Ontem apanhei o 44. Coisa rara. Vi que nem vai já para o Cais do Sodré. Fica na Rotunda, a que chamam Marquês até nas «catacumbas» do Metro, porque talvez a memória seja um escolho ao progresso… (ou porque necessite o Sebastião José de sucessiva invocação de profanos por môr dalgum rito de veneração iniciático…)
Bem, quando tive o passo para ir para o lyceu, gostava de passear no 44. Não sei porquê. Foi das carreiras em que passeei mais, a par do 15. Talvez por terem sempre autocarros modernos (um gosto ecléctico de modernidade só meu, ingénuo e genuíno, porque inconsciente e infantilmente me desagradavam os então moderníssimos Volvos de 1975. Os Daimlers no 15 eram dos baixinhos, com três portas, uma originalidade sem par na frota da Carris. E ao depois, do 44 tenho até aquela história do fourty four.
Desse tempo, lembro-me de quarenta e quatros verdes (raros), laranjas (já mais vulgares), Daimlers direitinhos como os da série deste 849 e também dos outros raros direitinhos da série 851-855, que eram mais direitinhos. O que nem nunca pude imaginar foi um 44 (ou um Daimler da Carris) com estas cores em 1967. — Que estranha coisa!… — Um marketing destes era deveras elaborado para o Portugal atrasado de Salazar, haveis de concordar!…
Autocarro 44 (Daimler Fleetline n.º de frota 849 da Carris), Moscavide, post 1967.
© L. Murphy, apud Chris Evans, in Flickr.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
Gazcidla, duma maneira nunca antes vista
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