põem o bico aberto e os olhos ainda mais arredondados...eu posso ser engenheira de materiais (que piadinha...) mas tu não serás conservador na Torre do Tombo ou não serás historiador na Biblioteca Nacional ou no Instituto português do Livro??? Jásei, jásei, são da CML (hum....tou a ver). Agora a sério, olhar para esta e outras fotografias que nos tens mostrado fazem-nos pensar...afinal, cada geração tem tido um papel extremamente relevante no desenvolvimento do nosso espaço, não é? Parece que nada muda e, no entanto, todos os dias se assistem a mudanças tão grandes. PIU!

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  4. uma bela capital ninguem tira a este país... verdade seja dita... ha que preservar no decorrer do progresso... ora entao um grande bem haja

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  5. O ritmo da mudança acelera-se a cada dia, D. Mocho. Mas muda-se muita coisa por mero negócio, invocando-se todavia o progresso (coisa insolente de dirzer-se). Cumpts. a ambos.

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  6. Ai que saudades que me ensinas a ter de algo que não conheci!!! Fica bem,

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  7. Não é fascinante o que não conhecemos?!... Cumpts.

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