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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A Hollanda

 Esta menhãa andava á procura d' A Hollanda. Não sabia d'ella e não havia mappa que me podesse valer.
 Estava aqui, na esquina do Elucidário.


Ramalho Ortigão, «A Hollanda», Magalhães & Moniz , Porto, 1885
Ramalho Ortigão, A Hollanda, Magalhães & Moniz, Porto, 1885.




(1.ª edição portugueza compilando os artigos sobre Hollanda publicados na «Gazeta de Noticias» do Rio de Janeiro ao longo de uma collaboração de oito anos, onde se descrevem as origens, as cidades e os campos, as casas e as gentes, as colonias, a arte, a instrucção e a cultura dos hollandezes.)

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Cromos do Metro, n.º 7

Carlos Lopes, Portela de Sacavém — © 2019
Vasco Santana (ou Narciso Fino, da leitaria Estrela d'Alva), Portela de Sacavém (ou Pátio das Cantigas) — © 2019
(Caricatura de António, 2012.)

domingo, 27 de outubro de 2019

A História é mais ou menos esta…


José Hermano Saraiva, Barcelos canta de galo.
(Horizontes da Memória, R.T.P., 26/X/1997.)

Adeus ao fotógrafo, a nós…

 Num vislumbre de Alcântara em 1940 aparecia um burrico. Pois como os burricos são cada vez mais raros, aqui está outro. Com alguém que nos acena, suspenso no tempo.


Adeus, de um burrico, Santana de cima (prox.) (E. Portugal, 1947)
Alguém que acena, Santana de cima (a caminho de), 1947 (?).
Fototipia animada dum original de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Alcântara perdida (ou achada)

Rua do Prior do Crato, Alcântara (E.Portugal, 1940)
Rua do Prior do Crato, Alcântara, 1940.
Fototipia animada dum original de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Os Lotus da Essex…

Elio De Angelis & Lotus 81, Buenos Aires, 1980
Elio De Angelis & Lotus 81, G.P. da Argentina, 1980.
LAT Images, in motorsport.com.

 Veio-me ontem à ideia o Lotus da Essex, o Lotus 81.
 Já nos anos 70 havia marcas comerciais — sobretudo tabacos e bebidas — que se pegavam às marcas de construtores da Fórmula 1. Hoje é em todo o lado: Liga Nos, Volta a Portugal Santander, até uma estação de Metro… Mas nos anos 70 a coisa era limitada, não enjoava. Nos melhores casos entranhava-se até como um cântico: Yardley McLaren, Ligier Gitanes, John Player Special Lotus…
 Pois ontem veio-me à ideia o Lotus da Essex.
 De 72 a 78 — 7 anos — a Lotus andou ligada aos tabacos da John Player Special. Pareciam inseparáveis, quási se tornando numa e a mesma coisa. O preto e doirado devieram como que as cores dos Lotus. E em 79 os carros pretos da Lotus apareceram verdes a dizer Martini!  A coisa não durou mais que esse ano e em 80 os Lotus deram em ser prateados, azuis e vermelhos, com publicidade à Essex, uma empresa de compra e venda de petróleo. Tinham os números 11 e 12; o 11, o Andretti e o 12 o Elio de Angelis. Só continuaram daquela cor mais em 81…


Mario Andretti & Lotus 81, G.P. do Mónaco, 1980
Mario Andretti & Lotus 81, G.P. do Mónaco, 1980.
A. n/ id., in wheelsage.org


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Andretti & Lotus 80, Jarama, 1979 (Motor Sport Images)
Mario Andretti & Lotus 80, G.P. de Espanha, 1979.
Motorsport Images, in motorsportmagazine.com.


Lotus 79 (Mario Andretti e Ronnie Peterson), Zandvoort (A. n/id., 1978)
Mario Andretti, Ronnie Peterson & Lotus 79, G.P. da Holanda, 1978.
A. n/ id., in reddit.


Ronnie Peterson & Lotus 72, Monte Carlo, 1972
Ronnie Peterson & Lotus 72, G.P. do Mónaco, 1974.
LAT Images, in motorsport.com.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Avé violência doméstica, a CMTV esteja contigo

 Um motoqueiro do género brutamontes, o Jaiminho, salvo erro, lá da rua de cima, costumava dizer com gestos largos: 
 — O Correio da Manhã?! O Correio da Manhã é aquele jornal que dá a notícia do cabo-verdiano que matou o irmão à facada e depois põe uma fotografia de onde o irmão ia cagar.
 Foi a melhor definição do Correio da Manhã que houve.
 Pois houve! Velhos tempos… O tempo passa e nada fica igual. Todo o mundo é composto de mudança, já dizia o poeta, mas até nem isso. Agora temos o sacrossanto pugresso.


 O Correio da Manhã montou-se no cabo e evoluiu do pasquim da gaja boa e da notícia de faca e alguidar na primeira página para o tele-evangelismo. A violência doméstica é a religião que prega. E como prega!…
 Não por acaso, o adjectivo doméstico ganhou hoje foros de tão magna sacralidade que se tornou blasfemo fora do catequizador enunciado, como dantes, em que se usava a qualificar empregadas ou animais, domésticos. Ambas estas singelezas do quotidiano se expurgaram dos assépticos subúrbios deste novo mundo. O que temos do pugresso são finalmente colaboradoras e animais de companhia. — Dos animais bem temos visto como pugride o seu deputedo político. E das empregadas domésticas às colaboradoras subjaz a quintessência do mistério que consagra em plena divindade a violência doméstica no altar da sacralização feminina. Não esta no sentido histórico ou romântico, heteropatriarcal do galanteio e da cortesia. Mas como anátema masculino. Daí que fora com galanteios e cortesias e, ámen! agora ao mulherio, na pós-moderna forma de feminismo varonil; meninas, raparigas, senhoras, damas, donas, gajas, tipas, rameiras e toda a restante sorte de coirões que o belo sexo outrora continha valem agora indiferentemente como homens. — Que mundo! — Escaparão à voragem por ventuira algũas moças, por provirem de linguagem aldeã arcaica; desconhecidas, não imaginadas nas redacções sacristias e, inexistentes, portanto.


  O altar mais sagrado da violência doméstica é o canal do Correio da Manhã. Acima do Governo e do Diário da República. Reza ladainhas de violência doméstica a cada noticiário como quem reza o terço ao fim da tarde: — Avé violência doméstica, cheia de desgraça, o Correio da Manhã é contigo. — E quando descai na velha faca e alguidar é porque a faca foi empunhada por uma mulher. Foi o caso da Bruna Letícia, mulher ciumenta e possessiva (estou a citar a missa do Correio da Manhã esta noite ao jantar) que degolou o namorado com quem se amancebara (o verbo amancebar sou eu que digo, não os pregadores do Correio da Manhã). Pois nem coabitando com o namorado — circunstância doméstica por definição antiga de séculos — arvorou o acto de haver aquela mulher morto ou matado o seu homem à categoria sagrada da violência doméstica. Nem por haver sido entre a cozinha e a casa de jantar ou o quarto. Não reza o Correio da Manhã de haver nunca tal sido violência doméstica. A Bruna mata o namorado, é o que dizem. Já com a Rosa Grilo também não foi nada violência doméstica, mas aqui há como atenuante uns angolanos, que sempre ressoam como gajos…


Não violência doméstica (Correio da Manhã, 23/X/19)
Violência doméstica Mata namorado
, Jornal Missa das 8 (CMTV, 23/X/19).


 Não houve portanto violência doméstica. Se os sacristães do Correio da Manhã o não disseram nem escreveram, logo não se trata de violência doméstica. Isso assim posto é um facto que testes de laboratório não desmentem. Não se pense por conseguinte no caso da Bruna Letícia em tal ou sequer em singela violência. Os termos enunciados pelo Correio da Manhã foram de que a Bruna Letícia se desentendeu com o namorado por ter ele dado os parabéns a uma antiga namorada, e que, por isso, acabaram, ele a e Bruna, aos encontrões. No meio desta… dança, a Bruna nem deu polo esfaquear. A faca calhou matá-lo, e ele, morreu, mais nada. Nada de violência, sobretudo nada da doméstica.


 Já na notícia homilia a seguir à da Bruna Letícia o caso foi outro. Completamente diferente. A violência era desde logo doméstica porque o homem agredia verbalmente a ex-companheira. E ao depois até lhe pregou umas cacetadas. O homem e a ex-companheira nem ouvi que houvessem sido casados, se bem que fosse dito que o casal já não vivia junto aquando das cacetadas. 
 Pois aqui neste caso fica claro: fora de cozinhas e casas de jantar, o homem agredia?
 O homem agredia. Foi violência doméstica. É ou não é?

Violência doméstica (CMTV, 23/X/2019)
Violência doméstica, Jornal Missa das 8 (CMTV, 23/X19).

(Revisto às 2h00 menos 5 da tarde de 24.)

Brande

Há Brandeburgo e brande Kopke.

Carris: n.º 286 com brande Kopke, Alcântara (© L. Murphy, apud Chris Evans, 1967)
N.º de frota 286 da Carris com brande Kopke, Av. 24 de Julho, 1967.
© L. Murphy, apud Chris Evans, in «Flickr».

Negócios de ontem, sintaxe de hoje

Negócios, 22/X/2019


Negócios, 22/X/19.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Um bi/tri 40 em 67

N.º de frota 44, de mil nove e 48, na carreira… 20 da Serafina? 40 do Centro Sul?
No último caso seria um tri 40.
O Piolho de Alcântara em fundo.

Carris: n.º 44 (restaurado como 114 em 1970), carreira 40, Alcântara-Terra (© L. Murphy, apud Chris Evans, 1967)
Carris: n.º 44 na carreira 40, Alcântara, 1967.
© L. Murphy, apud Chris Evans, in «Flickr».

domingo, 20 de outubro de 2019

Classificado como monumento nacional. Vejam o estado…


José Hermano Saraiva, História e lenda em Montemor-o-Novo.
(Horizontes da Memória, R.T.P., 19/X/1997.)

Portugal nas vésperas do fim

Portugal nas vésperas do fim, Alto Douro (G. Woods, 1974)
Viaducto da Régua, lavadeiras e vinha, Alto Douro, 1974.
Jorge Woods, in Flickr.

sábado, 19 de outubro de 2019

Não há palavras

 Ele agora são os «influencers». Não chega a ser macarrónico porque nem português é. É bárbaro cru. Aqui há tempo ainda nos ficávamos pelo dito macarrónico, no caso, por exemplo, dos «fazedores de opinião» (do barbaresco ainda traduzível «opinion maker»). Mas antes, muito antes, de há séculos, havia nome português para esta gente:


 —  PRE-GA-DO-RES —


 Estirpe que degenerou vergonteas e enxertias em tal cópia que o bom povo lhe atribuiu o composto nome de vendedores de banha da cobra.


Influenceeiros, (Oráculo de notícias em 19/X/19)
Influenceeiros (à atenção dos Priberantes ou da Academia das Sciencias), in Oráculo de notícias em 19/X/19.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Falazar

Maria de Aljubarrota, «Uma curiosidade», in O Diabo, 11/X/2019


Abonos para minha memória e vossa curiosidade:


Falazarem



Fialho, «Os Gatos», vols. 5 e 6 (pasquinadas originais de 1890 e tal)
… amigos falazarem
… logo a falazarem do caso…



 Falazavam



Aquilino, «Terras do Demo» (1919)
— … o que elas falazavam não sei eu…



Falazar



Manuel Ribeiro, «Planície Heróica» (1927)
— … aquele falazar é já de zorata…



 Falazava



Samuel Maia, «Mudança d’ Ares» (1915 ou 16)
— …Manuel Caseiro, remexia, falazava… a acordar o pessoal…





Notas: o Aulete na rede dá o verbete (original) com o abono de Samuel Maia; os restantes abonos foram colhidos do Corpus do Português; na 5.ª ed. do Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto «falazar» tem entrada; no Dicionário Prático Ilustrado, Lello, 1976, não consta.


Recorte: Maria de Aljubarrota, «Uma curiosidade», in O Diabo, 11/X/2019.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Gazcidla, duma maneira nunca antes vista

 Ontem apanhei o 44. Coisa rara. Vi que nem vai já para o Cais do Sodré. Fica na Rotunda, a que chamam Marquês até nas «catacumbas» do Metro, porque talvez a memória seja um escolho ao progresso… (ou porque necessite o Sebastião José de sucessiva invocação de profanos por môr dalgum rito de veneração iniciático…)
 Bem, quando tive o passo para ir para o lyceu, gostava de passear no 44. Não sei porquê. Foi das carreiras em que passeei mais, a par do 15. Talvez por terem sempre autocarros modernos (um gosto ecléctico de modernidade só meu, ingénuo e genuíno, porque inconsciente e infantilmente me desagradavam os então moderníssimos Volvos de 1975. Os Daimlers no 15 eram dos baixinhos, com três portas, uma originalidade sem par na frota da Carris. E ao depois, do 44 tenho até aquela história do fourty four.
 Desse tempo, lembro-me de quarenta e quatros verdes (raros), laranjas (já mais vulgares), Daimlers direitinhos como os da série deste 849 e também dos outros raros direitinhos da série 851-855, que eram mais direitinhos. O que nem nunca pude imaginar foi um 44 (ou um Daimler da Carris) com estas cores em 1967. — Que estranha coisa!… — Um marketing destes era deveras elaborado para o Portugal atrasado de Salazar, haveis de concordar!…

Autocarro 44 (Daimler Fleetline n.º de frota 849 da Carris), Moscavide, post 1967. © L. Murphy, apud Chris Evans, in Flickr.
Autocarro 44 (Daimler Fleetline n.º de frota 849 da Carris), Moscavide, post 1967.
© L. Murphy, apud Chris Evans, in Flickr.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Iletricidade de Portugal

O Acordo Ortografico é isto (E.D.P., 2019)


O Acordo Ortográfico é isto. Mas é que é mesmo!

Bípedes antigos e modernos

 Hoje vi um cão, um cãozinho, a sair do Metropolitano. Saía por ele. Trazia um bípede atrelado.


Metropolitano de Lisboa, Saldanha (H. Novaes, 1959)
Metropolitano de Lisboa, Saldanha, 1959.
H. Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.

 O bípede do cão não era cego.

domingo, 13 de outubro de 2019

Isto, antigamente era um dia de viagem…


José Hermano Saraiva, Arruda, verdade e lenda.
(Horizontes da Memória, R.T.P., 12/X/1997.)

Eu quadruplico, tu quadruplicas, eles quadriplicam (*)


« Acaso, não é este o país em que toda a gente, gente de prestigiantes e consagradas qualificações — doutor Eurico Brilhante Dias, doutor Pedro Passos Coelho, doutor Daniel Oliveira, doutor Rodrigo Moita de Deus, jornais como o Público ou o Diário de Notícias —, quadriplica? Não dera já o próprio Plúvio conta disso? »



 E quando o partido dos animais proclama — Conseguimos! … Quadriplicámos o número de mandatos! — atinamos na prosperidade da espécie.


«Produção Muar», Boletim dos Agricultores, n.º 1341 (in Biblioteca da Universidade do Texas)
«Produção de Muares», Boletim dos Agricultores, n.º 1341, [imp. 1949].
Dep. de Agricultura dos E.U.A., in Biblioteca da Universidade do Texas.




(*) O mote para o título e para o verbete choveu-me dum confrade pluvioso.

sábado, 12 de outubro de 2019

Hépi socce (a última tradução possível de «o rei vai nu»)

Happy sods socs!
Ou a manifestação duma civilização convictamente… apalhaçada. Mas, vá lá a gente dizê-lo. Alguma colega do lado, que respeitamos, ainda vem e diz com legítimo orgulho que o filho, que até chegou a assistente universitário, as usa.


Justin Trudeau sèriamente com meias à Mel Brooks (A Sorça esteja consigo)


Justino (bebé) Trudeau recebe solenemente o primeiro-ministro da Irlanda com meias à Mel Brooks. A Sorça esteja com ele.
(In Esquire, 4/V/17.)

Coloridos anos 40 em Lisboa e no Porto

 Em tempos, o confrade Manuel do H Gasolim Ultramarino referiu-se às suas memórias, pessoais, mais antigas, serem a preto e branco. E as posteriores, serem a cores. Extrapolando, era como se a História tivesse sido melhor ou pior desenhada a cores até ao advento da fotografia, se tivesse tornado mais real, mas a preto e branco, até aos anos  60, 70 do séc. XX e, com a massificação da película fotográfica a cores, ganhasse outra maior realidade.
 Naquele permeio, os anos 40 em Lisboa e no Porto podem ser (mal) coloridos com certa verosimilhança. Se melhor ou pior (mais esta), ajuize o benévolo leitor.

Avenida Almirante Reis, Lisboa, c. 1940. Fototipia animada do original da Casa fotográfica de Garcia Nunes, in archivo photographico da C.M.L.
Avenida Almirante Reis, Lisboa, c. 1940.
Fototipia animada do original da Casa Fotográfica de Garcia Nunes, in archivo photographico da C.M.L.


Uma tripulação dos T.A.P. caminho do avião, no aeroporto das Pedras Rubras, Porto, 1947 (Fototipia animada de A. n/id., in Museu da TAP)
Uma tripulação dos T.A.P. caminho do avião no aeroporto das Pedras Rubras, Porto, 1947.
Fototipia animada de A. n/id., in Museu da TAP.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

E agora outro avião da T.A.P.


Boeing 707 da T.A.P. pousando na pista 03 da Portela, Lisboa, 197…

(Imagem que parece ser dalgum filme ou série, porventura o Zé Gato)

Outra vez no tempo do que vai na legenda

B747 CS-TJB «Brasil», Joanesburgo (Jorge Woods, 6/X/1973)
Boeing 747 CS-TJB, «Brasil», da T.A.P., Aeroporto de Jan Smuts em Joanesburgo, 6/X/1973.
Jorge Woods, in Flickr.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Obrigado! Obrigado!

Amália, Portela de Sacavém — © 2019
Amália,
Portela de Sacavém — © 2019
(Caricatura de António)




Addendum:
 Considerações sobre a acentuação gráfica na legenda, que me ocorrem expor aqui à margem do tema do verbete.



  1. Amália e António levam acento agudo para marcar a sílaba tónica porque são esdrúxulos (Base XIX da Ortografia Portuguesa).

    (Há quem diga que são falsos esdrúxulos porque a tónica não bate na antepenúltima sílaba, mas antes na penúltima. Não vou agora perder-me nesse somenos. Tomo-os por esdrúxulos simplesmente à conta de que as sequências vocálicas finais -li-a e -ni-o dão duas sílabas em cada caso, quando não, seriam ditongos; ora a Base XIII da Ortografia Portuguesa é clara na enunciação dos ditongos e, quem na leia, verá que aquelas sequências -ia e -io lá nem constam.)


  2. Sacavém (como Santarém e Belém, para ilustrar com dois exemplozinhos de cidades [lugares é mais correcto] de Portugal e do Brasil) — do grupo de ditongos constituídos por vogal e consoante nasal equivalente a ressonância enunciados na Base XIII, 2.º b da de suso dita Ortografia Portuguesa) — leva (levam) acento agudo na última sílaba para marcar o ditongo nasal -em (pronunciado ãe, ẽi ou ẽ, em Portugal como no Brasil).


 Ora, que há nisto? — perguntará o benévolo leitor.


 O que há nisto é que o acento agudo em Amália é pacífico, como a própria Amália. Já o acento agudo de António é muito, mas muito complicado. Para brasileiros. — Porquê? — Porque o brasileiro pronuncia aquele ozinho tónico de António como ô. E como diz ô, tem fatalmente de escrever Antônio, com o particularzinho, seu, acento circunflexo. É duma regrinha do falar brasileiro que tende a fechar o timbre das vogais a, e e o quando antecedem elas uma consoante nasal; e então dizem grêmio, Antônio e por aí afora. Ai, porém, de quem lhes diga, como vem escrito e aprovado até por académicos brasileiros de nomeada na Base XIX da Ortografia da Língua Portuguesa:



 As vogais tónicas a, e e  o de vocábulos proparoxítonos [palavrão esdrúxulo para dizer esdrúxulos], levam acento circunflexo, quando são seguidas de sílaba iniciada por consoante nasal e soam invariàvelmente fechadas nas pronúncias normais de Portugal e do Brasil: câmara, pânico, pirâmide; fêmea, sêmea, sêmola; cômoro. Mas levam, diversamente, acento agudo, que nesse caso serve apenas para indicar a tonicidade [tonicidade, friso, para marcar a sílaba tónica e não o timbre da vogal], sempre que, encontrando-se na mesma posição, não soam, todavia, com timbre invariável: Dánae, endémico, género, proémio; fenómeno, macedónio, trinómio [e, já agora, António].
 Regulam-se por um ou outro destes dois empregos os vocábulos paroxítonos que, precisando de acentuação gráfica, se encontrem em condições idênticas. Assim: ânus, certâmen, tentâmen; mas Ámon, bónus, Vénus.


Rebelo Gonçalves, Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, Atlântida, Coimbra, 1947, Suplemento, p. 37. Os apartes, o sublinhado e o normando (ou negrito, à brasileira) são meus.



 Aonde quero chegar como este arrazoado é a Santarém e Belém, do Pará. Ao que sabe decerto o benévolo leitor, nestes vocábulos como em inúmeros outros, como além, alguém, aquém, ninguém, porém, também &c. (ah! e Sacavém, que foi onde comecei), cujo ditongo -em  é pronunciado quase invariavelmente no Brasil com e nasalado (ẽ) e grafado sem reservas com acento agudo, o dito acento agudo não faz cócegas rigorosamente nenhumas, tanto em Portugal como no Brasil. Só nos esdrúxulos, como endémico, género, proémio; fenómeno, macedónio, trinómio e, já agora, António, é que o acento agudo a indicar mera tonicidade dava comichão aos brasileiros. Mesmo depois de 1990 e até… sempre.


 Era só.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

No tempo de… do que vai na legenda

Joanesburgo, 6/X/1973)
Boeing 747 CS-TJB, «Brasil», da T.A.P., Aeroporto de Jan Smuts em Joanesburgo, 6/X/1973.
Jorge Woods, in Flickr.

domingo, 6 de outubro de 2019

Srs. telespectadores, hoje não vamos sair de Lisboa


José Hermano Saraiva, As jóias mal paradas.
(Horizontes da Memória, R.T.P., 5/X/1997)

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Notícia do dr. J. H. Saraiva

«Uma carta do Infante D. Henrique» pelo dr. J. H. Saraiva (Diário de Lisbôa, 30-6-948)


«Uma carta do Infante D. Henrique», in Diário de Lisbôa, 30-6-948.
(O recorte é duma fotocopia subsidiada da Fundação do irmão do dr. Tertuliano.)

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

E.N. 6-5 antes de si mesma

Paço d' Arcos (P. Guedes, c. 1910)
Paço d' Arcos, Portugal, 1910-20.
Paulo Guedes, in archivo photographico da C.M.L.

Tinha aqui esta para pôr faz tempo (annos)

Avenida Almirante Reis, Lisboa (Garcia Nunes, c. 1940)
Avenida Almirante Reis, Lisboa, c. 1940.
Casa fotográfica de Garcia Nunes, in archivo photographico da C.M.L.

(Revisto.)

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Ai se… bergue

 Havia aquela cantiga «Se cá nevasse…» em que num verso diziam — «Se bastiam cá voltasse!» — lembrais-vos?
Calhando, não.
 De qualquer maneira, aquele «i» do «icebergue» no título, em português da douta Academia das Sciencias, lê-se, e pribera-se aice!  — É a escrita pela pronúncia!…
 Ai se… Ai se… Ai se a palmatória cá voltasse!…


Cátia Bruno, «Icebergue gigante separa-se da Antárctida», in Observador, 1/X/2019


 Da separação da espécie de península de Setúbal antárctica não estar relacionada com as alterações climáticas, pois não, não está. As alterações climáticas têm uma pequena Greta e a península de Setúbal antárctica tem uma racha enorme, que se até vê de satélite e tudo.

(Recorte d' «O servador»)

Por Santiago!

 — Já sabes?
 — Quê?
 — Dum morto e dez feridos num ataque a um centro comercial na Finlândia.
 — Atacaram um «shopping»?
 — Um centro comercial. Um sujeito indeterminado, com uma espada…
 — Com uma espada?! Daquelas curvas — como se chamam?…
 — Não. Essas são cimitarras. Não dizem que foi uma espada? Não sejas islamofóbico!
 — Ah foi um cruzado!…


Untitled


Notícia do «Observador». Cromo de Carlos Alberto na «História de Portugal» da Agência Portuguesa de Revistas, dum alfarrabista na rede.

Fado antifascistóide

A desafinar desde 1974.


Fado antifascista, in «Observador», 1/X/2019


(Fado antifascista, no «Observador», 1/X/2019.)