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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A prof.ª Teresa Ramalho ao deputado Seguro

Advertencias curiosas... (A.F.Barata, 1870)


 


 O deputado Seguro encarniça-se mais por mor de atacar o adversário político; a ortografia portuguesa não lhe interessa para nada, já o aqui disse há dias. A sr.ª prof.ª Teresa Ramalho de Braga, universitária aposentada, é que lhe aponta bem o dever de deputado.



 Ex.mo Senhor Deputado [António José Seguro]

 Na qualidade de residente e eleitora no Distrito de Braga venho transmitir a V. Exª o meu profundo desagrado pela sua intervenção no Parlamento relativa à atitude do Dr. Vasco Graça Moura no C.C.B.
 Não pode V. Ex.ª eximir-se a investigar se é V.G.M. que está acima da lei ou se, pelo contrário, atropelaram a lei fundamental todos (mas todos) os políticos que assinaram, ratificaram e promulgaram o Acordo Ortográfico e os seus vários protocolos modificativos, elaborados nas costas do povo português e à revelia das esmagadora maioria dos pareceres elaborados, entre outros, por linguistas acreditados nos meios científicos. Para o efeito pode V. Ex.ª socorrer-se da abundante documentação que sobre a matéria deverá existir nos arquivos da Assembleia da República. Se a isso juntarmos os artigos que desde há vários anos têm sido publicados na imprensa por opositores ao Acordo Ortográfico, poderá V. Ex.ª ficar com uma ideia da violência que ele impõe aos portugueses que ainda se preocupam com a sua identidade. É a língua portuguesa menos importante do que os Jerónimos, a Batalha, Alcobaça, a Torre de Belém e tantos outros marcos do nosso património, apenas porque é, digamos, «imaterial»? Vimos recentemente o Fado ser classificado como património imaterial da humanidade. Em que língua é ele escrito, dito?
 É por isso com profundo sentimento de vergonha que leio o editorial do Jornal de Angola (8/2/2012), que V. Ex.ª poderá conferir abaixo (ver aqui). Vergonha por não serem os que nos representam os primeiros a manifestar essa posição. Vergonha pela suspeita que nos assalta de que haja interesses menos confessáveis a motivar a persistência naquilo que muitos de nós consideram um verdadeiro atentado ao nosso património.

Maria Teresa Ramalho
Prof.ª universitária aposentada

(In causa Pela língua Portuguesa no livro das fuças.)

15 comentários:

  1. Anónimo9/2/12 15:26

    Os meus sinceros parabéns a esta digníssima Srª. Professora pela brilhante lição de portuguesismo, erudição e patriotismo deixados patente nesta tão corajosa quão justíssima carta aberta a J.S.
    Oxalá muitos mais portugueses com (ou mesmo que sem) a autoridade desta Grande Portuguesa, sigam o seu bravo exemplo.

    Parabéns ainda ao Jornal de Angola e ao seu ilustre director pelo belíssimo texto em defesa da Língua Portuguesa, citado pela Srª. Profª. A sua límpida e correctíssima justificação para a não adopção da nova grafia consignada no A.O., é de uma tal ordem de grandeza que é de fazer corar de vergonha o mais insensível e distraído apoiante da mesma, com especial incidência nos seus principais signatários. Isto se acaso estes a tivessem, como é bom de ver.
    Maria

    -----------------
    Ontem no programa de Constança C. e Sá, o historiador e grande(?) defensor(?) da classe operária(!), saiu-se com este seu desejo incontido, quando foi abordada a questão da adopção do AO e Santana Lopes referiu que Angola e Moçambique não o tinham ratificado: "ah, mas Angola AINDA não assinou...", sublinhando o 'AINDA'.
    Ele que se disponha a ler o artigo de primeira página do Jornal de Angola e repense nos disparates que diz sobre a nova grafia.

    N.B.: E lá chamou ele "Salazar" a Santana Lopes e este respondeu e bem "salazar é a sua tia"! Este Rosas anda sempre com o nome de Salazar na boca. Freud saberia classificar esta obsessão.

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  2. Inspector Jaap9/2/12 16:17

    como não diria melhor do que o que está escrito acima, reitero os meus sinceros parabéns a esta digníssima Sr.ª Professora pela brilhante lição de portuguesismo, erudição e patriotismo deixados patente nesta tão corajosa quão justíssima carta aberta a J.S ...
    como tão brilhantemente foi dito pela leitora Maria.
    Bravo, Sr.ª Prof.ª e nunca desista, que todos, não seremos de mais.
    Cumpts

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  3. Zephyrus9/2/12 17:09

    A ler:

    http://www.publico.pt/Cultura/jornal-de-angola-rejeita-acordo-ortografico--1533026

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  4. Anónimo9/2/12 17:54

    Muito obrigada pela referência e elogio.
    Maria

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  5. Inspector Jaap9/2/12 17:59

    Cara Maria, o que escrevi não lhe faz justiça.:)
    Cumpts

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  6. Carlos Portugal10/2/12 10:23

    Mais uma «achega», Caro Bic:

    «Acordo ortográfico _ Informação do Professor Doutor Professor António Macedo, Professor Universitário e Escritor, segundo a SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES (SPA)

    Após uma uma conversa aprofundada com os juristas da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), que estão muito bem informados sobre estas matérias, apurei resumidamente o seguinte:

    1 - A nova ortografia, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), foi promulgada pela Resolução da Assembleia da República (AR) n.º 26/91, de 23 de Agosto (com pequenas actualizações posteriores), e reiterada pela Resolução do Conselho de Ministros (CM) n.º 8/2011.

    2 - A ortografia ainda em vigor, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1945 (AO45), foi promulgada pelo Decreto n.º 35.228 de 8 de Dezembro de 1945, e ratificada em 1973, com pequenas alterações, pelo Decreto-Lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro.

    3 - O Código do Direito de Autor e Direitos Conexos foi promulgado pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março (com pequenas actualizações posteriores).

    4 - Na hierarquia legislativa, segundo me explicaram os juristas da SPA, um Decreto-Lei está acima duma Resolução da AR ou do CM. Um Decreto-Lei é vinculativo, ao passo que uma Resolução é uma mera recomendação.

    5 - Por conseguinte, uma Resolução não tem força legal para revogar um Decreto-Lei, e por isso o AO45 continua em vigor.

    6 - Em caso de conflito entre a nova ortografia e o Direito do Autor, o que prevalece é o Decreto-Lei do Direito de Autor.

    7 - Em consequência, nenhum editor é obrigado a editar os seus livros ou as suas publicações segundo a nova ortografia, nem nenhum Autor é obrigado a escrever os seus textos segundo o AO90. Mais ainda: tentar impor a nova ortografia do AO90 é um acto ilegal, porque o que continua legalmente em vigor é o AO45.

    8 - Ao abrigo do Código do Direito de Autor, os Autores têm o direito de preservar a sua própria opção ortográfica, conforme consta do
    n.º 1 do Art. 56.º do Capítulo VI do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos:
    "(...) o autor goza durante toda a vida do direito de reivindicar a paternidade da obra e de assegurar a genuinidade e integridade desta, opondo-se à sua destruição, a toda e qualquer mutilação, deformação ou outra modificação da mesma, e, de um modo geral, a todo e qualquer acto que a desvirtue (...)".

    9 - Embora no Artigo 93.º do Código do Direito de Autor se preveja a possibilidade de actualizações ortográficas, há sempre a opção legítima, por parte do Autor, de escrever como entender, por uma opção ortográfica de carácter estético. O que aliás foi confirmado pelo Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, em entrevista à SIC no dia 8 de Janeiro de 2012, onde ele confirmou que até 2015 há um período de adaptação em que é permitido o uso paralelo do AO45 e do AO90, mas que aos Escritores, dada a sua condição de artistas criadores, ser-lhes-á sempre permitido utilizar a grafia que entenderem, mesmo que em 2015 o novo AO90 venha a ser eventualmente consagrado por Decreto-Lei, e não apenas, como agora, por uma simples Resolução da AR.

    Pata terminar, e entre parênteses, o novo AO90 é tão aberrante que é um verdadeiro crime, que está a ser imposto em vários meios de comunicação e em todos os departamentos governamentais, não obstante ser ilegal e antidemocrático -
    - e antidemocrático porque as várias sondagens que têm sido feitas desde há vários anos sempre apontaram para uma média de rejeição, do AO90, de cerca de 67 por cento por parte da generalidade dos Portugueses.

    Claro que um crime desta envergadura só pode estar a ser tão violentamente implementado porque tem atrás de si interesses muito pesados e muito poderosos, e apetece-nos perguntar como nos romances policiais: a quem aproveita o crime? Geralmente, em crimes desta envergadura, a resposta costuma ser: follow the money...
    Dei um modesto contributo para tentar explicar a minha posição sobr

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  7. Bic Laranja11/2/12 22:12

    E Salazar é o mais amesquinhado com a comparação, não o Santana.
    Cumpts.

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  8. Bic Laranja11/2/12 23:08

    Quando o editorial do Jornal de Angola é deste teor, então é recado do Zédu camarada presidente.
    O ponto a que Portugal chegou é triste: ortograficamente vivemos no caos, fruto de governantes débeis e permeáveis ao poder estrangeiro. No caso, ao Brasil. E também a Angola que, dando-se agora conta da oportunidade, joga forças assim por se afirmar, mesmo sem massa crítica (linguisticamente falando).
    Quem deslocou o idioma para o xadrez político, não haja dúvidas que fez um rico serviço. A humilhação e a fraqueza de Portugal pasmam-se no elemento mais estruturante da sua identidade e que devia ter sido resguardado. Decididamente, Portugal, nem de reger a sua Gramática é já capaz. O péssimo ensino forra a língua de ganga bárbara. A inépcia dos governantes além disso foi capaz de arruinar uma ortografia inquestionada e estabilizada há quase setenta anos - algo como nunca o português teve - e hoje desagregada, indo já só aos repelões de Angola e do Brasil. É isto e o baixar de braços. Ainda esta semana foi notícia a abdicação ortográfica da Faculdade de Letras de Lisboa cujo director afirmou à imprensa que ali cada um é livre de usar a grafia que entenda. Se o estúpido acordo ortográfico não serviu apenas para selar o fim da ortografia do português não sei mais para que tenha servido.
    Cumpts.

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  9. Bic Laranja11/2/12 23:23

    Ja tinha lido, mas é pertinente. Os vícios de que enferma o abominável acordo ortográfico são desesperantes. Do seu aberrante teor à estulta forma de o impor juridicamente é tudo tão mauzinho que se pensa: quem foram os atrasados mentais capazes de tanta asneira junta? Esta gente droga-se com certeza.
    Cumpts.

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  10. Claro! E este desavergonhado Rosas, que para sua raiva eterna é sobrinho direito d'alguém que foi ministro das finanças de Salazar!!, o mínimo que poderia fazer, caso lhe restasse uma pitada de integridade e outra tanta de ética, era respeitar o seu familiar e por arrasto a pessoa a quem este serviu nesse governo. De facto é precisa muita lata e nenhuma contenção nas palavras para ter o despudor de citar constantemente, amesquinhando o mais que pode a cada frase proferida (o Soares é outro que tal, faz o mesmo há décadas em virtude da inveja desmedida que professa ao anterior Presidente do Conselho), o nome do Estadista.
    A inveja e o ódio que a esquerda e a extrema esquerda professam a Salazar mais não traduzem do que a total impotência de poder igualar as suas qualidades como português exemplar e grande político, em cujos extraordinários feitos se situa, entre outras grandes acções patrióticas, a protecção do país dos seus mais perigosos inimigos,* actos heróicos que Portugal e os portugueses jamais esquecerão. Por mais que se espremam e estrebuchem, os que lhe tomaram o lugar nunca atingirão sequer a sombra do grande defensor do Estado e da Nação que foi António de Oliveira Salazar.

    * Afinal Salazar tinha carradas de razão quando se referia aos inimigos da Pátria, a quem mantinha felizmente bem longe das fronteiras. Assim que ele desapareceu os traidores, que desesperavam lá longe à espera da sua hora, entraram de rompante no país tomaram o poder e nunca mais o largaram. E foi o que se viu e vê.
    O mal que estes bandidos consumados nos fizeram não tem perdão seja qual for o ângulo por que seja observado. Em qualquer país mìnimamente respeitador dos direitos humanos os traidores à Pátria são sempre julgados e condenados consoante os crimes cometidos.
    Quando isso acontecer em Portugal a Justiça portuguesa, a verdadeira, terá aqui o seu momento de glória.
    Maria

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  11. A sua última frase está óptima! Não estava nada à espera, fartei-me de rir.
    Há quem se refira aos meio aloucados como: "estes espetam prá veia". Vem tudo a dar ao mesmo. E sim, os 'linguístas' que estão na origem do inominável Acordo deviam estar sob uma fortíssima dose de alcalóides. E o resultado deu nisto.
    Maria

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  12. Inspector Jaap12/2/12 11:37

    Caro Bic , nunca pensei que seria tão triste ter que lhe dar razão ... mas o seu texto, notável como sempre, é inatacável; eu próprio, patusco como sempre, já tinha desconfiado da esmola... tristes dias estes, que vivemos.
    Cumpts

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  13. Inspector Jaap14/2/12 16:19

    A subtileza do emprega do artigo "o" é deliciosa.
    parabéns e
    Cumpts

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  14. Inspector Jaap14/2/12 16:20

    resposta a
    Bic Laranja a 11 de Fevereiro de 2012 às 22:12

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  15. Inspector Jaap14/2/12 16:22

    Se calhar, não, e, daí, não sei...
    Mas a sua estreiteza de vistas, não lhes dá para mais... coitados.
    Cumpts

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