O sr. Paulo Araújo, que não é de cá, andava remotamente intrigado com o porquê da estação de metropolitano do Chiado se chamar agora Bluestation. Procurou a razão na Internete e achou:
«A insígnia constará de um conjunto de projecções decorativas desta estação, da responsabilidade da Dub Vídeo Connection, com grafismo assinado pela Partners. Nestas projecções poderão ser visualizados conteúdos organizados por categorias, integrados pela Mobbit Systems, como “News” (notícias de última hora), “To Do” (agenda lúdico-cultural da Baixa-Chiado PT Bluestation), “Useful” (informações como tempo e trânsito), “Fun” (informações sobre lazer), “Chiado” (informações sobre a zona do Chiado) e “Kids” (informações dirigidas para os mais novos).
« O naming e a exploração do branding serão continuados, materializando-se, numa fase posterior, a outras estações da rede do metropolitano.»
Mas — pergunta o sr. Paulo Araújo — porquê Bluestation?
Não lhe sei responder.
Apenas digo que se o «naming e a exploração do branding serão continuados», espero que os homeless achem useful pernoitar por lá e, já agora, que defequem no grafismo e urinem nas projecções decorativas. Bluestation será uma rica marca para o intenso perfume alfacinha expelido pelo Metro.

(Imagem do Metropolitano de Lisboa.)
Caro Bic
ResponderEliminarLi e não queria acreditar. Mas com o rapaz Zeinal e o seu "Portuguese" nada admira. Lembram-se da sua prestação na Comissão da AR sobre a PT?
Há uns dias escrevi lá no meu canto sobre isto. Já não sei o que se fala... é o pretuguês de além-mar, é esta coisa dos "bifes"... Sempre achei que os espanhóis caíam no exagero em adaptar tudo à sua língua, mas... começo a achar que "nuestros hermanos" têm razão...
ResponderEliminarAo menos todos os meus colegas daqui elogiam os meus enormes (segundo eles) e constantes ('segundo a minha pessoa') avanços no alemão... pode ser que, no futuro, me venha a servir por essas bandas... :s
Pois é, Caro Bic, tudo isto revela uma saloiice, um pirosismo, uma falta de cultura e de «background» espantosos... É o que dá quando os pé-descalço são guindados a cargos numismáticos de um novo-riquismo bárbaro e impante.
ResponderEliminarTemos ali o Serafim Saudade a ser assessorado pelo José Estebes com uma das coristas da ordem para decoração. Isto para não sair do nível desses imbecis.
Mas diz bem... a nova toponímia bacoca servirá para futura referência do novo «perfume» alfacinha.
Cumprimentos.
Será que alguém me pode explicar uma coisa (falando muito a sério) a estação a partir de agora vai chamr-se aquilo tudo? Juro que não estou a brincar com ninguém, mas... de repente fiquei com duvidas existenciais e o artigo da página do metro... com letras cinzentas deixa-me os olhos completamente secos, não consigo ler mais de duas linhas seguidas...
ResponderEliminarOs espanhóis não terão tanta razão. Levam a coisa longe demais. Algures no meio estará a virtude do bom senso. O respeito pela língua, sem o exagero, "nacionalista" ou não, de tudo pretender traduzir, roçando por vezes o ridículo.
ResponderEliminarPor cá, país de new money " (novo-riquismo, desculpem-me), com pouco ou nenhum chá tomado na infância e assente num alicerce cultural na melhor hipótese quase nulo, o deslumbramento por essas palavras é inevitável.
E como o português oficial é o que se sabe e por aqui tem sido comentado, estão todos muito bem uns para os outros: os gestores do metropolitano de Lisboa, os da PT, todos aqueles e aquelas que se pavoneiam nessa feira de vaidades pelintra e vácua em que se tornou o mundo da publicidade e do marketing.
Portugueses bem sucedidos, em regra.
Costa
Essa do branding a mim interessa-me. Também quero ver se abicho alguma coisinha. Pode ser Macieira, por exemplo.
ResponderEliminarE ainda falavam do Inglês técnico do engenheiro.
Estrangeirismo por estrangeirismo, poderiam também ter usado um outro, que fica muito bem ao modo como o "tube" é administrado: "default".
A.v.o.
«A empresa vai pagar para ter, durante quatro anos, o seu nome na estação. "É um investimento significativo", limitou-se a dizer Zeinal Bava. Já o secretário de Estado dos Transportes declarou-se "muito contente com este projecto".»
ResponderEliminarInPúblico, 9/9/11.
Segue-se a Rotunda, que também já não é Rotunda. E eu lembro-me do Socorro...
Cumpts.
Saloiice , quando penso que os espanhóis mudaram o nome dos supermercados franceses Auchan na Espanha é Alcampo,so em Portugal é que tudo é permitido venderam e vendem o povo aos estrangeiros, e agora o que é a nossa nacionalidade a " língua portuguesa" também esta desaparecer aos poucos.
ResponderEliminarCaro Bic,
ResponderEliminarO Socorro, como é uma estação inserida num meio castiço e intercultural, não agrada às empresas estar associadas com "aquelas gentes" e "aquele habitat". É um problema e imagem e de peneiras.
Cumprimentos
Boas!
ResponderEliminarDevo dizer que gosto imenso deste blogue!
Podem adicionar os meus aos vossos links? Eu prometo que retribuo :p
http://davidjosepereira.blogspot.com/
Saudosos cumprimentos!
Pois é!...
ResponderEliminarCumpts.
Eis a resposta.
ResponderEliminarCumpts.
Essa do Serafim Saudade é que descreve muito bem.
ResponderEliminarO tal «perfume» alfacinha não é novo e é bem vulgar, especialmente em dias quentes. Estes taralhocos chafurdam nele e nem se dão conta.
Cumpts.
Aqui tem. Não abuse que passa a ver torto.
ResponderEliminarO Socorro é o meu estrebuchar, que a estação se chama agora Martim Moniz.
ResponderEliminarCumts.
Pergunto-me se esta gente internacionalista e tão amante da alteridade também convida estranhos para casa e lhes distribui o património da família. E seria isso "glamour" ou estupidez de péssimo precedente nas revistas de sociedade?
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado. Ao depois se vê.
ResponderEliminarCumpts.
Sim, pelo que um senhor me disse, o Socorro passou a Martim Moniz. Eu já sou do tempo da nova nomenclatura e foi um inferno por causa disso... primeiro que a minha mãe metesse na cabeça que eu não sabia onde Palhavã porque já não havia esse nome (ela não ia a Lisboa há muuuitos anos, até eu ir morar para lá). No fim de muito tempo fiquei com a sensação que é ali para os lados do que se chama agora "Laranjeiras".
ResponderEliminarAté posso compreender que certos nomes mudem, mas com lógica, não com dinheiro...
Então quer dizer que no metro se vai ouvir: "próxima estação baixa-chiado pt bluestation, há correspondência com a linha verde" (ou azul)?!?! Cruzes! Têm que começar a dizer isso duas estações antes!! Mesmo que não cheguem ao extremo dos extremos... é uma tristeza. Vou pedir asilo político aos helvécios...
Caro Costa, não se assuste. Eu estava a hiperbolizar um pouco. Eu lembro-me de, no secundário, dizer muitos nomes de produtos/bandas, etc. como os espanhóis supostamente diriam. Lembro-me do whiskey Juanito Caminante e da banda Los Chicos de la Calle de Trás (ou algo do género). Porque... sim... eles caem no ridículo.
ResponderEliminarMas... esses branding e holdings e namings e não sei o quê mais... são um simples atentado à inteligência de uma pessoa... às vezes quero ler/ver/ouvir uma notícia sobre economia ou ploítica ou não sei o quê e perco-me com tanta macacada. Quando tenho cabeça, procuro o significado, mas a maior parte das vezes... desisto de ler, já me basta ter que falar alemão todo o dia, quase sem falar a minha língua, e ainda tenho que vir para casa lutar com o inglês?!?! Nem pensar!!
Saudações
Aquando Expo (outra magnífica feira de vaidade segundo a lógica do dinheiro) deu uma fúria servil tal nas cachimónias destes nossos regentes fandangueiros que vai de riscar do mapa e da memória o Socorro, a Palhavã, Sete Rios e os 500 anos da Viagem do Gama. Podiam desnortear o bárbaro, imagine-se - como se fora esta Lisboa uma terra de lugares impronunciáveis e metropolitano labiríntico - ou a glórias passadas dos nativos oprimir o estrangeiro. O indígena que enfarpelasse a libré e, bico calado, se fundisse com a paisagem.
ResponderEliminarDaqui tira-se que é pela endrómina da tábua rasa à memória que os geniais Bavas abrem caminho à genial baba com que nos empeçonham a cultura e nos violentam a inteligência.
Cumpts.
Então... aquí vai.À sua!
ResponderEliminarA.v.o.
Precisamente, Caro Bic. Aliás, ao levarem a cabo esta barbaridade, estão a desnortear por completo qualquer utente do metro não habituado a Lisboa.
ResponderEliminarImagine se os ingleses fossem mudar o nome da estação de Piccadilly Circus para, sei lá, British Telecom Plaza... A Rainha declararia logo: «We are not amused!»
Quanto à «Expo», nome piroso, pimpão e novo-rico como a maior parte das horrendas construções que a povoam, era conhecida por «Aterro Tóxico nº1», devido às lamas tóxicas da refinaria da Sacor, ali despejadas durante décadas, e ao aterro do depósito militar de Beirolas.
Embora propor ao Bava mudar o nome da estação da «Gare do Oriente» para «Aterro Tóxico nº 1 de Beirolas»? Seria «chamativo», e mais em linha com o nível dessas sanguessugas...
Talvez deixassem a verdadeira toponímia de Lisboa em paz...
Cumprimentos
À nossa.
ResponderEliminarCumpts.
antes se dizia desempenho de alguém ou algo, agora se diz perfomance; há quem abobine o termo "Chance", mas este termo entrou no vernáculo português de 3 formas: invasões francesas e contacto com a cultura gaulesa, de um vocábulo igual inglês, e através do português do brasil.
ResponderEliminarneste ponto os brasileiros falam melhor português do que em Portugal e parece haver mais casos assim mas fica este exemplo: O DESEMPENHO de Ayrton Senna no Grande prémo da Europa de 1993 foi fenomenal (vem nos vídeos do youtube e nas capas dos jornais brasileiros da altura), em Portugal: A PERFOMANCE de Ayrton Senna no circuito de Dongniton Park....foi acima da média....
Sem comentários
É macaquice mais que habitual, Tron. E dificilmente o Brasil será bom exemplo. Não conhece «acessar» por «aceder» ou «a mídia» por «os 'media'» entre milhares doutros?
ResponderEliminarCumpts.
o termo mídia é uma transliterção da pronuncia inglesa do termo latino Mass Media e até há muito bom jornalista que lê Mass Media como estivesse Mass Mídia e o termo Mídia também se aplica as grandes superfícies comerciais (Ex.:Fnac, Worten) que vendem literalmente tudo que tenha ligação aos Mass Media, desde ascultadores e acessórios para telemóvel com função rádio, até televisões que parecem cinemas, embora a Worten entre também nos electrodomésticos.
ResponderEliminarAliás o nome completo da Fnac nos seus primeiros tempos era: Sociedade Lusa de Distrbuição de Livros e Multimédia, ou seja, no caso da Fnac chamar loja de Media não é um termo bem aplicado, pelo menos pode soar melhor que grande superfície comercial