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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Paço de Arcos

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E.N. 6-5, Paço de Arcos, 1957. Arquivo da Ordem dos Arquitectos, PT-OA-IARP-LSB-OER05-001.

Contra a urticária ortográfica...

« Quanto ao a ortografia não é mais do que a aparência da língua, a sua pele, a metáfora de [Edite] Estrela (1993) e de Estrela, Leitão & Soares (2011) falha o objectivo pretendido (alegar que a ortografia é aparência da língua, tal como a pele é aparência do corpo), pois o elemento pele não é aparência, é essência. A pele, além de contracenar com o fígado na saga qual é o maior órgão do corpo humano?, é protectora do organismo contra agressões externas e reguladora da temperatura do corpo, impede a desidratação e desempenha um papel crucial no recurso a um dos dois sentidos afectados pelo A.O. 90: o tacto português.»


Francisco Miguel Valada, «Dermatologia e resistência silenciosa», in Público, 29/II/12.


Contra a passivividade bovina...


« Ao ler o editorial d’ A Bola de 31/12/2011, recordei-me de Marx in Soho, peça de Howard Zinn, em que Karl Marx regressa do Além, para nos explicar aquilo que pensa. Sem intermediários. A páginas tantas, Marx vagueia pelas ocorrências posteriores à captura de Napoleão III. As tropas de Bismarck invadem Paris e a recepção que obtêm é mais devastadora do que violência e ira da população. As estátuas estão envoltas em panos negros e há uma imensa, invisível e silenciosa resistência. Perante este cenário, as tropas partem, temendo essa resistência. Silenciosa. Provavelmente, o director d’ A Bola assistiu à peça e pensou que, através da silenciosa resistência nela reflectida, obteria os mesmos resultados. No editorial de 31/12/2011, lê-se o seguinte: A partir da sua próxima edição (2 de Janeiro), primeira do ano de 2012, A Bola adere ao acordo ortográfico. Para trás fica um tempo de silenciosa resistência a um acordo do qual profundamente discordamos. Foi efectivamente silenciosa. Nem chegou aos calcanhares duma consoante não pronunciada. Não fixou nada, não teve qualquer importância e ninguém deu por ela. Foi profunda. Só nos apercebemos que existia no dia da capitulação. Como se sabe, a silenciosa resistência de Vítor Serpa produziu frutos: o A.O. 90 instalou-se na redacção d’ A Bola e estendeu-se num pachorrento sofá, charutandotriunfalmente. Num país europeu em que todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente aquilo que pensam pela palavra, o director dum jornal com tiragem de 120 mil exemplares preferiu respeitar votos de silêncio e quebrá-los apenas no momento da rendição. Eis um exemplo a não seguir.»


Id. Ibid.


... Assine a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico!


Francisco Miguel Valada, «Dermatologia e resistência silenciosa», in Público, 29/II/12. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Duma certa linguagem...

 Em três comentários que deixei no blogo do Cachimbo de Magritte dois levavam o vernáculo «paneleiragem». O verbete era sobre paneleiragem, portanto... Mas eles lá no Cachimbo dizem «gay». Os meus dois comentários que metiam «paneleiragem» (salvo seja) ficaram por publicar. Provavelmente não interessariam muito e nem eu me lembra o que foi que neles disse (*); ficou-me só que escrevi neles o palavrão «paneleiragem» e cuido que por ele — pelo palavrão — não mos hajam publicados. Os do Cachimbo de Magritte não toleram linguagem desbragada e eu concordo: não é léxico autorizado.
 Um termo tão rude como «paneleiro», mas calão esquecido na voz corrente, é «fanchono». — Raul Brandão, lembro-me eu, usou-o nas «Memórias». António Ferreira diz que também (cf. verbete original), há séculos, na comédia «Bristo» dedicada ao infante D. João, pai de el-rei D. Sebastião. De caminho entre ambos não há-de ter falhado a Bocage, estou certo. — Ora a «paneleiro» não conheço pergaminhos de belas-letras que lhe valham. E «fanchono», por ignorado completamente ou por alcatruzado às belas-letras por autores de nomeada, é claro que teria passado no crivo do moderador do Cachimbo sem ninguém lhe sentir a depreciativa rudeza. Tal e qual — somado que é novidade lexical vinda lá de fora, elegância sempre encantadora —, poucos hodiernos detectam a torpeza do «gay». Em todo caso este género de linguajar obscurantista cedo recupera carga pejorativa; o blogo das «Perspectivas» usa amiúde o mestiçado «gayzismo» como extensão semântica da coisa: da paneleiragem, isto é. O significado não se desvia por lhe mudarmos o significante, só a percepção daquele pode às vezes ser mitigada. Mas inevitavelmente a realidade torna e não despega. Por mais que dobremos a língua, paneleiragem é... paneleiragem, desde os tempos bíblicos de Sodoma. Havia de ser agora que, com um arco-íris de significantes, a realidade se desviava de o ser? O que passávamos bem era sem ela assim, chibante, na Av. da Liberdade.


... E doutras narrativas que moldam


(Prima para ler.)


Malheiros, «Léxico autorizado» («Público», 28/2/2012)
(«Público», 28/2/2012.)




(*) Deve ter sido o que está à vista, perdoe-se-me a sinceridade: o que a paneleiragem quere é chegar aos meninos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Amplo vale, Lisboa

 Vista ampla através das quintas do Saraiva (ou da Cerca; ou dos Merceeiros), da Ladeira (ou do Sabido), do Fole, da Viscondessa de Vale de Sobreda, do monte do Coxo e por aí adiante (digo-as de cor e espero não me enganar, mas isto agora, passados tantos anos não é fácil, haveis de compreender). O horizonte do amplo vale é fechado pelo alto do Pina (à direita) e pelo casal Vistoso, ao Areeiro (à esquerda).
 O comício é no preciso lugar do primeiro quarteirão da Rua Pascoal de Melo, n.os 2-8, entre a Francisco Sanches e a Almirante Reis. Vedes onde os cachopos trepam por uma prancha de madeira? O lado de baixo é o leito do que veio a ser a Pascoal de Melo; as terras removidas devem ter servido para aterrar a sua continuação através do vale da Rua de Arroios.



Comício republicano, Arroios, 1907 (A.F.C.M.L.)
Comício republicano, Lisboa, 1907.
Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Rua da Alfândega



 Demolição dos anexos da alfândega por detrás do ministério das finanças. Estas demolições e as das casas entre a Rua da Alfândega e a dos Bacalhoeiros deram a confusão deste lugar com o Campo das Cebolas, que é mais a Leste, onde ambas se encontravam. (A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, lote 0, cx. G, neg. 032.)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Janas

 Certa vez, no início das coisas, vínhamos eu e a senhora da Praia das Maçãs e, em atravessando a charneca acima de Janas disse-me ela que fazer praia por ali era giro. — «No caminho da praia parece que fomos para o campo».


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Poço coberto, Janas, 1957. Arquivo da Ordem dos Arquitectos, PT-OA-IARP-LSB-SNT00-001.

Perspectiva semelhável

 Mais ou menos.
 Dos tempos da República subversiva aos dos 100 anos da dita. O caso é que dantes até se avistava um horizonte mais largo, embora não se adivinhasse o colorido... Pois salvo a fotografia em cor, o progresso não foi notável. Foi?

Comício republicano, Arroios, 1908 (A.F.C.M.L.)

Ruínas da fábrica de cervejas, Arroios, 2012


 




Fotografias:
Comício republicano na Av. Almirante Reis (aliás D.ª Amélia), Lisboa, 28/6/1908. Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Traseiras da cervejaria Portugália, Arroios, [2012]. Espigado da internete.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Rua do 1.º de Dezembro, 57 (*)

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Restos doutras vidas, de faustos acabados ingloriamente, naquelas paredes interiores à mostra...! (A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, lote 0, cx. G, neg. 035.)



(*) Corrijo. Rua do Jardim do Regedor, 57 (6/II/21).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Gente grada




O regedor da Peneda e sua filha em 1911. Da reportagem «Como eu visitei as serras do Soajo e da Peneda» (A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, lote 11, cx. 9, neg. 16).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Dos idiotas úteis e dos outros

« [...] O verdadeiro objectivo do A.O. parece sempre ter sido um só: o mercado interno brasileiro de livros didácticos e paradidácticos. Portugal entrou no A.O. como mero argumento: a história da unificação da língua escrita (que o A.O. na verdade não promove) como passo para a inclusão do português como língua oficial da O.N.U., as proclamações pouco substanciais que resultaram das tantas reuniões jantantes da lusofonia – tudo isso era cortina de fumaça. O que importava mesmo, desde o princípio, era fazer uma reforma ortográfica no Brasil, para uso e abuso interno. Tanto que o A.O. foi aprovado e implementado a poder de lei no Brasil, unilateralmente. Desde a implementação, o governo brasileiro não compra um só exemplar de livro que não esteja de acordo com a nova ortografia: esse é o x da questão. O resto é discurso para inglês ver. Tanto que, neste momento, não vejo ninguém preocupado, aqui, com a adesão ou renúncia de Lisboa ao A.O. O objectivo já foi atingido [...] Os países africanos dão mostra de terem percebido o engodo. Eles, que poderiam ser um benefício adicional ao A.O., do ponto de vista brasileiro. Tomara que se mantenham firmes e não adiram. Agora falta cumprir-se Portugal.»


Paulo FranchettiO Brasil, Portugal e o Acordo Ortográfico», in Tantas Páginas, 22/2/2012 (a grafia foi revista; sublinhados meus).


  O Malaca largou o Vocabulário da Academia e foi a correr e a saltar fazê-lo na Porto Editora, para somar a mediocridades de tomo a que nos habituou.
  A Priberam abrasileirou o seu dicionário a convite da Amazon que o crava de tal maneira nos iPad que não há forma de removê-lo. Isto somado ao que factura por fora com incautos e certos imbecis...
  A Leya abocanhou o naco brasileiro e não quere já saber do resto, de modo que despede em Portugal e aposta no Brasil...
  Estes são (alguns) dos outros. 
  Idiotas úteis, sobressaíram nestes dias o chocho director do saco de plástico — «A minha adesão pessoal ao Acordo Ortográfico tem a ver simultaneamente com confiança e humildade» (Expresso, 20/2/2012) — mai-lo soalheiro ex-director do dito que se tristemente estriba no ilustre pai, que Deus tem, para se atascar no atoleiro ortográfico onde Portugal entrou como mero argumento. Mas o galã da fita refulgiu há dias, qual Dom Casmurro, depois de ter estado de olhos fechados durante quase toda a récita; muito atento venerador e obrigado a Machado de Assis e à sua pátria (sua do escritor brasileiro), quis alijar-se do frete que carregou às costas de Portugal vai para cima de vinte anos — «Cavaco Silva incumbiu-me de inaugurar o C.C.B. e de assinar o Acordo», (Sol, 13/2/2012). Não se apoquente ele agora que — como dizia o Zequinhanão há cá galãs!... No elenco apinham-se para cima de 230 bestas de carga com umas dúzias de cavalgaduras de nomeada, todos à desfilada e com camadões de vermes parasitários por cima e por debaixo do pêlo. E tudo isto perante um director de cena que de tão mau orador quão fujão mete dó. 
  Portugal cumpriu-se, pois!
  Onde pus eu o Shelltox?


Bomba Shelltox. Fotografia sem data.
Estúdio de Mário Novais: 1933-1983, in
Biblioteca de Arte da F.C.G..

Pausa para o jantar




Fotografia sem legenda. A.N.T.T., «O Século», Joshua Benoliel, lote12, cx. 2, neg. 2.

Rossio




(A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, lote 0, cx. G, neg. 340.)

Rossio, vários destinos




(A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, lote 0, cx. G, neg. 334.)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Que se tira dum comício?

Comício, Arroios (A.N.T.T., «O Século», PT-TT-EPJS-SF-008-00003_m0001)

 Um comício republicano à beira da Rua do Conselheiro Moraes Soares. — Vale-me que hoje é dia de Carnaval...
 O edital que deliu o «Conselheiro» da rua dedicada ao bacharel em Medicina Rodrigo Moraes Soares é de 27 de Novembro de 1916 — o topónimo «foi alterado para Rua Morais Soares, uma vez que o título de conselheiro se identificava com o regime monárquico e era atribuído, tradicionalmente, aos magistrados do Supremo Tribunal e por vezes, o soberano concedia-o a pessoas que tinham prestado serviços honrosos.» (C.M.L./D.P.M./N.T.) — Honra também aos republicanos, daqui do comício e não só, pelo diligente bolear da História...


 Ou me engano ou este comício foi nas traseiras da Caixa Geral de Depósitos, no n.º 153...
 O benévolo leitor entrevê pelo meio do arvoredo, ao fundo, uma casa? É o hospital de Arroios. Vislumbram-se também por ali uns telheiros adjacentes ao hospital que ficavam exactamente por onde se fez o prolongamento da Av. Almirante Reis, nos anos 30, da Praça do Chile ao Areeiro (cf. Avenida Almirante Reis, 1938). O muro mais cá que encobre esses telheiros mostra bem o desnível do terreno em relação à primitiva Rua do Conselheiro Morais Soares. Saberá que era esta a velha estrada de circunvalação de Lisboa, com cariz militar, feita em aterro a servir de barreira e, como o nome indica, com vala exterior em muitos troços. Tudo novidades antigas e história esquecida hoje e já pelos alvores do séc. XX, de modo que não admira ver aqui o começo da edificação de prédios de rendimento à beira duma velha linha de defesa de Lisboa. Estes dois prédios que o benévolo leitor aí tem são dos primórdios do crescimento urbano acima de Arroios. Deitei-me hoje a adivinhar que fossem, estes que vê, onde hoje temos os n.ºs 153 e 155 da Rua Morais Soares e tenho-os por demolidos pelo fim dos anos 40, início dos anos 50 (cf. A.M.L. / Núcleo Intermédio, proc.º de obra n.º 7078 e n.º 19780). Não faço adivinhação à toa, porém assumo o golpe de vista a partir de referências visíveis — o hospital de Arroios e o muro bem identificado numas vistas do alto da Penha de França que em tempo publiquei (v. Mirai! Da Penha de França, Uma panorâmica de Lisboa e Rua Conselheiro Morais Soares, c. 1910) — e fundado na observação actual do lugar: há-de o benévolo leitor notar (em conhecendo aquele troço da rua) que não há nenhum par de edifícios de três janelas nos dois últimos quarteirões no lado do Sul da Rua Morais Soares e veja que os prédios originais da rua têm todos a traça dos gaioleiros de 1880-1930; originais e não reconstruções, portanto. Assim, os únicos dois lotes que cuido se prestam a neles caber um par como da imagem são os que mostram dois edifícios de construção mais moderna, precisamente os n.os 153 e 155; faz sentido esta conjectura quando tem alguma lógica (que de resto verifiquei noutros casos) haverem sido demolidos justamente os dois prédios de rendimento mais antigos do troço da em questão; conjugo a sua pouca longevidade (anos 40-50, como disse) com a fraca construção de tantos gaioleiros do tempo da Grande Guerra. Alguns ruíam por si. Mas lança-me isto já na tentativa de datar a imagem.
 A fotografia que aqui vedes não tem legenda nem data pelo conservador da Torre do Tombo. A planta de Arroios  de 1909 (Pinto Silva, Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911, planta 11K) não representa estes prédios. As vistas que conheço, porém, da primeira década de 1900, sobre a Morais Soares desde o alto da Penha de França (cf. remissões acima) não mostram prédios de rendimento neste troço. Para situar minimamente esta agora no tempo posso guiar-me pela abertura da Rua Edith Cavell, uma rua da prancheta dos serviços de urbanização da C.M.L. sobre as quintas dali em redor: o edital é do fim 1915. Não dá uma datação exacta, que pouco importa; serve para fazer uma ideia. 
 E bem! Este comício aqui foi de certeza posterior a 1909. Se foi por volta de 1915 também não íamos mal...
 Fora disto (de comícios republicanos), Arroios era um lugar aprazível.

Panorâmica da Penha de França, Arroios (P.Guedes, c. 1900)




Fotografias:
[Comício], Arroios, [post 1909]. Joshua Benoliel, A.N.T.T., «O Século», cx. 001, negativo 03.
Panorâmica da Penha de França, Lisboa, c. 1900. Paulo Guedes, Arquivo Fotográfico da C.M.L..

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Abecedário da estupidez



 Pois. E vão lá as criancinhas entender que em palavras como histrião o h não se diz.

(O recorte deve-se ao Manuel do H Gasolim Ultramarino).

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Belle époque na Praia das Maçãs

Hotel Royal Bellevue, Praia das Maçãs (Joshua Benoliel, c. 1900)

 Imagem dalgumas damas da Belle Epoque na Praia das Maçãs. O casarão era o hotel Royal Bellevue. Ficava diante da Villa Guida, de Alfredo Keil, que ainda lá está. — Calhando aqui ainda ele era vivo.
 O hotel ardeu em 1918, salvo erro. [1921. Obrigado sr. Valdemar Alves!]
 A fotografia é de Joshua Benoliel, no A.N.T.T., colecção d' «O Século», e vem calhada agora para calcar para o fundo a carantonha do verbete anterior.

(Verbete revisto.) 

Uma Helena tola no «Público»

Helena Topa

 No Público de hoje publica-se a opinião dum cérebro que processa texto pela cartilha do brasileiro pretensamente em vigor. E embora tal grafia lhe mereça reparo (!) por ser parida da política e não da Linguística, acata a escriba de boamente a ordem dos donos, pois se não, não faria questão de redigir naquela maneira parva. A falta de coerência naquela mona é notória mas, enfim!, entende-se; há trabalho a fazer, mormente por quem se ache de licença sem vencimento da F.C.S.H. para... leccionar português e fazer traduções?... Na medida desses serviços o argumentário é coerente: dá uma no cravo outra na ferradura, como boa rolha, para se ir mantendo à tona. Há porém risco de assentar no lodo.
 Diz-se a criatura sensível ao critério etimológico da grafia, mas acha vantagens óbvias (óbvias?!) na aproximação da fala à escrita (parece-me ser desejável uma relação tão clara e inequívoca quanto possível entre a(s) letra(s) e os sons que pretendem transcrever, e penso que no caso da supressão das consoantes mudas se faz um avanço nesse sentido). — Adeus sensibilidade à etimologia! Esqueça-se dos gês e dos guês e dos jotas, do «h», do «x», do «ç» e dos «ss», do «s» e do «z», do «o» e do «u», — Tome lá! — e vá ensinar purtugês aos meninos. Emigre para o Brasiu. Antes de abalar informe-se da taxa de analfabetismo nos dois lados do Atlântico (com e sem consoantes etimológicas) e confronte-a com as da Inglaterra e França em vésperas da primeira revolução industrial (antes da evolução ortográfica que elas devem ter entretanto feito). Caso se arrependa e se quede por cá evite, por misericórdia com a inteligência alheia, afirmar displicentemente:


 A análise de algumas palavras que são por certas pessoas articuladas com c ou p (e por outras não: ex.: característica vs. caraterística, sectorial vs. setorial, corrupção vs. corrução) mostra que estamos perante uma mudança linguística (fonética) ainda em curso, que tem vindo a ocorrer provavelmente desde o princípio do século XX. A nova norma trazida pelo A.O. dá conta dessa mudança, que não é ainda completa, pelo que admite, com as desvantagens referidas, a possibilidade de uma dupla grafia (em muito poucos casos, diga-se, e com tendência a desaparecer).


 A mudança linguística (fonética) [...] em curso — como a observa? — desde o princípio do séc. XX — ah, bom! talvez desde 1911, pois, pois!... — É dessa mudança, ainda não completa (e quando o estará, sabe dizer?) que havemos de chegar ao purtugês, não é verdade? Das duplas grafias característica/caraterística &c. fácil me é atinar com a que deve vingar; obviamente a que por imperativo ideológico der no goto aos arúspices acorditas tão prenhes do futuro que, como esta Elena (ops! caíu o agá), nos pastoreiam alegremente os filhos nos amanhãs que cantam. Pois do futuro, cuido, só Deus sabe; não me consta que tenha passado procuração a mortais. Por mim sei apenas da história que o pê de corrupção se não dizia em Portugal e por isso foi furiosamente obliterado pelos reformistas de 1911.  Tornou ao português porque o diziam no Brasil; uma saída airosa acordada em 1945 (Base VI, 2.º) para — pegando o que diz a dama acordita — uma relação tão clara e inequívoca quanto possível entre a(s) letra(s) e os sons que pretendem transcrever sem cair numa chocante contradição de se ouvir corrupção (ou côrrupição) e aberrantemente se ver grafado corrução. Isto mesmo, sem o ditoso acordo de 1990, imagine-se. Pelo contrário, sabemos o que dispõe este último sobre isto...
 Quanto ao desfazer do valor diacrítico das consoantes etimológicas nem devia eu já gastar mais cera com tal defunta que, sem nada demonstrar, dá dois exemplos pífios (tactear e exactidão) que só provam a força da metafonia em vogais pré-tónicas no português. Eliminem-se como é seu desejo em todos os casos e havemos de ver o resultado. Remeto-a sumariamente para Gonçalves Viana (Ortografia Nacional; Simplificação e Uniformização das Ortografias Portuguesas, Viúva Tavares Cardoso, Lisboa, 1904, p. 73) com a minha própria experiência de ter aprendido «fâturar» nos livros do Tio Patinhas em abono de prova; só em crescendo percebi que afinal era «facturar».
 Deixo-lhe os hífenes — que, parece, têm regras disformes e obscuras (que o acordo de 90 «uniformiza» e aclara — ou «clarifica» — diz) — com um recadinho cor-de-rosa ou cor de laranja, à escolha. Fica mal a uma professora de português fugir de trabalhar por aprender as regras do hífen.
 O Público atendeu-a, é sua obrigação. Triste é que os acorditas, que têm direito ao espaço no jornal como tanto outro insecto, não tragam vantagem ao saber nem aos leitores, antes pelo contrário: o paupérrimo acordo bicharo-malaquenho cerceia argumentos aos mais inteligentes, se os houvera, dispostos a vender aquela lama. 


 


(Texto revisto.)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Historieta com português de Bataclan

Cinco automobilistas desentenderam-se pela manhã na segunda circular. Havia uma senhora. Os outros quatro eram automobilistos.

2.ª Circular, Lisboa (Lu. Gonçalves, 2008)
Avenida Marechal Craveiro Lopes, Lisboa.
Cliché de Luísa Gonçalves, 2008.

Aventando...

Ontem, o meu filho de 12 anos perguntou-me “o que é o têto?” Estava a ler legendas num programa de televisão e aparecia a palavra “tecto” escrita de acordo com a nova grafia, teto. Até a mim me apetece perguntar, o que é o têto?


Comentário de Bone, in «Contra o Acordo Ortográfico: as chamadas consoantes mudas» (A. Nabais, Aventar, 16/II2012).


 


Não será algum género de implante mamário para certos híbridos ainda por cadastrar?...
 
A imagem é das Perspectivas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Galego? Sim, talvez...

 Esta agora manda-ma um benévolo leitor referindo que nem já o Guglo (prima a imagem) reconhece esta amálgama como português. Zon, net, phone, mobile, online, IRIS by..., direto..., ou hábitos de atuar (tratar por tudisfruta..., já não precisas... — Diz o Guglo que é galego? Pode ser. Português, de facto, não é.


 


Zon, net, phone, mobile, online, IRIS by..., disfruta..., já não precisas..., TV em direto...

Um governo desautorizado em toda a linha

Público (15/2/2012)


(Público, 15/II/12.)

Forças? Armadas?...

Queixinhas (Público, 15/12/2012)

Queixinhas.




(In «Público», 15/2/2012.)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Imprensa Nacional

imprensa Nacional, Lisboa (E.Portugal, s.d.)
Imprensa Nacional, Rua da Escola Politécnica, [s.d.].
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Da distracção

Armazém de venda de tipos, Imprensa Nacional (S.N., 1915)

 Alguém na comissão liquidatária, por caridade, sopre àquele distraído ministro efemeramente nascido no Ribatejo mas natural de Lisboa que Portugal tem uma secular imprensa nacional capaz do melhor e do pior; até de lustrosas edições nesse português de contrafacção tão apazível a nanicos ansiosos por cavalgar a História Istória. Estas distracções saem-me sempre estupidamente caras.


 A fotografia do pessoal parado no armazém de tipos da Imprensa Nacional é do Arquivo Fotográfico da C.M.L.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Lisboa enregelada

 A photographia é de logo abaixo do lago que em tempo houve no park.
 Ha-de o benevolo leitor notar o quarteirão occidental da Rotunda entre as ruas Braamcamp e Joaquim Antonio de Aguiar. As duas casas mais proximas — um predio de rendimento com logradoiro e um palacete com cêrca — não são do meu tempo. São onde está hoje o hotel Phenix. Os outros predios de rendimento mais distantes são uns que foram demolidos ha poucos annos, em que se levou a cabo o remate das fachadas d'aquelle quarteirão occidental da Rotunda, todas edificadas por egual. Na esquina da rua Braamcamp havia uma loja da TAP, que se mudou entre tanto para lado oriental da Rotunda, para o lado da avenida do Duque de Loulé, e por lá ficou.
 Logo abaixo d'esses predios, de entrada na Braamcamp, á esquerda, fica uma rua d'outro duque: o de Palmella. Cuido que essa serventia coincida grosso modo com uma esquecida calçada da Nataria que desagoava n'uma travessa (hoje) atrás do hotel Tivoli. Por curiosidade, um outro duque que morou n'esta calçada da Nataria foi o da Terceira... — Isto foi antes da Avenida, mas é outro assumpto, não vem agora ao caso...
 O que vem ao caso é que está muito frio em Lisboa. Penna não havermos neve.



Park Eduardo VII n' um dia que nevou, Lisboa (F. da Cunha, c. 1930)
Park Eduardo VII n'um dia que nevou, Lisboa, c. 1930.
Ferreira da Cunha, in Archivo Photographico da C.M.L..

O auctor escreveu êste verbete de accôrdo com a verdadeira orthographia antiga, ao contrario dum ferrete que corre por aí a propósito d'outra graphia bem actual...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A prof.ª Teresa Ramalho ao deputado Seguro

Advertencias curiosas... (A.F.Barata, 1870)


 


 O deputado Seguro encarniça-se mais por mor de atacar o adversário político; a ortografia portuguesa não lhe interessa para nada, já o aqui disse há dias. A sr.ª prof.ª Teresa Ramalho de Braga, universitária aposentada, é que lhe aponta bem o dever de deputado.



 Ex.mo Senhor Deputado [António José Seguro]

 Na qualidade de residente e eleitora no Distrito de Braga venho transmitir a V. Exª o meu profundo desagrado pela sua intervenção no Parlamento relativa à atitude do Dr. Vasco Graça Moura no C.C.B.
 Não pode V. Ex.ª eximir-se a investigar se é V.G.M. que está acima da lei ou se, pelo contrário, atropelaram a lei fundamental todos (mas todos) os políticos que assinaram, ratificaram e promulgaram o Acordo Ortográfico e os seus vários protocolos modificativos, elaborados nas costas do povo português e à revelia das esmagadora maioria dos pareceres elaborados, entre outros, por linguistas acreditados nos meios científicos. Para o efeito pode V. Ex.ª socorrer-se da abundante documentação que sobre a matéria deverá existir nos arquivos da Assembleia da República. Se a isso juntarmos os artigos que desde há vários anos têm sido publicados na imprensa por opositores ao Acordo Ortográfico, poderá V. Ex.ª ficar com uma ideia da violência que ele impõe aos portugueses que ainda se preocupam com a sua identidade. É a língua portuguesa menos importante do que os Jerónimos, a Batalha, Alcobaça, a Torre de Belém e tantos outros marcos do nosso património, apenas porque é, digamos, «imaterial»? Vimos recentemente o Fado ser classificado como património imaterial da humanidade. Em que língua é ele escrito, dito?
 É por isso com profundo sentimento de vergonha que leio o editorial do Jornal de Angola (8/2/2012), que V. Ex.ª poderá conferir abaixo (ver aqui). Vergonha por não serem os que nos representam os primeiros a manifestar essa posição. Vergonha pela suspeita que nos assalta de que haja interesses menos confessáveis a motivar a persistência naquilo que muitos de nós consideram um verdadeiro atentado ao nosso património.

Maria Teresa Ramalho
Prof.ª universitária aposentada

(In causa Pela língua Portuguesa no livro das fuças.)

Da excepcional unificação

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1) Porquê excepcional...mente apenas em Brasil? O «acordo» não unifica (do lat. ūnus + facēre = fazer uno) o português?...
2) Apenas em Brasil é uruguaio ou galego unificado?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Sagres II

N.R.P. Sagres A520, [s.l.], (A- Cunha, 1982)
N.R.P. Sagres A520, [s.l.], 1982.
Alfredo da Cunha (Lusa), 1982, in NRP Álvares Cabral F336.

Sagres

  Há na rádio e na televisão portuguesa brasileira quem não saiba, nem intua, sequer, a diferença entre embaixador e embaixada. Mas não me admira.

Navio-escola Sagres, Lisboa (Forum Lisboa 2009)
Sagres, Lisboa, [s.d.].
In V Forum Parlamentar Ibero-Americano.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A Faculdade de Letras de Lisboa...

... não é uma fundação de direito privado, é?...

F.L.U.L. (7/2/2012)
(Imagem da página da F.L.U.L. em 7/2/2012.)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O progresso

 O historiador Rui Tavares é já o segundo tudólogo que nestes dias manda à tipografia textos seguindo o exemplo (orthographico) dos melhores autores, como Machado de Assis e Eça de Queirós. O primeiro, aliás primeira, que desde sexta-feira teve tão graciosa ideia foi aquela outra, a psicóloga Amaral Dias. Fica bem este alarde de cultura (orthographica) de alguéns tão tonitruantes na opinião publicada, oxalá perseverassem, não se perdia tudo. 
 Mas não.
 O caso é que se metem a fazer graçolas com o português queirosiano por falta de rasgo, o que nem chegaria a ser triste, não o tomassem eles inocentemente por perfumada ironia. Tentam derramar a ideia de regressão, de passadismo, sobre Vasco Graça Moura — a estafada injúria (que até nem é) do «velho do Restelo» tão cara aos progressistas que se norteiam acefalamente pelo dia de amanhã; sucede que quando a ele arribam (ao amanhã) dá pena ver; rejeitam-no porque afinal não é amanhã, é apenas hoje... — Vai lá o benévolo leitor dizer-lhes isto?!... — Eles não ouvem. São surdos. Como quem não sabe dançar e diz que a sala está torta, chamam estes mudas a certas consoantes etimológicas usadas na escrita do português. Não ouvem as vogais abertas. Continuam só assim alheados (alienados) como sandeus, fazendo tábua rasa de tudo o que haja ou tenha havido, para recomeçarem diariamente do nada à procura do amanhã que é tudo. É por isso que lhes falece perceberem quem regride mais: proscreveram o passado. No caso da grafia do português querem estes progressistas tornar furiosamente à base fonética da Idade Média, como já frisei anteontem. Dizem que é o futuro. E fustigam Vasco Graça Moura por legitimamente aplicar leis do séc. XX plenamente em vigor.
 Descartando a semântica do termo, eis o progresso.

Portugal (J.Benoliel, s.d. - A.N.T.T. - PT-TT-EPJS-SF-008-08504)
Portugal, [s.d.]
A.N.T.T., «O Século», Joshua Benoliel...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Da ortografia fonética (galega)

 Afonso X, Rosa das Rosas (Cantigas de Santa Maria, X)
Maladança, Uma noite na corte do rei Afonso X.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A ideia cacográfica de Daniel Santos

Ilustração do Códice das «Cantigas de Santa Maria» (Enciclopédia livre)

 O confrade Daniel Santos do 2711 anda há dias pelos comentários, e agora num verbete, com o mote e a 1.ª estrofe da cantiga X.ª de louvor a Santa Maria, Rosa das rosas e fror das frores, de Afonso X.


Rosa das rosas e Fror das frores,
Dona das donas, Senhor das senhores.

Rosa de beldad' e de parecer
e Fror d'alegria e de prazer,
Dona en mui piadosa seer,
Senhor em tolher coitas e doores.
Rosa das rosas e Fror das frores...


 


Atribui-a a D. Dinis (rei medieval) e afirma, em sentido figurado, ser esta a grafia (velha e relha) defendida por Vasco Graça Moura e, por extensão, pelos que estão contra cacografia do governo. Deixei-lhe um recado.


« Vossemecê anda com isto há dias. Ora leia lá o poema em voz alta e pense. O que lhe soa diferente do português de hoje?
   Fror/Frores» por «flor/flores»?... — É desusado na escrita, sim, mas quanto povo troca por aí os eles por erres? Se vasculhar o país ainda terá a surpresa de achar a forma «fror» sobreviva na oralidade.
   «Piadosa» por «piedosa», idem. É como eu e o bom povo dizemos.
   «Beldad' e prazer», «fror d' alegria». A elisão não é arcaísmo. É mais desse fenómeno de metafonia (até à elisão) tão típico do purtuguês > p'rtuguês. Já se dava nos sécs. XII-XIII, veja bem. Os da reforma de 1911 conheciam-no tão bem que mantiveram as consoantes etimológicas para lhe obstar, sabia?
   «Seer» (do lat.  esse > essere — ser — por sedere — sentar) e «door» (do ac. lat. dolorem) têm vogais dobradas pela queda das consoantes intervocálicas no proto-galego ou proto-português (sécs. IX-X ou antes). Estas vogais diziam-se ainda no tempo de D. Dinis. E diziam-se no tempo de Fernão Lopes, já entrado o séc. XV. O séc. XVI limou-as, mas não de todo; veja vossemecê o que sucede com as vogais pré-tónicas em «pregar» (praedicare) ou «padeiro» (b. lat. panatariu), p. ex., que soam abertas. Percebe agora porque soam assim, quase pedindo acento? São duas. O fenómeno chama-se crase.
   Mas adiante.
   Diz vossemecê que esta é a grafia defendida pelo dr. Vasco Moura? Não é. Esta [a da cantiga medieval] estriba-se na oralidade. É a do «coiso», da fonética, é a desse tratante Malaca. Os «velhos do Restelo», os antiquados, os que se agarram ao passado e lá se quedam cegamente não são os que estão contra; os verdadeiros «velhos do Restelo» são esses acorditas, os que estão pelo «coiso». Mas são tão ignorantezinhos que nem percebem. E cuidam-se moderníssimos, já vê. Dizem ao depois altaneiros que [a] língua evolui. Evolui pois! (i.e. muda) Pela leitura do poema já viu vossemecê certamente a enormidade do que ela mudou na oralidade; deixou de se ouvir «seêr» e «doôr» para se ouvir «sêr» e «dôr». E evoluiu também na sua forma escrita, da base fonética do tempo de D. Dinis para se consolidar na tradição etymologica das demais línguas do velhinho império romano ocidental. O que os reformadores de 1911 fizeram foi golpear levianamente a evolução gráfica da língua e baldá-la envergonhadamente para a Idade Média. Envergonhadamente porque tinham noção da brutalidade do que levavam a cabo. Estes hodiernos, acorditas ignorantes e abrasileirados, o que fazem é aprofundar cegamente o golpe, tão completa é a tábua rasa cultural em que pastam. Cuidam que o Mundo começou agorinha e eles já sabem tudo. Vão direitinhos de volta à Idade das Trevas, isso é que vão.
   Cumprimentos ao D. Dinis.»


 


(Iluminura do códice das Cantigas de Santa Maria, in Enciclopédia Livre.)

Um facto de «poderem haver...»

 «O facto de poderem haver municípios que têm especiais tradições na comemoração do Carnaval» hadem ter a haver com aqueloutra tradição dos Coelhos ministros não atinarem com o verbo haver. Acontece particularmente na Mota-Engil e por aí publicamente e à solta em torno dos 45 s de filme.



(Filmezinho da brasileira Lusa, apud abrasileirado [e extinto] D.N.; notícia no Correio.)

Monumental, cinema e teatro

Cinema Monumental (Alçado principal), Lisboa (Rodrigues Lima, 1951)


« Com base nesta sugestão [do ministro da Educação Nacional para uma casa com salas independentes para teatro de declamação ou música ligeira, concertos e cinema, dotada das dependências correspondentes], o arquitecto Rodrigues Lima, — um dos arquitectos intervenientes na Exposição do Mundo Portugês de 1940, e que já tinha assinado o projecto do Cinema Cinearte, inaugurado em Fevereiro de 1940 - elabora o projecto do Monumental, cinema e teatro, onde, num único edifício existe um teatro para 1182 espectadores, um cinema para 2170, um café-restaurante e uma sala para exposições artísticas.»


In «Restos de Colecção», 1/II/12.



Ainda há dias comentávamos, eu e alguém, a quantidade de gente que levava o Monumental, tem piada...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Da borra como política nacional

 A Radiotelevisão Portuguesa Brasileira empola já por aí o deputado Seguro questionando a autoridade do governo acerca do acto (ac-to) de Vasco Moura em prol da cultura. — Aliás, o deputado Seguro encarniça-se mais por mor de atacar o adversário político; a ortografia portuguesa não lhe interessa para nada; nem na sabe, cuido!...
 Pois saiba o deputado Seguro que a autoridade do governo para o disparate é total. Tão absoluta tem sido que meras resoluções de ministros ignaros reunidos em conselho são tão servilmente acatadas (ámen!) que se sobrepõem à má fila até a decretos-lei em vigor. O «coiso» ortográfico não está nem pode estar em vigor, mas segue ilegal porque o governo resolveu (resolveu) escrever sobre ele no Diário da República... — «Ai, tem de ser! O Acordo Ortográfico saiu em Diário da República!» — não é o dizem as comadres?... —  É da Teoria do Direito, e da Lei, que resoluções não revogam leis nem decretos. O deputado Seguro não sabe das leis? Ou quer ele reger o Estado por resoluçõezinhas que só conspurcam quando há leis a impor o asseio?

Portugal (J. Benoliel, [s.d.])
Portugal, [s.d.]
A.N.T.T., «O Século», Joshua Benoliel...

(Verbete revisto à quatro e meia.) 

Pois se é um centro cultural...

Vasco Graça Moura removeu o Acordo Ortográfico do Centro Cultural de Belém.
Um grupo de senhoras leva-lhe flores.
 



«Documento fotográfico ainda sem legenda original», Lisboa, 190...
In A.N.T.T., «O Século», Joshua Benoliel...

Da borra como património mundial

A. Pimentel, «A triste canção do Sul», 1904


 


« A evidencia do typo — fadista, — de que Lisboa é alfobre copioso, tem-se imposto, repetimos, á observação dos bellos-espiritos da litteratura moderna, alguns dos quaes, e dos mais brilhantes, o retrataram com uma fidelidade flagrante, como vamos vêr.
  Ramalho Ortigão, nas Farpas, lança uma affirmação demasiado absoluta quando diz: «Em cidade alguma da Europa existe uma palavra de significação análoga a esta — o fadista.»
  E' claro que o typo humano não apresenta o mesmo aspecto em todas as raças e nações. O clima e a civilisação modificam-n'o, alteram n'o. Mas ha um fundo cosmopolita, de equivalência social, que supprime as distancias e as fronteiras.
  Assim, pelo que respeita á escoria da sociedade, existe em Hespanha o chulo, e em França o souteneur, que correspondem ao nosso rufião.
  Todos elles vivem á custa de mulheres perdidas, cantando e bebendo nas tabernas e nos bordeis, como os fadistas portuguezes.
  Em Roma ha os camorristi, gente de «mala vita», que dão uma facada por gosto, e vivem na devassidão, como os bailhões e faias da fadistagem de Lisboa.
  Em Nápoles o lazarone representando a ultima classe do povo, é um inútil perigoso como o nosso fadista.
  Fora da Europa, no Brazil, existe o capoeira.
  Em toda a parte a sociedade tem a sua borra immunda e uma palavra, ou mais de uma palavra, para definil-a.»


Alberto Pimentel, A Triste Canção do Sul; Subsidios para a Historia do Fado, Livraria Central de Gomes de Carvalho, Lisboa, 1904, p. 46 passim.

Ermida

Ermida, Linha do Douro - (c) 2006
Ermida, Linha do Douro, 2006.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Três qualidades de ladroagem

Três qualidades de roubo (Público, 1/2/2012)
(Público, 1/2/2012 - prima a imagem.)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

«Le calvaire d'une reine»

fotografia.JPG
«Documento fotográfico ainda sem legenda original (O Calvário duma rainha)», Lisboa, c 1908.
In A.N.T.T., «O Século», Joshua Benoliel, cota desc. 110.