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sábado, 28 de agosto de 2010

Das romagens

Manifestação de apoio ao governo, Terreiro do Paço (H. Novais, s.d.)
Manifestação, Terreiro do Paço, [s.d.].
Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..


 


 Tece a estimada leitora Maria um comentário nos 27.000 dias... disto!... sobre o apreço do povo por Salazar (mais espaço houvera no Terreiro do Paço e mais gente teria aparecido). Redijo-lhe a resposta aqui.
 Acredito. Se vinham constrangidos não sei. Obrigados, pela imagem, não me parecem. O que é bem conhecido é que a romagem a favor do candidato Costa na eleição intercalar para a Câmara de Lisboa foi com figurantes reformados, engodados numa excursão a Fátima, e engajados para o hotel da campanha do P.S. (cf. Carlos Abreu, «Excursão de idosos...», in J.N., 17/7/2007). Uma coisa posso academicamente presumir: com o mesmo método – apregoado aos sete ventos para os anos do Estado Novo, e por uma única vez desmascarado na IIIª República (foi notícia uns dias na imprensa em Julho de 2007) – a capacidade de mobilização do Estado Novo era bem maior. A que se devia, cada um pense por si...
 Outra coisa certa é que no pedaço de discurso de Salazar que os dos 27.000 dias... deixaram passar (cuidando que o expunham a ridículo) é cristalino o seu (de Salazar) propósito (todos têm "o direito de contribuir com labor dos seus braços no esforço da defesa") e a sua ideia de governo ("Só uma palavra me acode, só uma realidade existe ao nível deste acto de comunhão patriótica – e essa é Portugal"). Pode não se gostar, mas nada do que Salazar assim afirma é mentira nem engana. A metalinguagem, decididamente, é muito mais parental da 'democracia' que da expressão do 'Estado Novo'.

7 comentários:

  1. Muito obrigada pela sua resposta.

    Que pena a fotografia não ter data. Mas pelo pormenor dos homens quase todos usarem chapéu e os mais novos e mesmo alguns adultos usarem bonés, salvo algumas excepções, calculo que tenha sido tirada pelos fins dos anos quarenta, quando muito nos princípios de cinquenta. Isto porque na década de cinquenta, mais do que nos anos sessenta (eu era muito miúda mas lembro-me perfeitamente), era raro ver-se um homem na rua sem chapéu e os mais humildes, sobretudo os vindos da província mas também bastantes lisboetas, incluíndo rapazes e jovens, usavam sempre boné. Nos anos sessenta este hábito já se havia quase perdido. Não obstante, muitos homens principalmente os mais idosos (designadamente o próprio Dr. Salazar, como não) nunca deixaram de o usar. Tratava-se de uma questão de educação primeiro e depois de respeito para com os demais. Lembro-me por exemplo do meu avô materno e de todos os seus irmãos, meus tios-avôs, nunca terem largado o chapéu. Curiosamente dos meus tios paternos só um usou chapéu toda a vida. Já começava a passar de moda. Quanto aos meus tios irmãos de minha mãe, muito mais novos que os paternos, também com a excepção de um, nunca chegaram a usar chapéu. Eis porque situo a fotografia pelos primeiros anos da década de cinquenta, ou talvez mesmo pelos fins da de quarenta.

    Mais uma vez os meus parabéns pela extraordinária fotografia, desta vez com uma definição óptima - a fazer calar, pela evidência nas expressões dos participantes na manifestação, este bando de caluniadores do antigo regime. Expressões nas quais se pode observar em pormenor o ar de satisfação e alegria de quem está a ser testemunha de um momento único nas suas vidas: ouvir de própria voz o Presidente do Conselho. Momento esse que certamente jamais terão esquecido.
    Maria

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  2. Bic Laranja28/8/10 18:45

    É como diz, dos anos 40 ou inícios de 50. E exactamente: sem chapéu, então, só gente moça. Os mais velhos mantinham todos o ancestral código de indumentária. Outros tempos.
    Grato pelo apreço, mas, mais uma vez, o mérito da fotografia é do fotógrafo.
    Cumpts. :)

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  3. meu amigo a única diferença entre sócrates e salazar é que a repressão no antigo regime era mais a vista e agora é feita duma forma perversa e escondida, em especial na imprensa, no funcionalismo público e em outros meios que queiram controlar e daí esta "admiração" por salazar.
    além disso estão a aparecer provas de mais corrupção envolvendo o nome de josé sócrates

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  4. Bic Laranja29/8/10 11:58

    Eis então outra diferença: não estarem a aparecer provas de corrupção envolvendo o nome de Salazar.
    Cumpts. :)

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  5. ora nem mais meu amigo, Salazar era um filho da mãe sério e Sócrates é o maior corrupto da repúblca desde Alves dos Reis

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  6. A foto é dos anos 40 (44 ou 45), durante a II guerra mundial, cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas de Lisboa, foi a maior manifestação de sempre, de apoio a Salazar.

    Neste video, aparecem imagensda mesma:
    http://www.youtube.com/watch?v=utA-BrRWPSw

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