Falta a concordância entre o sujeito e o predicado na frase do título. Mas se muitos não sabem escrever correctamente o português como haviam eles de saber efectuar as concordâncias verbais?... Maria
Pois não há e é isso que faz falta. Mais do que os respectivos directores imaginam. Ou se imaginam, não ligam porque se calhar não lhes pagam para isso. De modo que para eles fazer ou não a revisão das notícias é igual ao litro. Maria
Não compreendeu. Essa elisão em nada interfere na correcção da frase, era apenas uma nota para não haver dúvidas quanto a isso. A frase está correctíssima.
Com todo o respeito, estou em desacordo com a opinião do João Cabral. E estou d'acordo consigo. Já estudei as regras gramaticais e verbais há muitos anos, mas a verdade é que fui de tal modo bem ensinada que nunca mais as esqueci.
Estamos perante uma frase em que existem claramente duas orações e as oraçõs dividem-se obrigatòriamente sempre que há um sujeito e um predicado enue podem incluir ou não complementos directos e indirectos, predicativos do sujeito, etc. Na frase citada, salvo raríssimas excepções, o "que" (conjunção relativa ou integrante) divide sempre as orações.
Assim temos a primeira oração: "Portugal é dos países"; segunda oração: "que mais milionários vai (e não, vão) criar".
Na primeira oração: sujeito "Portugal", predicado "é", complemento directo "dos países"
Na segunda: sujeito "mais milionários", predicado "vai criar". o "que" é o nome predicativo do sujeito.
Nas orações o sujeito tem que forçosamente concordar com o predicado e vice-versa - é bom ter em conta que numa oração pode haver sujeito abstracto ou indefinido - caso contrário há erro grave de ortografia e/ou verbal, neste caso quando o verbo está no plural e o sujeito no singular e vice-versa) e de sintaxe.
Resumindo: este título de jornal torna-se de difícil compreensão ùnicamente porque o verbo principal (+ o auxiliar) da segunda oração está no plural e o sujeito que lhe diz respeito está no singular. Maria
[s.n.], pode consultar as mais variadas fontes sobre o assunto em questão, todas lhe darão a resposta que aqui publiquei. Se quiser opinião de mestre, consulte o "Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem", de Rodrigo de Sá Nogueira. A edição que possuo, de 1989, dá como correcta a construção do título do "Jornal de Negócios" na página 364.
João Cabral, agradecendo a sua resposta com todo o respeito devo dizer-lhe que não confio em Dicionários cujas Edições são posteriores ao 25 de Abril ou seja, à era 'democrática'. Dos que tenho em casa, um foi comprado pelo meu Pai pelos anos sessenta para ser consultado pelos filhos enquanto estudantes. Tenho um outro que foi comprado em 1992 por uma pessoa cá de casa e foi-o porque o dos anos sessenta tinha sido muito manuseado por nós, filhos, e estava muito estragado. Mas para eu tirar dúvidas volta e meia ainda o consulto.
Este de 92, como referi há dias num comentário anterior, tem falhas e faltas graves. E isto é inaceitável num Dicionário da Língua Portuguesa, mormente se for da Porto Editora como é o caso. Tal desconchavo deve-se única e exclusivamente aos novos linguístas - todos eles muito modernos e muito democráticos - que têm feito a revisão das novas Edições e indesculpàvelmente vindo a alterar (quando não a retirar) o significado d'alguns substantivos importantes da nossa língua e a omitir os vários sinónimos destes. Já para não falar dos inúmeros sinais gráficos cuja explicação é omissa e que fazem falta na nossa língua para que esta seja pronuncida fonèticamente de modo correcto. Além da falta d'alguns substantivos, o mesmo se passa com alguns verbos, adjectivos, etc.
O Dicionário que o João Cabral cita é de 1989, logo... Maria
Chama-se "dicionário", mas é um livro. Os assuntos lá vertidos estão por ordem alfabética, só isso. A primeira edição é de 1969. E vejo que não sabe quem é Rodrigo de Sá Nogueira... Talvez seja melhor pesquisar. Como adenda ao que possa encontrar, digo-lhe que a filha de Sá Nogueira foi a esposa de José Hermano Saraiva.
Todavia, pegando nas Ciberdúvidas, que teve a amabilidade de trazer, no último parágrafo — «em situações especiais, quando se pretende destacar o sujeito do grupo ao qual pertence. Por exemplo…» e permita-me usar o caso:
Por conseguinte, pela ênfase que se pretenderia na notícia (ou não será Portugal o sujeito que quereriam destacar pondo-o em título na primeira página?), o título ficaria bem melhor como acima vai. Do arrazoado resta que não sendo a sintaxe em rigor passível de remoque (torno a citar das Ciberdúvidas), «por uma questão de eufonia, pois o singular inicial [Portugal] e o do predicado final levam a aceitar um singular intermédio, e por uma intenção de valorização do indivíduo [ou sujeito singular] em relação ao conjunto ao qual pertence», o predicado iria bem melhor no singular também. E com esta razão torno à sintaxe, para me justificar de a manter no título do verbete. Agradeço os esclarecimentos que aduziu. Cumpts.
João Cabral, obrigada pela sua resposta e pela informação que deixou.
Só para dar mais um exemplo relativamente ao Dicionário em causa.
Na 6ª. Edição do Dicionário da Porto Editora de 1992 (que possuo e citei no meu anterior comentário), logo nas primeiras páginas vem mencionado "6ª. Edição - corrigida e aumentada" e não é verdade. Trata-se de uma mentira ou se se quiser, de um exagero de linguagem que induz em erro os novos leitores.
Esta Edição não está convenientemente "corrigida" e muito menos "aumentada", antes pelo contrário ela está muito pouco corrigida e muitíssimo diminuída.
Quando nas primeiras páginas à esquerda, são destacados os nomes J. Almeida Costa e A. Sampaio e Melo e mais à direita "com a contribuição de um grupo de colaboradores especializados" (nada menos do que 32!), quem lê isto julga que aqueles dois especialistas iniciais continuaram a colaborar NESTA 6ª. Edição e nunca tal podia ter acontecido dada a avançada idade de ambos, isto se porventura eles ainda fossem vivos.
Mas os novos leitores poderão ainda pensar que todas as Edições do pós 25 de Abril, deste que foi o mais conceituado Dicionário da Língua Portuguesa, serão a cópia exacta, convenientemente aumentada mas jamais adulterada, das quatro primeiras Edições. E não é verdade. Como disse, tal seria impossível.
A lista das dezenas de autores desta 6ª. Edição vêm na página seguinte e nela não constam (nem podiam constar) os nomes dos dois ilustres autores da 1ª Edição, os mesmos que terão de certeza corrigido e aumentado a 2ª. e 3ª. com o mesmo rigor e cuidado. E porventura talvez mesmo a 4ª. Edição. E escusado será repetir, todas editadas antes de 1974.
Caso estes dois insignes linguístas fizessem parte do grupo que "corrigiu e aumentou" a 6ª. Edição (e de certeza também a 5ª.) deste Dicionário, jamais nele teriam sido observadas tantas falhas e faltas. Maria
Obs.: na minha juventude fui colega de trabalho de uma familiar chegada de Sampaio e Melo. Portanto sei do que falo quando refiro que S. e M. foi um dos maiores linguístas dos anos sessenta.
Relendo, vejo o meu comentário como podendo dar a entender um tom seco, altivo ou rebarbativo. Não é o caso. É uma réplica cordial e o agradecimento é sincero.
É muito simples: aquele "que" é referente a "países" e não a "Portugal". Não se pode referir apenas a "Portugal", pois há "países" imediatamente antes, pelo que o verbo tem de ficar no plural. É uma mera questão de concordância. Fui claro? Espero que sim.
Sim. O caso é a excepção. Calhando pela eufonia; ou por aqueloutra regra da gramática que dá para muita coisa, que é a atracção, não sei. Ao depois, a excepção vem de longe: acha-se no Pe. Vieira, em Frei Luís de Sousa, ocorre mais em Júlio Dinis e, no saco de plástico é mato (ou era porque há anos me deixei dele). Faltou dizer; pela atracção soa logo melhor «Portugal é dos países que vão criar mais milionários», pois juntaria os termos. Cumpts.
Falta a concordância entre o sujeito e o predicado na frase do título. Mas se muitos não sabem escrever correctamente o português como haviam eles de saber efectuar as concordâncias verbais?...
ResponderEliminarMaria
E revisão?
ResponderEliminarNão há revisão sequer do principal título da primeira página?!
Que incompetência!
Cumpts.
Pois não há e é isso que faz falta. Mais do que os respectivos directores imaginam. Ou se imaginam, não ligam porque se calhar não lhes pagam para isso. De modo que para eles fazer ou não a revisão das notícias é igual ao litro.
ResponderEliminarMaria
Na verdade, está bem: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/um-dos-que/14163. No caso, apenas "um" foi elidido da frase.
ResponderEliminarChame-lhe «elisão».
ResponderEliminarCumpts.
Igual ao litro, não. Pode ser elisionismo.
ResponderEliminarCumpts.
Não compreendeu. Essa elisão em nada interfere na correcção da frase, era apenas uma nota para não haver dúvidas quanto a isso. A frase está correctíssima.
ResponderEliminarSe bem entendo, os países são o sujeito.
ResponderEliminarPode ser.
Obrigado!
Exactamente.
ResponderEliminarSó que então, adeus ênfase a Portugal, o verdadeiro sujeito de tamanho furo de primeira página.
ResponderEliminarCumpts.
Com todo o respeito, estou em desacordo com a opinião do João Cabral. E estou d'acordo consigo.
ResponderEliminarJá estudei as regras gramaticais e verbais há muitos anos, mas a verdade é que fui de tal modo bem ensinada que nunca mais as esqueci.
Estamos perante uma frase em que existem claramente duas orações e as oraçõs dividem-se obrigatòriamente sempre que há um sujeito e um predicado enue podem incluir ou não complementos directos e indirectos, predicativos do sujeito, etc. Na frase citada, salvo raríssimas excepções, o "que" (conjunção relativa ou integrante) divide sempre as orações.
Assim temos a primeira oração: "Portugal é dos países"; segunda oração: "que mais milionários vai (e não, vão) criar".
Na primeira oração: sujeito "Portugal", predicado "é", complemento directo "dos países"
Na segunda: sujeito "mais milionários", predicado "vai criar". o "que" é o nome predicativo do sujeito.
Nas orações o sujeito tem que forçosamente concordar com o predicado e vice-versa - é bom ter em conta que numa oração pode haver sujeito abstracto ou indefinido - caso contrário há erro grave de ortografia e/ou verbal, neste caso quando o verbo está no plural e o sujeito no singular e vice-versa) e de sintaxe.
Resumindo: este título de jornal torna-se de difícil compreensão ùnicamente porque o verbo principal (+ o auxiliar) da segunda oração está no plural e o sujeito que lhe diz respeito está no singular.
Maria
Não fica perdido nenhum efeito, uma vez que Portugal está incluído nos outros e lá figura o seu nome.
ResponderEliminar[s.n.], pode consultar as mais variadas fontes sobre o assunto em questão, todas lhe darão a resposta que aqui publiquei. Se quiser opinião de mestre, consulte o "Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem", de Rodrigo de Sá Nogueira. A edição que possuo, de 1989, dá como correcta a construção do título do "Jornal de Negócios" na página 364.
ResponderEliminarE também na página 195.
ResponderEliminarJoão Cabral, agradecendo a sua resposta com todo o respeito devo dizer-lhe que não confio em Dicionários cujas Edições são posteriores ao 25 de Abril ou seja, à era 'democrática'. Dos que tenho em casa, um foi comprado pelo meu Pai pelos anos sessenta para ser consultado pelos filhos enquanto estudantes. Tenho um outro que foi comprado em 1992 por uma pessoa cá de casa e foi-o porque o dos anos sessenta tinha sido muito manuseado por nós, filhos, e estava muito estragado. Mas para eu tirar dúvidas volta e meia ainda o consulto.
ResponderEliminarEste de 92, como referi há dias num comentário anterior, tem falhas e faltas graves. E isto é inaceitável num Dicionário da Língua Portuguesa, mormente se for da Porto Editora como é o caso. Tal desconchavo deve-se única e exclusivamente aos novos linguístas - todos eles muito modernos e muito democráticos - que têm feito a revisão das novas Edições e indesculpàvelmente vindo a alterar (quando não a retirar) o significado d'alguns substantivos importantes da nossa língua e a omitir os vários sinónimos destes. Já para não falar dos inúmeros sinais gráficos cuja explicação é omissa e que fazem falta na nossa língua para que esta seja pronuncida fonèticamente de modo correcto. Além da falta d'alguns substantivos, o mesmo se passa com alguns verbos, adjectivos, etc.
O Dicionário que o João Cabral cita é de 1989, logo...
Maria
Chama-se "dicionário", mas é um livro. Os assuntos lá vertidos estão por ordem alfabética, só isso. A primeira edição é de 1969. E vejo que não sabe quem é Rodrigo de Sá Nogueira... Talvez seja melhor pesquisar. Como adenda ao que possa encontrar, digo-lhe que a filha de Sá Nogueira foi a esposa de José Hermano Saraiva.
ResponderEliminarEm rigor e pela teoria dos conjuntos é verdade.
ResponderEliminarTodavia, pegando nas Ciberdúvidas, que teve a amabilidade de trazer, no último parágrafo — «em situações especiais, quando se pretende destacar o sujeito do grupo ao qual pertence. Por exemplo…» e permita-me usar o caso:
Por conseguinte, pela ênfase que se pretenderia na notícia (ou não será Portugal o sujeito que quereriam destacar pondo-o em título na primeira página?), o título ficaria bem melhor como acima vai.
Do arrazoado resta que não sendo a sintaxe em rigor passível de remoque (torno a citar das Ciberdúvidas), «por uma questão de eufonia, pois o singular inicial [Portugal] e o do predicado final levam a aceitar um singular intermédio, e por uma intenção de valorização do indivíduo [ou sujeito singular] em relação ao conjunto ao qual pertence», o predicado iria bem melhor no singular também. E com esta razão torno à sintaxe, para me justificar de a manter no título do verbete.
Agradeço os esclarecimentos que aduziu.
Cumpts.
Concordo em absoluto com o que aqui escreveu. Ou mais concretamente, com o "tira dúvidas" que aqui deixou.
ResponderEliminar:)Maria
:) Obrigado!
ResponderEliminarJoão Cabral, obrigada pela sua resposta e pela informação que deixou.
ResponderEliminarSó para dar mais um exemplo relativamente ao Dicionário em causa.
Na 6ª. Edição do Dicionário da Porto Editora de 1992 (que possuo e citei no meu anterior comentário), logo nas primeiras páginas vem mencionado "6ª. Edição - corrigida e aumentada" e não é verdade. Trata-se de uma mentira ou se se quiser, de um exagero de linguagem que induz em erro os novos leitores.
Esta Edição não está convenientemente "corrigida" e muito menos "aumentada", antes pelo contrário ela está muito pouco corrigida e muitíssimo diminuída.
Quando nas primeiras páginas à esquerda, são destacados os nomes J. Almeida Costa e A. Sampaio e Melo e mais à direita "com a contribuição de um grupo de colaboradores especializados" (nada menos do que 32!), quem lê isto julga que aqueles dois especialistas iniciais continuaram a colaborar NESTA 6ª. Edição e nunca tal podia ter acontecido dada a avançada idade de ambos, isto se porventura eles ainda fossem vivos.
Mas os novos leitores poderão ainda pensar que todas as Edições do pós 25 de Abril, deste que foi o mais conceituado Dicionário da Língua Portuguesa, serão a cópia exacta, convenientemente aumentada mas jamais adulterada, das quatro primeiras Edições. E não é verdade. Como disse, tal seria impossível.
A lista das dezenas de autores desta 6ª. Edição vêm na página seguinte e nela não constam (nem podiam constar) os nomes dos dois ilustres autores da 1ª Edição, os mesmos que terão de certeza corrigido e aumentado a 2ª. e 3ª. com o mesmo rigor e cuidado. E porventura talvez mesmo a 4ª. Edição. E escusado será repetir, todas editadas antes de 1974.
Caso estes dois insignes linguístas fizessem parte do grupo que "corrigiu e aumentou" a 6ª. Edição (e de certeza também a 5ª.) deste Dicionário, jamais nele teriam sido observadas tantas falhas e faltas.
Maria
Obs.: na minha juventude fui colega de trabalho de uma familiar chegada de Sampaio e Melo. Portanto sei do que falo quando refiro que S. e M. foi um dos maiores linguístas dos anos sessenta.
Relendo, vejo o meu comentário como podendo dar a entender um tom seco, altivo ou rebarbativo.
ResponderEliminarNão é o caso.
É uma réplica cordial e o agradecimento é sincero.
Cumpts.
É muito simples: aquele "que" é referente a "países" e não a "Portugal". Não se pode referir apenas a "Portugal", pois há "países" imediatamente antes, pelo que o verbo tem de ficar no plural. É uma mera questão de concordância. Fui claro? Espero que sim.
ResponderEliminarSim. O caso é a excepção. Calhando pela eufonia; ou por aqueloutra regra da gramática que dá para muita coisa, que é a atracção, não sei.
ResponderEliminarAo depois, a excepção vem de longe: acha-se no Pe. Vieira, em Frei Luís de Sousa, ocorre mais em Júlio Dinis e, no saco de plástico é mato (ou era porque há anos me deixei dele).
Faltou dizer; pela atracção soa logo melhor «Portugal é dos países que vão criar mais milionários», pois juntaria os termos.
Cumpts.