Em 1970, um vendedor de mantas de Minde apregoava a utilidade das suas mantas para serem utilizadas debaixo da albarda dos burros. Burros?! burros?! agora já nem há burros foram todos pró governo, ouviu-se na assistência.
Não conheço Alcântara - nem a de hoje nem a de ontem - mas aquelas bancas no centro da Praça assemelham-se às que existiram do Martim Moniz antes de terem sido derrubadas pelo Costa quando ele estava à frente da Câmara de Lisboa.
Mas sabe em que pormenor da imagem que publicou mais segundos detive o olhar e volta e meia regresso a ela, foi observar o pobre burrinho a suportar demasiada carga para tão pequenino corpo. Que pena que me causou. Mas é um facto que estes animais sempre foram usados, sabe Deus durante quantas décadas, para suportar este enorme peso e mesmo mais.
Não se admire que eu aborde este assunto, de certeza sem a mínima importância para os demais. Ma eu sempre fui assim. Não posso ver qualquer espécie de sofrimento nem em animais nem nas pessoas. Causa-me imensa pena. E se se tratar de crianças (como é frequente ver nas notícias dos vários canais), então nem é bom falar. Maria
Bem haja por esta fotografia e pelas outras cujas ligações disponibilizou. Que bonita que era esta Alcântara, os mercados de Lisboa tinham uma presença e uma dignidade que já não existe. O burro, não parecendo muito contente ao menos existia também (quantos vemos hoje em Lisboa? Só as burras de saias que entram no Parlamento pagas por todos nós). A "teia de aranha" que se ergue para os eléctricos fazerem os seus percursos... Que postal!!,
Note as cores são forjadas. Metade por um algoritmo mauzinho; o que restou, por mim, manejando (mal) os pincéis do Photoshop. Procurei dar à scena maior verosimilhança cromática. Agrada-me que agradasse. Mas, repito, é falsa. verosímil, talvez, mas falsa.
De estúpidos (não burros) inqualificáveis, o que os move é a provocação ordinária. De modo que o melhor é nem pensar. Supremo desprezo.
A praça assentava exactamente nos chãos adjacentes à secular ponte. A ponte foi secular, e o mercado efémero. Hojes é a conhecida rotunda donde se toma o caminho da ponte. E de falar em ponte, a que temos, na sua grandeza sobre o Tejo, talvez possamos ver o progresso pela perenidade dos elementos de humanização da païsagem: à secular ponte da ribeira de Alcântara, sucede a imponente ponte sobre o Tejo. E o lugar perenemente de Alcântara, que como sabemos quere dizer «ponte», precisamente, em linguagem arábica.
Do burro. A sua condição era a sua condição. Assim como os humanos eram em geral como os humanos, e não como as bestas. Quando a carga lhe pesava mais que a conta, teimava ele que nem um burro, em ficar quieto. E bem. Os burros são burros, não são estúpidos. Ao contrário dos estúpidos que são cada vez mais parvos.
A rede aérea dos eléctricos era um caso sério na cidade. Muito criticada por alguns tantos, um tanto romantizada por outros, poucos, na época. A saudade que nos faz agora, não? Depois da ponte Salazar desapareceu dali, como a praça, o mercado. O progresso, mesmo o sério, é sempre à custa de perdas e danos. Uma fatalidade. Cumpts.
Dizem os veterinários que os burros (Equus asinus)são animais inteligentes e de boa memória. A sua apregoada teimosia deve-se ao facto deles demorarem mais tempo a pensar como e o que devem fazer e a sua memória é testada por se deslocarem de local para local sem serem guiados. No Martim Moniz nunca houve nenhum mercado edificado e os pavilhões provisórios existentes, em 1980 por ordem de Krus Abecassis, foram mudados para a Praça de Espanha.
Os burros são bichos simpáticos. O centro comercial Abecassis, do Martim Moniz à Palhavã e, finalmente… Os novíssimos deram conta dele como «mercado azul da Praça de Espanha». É a toponímia possível…
Com ele em Lisboa não caiu o Carmo e a Trindade, foi ainda mais Monumental.
Na época morava eu na Rua D. Luís de Noronha e lembro-me bem desse "mercado" ir parar à Praça de Espanha. Não tinha condições nenhumas. Nem um telheiro que protegesse os comerciantes da chuva, nem casa de banho. Foram eles mais tarde que pagaram o telheiro que protegia todas as barraquinhas de metal e que conseguiram por em funcionamento as instalações sanitárias. Recordo-me de reportagens na televisão que davam conta da falta de condições daquilo. Das barraquinhas que vendiam comida nem gosto de me lembrar, tendo em conta as pragas que atraíam.
Aquilo foi uma feira ambulante desde que demoliram a Moiraria. Os lojistas da baixa Mouraria ficaram provisòriamente (uns 30 anos) nos pavilhões do Martim Moniz, donde foram arredados por mais trinta e tal para a Palhavã. O tempo deu-lhe cabo. Se as próprias origem (Mouraria) e destino (Palhavã) acabaram! Alguém sabe hoje onde é a Palhavã? Cumpts.
Em 1970, um vendedor de mantas de Minde apregoava a utilidade das suas mantas para serem utilizadas debaixo da albarda dos burros.
ResponderEliminarBurros?! burros?! agora já nem há burros foram todos pró governo, ouviu-se na assistência.
Se em 1970 já era assim, que chamar ao do governo de hoje!…
ResponderEliminarCumpts.
Não conheço Alcântara - nem a de hoje nem a de ontem - mas aquelas bancas no centro da Praça assemelham-se às que existiram do Martim Moniz antes de terem sido derrubadas pelo Costa quando ele estava à frente da Câmara de Lisboa.
ResponderEliminarMas sabe em que pormenor da imagem que publicou mais segundos detive o olhar e volta e meia regresso a ela, foi observar o pobre burrinho a suportar demasiada carga para tão pequenino corpo. Que pena que me causou. Mas é um facto que estes animais sempre foram usados, sabe Deus durante quantas décadas, para suportar este enorme peso e mesmo mais.
Não se admire que eu aborde este assunto, de certeza sem a mínima importância para os demais. Ma eu sempre fui assim. Não posso ver qualquer espécie de sofrimento nem em animais nem nas pessoas. Causa-me imensa pena. E se se tratar de crianças (como é frequente ver nas notícias dos vários canais), então nem é bom falar.
Maria
Caro BIC,
ResponderEliminarBem haja por esta fotografia e pelas outras cujas ligações disponibilizou.
Que bonita que era esta Alcântara, os mercados de Lisboa tinham uma presença e uma dignidade que já não existe. O burro, não parecendo muito contente ao menos existia também (quantos vemos hoje em Lisboa? Só as burras de saias que entram no Parlamento pagas por todos nós).
A "teia de aranha" que se ergue para os eléctricos fazerem os seus percursos... Que postal!!,
Note as cores são forjadas. Metade por um algoritmo mauzinho; o que restou, por mim, manejando (mal) os pincéis do Photoshop.
ResponderEliminarProcurei dar à scena maior verosimilhança cromática.
Agrada-me que agradasse. Mas, repito, é falsa. verosímil, talvez, mas falsa.
De estúpidos (não burros) inqualificáveis, o que os move é a provocação ordinária. De modo que o melhor é nem pensar. Supremo desprezo.
Do burro disse.
Cumpts.
A praça assentava exactamente nos chãos adjacentes à secular ponte. A ponte foi secular, e o mercado efémero. Hojes é a conhecida rotunda donde se toma o caminho da ponte. E de falar em ponte, a que temos, na sua grandeza sobre o Tejo, talvez possamos ver o progresso pela perenidade dos elementos de humanização da païsagem: à secular ponte da ribeira de Alcântara, sucede a imponente ponte sobre o Tejo. E o lugar perenemente de Alcântara, que como sabemos quere dizer «ponte», precisamente, em linguagem arábica.
ResponderEliminarDo burro. A sua condição era a sua condição. Assim como os humanos eram em geral como os humanos, e não como as bestas. Quando a carga lhe pesava mais que a conta, teimava ele que nem um burro, em ficar quieto. E bem.
Os burros são burros, não são estúpidos. Ao contrário dos estúpidos que são cada vez mais parvos.
Cumpts.
A rede aérea dos eléctricos era um caso sério na cidade. Muito criticada por alguns tantos, um tanto romantizada por outros, poucos, na época. A saudade que nos faz agora, não?
ResponderEliminarDepois da ponte Salazar desapareceu dali, como a praça, o mercado. O progresso, mesmo o sério, é sempre à custa de perdas e danos. Uma fatalidade.
Cumpts.
Dizem os veterinários que os burros (Equus asinus)são animais inteligentes e de boa memória. A sua apregoada teimosia deve-se ao facto deles demorarem mais tempo a pensar como e o que devem fazer e a sua memória é testada por se deslocarem de local para local sem serem guiados.
ResponderEliminarNo Martim Moniz nunca houve nenhum mercado edificado e os pavilhões provisórios existentes, em 1980 por ordem de Krus Abecassis, foram mudados para a Praça de Espanha.
Os burros são bichos simpáticos.
ResponderEliminarO centro comercial Abecassis, do Martim Moniz à Palhavã e, finalmente… Os novíssimos deram conta dele como «mercado azul da Praça de Espanha». É a toponímia possível…
Com ele em Lisboa não caiu o Carmo e a Trindade, foi ainda mais Monumental.
Cumpts.
Na época morava eu na Rua D. Luís de Noronha e lembro-me bem desse "mercado" ir parar à Praça de Espanha. Não tinha condições nenhumas. Nem um telheiro que protegesse os comerciantes da chuva, nem casa de banho. Foram eles mais tarde que pagaram o telheiro que protegia todas as barraquinhas de metal e que conseguiram por em funcionamento as instalações sanitárias. Recordo-me de reportagens na televisão que davam conta da falta de condições daquilo. Das barraquinhas que vendiam comida nem gosto de me lembrar, tendo em conta as pragas que atraíam.
ResponderEliminarAquilo foi uma feira ambulante desde que demoliram a Moiraria. Os lojistas da baixa Mouraria ficaram provisòriamente (uns 30 anos) nos pavilhões do Martim Moniz, donde foram arredados por mais trinta e tal para a Palhavã. O tempo deu-lhe cabo. Se as próprias origem (Mouraria) e destino (Palhavã) acabaram!
ResponderEliminarAlguém sabe hoje onde é a Palhavã?
Cumpts.