Próximo impacto: os egípcios à procura do pê no Egito.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
O Estado social sou eu
Acabou de dar na TV o primeiro ministro inaugurando uma creche. Já houve uma vez que ele inaugurou uma farmácia, hoje inaugurou uma creche. Pelo meio do discurso (sempre empolgado) havia palavras sobre o Estado social. Quem pagou a creche parece que foi a empresa Auchan (diz-se grupo, não é? - as empresas agora são em cachos).
Quem pagou a creche foi a empresa Auchan. Quem pagou o inaugurador foi o Estado social.
(Imagem em grevin.com www.stephyprod.com)
P.S.: a ministra do desemprego (i.e. do Estado social) também foi à inauguração lá inaugurar...
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Caras
Devia haver uma revista Caras de esquerda - de esquerda não, progressista - com gente gira e com aqueles nomes tão finos (adoro juju Inês de Meneses).
Eu acho.
domingo, 29 de agosto de 2010
A tristeza de não apreciar palhaços
Moças alentejanas, Vendas Novas - (c) 2010.
« Um dia destes vi um jovem de 15 ou 16 anos a entrar numa casa de pronto-a-vestir que existe ao lado da loja da Nespresso, no Chiado. Chamou-me a atenção porque ia a subir os degraus com as pernas completamente abertas, quase a fazer a espargata. Pensei que era aleijado. Mas depois reparei que levava o cinto por baixo do rabo, já na zona das coxas, pelo que tinha de andar assim para as calças não caírem. Há muita gente que anda com as calças a meio do rabo, mostrando parte das cuecas [...]
Este tempo que estamos a viver caracteriza-se por se querer fazer tudo ao contrário: despentear os cabelos, pôr objectos incómodos nos sítios mais estranhos do corpo, sujar a pele com tatuagens, cobrir metade das mãos, andar com as calças a cair, usar botas altas em tempo de calor.
Mas tudo isto pode ser encarado com sentido de humor. Já que não podemos determinar a moda, podemos divertir-nos com ela. Um pouco como se estivéssemos a ver palhaços no circo.»
José A. Saraiva, Sinais de Decadência, Tabu, 27/8/2010.
sábado, 28 de agosto de 2010
Das romagens
Manifestação, Terreiro do Paço, [s.d.].
Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Tece a estimada leitora Maria um comentário nos 27.000 dias... disto!... sobre o apreço do povo por Salazar (mais espaço houvera no Terreiro do Paço e mais gente teria aparecido). Redijo-lhe a resposta aqui.
Acredito. Se vinham constrangidos não sei. Obrigados, pela imagem, não me parecem. O que é bem conhecido é que a romagem a favor do candidato Costa na eleição intercalar para a Câmara de Lisboa foi com figurantes reformados, engodados numa excursão a Fátima, e engajados para o hotel da campanha do P.S. (cf. Carlos Abreu, «Excursão de idosos...», in J.N., 17/7/2007). Uma coisa posso academicamente presumir: com o mesmo método – apregoado aos sete ventos para os anos do Estado Novo, e por uma única vez desmascarado na IIIª República (foi notícia uns dias na imprensa em Julho de 2007) – a capacidade de mobilização do Estado Novo era bem maior. A que se devia, cada um pense por si...
Outra coisa certa é que no pedaço de discurso de Salazar que os dos 27.000 dias... deixaram passar (cuidando que o expunham a ridículo) é cristalino o seu (de Salazar) propósito (todos têm "o direito de contribuir com labor dos seus braços no esforço da defesa") e a sua ideia de governo ("Só uma palavra me acode, só uma realidade existe ao nível deste acto de comunhão patriótica – e essa é Portugal"). Pode não se gostar, mas nada do que Salazar assim afirma é mentira nem engana. A metalinguagem, decididamente, é muito mais parental da 'democracia' que da expressão do 'Estado Novo'.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
27.000 dias... disto!...
Salazar, Terreiro do Paço, [s.d.].
Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
A propósito da sua demanda dum poema e da fugaz menção pelo prof. Marcelo de Sousa, há tempos, dum livro do poeta Rodrigo Emílio, refere a escritora Rita Ferro a confrangedora prosa wikipédica sobre o dito poeta – "vão direitos à secção «pós-25 de Abril» e adjectivem a gosto." – Tem razão a escritora, mas da Wikipédia [e quejandas] não se pode esperar demais; qualquer um lá bota discurso. Já da Antena 1 não; aquilo que havia de ser uma rádio sóbria confrange muito mais. Ouça o benévolo leitor ao José Nuno Martins & C.ª na rádio hoje e veja lá, mesmo sendo de esquerda, se precisa adjectivar mais.
(Revisto às 11h20 da noute.)
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Engenharia da relatividade
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Miragens
Tudo sumido até ao cinema Avis. Inclusive. Inclusive aquele palacete cujo frontão espreita por cima do eléctrico (e não sei agora se a casa que o antecede ainda lá está neste momento).
É Lisboa seguindo a carreira do sumiço; a mesma do eléctrico 24 (acabou provisoriamente, li já não sei onde) e até do autocarro 16, que também levou sumiço do Arco do Cego. Esteve para acabar este Verão; de Benfica, queda-se afinal por São Sebastião, já não segue para o Chile.
Lisboa: - Siga aquele eléctrico!, Arco do Cego, [1984].
Cristóvão Leach, in Busworld Photography.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
- Esta vida de turista!
Segunda-feira, 5 de Julho de 2010
Igualdade de género
Este é assunto de defensores acérrimos. Esforçam-se muito nisto, os defensores acérrimos, por esbater a função matriarcal; forçoso é sobrarem só papéis viris a desempenhar. De preferência por mulheres, com acérrima paridade, para lá de qualquer mérito (e já agora com empenhada promoção de comportamento feminino nos homens). A sanha revisionista entra já pelas definições de 'homem' e 'mulher' estabelecidas historicamente nos dicionários (ouvissem uma Sandra Ribeiro, in Sociedade Civil, R.T.P. 2, 5/7/2010). Ora isto é querer rescrever a História; a divisão sexual do trabalho remonta à pré-história e fez-se assaz naturalmente conforme a fisiologia do homem e da mulher. Foi o que foi, deu no que deu, mas não agrada mesmo nada que assim haja sido. Só que já foi. E será o que vier a ser. Todavia o desígnio agora é que a nova língua de pau forje a igualdade pelo léxico. Porque entender o passado ou a natureza das coisas é um erro; porque toda a diferença é uma injustiça; nos dicionários e nas leis os termos 'casamento' e 'parental' (con)fundem já o que é materno ou paterno por natureza. Pelo léxico, o futuro adivinha-se um monolito de todo o tamanho.
Da parentalidade
Diz que o matraquilho-mor teve um bebé.
Dos débeis
Por causa do calor recomendam no noticiário uma série de cuidados às pessoas frágeis de saúde. Excelente enunciado para dizer gente débil; dá na conversa doutros débeis... mas não se deve ao calor.
Água boa para banhos
Língua de pau, Algarve - (c) 2010
A vitrina dos editais, na praia, tem um autocolante oficial na parte de trás, voltado para os líquenes da falésia. Diz em moderna língua de pau: água com qualidade compatível com a prática balnear.
Sopa compatível com a prática balnear
A água do mar está a 24º, vi no teletexto. As algas não vinham no teletexto. Tomamos banho em caldo verde.
Terça-feira, 6 de Julho de 2010
Diário da praia
O mar hoje cospe os banhistas. A custo se consegue entrar. A rebentação está forte e há fundões. Contrasta com a sopa de algas de ontem. Puseram esta manhã a bandeira amarela, coisa rara.
(Vim a saber depois que era um fenómeno chamado tsunami meteorológico no golfo de Cádis - deve ser um fenómeno japonês...)
Gente
Sempre acho muitos sósias quando estou a banhos. Já vi o do sr. Phelps e um outro muito famoso que já esqueceu... Lá adiante está uma sósia da A.B.A. - ou será mesmo ela?...
E agora parece-me que até já vejo sósias de sósias: uma aqui ao lado é sósia da sósia da Miss Piggy, uma que trabalha lá na...
O presidente do Sporting...
... disse que numa reunião com sr. presidente do Porto este lhe afiançou que o Moutinho só iria para o Porto com o assentimento do Sporting. E acto contínuo crucificou o Moutinho pela rebeldia de querer ir para o Porto.
Não cuida ele de quem fomentou a rebeldia do moço?!... Que tenrinho que é este presidente do Sporting!
domingo, 22 de agosto de 2010
Dos gestos perdidos
Este hábito meu de chorar pelas cebolas do Egipto levou-me a dar por perdido o gesto dos guarda-freio mudarem a bandeira dos carros eléctricos socorrendo-se do retrovisor. Já me alertaram que estava enganado. O gesto continua a dar-se nas carreiras de eléctricos que sobrevivem em Lisboa. Por isso eis-me cá a pôr os papéis em ordem.
Fotografia: Chefe dos eléctricos (factor da carris?) despachando a papelada, Rua da Conceição (Tim Boric, 1980).
sábado, 21 de agosto de 2010
Notícias de torto
O folhetim do treinador Queirós lá segue. O confrade Funes expôs na justa medida há dias e até com graça, a vilanagem de que se trata ("Uma questão de justiça", Funes, el memorioso, 11/8/2010). E conclui ele muito certo que em Portugal não há justiça porque sempre fazemos do Direito torto e usamos o torto como se Direito fosse. A este propósito há, fresco, aquele deputado dos dedos leves que se apropriou de coisa alheia mas não roubou porque afinal o roubo era acção directa, por frases que não disse mas lhe foram roubadas. Mais torto feito Direito...
Muito significativo é que um dos primeiros documentos conhecidos em português seja justamente uma 'Notícia de Torto' (o que nasce torto tarde ou nunca se endireita). Já vai para 800 anos de malfeitoria.
Pois francamente, no caso do treinador Queirós, para a coisa ser direita, o que há é despedi-lo e indemnizá-lo como disser o contrato. E depois é pedir contas (não responsabilidades, mas contas - de contado) ao matraquilho da F.P.F. que firmou o contrato injustificadamente com cláusula de rescisão tão avultada.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Das contrapartidas
O director do Sol diz esta semana na sua coluna de Política a Sério:
É fácil constatar que Portugal está hoje muito pior do que estava há 30 anos: a indústria tradicional (vidro, têxteis, calçado, etc.) ficou obsoleta e não foi substituída por nada, a agricultura não resistiu às tropelias decorrentes da P.A.C., as pescas entraram em crise prolongada, a marinha mercante afundou-se, a construção naval fechou…
Junte-se-lhe a siderurgia, a metalomecânica, as fábricas de material de guerra... – Falo nestas e lembra-me que andam para aí umas comissões de parlamentares à procura das contrapartidas duns submarinos, não é verdade? Pois andam a ver o filme ao contrário. As contrapartidas são eles mesmos, os submarinos. Como os T.G.V., as compras à Airbus, e tudo o que a Europa nos vender vantajosamente ou nos subvencione por darmos cabo dos meios de produção nacionais. Se isto não vem expresso nos tratados desde 85, vem cristalinamente subentendido. E como os analfabetos cá são tão poucos que até fecham escolas...
Companhia Portuguesa de Pescas.
Barco da Companhia Portuguesa de Pescas, em reparação na doca seca da C.U.F. – Estaleiros Navais de Lisboa, Rocha do Conde de Óbidos.
A Companhia Portuguesa de Pescas, fundada em 1920, situava-se no concelho de Almada, na zona de Cacilhas (Olho-de-Boi)
Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983.
In Biblioteca de Arte da F.C.G..
Papelaria Corrêa & Rapozo
Onde se vendiam os postais do fotógrafo José Artur Leitão Bárcia, em fotografia de Eduardo Portugal.
Papelaria Corrêa & Rapozo, Lda., Rua do Ouro, [s.d.].
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Da piolheira (a infra-estrutura rodoviária)
Desenvolvimento da notícia d' A Bola de ontem.
"O Instituto Nacional de Infra-Estruturas Rodoviárias (InIR) pediu ontem justificações..." (Ionline, 18/8/2010).
O InIR (sintomática sigla que abrevia 'Nacional' com 'n' minúsculo) é um típico produto do estado a que chegámos. Dá impressão de emparelhar com a ex- J.A.E., com o sucedâneo da D.G.V., com um Observatório das Estradas, com as E.M.E.L., &c. na multiplicação das sinecuras para a rapaziada da situação.
Este InIR parece que teve o génio de criar uma empresa S.I.E.V., S.A. (de capital público) que haveria de licenciar os chipos certos para se cobrar portagem nas secutes (o InIR, só por si, não saberia como fazê-lo?). A S.I.E.V. por sua vez teve como presidente executivo um fulano a ganhar não sei quantos mil euros por mês e que meteu sabática a dada altura. Pois esse fulano apareceu sem espanto, depois, com bom cargo na justa empresa que fabricava os chipos cujos ele, como presidente executivo da S.I.E.V., licenciara. Entretanto para a abandonada S.I.E.V. foi enviado um funcionário do InIR porque parece que não havia lá mais ninguém para atender o telefone... (cf. Micael Pereira, «S.I.E.V. a empresa-fantasma que gere as portagens», Expresso, 26/6/2010).
(Em baixo a sede da S.I.E.V., empresa do InIR para o licenciamento dos chipos das portagens.)
Fotografia: Russell Lee, Dakota, 1937, in Shorpy.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Da piolheira
Corria hoje por aí a notícia da factura duma subsidiária da Mota Engil (quem mais haveria de ser?!) por trabalhos nas portagens das auto-estradas onde não há portagem. Alguém me dizia que era, talvez, uma dessas artimanhas das centrais de propaganda, posta a correr para incutir na carneirada a ideia de as secutes darem agora ainda mais despesa à conta duns empecilhos ao bom governo.
Não creio. Demasiado rebuscado para cabeças tão despenteadas.
O que é natural e fica bem é cada um usar o cabelo com que nasceu: no caso, os despenteados do governo apressaram-se mais seus piolhos a ir assinar contratos que (n)os oneram sem antes cuidarem de poder obter receitas. Mas é apenas óbvio que assim seja. Nós já estamos carecas de saber que os piolhos lhes comem os cérebros.
Secute do Pacífico, América, 1928.
In Shorpy.
(Texto revisto.)
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
O Mistério da Estrada de Sintra
O primeiro mistério da estrada de Sintra quando li O Mistério da Estrada de Sintra, para mim, foi o ponto da dita estrada em que se dá o encontro com os raptores. À semelhança da Villa Balzac, fez-me espécie onde seria justamente o lugar.
« Montávamos dois cavalos que F... tem na sua quinta e que deviam ser reconduzidos a Sintra por um criado que viera na véspera para Lisboa.
Era ao fim da tarde quando atravessámos a charneca. A melancolia do lugar e da hora tinha-se-nos comunicado, e vinhamos silenciosos, abstraidos na paisagem, caminhando a passo.
A cerca de talvez de meia distância do caminho entre S. Pedro e o Cacém, num ponto a que não sei o nome, porque tenho transitado pouco naquela estrada, sítio deserto como todo o caminho através da charneca, estava parada uma carruagem.»
Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, O Mistério da Estrada de Sintra, Europa-América, Mem Martins, 1988.
Conhecia mal a estrada de Sintra, eu, na época (anos 80). Logo que a aprendi o caso levou menos a resolver-se que o autêntico mistério da Estrada de Sintra. Pela descrição, uma charneca mais ou menos a meio caminho entre São Pedro de Sintra e o Cacém, resta pouca margem de erro: trata-se com toda a certeza do troço da E.N. 249 entre Ranholas e o Rio de Mouro velho; com boa probabilidade no pedaço mais modernamente crismado Rua Francisco Lyon de Castro, o fundador das Publicações Europa-América. Não custa romancear que se desse a cena do rapto mesmo onde é a Europa-América. Pois se esta editora até publica edições do romance.
domingo, 15 de agosto de 2010
Dança de imagens (com Voz do Tejo)
Rão Kyao — Voz do Tejo
Fotografias: Helena Corrêa de Barros (1910 - 2000), in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
«Can't do a thing to stop me now»
Tenho um generoso vizinho que aprecia compartilhar música de discoteca. Desafortunadamente fá-lo com demasiada algazarra e algumas vezes a desoras. Bem sei que isto é das melhores práticas do vanguardismo social que nos traz a ordem de o mais barulhento é que manda. Mandará a velha escola do polimento ter paciência, mas pedirá a honra que se não sofra afronta, mormente quando a intrusão da batucada ressoa pelas paredes e soalho casa adentro.
Seria afinal tudo uma questão de oportunidade…
(Transmissor de F.M. reprodutor de MP3, in Chinavasion)
Sucedeu, pois, que me dei conta que os martelinhos que o generoso vizinho difundia eram por norma ecos duma desgraçada estação de rádio que emite em Frequência Modulada. Sucede também que possuo eu um emissor de F.M. baratinho, com 2 GB de música bem escolhida e, passe a imodéstia, bastante mais decente, que uso às vezes no automóvel em alternativa à telefonia e ao gira-discos. Pois logo que afinei a frequência do meu emissor em casa, a proximidade deste ao receptor do vizinho abafou-lhe de imediato a emissão da estação de rádio. Então ecoou na vizinhança, alto e bom som, um irónico refrão…
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Morte dum apocalipse anunciado
1.230.000 vacinas armazenadas contra o Apocalipse são grátis para quem as queira tomar. Um milhão delas encomendado foi trocado por vacinas para a gripe (a normal). Dá para vacinar gratuitamente os velhinhos idosos todos nos próximos três anos.
Ontem o piruças veio à televisão mas foi para dizer para irmos pela sombra que o sol está quente. E para metermos muita água
(Henrique Monteiro, in HenriCartoon, 11/8/2010, por gentil indicação do amigo Fernando C.)
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Um caso mal parado
Os noticiários diziam de manhã que o treinador Queirós deu como testemunhas o treinador Fergusson, o jogador Figo e o sr. Pinto da Costa. Não sei ao certo, mas cuido que nenhum deles tenha presenciado o acontecido no estágio da selecção. Hão-de ser, portanto, meras testemunhas abonatórias.
Ora eu do treinador Fergusson não digo nada, e do jogador Figo ouvi que por uns patacos foi testemunha abonatória do engº Sócrates na última campanha eleitoral.
Já o sr. Pinto da Costa dá-me eu ideia que só de apresentá-lo jamais abonará alguém.
(Foto: Tiago Petinga, Lusa.)
Anúncio do Apoclipse
(Público, 10/8/2010)
Ou podem não tornar-se.
Mas já agora, Verões como o deste ano onde? Onde faz calor? Onde chove? No ar condicionado das redacções...?
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Esta vida de turista! (Dalgumas leituras)
Domingo, 4 de Julho de 2010
Noticiário desportivo
Na praia abro o jornal.
- Diz que o Sporting vendeu o Moutinho ao Porto. Deve estar para fechar, aquilo.
- Não ias comprar a Lux!...
- ...
- Não disseste que ias comprar a Lux?!...
- Ah pois foi! Afinal esqueci-me...
O humorista
Vejo que o gato fedorento Quintela tem crónica domingueira na revista do Público. Conta este cronicão que foi fazer o cartão do cidadão. Antes de brindar os leitores do jornal com a crónica das piadolas que lhe ocorreram acerca do chipo; dos números de contribuinte, de eleitor, &c. cifrados no chipo; dos inúmeros códigos secretos de decifração do chipo; e, por fim, a da sua fraca cabecinha para memorizar tanto código; conta ele que brindou, na hora, o conservador que o atendia com tais larachas.
O conservador não era de piadolas e apenas lhe respondeu sem se rir:
- Pode sempre mandar tatuar.
Bambochatas de avinhada memória
Nas Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado, do Camilo, leio esta soberba expressão - "os dois mais desbragados estúrdios do Porto de 1847, acamaradaram-se com o velho confrade de Coimbra, e reviveram as bambochatas de avinhada memória." (Lello & Irmão, Porto, imp. 1987, p. 28) - e ocorre-me de súbito (não sei porquê!) o ex-ministro Mário Lino. Desculpará aquelas tiradas que lhe saíam e que o guindaram aos anais da asneira nacional...?
José Malhoa, Os Bêbados
Óleo sobre tela, 150 x 200cm
Museu José Malhoa, Caldas da Rainha
sábado, 7 de agosto de 2010
Convento de Arroios (notas avulsas)
Hospital de Arroios. Painel de Azulejos, Lisboa, [s.d.].
O Convento de Arroios foi mandado construir pela rainha de Inglaterra, D. Catarina de Bragança, em 1705. Esse motivo justifica as armas inglesas sobre o pórtico da igreja do convento.
Albergou um convento e colégio de jesuítas até à sua expulsão pelo marquês de Pombal. Depois do terramoto, como o o edifício do convento das carmelitas dos Cardais instituído em 1681 por D. Luísa de Távora tivesse sido abalado, vieram as religiosas por abrigar-se no convento de Arroios. O nome da Nossa Senhora da Conceição advém-lhe de a igreja do convento dos Cardais ser dessa invocação.
Duas notícias do tempo de D.ª Maria I.
- 8 de Janeiro [de 1778]: D. Maria I atribui, dos Rendimentos dos Vínculos, uma pensão de 500$000 rs. ao convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios (A.N.T.T., Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv. 9, f. 131v 2, f. 126v).
- 27/3/1778: o padre capelão do convento de Arroios, Aleixo António de Abreu, é acusado de solicitação. Não é conhecida sentença (A.N.T.T., Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 13372).
Hospital de Arroios. Claustro, Lisboa, [s.d.].
Com a extinção dos conventos pelo mata-frades em 1834 (Reforma geral eclesiástica de Joaquim António de Aguiar, melhor dizendo) o convento de Arroios deixou de admitir noviças e albergou as freiras só até ao falecimento da última, após o que os bens passaram para a Fazenda Nacional.
De duas fontes há notícia do passamento da última freira; em 1876 (A.N.T.T., Convento de Nossa Senhora da Conceição de Lisboa, PT-TT-CNSCL) e em 1890 (Francisco Santana e Eduardo Sucena (dir.), Dicionário da História de Lisboa, 1.ª ed., Sacavém, Carlos Quintas & Associados, 1994, pp. 93, 441-442, apud Revelar LX, Arroios, Convento de). Suponho que a data de 1876 se deva refirir ao convento dos Cardais e a de 1890 ao de Arroios.
O convento foi entregue ao Hospital Real de São José para servir para isolamento doentes de varíola, peste, tuberculose, lepra e cólera.
De 1892 a 1898 há notícia de obras diversas no Hospital de Arroios: reparações na casa da guarda municipal (1894); construção do muro da cerca e passeios (1895); pintura e assentamento de betão sob as barracas do hospital (idem); colocação de bocas de incêndio (1896).
(Fotografias: Skyscrapercity.)
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Hospital de Arroios é embaraço sem solução (*)
«[...] Um complexo que integra um convento e uma igreja setecentista de elevado valor arquitectónico, mas cujos azulejos, por exemplo, foram já há muito pilhados.»
E diz que há um mês a polícia pilhou de lá também um morto.
Hospital de Arroios - (c) 2010.
(*) Por Telma Roque, Jornal de Notícias, 6/VIII/10, apud Lisboa S.O.S..
Há qualquer coisa com esta civilização...
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Rebuçado
O carro veio da garage muito limpinho.
Diz-me a senhora, ao ir eu apanhá-la:
- Está perfumado. Cheira a rebuçado.
- É verdade! - notei. Não tinha associado o perfume a rebuçado. Mas era.
- Até doem os dentes.
Garagem Imperial, Lisboa, [anos 40-50].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Emissora Nacional de Radiodifusão
« A inauguração oficial da Emissora Nacional teve lugar nos fins de Julho de 1935 [inícios de Agosto], com a presença do general Carmona, do Doutor Salazar e restantes membros do Governo e entidades públicas. O Presidente da República deslocou-se, em seguida, a Barcarena, onde examinou os mecanismos técnicos que permitiam o funcionamento, em condições regulares, para quase todo o país [...] O impacto que o país sentiu com as emissões da Emissora Nacional foi poderoso, levando muitos sectores da população a adquirirem aparelhos de rádio para estarem mais ao corrente do noticiário de Portugal e do estrangeiro, assim como para se deliciarem com os programas, desportivos, culturais e recreativos. »
« Repetir que a Emissora Nacional constituiu um órgão de informação ao serviço do Estado Novo, não apresenta motivo de espanto ou de crítica, ao contrário do que se lê e escuta com frequência nas obras acerca da II República. Nenhum regime, qualquer que seja a sua estrutura mais liberal ou socialista, jamais prescinde de ter os principais meios de comunicação, mormente os de ligação ao Estado, ao seu inteiro dispor, por razões de ordem política. É uma verdade consabida nos tempos de hoje, como já o era desde o segundo quartel de Novecentos, graças aos meios de difusão informativa postos ao dispor dos Estados. Não admira, pois, que a Emissora Nacional fosse assim considerada pelo Governo que a criara.»
Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, vol. XIV, Verbo, Lisboa, 2000, pp. 529, 530.
Fotografia: Na inauguração da Emissora Nacional. [Identificados no álbum:] Engenheiro Duarte Pacheco; dr. Eusébio Tamagnini; capitão Henrique Galvão; dr. Manuel Rodrigues, 4/8/1935.
A.N.T.T., SEC-AG-1551J.
(Por identificar, estranhamente, o presidente Carmona, falando com Henrique Galvão...)
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Entrevista do P.G.R. ao D.N.
Emparelhando com os festivais cervejeiros que animam a silly season nacional aqui fica o principal da entrevista do sr. Procurador ao Diário de Notícias.
Handel, La Réjouissance - Música para os reais fogos de artifício
(Jubileu da rainha Isabel II, Palácio de Buckingham, 2002)
A Barbie

Um cara em voz alta numa esplanada, falando ao telefone:
— Mi deixa i, Daniéu! Mi deixa i, pô! Si você gosta mesmo di mim, quando você chega no Brasiu, ocê logo mi procura.
O Shrek
O Shrek é verde. Um desperdício. Devia haver Shreks de todas as cores, como as Barbies. Para o garotio ir aos pais e pedir a colecção completa.
domingo, 1 de agosto de 2010
Um caso que me puseram
Avenida Duque de Ávila com a estação da Carris, Arco do Cego, 1940.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Procurou-me há mês e tal uma prezada leitora, amiga das coisas do fado, se o actual n.º 197 da Rua D. Estefânia teria tido em tempos os n.os de polícia 207-211, onde foi em tempos a casa de fados Floresta do Arco do Cego.
Para melhor situar agora o benévolo leitor digo antes de mais que, no lado dos ímpares, não vai a Rua Dona Estefânia actualmente além do n.º 197, que faz esquina para a Avenida Duque de Ávila. E sucede que os n.os de polícia parecem ter encolhido, fruto talvez de reedificações com emparcelamento de lotes. De toda a forma no lado dos pares os n.os polícia não diminuiram ao chegar à Duque de Ávila. Mas já lá iremos...
Na resposta que dei à prezada correspondente não consegui eu desfazer-lhe a dúvida pela simples razão de que não achei prova cabal. Nada garantia que não tivesse havido n.os de polícia superiores ao 211 e, portanto, os n.os 207-211 pudessem ter sido, não onde hoje pousa o n.º 197, mas um pouco antes do fim da rua.
Cuidei ontem, pensando no caso, que a fotografia acima (que me lembrava de ver com boa definição no Arquivo Fotográfico), em ampliando-a, o n.º de polícia que se visse na casa à esquina da Rua Dona Estefânia (a casinha branca no canto inferior esquerdo) talvez esclarecesse o caso. Mas afinal o que se nela vê é o n.º 35; é da numeração, portanto, da Av. Duque de Ávila. O assunto parecia arrumado, pois da Rua D. Estefânia não se vê nada.
Entretanto esta manhã, lendo algo sobre as portas fiscais da Circunvalação de 1852, aparece-me inesperadamente diante o seguinte:
« [POSTO] DE D. ESTEFÂNIA (criado por decreto de 17 de Setembro de 1885, para substituir o do Arco do Cego, que ficou inutilizado quando se abriu a rua de D. Estefânia. A casa do posto fiscal conserva-se, com aspecto quási igual ao primitivo, na rua de D. Estefânia, n.os 209 e 211; a casa de despacho estava na esquina fronteira, no sítio do prédio que tem frentes para esta rua, n.º 128, e para a avenida Duque de Ávila, n.os 23 a 31; »
A. Vieira da Silva, «Os Limites de Lisboa. Notícia Histórica. II - Do meiado do séc. XIX à actualidade (1940)», in Revista Municipal, I.ª série, n.º 6, 1940, p. 14 (sublinhado meu).
Julgo do que se pode ler no trecho, que não sobra já dúvida que os n.os 207, 209 e 211 que existiram em tempos na Rua D. Estefânia eram os últimos ao chegar à Av. Duque de Ávila; a casa do posto fiscal de 1885 conservava-se com traça quase idêntica à primitiva em 1940 e seria um pouco à esquerda da casinha branca na imagem, que exibe a tabuleta 'capilé' na fachada. Se seria a casa de fados Floresta do Arco do Cego não sei, mas cuido que deva lá ter permanecido essa casa até à construção do actual edifício com n.º 197 que faz agora lá sombra...
Isto no lado ímpar.
No lado par a Rua D. Estefânia terminava no 128. A casa que lá vemos hoje (subtraindo os andares que lhe acrescentaram há uma dúzia de anos) é com certeza a que lá estaria em 1940, onde funcionou a Casa dos Estudantes do Império - já aqui a mostrei. Mas, claro, nada tem que ver com a casa de despacho do posto fiscal do Arco do Cego de 1885. Salvo ter o n.º 128, que se mantém hoje, apesar de ter estado para demolir.

Prédio para demolir (Rua D. Estefânia, 128), Arco do Cego, 1966
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Revisto às 11h20 da noite.




