Hospital de Arroios. Painel de Azulejos, Lisboa, [s.d.].
O Convento de Arroios foi mandado construir pela rainha de Inglaterra, D. Catarina de Bragança, em 1705. Esse motivo justifica as armas inglesas sobre o pórtico da igreja do convento.
Albergou um convento e colégio de jesuítas até à sua expulsão pelo marquês de Pombal. Depois do terramoto, como o o edifício do convento das carmelitas dos Cardais instituído em 1681 por D. Luísa de Távora tivesse sido abalado, vieram as religiosas por abrigar-se no convento de Arroios. O nome da Nossa Senhora da Conceição advém-lhe de a igreja do convento dos Cardais ser dessa invocação.
Duas notícias do tempo de D.ª Maria I.
- 8 de Janeiro [de 1778]: D. Maria I atribui, dos Rendimentos dos Vínculos, uma pensão de 500$000 rs. ao convento de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios (A.N.T.T., Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv. 9, f. 131v 2, f. 126v).
- 27/3/1778: o padre capelão do convento de Arroios, Aleixo António de Abreu, é acusado de solicitação. Não é conhecida sentença (A.N.T.T., Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 13372).
Hospital de Arroios. Claustro, Lisboa, [s.d.].
Com a extinção dos conventos pelo mata-frades em 1834 (Reforma geral eclesiástica de Joaquim António de Aguiar, melhor dizendo) o convento de Arroios deixou de admitir noviças e albergou as freiras só até ao falecimento da última, após o que os bens passaram para a Fazenda Nacional.
De duas fontes há notícia do passamento da última freira; em 1876 (A.N.T.T., Convento de Nossa Senhora da Conceição de Lisboa, PT-TT-CNSCL) e em 1890 (Francisco Santana e Eduardo Sucena (dir.), Dicionário da História de Lisboa, 1.ª ed., Sacavém, Carlos Quintas & Associados, 1994, pp. 93, 441-442, apud Revelar LX, Arroios, Convento de). Suponho que a data de 1876 se deva refirir ao convento dos Cardais e a de 1890 ao de Arroios.
O convento foi entregue ao Hospital Real de São José para servir para isolamento doentes de varíola, peste, tuberculose, lepra e cólera.
De 1892 a 1898 há notícia de obras diversas no Hospital de Arroios: reparações na casa da guarda municipal (1894); construção do muro da cerca e passeios (1895); pintura e assentamento de betão sob as barracas do hospital (idem); colocação de bocas de incêndio (1896).
(Fotografias: Skyscrapercity.)
O Convento dos Cardais é lindíssimo e está em excelente estado de conservação graças às Irmãs que dele cuidam com dedicação e carinho, mas também das Senhoras que prestam um trabalho insubstituível em regime de voluntariado. A Igreja deste Convento é de uma beleza sem par e merece bem a pena ser visitada, bem como as partes visitáveis do Convento.
ResponderEliminarEste Convento/Hospital d'Arroios, de que mostra um bonito painel d'Azulejos, infelizmente não conheço mas também deve ter sido muito belo enquanto Convento dado o século (XVII) em que foi erigido, século este e o seguinte em que todos os grandes monumentos como mosteiros, conventos, igrejas, mas também palácios, palacetes, etc., eram de enorme grandeza arquitectónica e muitos belos no seu interior.
O pátio principal do Hospital dos Capuchos (Convento dos Frades Capuchinhos?) - que penso ser contemporâneo dos outros - possuía há uns bons anos (não sei se ainda lá estará) no seu centro um belíssimo relógio de sol, imagine-se!, cuja base de uma altura considerável era revestida de azulejos azuis e brancos (séc.s XVI-XVII), mas em acelerado estado de degradação e segundo me informaram na altura mais tarde ou mais cedo iria ser derrubado!!, o que, se aconteceu, constituiu um crime irreparável de lesa-património. Mas é claro, estamos perante uns governantes que se governam e bem e desgovernam totalmente o povo e o país, desgoverno esse que não poderia deixar de incluir o abandono quase absoluto do seu imenso património histórico, o qual aliás eles sempre votaram ao máximo desprezo. Desprezo que é sintomático do ódio que sentem pelo país e pelo povo.
Maria
Trás-me aqui umas poucas de novidades sobre os Cardais e os Capuchos que desconhecia.
ResponderEliminarArroios é mais pobre, salvo os azulejos (que parece que já não tem) e a igreja.
Em todo o caso, o património é a nossa herança. Mas pataqueiros comos que para aí vejo jamais o saberão entender.
Cumpts.
O Convento dos Capuchinhos, hoje Hospital dos Capuchos, data de 1568. Daí o relógio de sol, que segundo li hoje algures ainda lá permanece de pé! Certamente cada vez mais deteriorado mas, vá lá, ainda continua de pé o que é bom sinal! É caso para dar os parabéns a quem não o deixou ser espatifado...
ResponderEliminarEste local de Lisboa é descrito como sendo o local onde se estabeleceu a Província (como chamavam então aos vários locais distribuídos pela cidade de Lisboa e arredores onde se instalaram as Ordens e se construíram Conventos para estes frades vindos de França, Itália e Espanha) de Santo António que tinha casa-mãe no edifício onde se situa hoje o Hospital dos Capuchos. Bem me parecia que assim teria que ser devido ao nome do Hospital.
Alguns frades Capuchinhos italianos, que nos anos 70 do século passado ainda se encontravam entre nós, foram-se embora de Portugal (não sei se igualmente as outras Ordens, a francesa e a espanhola, mas deduzo que sim) pouco depois do 25/4, com receio dos revolucionários, segundo me deram a entender aqueles frades que eu ainda conheci. Viviam num enorme andar alugado, não muito longe do local onde vivo e celebravam missa na Igreja local.
O nome Capuchinhos foi-lhes só dado em Portugal devido ao grande capuz que usavam sobre as vestes castanhas. Nos outros três países os frades desta mesma Ordem tomaram outras designações.
Cumprimentos,
Maria
Já cirandei pelo Campo de Santana e até me aventurei à Alameda dos Capuchos, mas o antigo convento até agora escapou-me.
ResponderEliminarTalvez venha agora a poder compor um verbete com esta graciosa informação que me dá e mais alguma me venha a surgir.
Muito obrigado!