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domingo, 10 de outubro de 2010

O mundo Disney

Livro das caras...

 Haverá vida além desse Mundo-Disney que é o livro das caras?
 Uma estimada leitora perguntou-me: - o Bic anda pelo 'Facebook'? Se não... - alguém me usurpara, não a identidade, mas o nome que dá título a este blogo.
 Não ando pelo livro das caras. Passeei lá por motivo muito concreto e, claro, tive de proceder ao inevitável registo. Desactivei entretanto a conta e fechei a loja.
 Ora hoje tropeço numa coisa chamada 'Networked Blogs', que vive alapada no livro das caras, e topo com... Não imagino a alminha que se desse ao trabalho de cadastrar tão modesto blogo (com BIC titulado em maiúsculas, ena! ena!) e que até o tenha classificado nos 'topics' do 'form' de registo como de reflexões, nostalgias (saudade seria mais poético) e fotografia antiga (desprezaram as do autor que são modernas, pois...)
 Espero que haja tido justa retribuição pelo labor de pôr os meus pobres desabafos na montra da moda, todavia - o/a vitrinista e o 1 seguidor 'gosto disto' que me desculpem - informo que me dei já ao trabalho de retirar o artigo da vitrina. É artigo exclusivo e desvaloriza se for massificado. Além disso os do livro das caras tem o mau hábito de tutear os fregueses.

Tutear

11 comentários:

  1. 'Tutear' é coisa de espanhóis e brasileiros. Estes, por exemplo, numa frase (ou oração) tratam a mesma pessoa por você e por tu, indiferentemente, o que soa imensamente mal a quem os escuta.

    Os espanhóis são outros que tais. Salvo a aristocracia e a nobreza (e até estes às vezes não escapam), tratam toda a gente, mesmo desconhecidos, por tu! Mas isso, enfim, é lá com eles e o modo como estruturaram a sua própria língua. Outra coisa bem diversa é os portugueses que vão viver um ano ou mesmo um simples mês para Espanha, quando voltam começam logo a falar "à espanhola" e a maltratar a nossa língua.

    Desde que o Figo veio de Espanha com a mania de articular as frases com o "tu" a torto e a direito (em frases de sujeito indefinido) - em lugar de usar a terceira pessoa do singular, como é usança em português de lei - toda a gentinha desta santa terrinha de imitadores contumazes, começaram logo a fazer o mesmo para dar 'uma de modernidade' porque julgam que a oralidade do pobre Figo é que é a correcta... Até os responsáveis de cargos políticos e outras personagens importantes (ou que assim se julgam), já passaram a falar "à Figo"! Por amor de Deus! Não sabem quão pirosos se tornam? Não, não devem saber, pois se eles nem sabem falar decentemente a nossa língua, como é que eles hão-de reparar que a estão a abastardar? Claro que os pontapés na gramática que dão nas entrevistas televisivas, lhes passam completamente ao lado.
    Maria

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  2. Quando ao mau hábito deles, os do Facebook, tratarem toda a gente por tu, estou completamente d'acordo consigo. Deve ser influência do 'you', como na língua inglesa é prática única, aliás (salvo as excepções conhecidas). Mas e porque se trata de comunicar em português para portugueses, está errado esse tratamento. O que denota falta de chá em pequeninos. E também falta de conhecimento da nossa gramática... o que vem a dar quase ao mesmo.
    Maria

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  3. Os autores antigos sempre prezaram e defenderam a privacidade. E o povo de origens rurais, inculto e analfabeto, nunca precisou de ler para apreender a manha de esconder a vida privada. No interior de Portugal, onde ainda vigoram certos comportamentos e atitudes do passado, a salvaguarda da vida privada é tida em conta até com alguns familiares mais próximos: a exposição demora tempo, e é feita apenas aos amigos de longa data e a alguns membros da família. Uma vez recebi um convite de um professor da Universidade para essa rede social. Aderi. Fiquei muito desiludido: académicos, políticos, empresários, alunos de boas faculdades, a expor os nomes dos filhos, fotos da família e dados pessoais. Poucos dias depois cancelei a conta. Neste novo mundo das conversas por msn, do fim da privacidade, do tempo inutilmente gasto em páginas fúteis, não haverá um retrocesso civilizacional? Um dia, em Londres, um professor afirmou numa palestra que no futuro não haverá génios da música, da ciência ou das letras: o entretenimento proporcionado pelas novas tecnologias consumirá parte substancial do tempo dos jovens, e não haverá tempo para pensar. Por cá, vigora um deslumbramento provinciano pelas novas tecnologias. E o pior é que emana do Governo, juntamos uma população mal formada e temos uma mistura explosiva. Já reparou que em Portugal ninguém discute de forma séria, ninguém reflecte com profundidade as alterações sociais motivadas por estas redes sociais?

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  4. Eu (quase que) não vejo mal nenhum no Facebook e/ou outras redes sociais. Primeiro´, porque pode ser útil para se encontrar trabalho (por exemplo, aqui há escassez de professores e alguns encontraram bons postos de trabalho através do "livro das caras"). Depois para manter contactos. Tenho uma conta que uso com regularidade. Como vivo fora do país é uma forma de me manter próxima dos amigos que estão em Portugal. Só inseri alguns dados pessoais e desses só muito poucos é que estão acessíveis a qualquer pessoa. E aceitar convites... coisa rara. Gente com quem convivi longo tempo não estão na lista de amigos só porque "tomámos café algumas vezes"...
    É óbvio que ninguém tem 2000 amigos. É uma questão de discernimento!

    Também não vejo mal nenhum ver o tratamento por 'tu'. O meu professor de português no secundário tratava-nos por você e nós odiávamos. Se tivermos em conta que isto é direccionado aos mais novos... é bem natural que eles não seja tratados assim: "Senhor, a sua conta vai ser desactivada.".

    Quanto à questão apresentada pelo Bic, claro que acho mal. Mas, INFELIZMENTE, é isso a que estamos sujeitos nos dias de hoje. Seja-se "freguês" das redes sociais ou não, tenha-se messenger ou nem sequer se tenha email... É que deixou de ahver respeito pelo outro, pelas coisas do outro. E isso não tem nada a ver com FB, Hi5, MSN ou outros que tais. Tem a ver com a má formação/educação que muitos têm...

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  5. Bic Laranja12/10/10 20:10

    É coisa de espanhóis sim senhora. E o inglês, o pouco que tem além do 'tu' é exagerado de formalidade.
    Os brasileiros é mais crioulo, tal a trapalhice com a concordância e os pronomes.
    Do Figo, que como se sabe é peseteiro, é melhor nem lembrar. Ainda algum engenheiro perdulário lhe arranja algum para promover mediocremente as novas oportunidades.
    Cumpts. :)

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  6. Bic Laranja12/10/10 20:30

    Tem vossemecê inteira razão.
    O que conta é sinal do desfazer dos valores e da ligeireza irresponsável e profundamente ignara por onde esta civilização se desmorona. Amanhã, os poucos que derem pela ruína cultural que hoje se vai empreendendo, talvez saibam tristemente dizer que a civilização 'colapsou'.
    Cumpts.

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  7. As vantagens que enumera são da Internete, não exclusivo do livro das caras.
    O tratamento por tu é familiar demais. O seu professor entendia manter alguma reserva e fazia bem. No trato entre duas pessoas o grau de familiaridade deve ser ditado pelo que guardar maior distância; menos que isso é abusivo ou deixará pouco à vontade uma das partes. Os do livro das caras não perdiam nada em tratar a miudagem com mais formalidade. Para lhe começar por ensinar que na vida não é tudo tu cá, tu lá e que deve haver deferência, reserva e respeito pela privacidade. Em assim não sendo, bem vê, chegámos ao desrespeito e má educação de que fala e que muitos nunca chegarão a aprender.
    E depois temos que, pegar em escritos particulares (não comerciais) e escarrapachá-los numa montra alheia, em que a publicidade saltita em toda a volta, servindo isso para o dono da vitrina colher proveitos, é pouco louvável. Não saber medi-lo é fruto daquela ligeireza com que se lida com tudo hoje em dia e que o tutear barato é exemplo.

    Cumpts. :)

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  8. Eu compreendo-o, mas...
    O facto de eu tratar alguém por tu nunca me fez faltar ao respeito a essa pessoa. E não é porque o mundo da Internet "me trata" por tu que eu começo a tratar toda a gente por tu. Eu odiava que o professor me tratasse por você, porque ele o fazia por pura "snobeira". E no entanto, quando eu vou cortar o cabelo, comprar cebolas, pagar os impostos ou outra actividade qualquer eu trato tada a gente com as formalidades devidas. Sem usar a palavra "você" que isso sim, não é português nem é nada. Inclusivamente, custou-me muito adaptar-me ao meu local de trabalho, porque a regra da casa é tratar toda a gente informalmente. Dizer "Senhor/a" naquela firma é qualquer coisa impensável (Já lá estou há 2 anos e a língua ainda me escapa para a formalidade.).
    E tudo isto porque eu aprendi em casa, com a minha mãe. É que se vamos delegar a educação dos jovens à Internet, seja FB ou outro meio qualquer, vamos no mau caminho...
    Saudações

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  9. Quem aborda uma pessoa que não conhece tuteando-a ou é um abusador ou é espanhol (dos tais que vêm com as mãos).
    Quanto ao desagrado da forma 'você' (cuido que saiba que é a aglutinação da forma antiga 'vossa mercê'), aconselho o castiço 'vossemecê'. No tom certo tem uma pátina de filme português antigo.
    Em quantas línguas consegue vossemecê tantas gradações nas formas de tratamento com em Português? E há quem desdenhe desta riqueza de linguagem por uniformizações redutoras porque, parece, é moda.
    Cumpts. :)

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  10. O caro Bic não me entendeu. Não é português nem é nada, porque é o caos, quando se pensa nessa palavra.
    Hoje em dia, "você" está tão banalizado como "tu" (ou pior ainda). No tempo de faculdade, fui "baby sitter". A mãe dos "piquenos" tratava-os por "você", mas a mim, desde o primeiro segundo, tratou-me por "tu". Logo, essa do distanciamento através da palara "você"...

    Eu sei de onde vem a palavra você (e até para onde já foi, se pensarmos na língua brasileira). Mas hoje em dia muito poucos sabem. E muitas vezes, a maior parte, eu não estou à mercê do meu interlocutor. Assim, dadas estas confusões todas, é palavra que não uso. Senhor ou nome próprio (primeiro ou de família, depdne da situação) para pessoas que não conheço e/ou não tenho confiança. Tu para todos os meus amigos e familiares e pessoas que insistam no tratamento informal.

    Mas, na realidade, não é isso que conta. Eu posso ser extremamente mal-educada com uma pessoa e estar a usar todas as formalidades "obrigatórias" numa conversa de respeito.

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  11. A distância não é pela forma 'você'. É por uma série de gradações na 3ª pessoa, estimada Luísa. Exactamente o oposto do familiar 'tu'. O tal que a senhora dos 'piquenos' usou (demasiado) familiarmente consigo por tomá-la por simples empregada.
    Em resumo: não tolero que estranhos me tuteiem porque lhes não concedo confiança para tal. Se o fizerem tomo-os por abusadores ou por gente grossa e não evito desprezá-los. De forma que tendo ainda mais a tratá-los por 'você'.
    Cumpts. :)

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