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domingo, 31 de outubro de 2010

Auto da fé

 Os da S.I.C., na certa para encher o vazio que lhes ocupa as 'cachas' cranianas, abriram há pedaço um enlatado sobre abóboras e chapelinhos de bruxa.
 Enfim! Parece que tenho que aturar cada vez mais este folclore de segunda porque aqui a parvónia, de há um tempo para cá anda só povoada de imbecis que esqueceram completamente de que terra são.
 É nisto que vamos: uma arca pré-fabricada cheia de animalejos deslumbrados com brindes de cereais e descontos nos hamburgos. Depois duma geração rasca e do dilúvio que se lhe seguiu, bem podem ir fazendo todos os 'pugreides' que isto como vai já não leva melhora. Nesta apagada e vil tristeza nacional nem seria mau recuperar um velhinho auto da fé, daqueles em que se queimavam espantalhos feitos de palha: o mais que não fosse, para judiar com este bullying sistémico parido dessas cabeçorras de abóbora que por aí vegetam enfeitadas com chapéu de bruxa.

Representação de um Auto da Fé [Visual gráfico. - [Lisboa : Typ. Maigrense, 1822].

3 comentários:

  1. Carlos Portugal1/11/10 00:18

    Pois é, Caro Bic... Estas alimárias, além de não saberem de que Terra são, vão copiar precisamente a imbecilidade de quem trocou datas e «festejos» por falta de cultura e de História: os américas. Com efeito, a verdadeira «noite das bruxas» na Tradição milenar europeia é a noite de 30 de Abril, véspera de 1 de Maio, dita «Noite de Valpurga», em que aldeões e nobres acendiam fogueiras no cimo dos montes e círios nas capelas para que a luz não deixasse vir à superfície da terra os espíritos malignos, sucubos, incubos e demónios das trevas, que poderiam perseguir os vivos e dar más colheitas. É claro que as bruxas faziam nessa noite o contrário...

    Mas os américas confundiram os rituais espanhóis do México do Dia dos Fiéis Defuntos, e a respectiva «noite dos mortos», misturaram-na com a Véspera de Todos-os-Santos (All Saints' Eve), deitaram-lhe uma pitada céltica do Samhaim (Summer's End), uma outra das bruxas de Salem, misturaram tudo num caldeirão com Coca-Cola e fast-food, e saiu a fantochada ateia e imbecil do Halloween. E que chegou até por causa da aculturação e estupidificação crescente das nossas gentes, em especial dos novos-ricos, impantes de disparate.

    Enfim, tristezas... Mas o meu Amigo tem razão: uns autos-da-Fé com uns bonecos seriam muito mais pitorescos. E já agora, substituindo os bonecos por alguns figurões da nossa praça, com o sambenito vestido, ainda tornavam a «festividade» mais interessante.

    Cumprimentos

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  2. Carlos Portugal1/11/10 00:19

    Queria dizer «E que chegou até NÓS», evidentemente.

    Cumprimentos.

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  3. Bic Laranja2/11/10 18:30

    Embora com certo atraso, obrigado pela cabal explicação do disparate. Digo-lhe todavia que os verdadeiros autos da fé hoje, são as labaredas destes disparates. Espantalho serei eu por defender qualquer tradição.
    Vá lá perceber-se...
    Cumpts.

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