| início |

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O 98 da Duque de Loulé

Av. Duque de Loulé, 98 (Lisboa S.O.S., 2009)
«O 98 da Duque de Loulé», in Lisboa S.O.S., 5/IV/09.



 Um comentário hoje ao verbete do «Projecto cor..., Crono», que escrevi há dias, dum cavalheiro que não diz o nome, afirma não ser correcto eu fazer comparações entre besuntar com grafitti um prédio em ruínas e a real recuperação do edifício. Lá lhe respondi que pelo preço do m2 deve a administração municipal estar a oferecer a artistas duvidosos os cavaletes mais caros do mundo. Por conseguinte, e porque andamos numa fase de contar tostões, pergunto se é correcto a Câmara Municipal ser tão perdulária. Perdulária por não conseguir fazer simples contas de merceeiro ao m2 de terreno, porque quanto a avaliar artística e arquitectonicamente o produto, melhor é esquecer. Por menos aritmética que seja precisa, seria necessário haver por aí entre os mamíferos que tomaram de assalto a coisa pública uns que soubessem ao menos distinguir um fresco dum mural. Mas como ele é mais boys para um palácio...



(Revisto às 11h00 da noite.)

14 comentários:

  1. Vendo pelo preço que comprei, estes números da Câmara Municipal de Lisboa (em honra da verdade esta situação é transversal a vereações e partidos de há muitos anos a esta parte, presumo):

    Cedência habitacional = 829 fogos
    Arrendamento habitacional = 1870
    Cedência não habitacional = 1523

    Rendas inferiores a 50€:
    Cedência habitacional = 828
    Arrendamento habitacional = 1750
    Cedência não habitacional = 819

    Rendas inferiores a 5€
    Cedência habitacional = 778
    Arrendamento habitacional = 244
    Cedência não habitacional = 222

    Agora é favôr fazer contas !
    Fica ressalvada a apreciação qualitativa dos fogos e de quem usufrui.
    Estes números parece que constam de uma lista que o excelso Presidente da Edilidade distribuiu aos Vereadores.
    Dos fogos constam palácios, palacetes e ateliers, e dos arrendatários, instituições e pessoas públicas e privadas.
    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  2. Attenti al Gatti19/10/10 17:49

    Quem diria que a crise tinha vantagens?! Graças a ela, começa agora a saber-se por onde se tem malbaratado vertiginosamente, ao longo de décadas, o nosso tão suado dinheirinho. A magna questio é que isso não servirá para nada, em termos práticos, porque quem manda, mandou ou mandará, jámais esteve ou estará intressado em acabar com a roubalheira.
    A.v.o.

    ResponderEliminar
  3. Sendo eu um lisboeta que consegue gostar de Lisboa e de Street Art, e conhecendo minimamente o que movimenta este meio, digo só que é uma forma bastante barata de promover a cidade, turisticamente. Não é um movimento de massas, mas é algo que não causará a bancarrota da camara e tem visibilidade global.

    E neste momento, asneira é cortar na promoção de Lisboa como destino turístico. Venham eles.

    ResponderEliminar
  4. Prezado,
    A sua teoria também é barata mas nem assim eu lha compro. Promoções de mau gosto atraem fraca clientela. Depois, a cidade é dos que lá moram, não dos turistas.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  5. E não haverá ninguém que não seja larápio?
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  6. Mas gostos eu não discuto.

    cumps.

    ResponderEliminar
  7. Também nos campos os boys costumam juntar-se em mais que uma manada. São é animais que pouco sabem de arte ou de arquitectura. Ficam só especados a olhar para palácios, ou então investem à bruta.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  8. Claro. Só a falta dele.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  9. Carlos Portugal19/10/10 22:03

    Caro Bic:
    Escreveu bem: «investem à bruta». Como touros que são, só poderia ser assim. Aliás, em bom Português, o verbo investir aplica-se quase exclusivamente a marradas de alimárias providas de cornos. Como esses «boys» (ou «bois»?).

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  10. É igual: bois, boys...
    Cumpts. :)

    ResponderEliminar
  11. Fui através da ligação ver o resto das fotografias. Uma pequena (grande) maravilha. Fiquei admirada das paredes permanecerem intactas, (possìvelmente os proprietários ter-se-ão oposto à sua substituição por simples tinta acrílica ou d'água...) e/ou do prédio já não ter desaparecido e no local terem colocado um mamarracho qualquer, como os há aos milhares na cidade de Lisboa. E também um pouco admirada por se tratar de um prédio e não de um palacete ou palácio, tal é a beleza interior. Pensando melhor, nem tanto. Conheço alguns prédios, sobretudo na Baixa Pombalina que têm (tinham) frescos maravilhosos e que foram criminosamente destruídos por os andares terem sido divididos em pequenos apartamentos por ganância camarária e desprezo total pelo que tem um valor inestimável e cujas sólidas construções datam de há mais de duzentos anos! Estas pinturas estão cheias de beleza e tudo o que seja destruir pequenas obras d'arte desta qualidade é um crime de lesa-património. Património arquitectónico que pertence ao país e portanto a todos nós, é preciso não esquecer, que deveria levar à prisão os seus autores.

    Mas os sucessivos presidentes de Câmara que temos tido ao longo destes 36 anos de "amplas liberdades" (para, entre outros crimes gravíssimos, destruírem o que é belo, sólido e feito com materiais nobres e em seu lugar edificarem tudo o que há de mais feio, deselegante e fabricado com materiais mais do que duvidosos que, no máximo, têm uma durabilidade de não mais de seis meses sem que necessitem de obras), deveriam ser todos chamados à pedra pelos seus actos abjectos.

    Eu julguei que havia excepções principalmente de pessoas que sempre foram de direita e assim permaneceram depois do 25/4..., mas quando me lembro do que fizeram ao belo cinema/teatro Monumental e às preciosas moradias da Av. da República muitas das quais Art-Nouveau lindas, mas não só A.N., que também desapareceram na voragem da especulação imobiliária (só para dar dois exemplos), não consigo perdoar ao falecido Engº Abecassis, um homem de direita ainda por cima, o tê-lo permitido, mas como ele houve outros que se lhe seguiram na destruição de maior parte da Lisboa antiga. É claro que ele e os seguintes fizeram o que os que mandam no país lhes ordenaram, porque tudo o que lembrar o antigo regime terá de ser destruído à força pelos novos donos e senhores nem que demore anos (eles sabem-na toda) e o intuito é para que os lisboetas com o passar do tempo se sintam menos chocados visualmente e menos afectados emocionalmente.

    A destruição sistemática incluiu/inclui belos edifícios pombalinos, palacetes, palácios, cinemas, teatros, estátuas, pinturas de artistas conceituados substituídas por pinturas "modernas" (para dar trabalho aos amigos, que de pintores e escultores não têm nada), o ódio ao regime anterior é tal que até atingiu os pobres artistas de palco: os primeiros foram destruídos, os segundos foram escondidos em caves e armazéns e os últimos desprezados e esquecidos. Tudo isto foi substituído por prédios horrorosos, cinemas indistintos, que são cápsulas dentro de cápsulas, dentro de centros comerciais; retratos e bustos de políticos e de outras personalidades a eles ligadas - sem esquecer a estatuária... - feitos por pintores e escultores que na sua maior parte produzem trabalhos sem o menor gosto nem qualidade, mas que enchem d'orgulho fátuo os "brilhantes" governantes e políticos da nossa era.

    Quanto aos filmes, realizadores e respectivos intérpretes, já se sabe como é, ou são familiares, ou amiguinhos de peito, ou amigos dos amigos, ou integrantes, na maioria traidores, do grupo de Paris e de Argel..., mas há um pormenor sine qua non: serem obrigatòriamente todos de esquerda ou mesmo de extrema esquerda, porque todos eles se adoram embora finjam o contrário.
    E um ed-cétara que nunca mais acabaria.

    Este regime, salvo a excepção da primeira república que dizem ter sido ainda pior, foi a maior desgraça que se abateu sobre Portugal nos seus quase 900 anos como país. Que mal fizeram os port

    ResponderEliminar
  12. Muito lhe agradeço o apreço em que tem estes desabafos.
    Certeira no compadrio e no amiguismo dos auto-proclamados artistas, arquitectos, designeres e por aí fora, com os poltrões do circo em que isto se tornou. Replicam-se todos mutuamente sem gosto e em massa na trituradora que é a Educação Nacional. Se há gente considerando que borrar paredes é arte, é porque não lhe ensinam mais - porque calhando ensinar-se o gosto até há quem aprenda.
    É tudo duma pobreza tão triste que nem sei dizer...
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  13. Não sei se o Bic se apercebeu da autêntica chacina que tem sido feita nestes últimos meses na Fontes Pereira de Melo (e peço desculpa se já aqui o referiu e eu não o li). Só numa semana deitaram abaixo dois dos mais emblemáticos prédios da avenida. E os prédios que estão há anos e anos a saque, agora levaram um belo “penso” pintado a metro, para disfarçar as desgraças que persistem. Isto precisamente no local onde alguns dos interiores - pintados - mais bonitos têm sido massacrados a eito.
    É a cidade no seu pior e a incompetência camarária no seu “melhor”. :-((

    ResponderEliminar
  14. Bic Laranja24/10/10 23:26

    Falei só dos da António Augusto de Aguiar 2-12. Sei que em frente demoliram um que dava as traseiras para o Largo do Andaluz. Não tarda vão os do gaveto com a 5 de Outubro. Já não quero saber. Ainda morro disto...
    Cumpts.

    ResponderEliminar