A photographia é de logo abaixo do lago que em tempo houve no park.
Ha-de o benevolo leitor notar o quarteirão occidental da Rotunda entre as ruas Braamcamp e Joaquim Antonio de Aguiar. As duas casas mais proximas — um predio de rendimento com logradoiro e um palacete com cêrca — não são do meu tempo. São onde está hoje o hotel Phenix. Os outros predios de rendimento mais distantes são uns que foram demolidos ha poucos annos, em que se levou a cabo o remate das fachadas d'aquelle quarteirão occidental da Rotunda, todas edificadas por egual. Na esquina da rua Braamcamp havia uma loja da TAP, que se mudou entre tanto para lado oriental da Rotunda, para o lado da avenida do Duque de Loulé, e por lá ficou.
Logo abaixo d'esses predios, de entrada na Braamcamp, á esquerda, fica uma rua d'outro duque: o de Palmella. Cuido que essa serventia coincida grosso modo com uma esquecida calçada da Nataria que desagoava n'uma travessa (hoje) atrás do hotel Tivoli. Por curiosidade, um outro duque que morou n'esta calçada da Nataria foi o da Terceira... — Isto foi antes da Avenida, mas é outro assumpto, não vem agora ao caso...
O que vem ao caso é que está muito frio em Lisboa. Penna não havermos neve.

Park Eduardo VII n'um dia que nevou, Lisboa, c. 1930.
Ferreira da Cunha, in Archivo Photographico da C.M.L..
O auctor escreveu êste verbete de accôrdo com a verdadeira orthographia antiga, ao contrario dum ferrete que corre por aí a propósito d'outra graphia bem actual...
Uma deliciosa foto. Não nevou novamente em Lisboa com esta mesma intensidade, lá pelos anos de 1952/3 ou por aí? Parece-me que sim.
ResponderEliminarMaria
Nevou, salvo erro, em Fevereiro de 1954.
ResponderEliminarLembro-me perfeitamente de o meu pai me levar a Monsanto para brincar com a neve.
Magnífica lição de português dada por Pedro Mexia aos oportunistas/acordistas, neste seu artigo do Expresso. Os erros crassos, gramaticais, sintácticos e fonéticos (como bem assinala P. Mexia) introduzidos à força na nossa língua com o novo Acordo, mais os vocábulos abrasileirados e muitos outros inventados e/ou retirados directamente da linguagem 'encriptada' utilizada pelos miúdos nos SMS's trocados entre si, são totalmente inadmissíveis e devem ser rebatidos as vezes que forem necessárias até à sua definitiva revogação. Até porque e se mais não fora, o que torna ainda mais grave o feito dos 'nossos preclaros linguístas' é que ele foi decidido à porta fechada e à revelia dos portugueses. Portugueses que, é bom que os obreiros do Acordo tenham bem presente, neste como em todos os assuntos que atinjam gravemente à nossa identidade como Povo e como Nação, têm obrigatòriamente a última palavra. E a defesa indefectível da nossa língua materna contra o seu escandaloso abastardamento e em consequência deste a sua destruição a médio prazo, é sem sombra de qualquer dúvida um deles. Tanto quanto o é a defesa do solo pátrio.
ResponderEliminarParabéns Pedro Mexia. Assim é que é.
Maria
Cara Maria:
ResponderEliminarNevou também em 1957 e 1959. Recordo-me, era eu ainda pequeno, de a minha Mãe me erguer à janela para ver a Avª João XXI toda branca. Recordo também os rastos negros do alcatrão, no local em que os carros esmagaram a nevasca...
Cumprimentos.
Caro Joe:
ResponderEliminarEm 1954 não sei, pois ainda não era nascido, mas é bem possível...
Cumprimentos.
Caro Bic:
ResponderEliminarRecebi, por e-mail, este texto bem elucidativo das maquinações por detrás do aborto ortográfico. Mais aquelas de que não se fala...
Cumprimentos.
E enquanto em Portugal tanto iluminado de "esquerda" quer mandar prender o Graça Moura no Brasil há quem ponha os pontos nos iis no negócio do Acordo.
Tantas Páginas: O que acha do acordo ortográfico? Acha mesmo que, como dizem os editores portugueses (e muitos intelectuais), o acordo foi uma gigantesca maquinação brasileira para permitir que os livros brasileiros entrem livremente no mercado português e no africano, acabando com a indústria portuguesa do livro?
Paulo Franchetti: O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal. O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de fato. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didáticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss ? Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didáticos ? entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses ? e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade ? os que elaboraram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didático adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objetivos (ou falta de objetivos legítimos) do acordo.
Caro Carlos Portugal:
ResponderEliminarSe tivesse que pôr um título neste notável artigo, poria qualquer coisa do estilo "cego é aquele que não quer (ou não pode?) ver.
Isto já se sabia aqui(ou mais ou menos) ou seja, que nem no Brasil se estava de acordo com o "coiso", mas é sempre útil divulgar estas posições. Obrigado por isso.
Cumpts
Cara Maria:
ResponderEliminarIsso era se este aborto, mesmo sendo-o, tivesse tido uma génese imaculada; ao invés disso, foi cozinhado nos esconsos duns gabinetes que nem sei bem a que pertencem...o rísivel é essa gentinha apelidar-se a si própria de "democrata"... haverá, por certo, quem se esteja a rir baixinho...
Gostaria de, mais uma vez, a parabentear pelo desassombro.
Cump
Caro Bic:
ResponderEliminarA fotografia é (in)feliz; sabe o que me ocorre?
"Cai neve na Natureza... e cai no meu coração"
Merecíamos melhor.!
Cumpts
Linda orthographia, caro Bic. Foi um verdadeiro prazer ler este trecho. Sugiro que faça disso política da casa, redija sempre assim e que nos lo ensine.
ResponderEliminarUma elegância e um deslizar como só sente lendo francês.
A minha mãe ainda se lembra de ver neve em Lisboa.
ResponderEliminarHá uns dois ou três anos...houve uns flocozitos...mas coisa pouca
(também continuo a escrever no desacordo ortográfico! )
Bem me parecia. Agradecimentos a si Carlos e ao leitor Joe Bernard pela informação. Não imaginava tantos nevões na capital e todos na década de 50. Extraordinário.
ResponderEliminarMaria
Como sempre uma delícia. Também fui eu espreitar a Serra da Estrela em busca do alvo refrigério... e nada! Grato pelo postal em bom português! Abraço amigo.
ResponderEliminarO nevão de 54.
ResponderEliminarCumpts.
Saiu hoje num texto de Nuno Pacheco, no «Público» a par do editorial do Jornal de Angola. Só prova que a maior pestilência é, em toda esta história, dumas ratazanas da cloaca de S. Bento.
ResponderEliminarObrigado por mo ajuntar aqui.
Merecíamos. Isto que assalta Portugal é mais arrasador de o grande terramoto.
ResponderEliminarCumpts.
Caíram uns farrapitos em 2006.
ResponderEliminar(Há ele lá outra maneira?!...)
Obrigado eu.
ResponderEliminarCumpts.
Justamente; para mais, isto é outro tipo de terramoto, mas, nem por isso, menos mortífero e destruidor.
ResponderEliminarEinstein é que tinha razão: "A mediocridade tudo vence".
Cumpts
De nada, Cara Maria. É sempre um prazer.
ResponderEliminarCumprimentos.
De nada, Caro Bic! Eu é que agradeço a oportunidade.
ResponderEliminarCumprimentos.
Mui grato pelo appreço. É interessante que refira o «deslizar» por esta orthographia porque me succede o mesmo. Ao contrario do tropêço em ler o esterco graphico «atual» - que nem se consigue...
ResponderEliminarQuanto a redigir n'esta fórma é uma hypothese, mas não tenho pretensões de ensiná-la a quem seja. Para isso recommendo o Camillo.
Cumpts.
De nada, Caro Inspector Jaap!
ResponderEliminarCumprimentos.
E nessa altura já lá estavam as palmeiras das Canárias. Que estão a ser perigosamente atacadas pelo escaravelho Rhynchophorus ferrugineus ) e correm o risco de desaparecer definitivamente da cidade de Lisboa.
ResponderEliminarA Rosa com olho para a flora e eu para alvenaria...
ResponderEliminarE essa praga não se consegue vencer? Estará ela feita com os maçons, será?...
Cumpts.
Todas as pragas se conseguem vencer quando há vontade, força e persistência. Nenhuma destas assiste o pelouro dos espaços verdes da CML.
ResponderEliminarAh! A jardinagem da câmara de Lisboa. Essa grande loja regular de Portugal...
ResponderEliminarCumpts.