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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Jogos de cabrestos

 Depois do fado e do cante, a alienação nacional ao reconhecimento estrangeiro já vai pelo preço do chocalho.



 António Ceia da Silva lembra que «para o Turismo, hoje, as questões identitárias são decisivas. O novo turista quer destinos diferenciadores e distintivos». Por isso, era importante esta classificação do chocalhoO Chocalho na Unesco», T.S.F., 30/XI/15).



 Não haja dúvida. Da velha syndrome do festival da canção que nos definia no Mundo, até esta identitária classificação do chocalho, é o portugalinho metropolitano que se agiganta. Azar do destino havermos logo hoje uma vedeta no sequim de ouro das alterações climáticas sem haver conseguido sequer dar ao badalo. Pior que cabresto...
 Isto, se é pelo chocalho que nos definimos, não é verdade?!...


Perícia de campinos na condução de cabrestos. Festas de N. Sr.ª da Oliveira e N. Sr.ª de Guadalupe, sede das Arcas (Samora Correia), 2012.

domingo, 29 de novembro de 2015

A (in)vestidura

Cerimonial de solemne (in)vestidura dum tratante em primeiro-ministro de qualité e do bodo que se seguirá...


 


Molière, O Burguês Fidalgo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Do progresso

 O Campo Grande apresenta já uma configuração moderna no traçado viário e esquema de circulação. —  Do título no archivo.
 A preoccupação do progresso é como annúncio ao brande: tem fama que vem de longe. Vê-se que andaria por aqui.  Ainda hoje lá continua. Não há quem venha que não ponha a sua dose sôbre o progresso antecedente. Nem que haja de deixar cahir para fazer de nôvo: daqui ao Caleidoscópio, do Caleidoscópio à piscine, é grande o campo do progresso.

Campo Grande, Lisboa (F, M . Costa, ante 1951)
Campo Grande, Lisboa, ante 1951.
Firmino Marques da Costa, in archivo photographico da C.M.L.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Tudo imbecis


 O vice-procurador-geral da República de Angola, general Hélder Pitta-Groz, considera que Portugal quebrou um «tabu» [aspas! — em que ficamos?] com a escolha de uma mulher negra, Francisca van Dunem, para o Governo (Mariana Oliveira, Ana Henriques, «Francisca Van Dunem, a primeira mulher negra a chegar a ministra», in Público, 26/XI/15).



 O vice-procurador da Angola não notou que o primeiro-ministro a tomar posse também é preto? Não notou por ser indiano, por ser homem, ambas?... Será o comentário racista, sexista ou tolo?
 E por que dá o jornalismo isto por notícia? Por maldade de evidenciar a tolice alheia ou por estupidez própria?
 Nem entendem como apoucam a procuradora.



(Imagem do álbum da comissão liquidatária anterior.)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

É a demência geral

 Até à sexta-feira 13 não havia telejornal sem publicidadezinha diária aos «refugiados», ilustrado com filmagens muito bem montadas de hordas de infelizes em botes de borracha transmediterrânicos, mulheres e crianças em desespero transumante e, fatalmente, algum doloroso saldo de vítimas. Um dramalhão das arábias pronto a aliviar consciências por conta solidária.
 No dia 13 à noite, porém, calaram-se as trombetas dos «refugiados». Chocavam tanto, mas tanto, com o acontecido no Bataclan e arredores que melhor era calar.
 Não obstante o senso imediato, no refluir do choque logo dei pela a central da propaganda começar a verter a moirama do terrorismo e a dos «refugiados» como água e azeite: nada lá de misturas... — Terrorismo e moirama, aliás, neste refluxo civilizacional teleinoculado, só a custo se misturariam, nem mesmo esgravatando linhagens franco-belgas a Tunes ou a Argel. Mas o principal de que não vi nem ouvi notícia foi o nada e o nunca mencionar de confissões a motivar o massacre: do narcojornalismo para o cidadão infantilizado da cristandade Europa jacobina basta dizer dos passaportes; livre-se alguma vez esse jornalismo catequístico de libertar do requebro o teleinduzido o cristão eurocidadão, não vá acordar-lhe alguns instintos primários de sobrevivência, coisa primitiva!...
 Os bárbaros do Bataclan soaram assèpticamente, por conseguinte, como franco-belgas, formalmente e de subúrbio (e um lusodescendente, vá lá, para orgulho do jornalismo doméstico...) Gente semicivilizada, mas — entendo-o — nossa...
 Enquanto tal, no telegulag euro-instituído calhou afortunadamente o destino em achar uma heroína Jasmine el Yousfi (ao contrário dos terroristas, aqui um nome destes ajuda) a juntar à cadela Diesel e ao caridoso solidário que socorreu um terrorista ferido (estranho ferido — terá ele sido alvejado por terroristas iguais?...) Pelo meio um filme lindo dum catecùmenozinho aculturado (outra mensagem subliminar) trinando um bucólico sont por nous proteger, les fleurs et les bougies...
 O derrengo da cristandade Europa pela narcopropaganda é atroz. Ainda assim carece do maior fomento: hoje ouvi mais um na emissora nacional a falar-me em bom estilo como se aquilo em Paris não fosse jihad, nem terrorismo de motivação confessional nenhuma (nem já franco-belga), mas sim obra de vulgares assassinos de mente toldada por mistelas de cafeína e anfentaminas desembestados em euforia suicida.
 Ora eu bebo café e não sei já se ando a preceber tudo mal ou se a euforia suicida é a demência geral.



Cruz de Cristo, Praça do Império, 2014.
Rui Gaudêncio, in Público.

O génio trampolineiro

 Do desfecho do golpe de Estado político-partidário ecoam muito mais hoje as louvaminhices adesivas. — É da tradição nacional, da 1.ª República à república da bola, passar-se de bestial a besta e vice-versa por dobras fortuitas nas esquinas da história. — Ontem ou esta manhã, uma cavalgadura que tudo fez torto no caminho direito de S. Bento desembocou lá por afortunadas circunstâncias muito temperadas de oportunismo trampolineiro.
 Na imprensa rejubilam — É um génio!


Saloio a cavalo no macho, Santos, c. 1910.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House

A cavacal figura

 Esperava-se quê da cavacal figura?
 Se bem me lembro, foi logo a seguir que soltou o passaroco dando-lhe recado: — quando passares lá no Sul não te esqueças de dar notícias. Referia-se à Coelha, decerto. Achava-se quase à latitude das Canárias...





 Além da Coelha tem filhos, netos e uma reforma para gozar.
 


(Imagem da imprensa falsa, via Delicto de Opinião.)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Nutrícia do dia

A cavacal figura avalizou a ordenha. Siga a mama.

Ordenha, Quinta da Cardiga (J. Benoliel, 1910)
Quinta da Cardiga, Golegã, 1910.
Joshua benoliel, in archivo photographico da C.M.L.

Conjecturando a estrada de Benfica

 A legenda desta no archivo da C.M.L. é simplesmente «Pessoas passeando», Paulo Guedes, 19...
 Conjecturo a Estrada de Benfica. Se não, vede: contra o horizonte o Monsanto, despido; contra o Monsanto, à direita, o arvoredo da mata de Benfica; contra o arvoredo algumas casitas na estrada da Damaia (ou de A-da-Maia); no campo entre a estrada em que conjecturo estarmos e aquela percebe-se o valado duma ribeira — de Alcântara; as piteiras e o barranco à mão esquerda são da quinta do César que se entrepunha à estrada e à quinta das Pedralvas às Portas de Benfica.
 Posto isto, o telhado que sobressai do chapéu do cocheiro é o da Vila Ana. A estrada serpenteia caminho da Igreja de N.ª Sr.ª do Amparo cuja torre se não vê por causa do arvoredo diante. O fotógrafo virou costas às portas de Benfica e apontou a Nascente. O Sol baixo do quadrante S denuncia uma tarde de Inverno.
 É ou não é?


Estr. de Benfica, Lisboa (P. Guedes, 19...)
Estr. de Benfica, 
Lisboa, 19...

Paulo Guedes, in archivo photographico da C.M.L.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A verdade do carácter

 Deixai-me cá adivinhar. Numa reunião de campanha de Belém a Belém na toca do Rato surge o lema do «carácter». No banho-estrume (*) à força, à pureza, à firmeza ou à grandeza do carácter, mete-se um dilema.
 — Com o acordo ortográfico, é sem «c»...
 — Epá!... T'fona aí à Edite.
 — Já lhe tulfonei ontem. É facultativo (**). Tanto dá levar como não levar o «c».
 — Mas se é facultativo como é que a gente havemos de escrever?...
 — Vam' lá ver. Há tanta gente irritada com o acordo que à cautela melhor é pôr lá «c». Levanta menos ondas e não arriscamos perder votos por causa disso. Enquanto que os que estão pelo acordo não deixam de votar se lá virem o «c» porque, como é facultativo, também acham que está bem.



(Cartaz do carácter catado no Aventar, onde se também cata o carácter do cartaz.)


 




(*) Aportuguesamento do brain storm dos amaricanos.
(**) Não de ter andando em nenhuma Faculdade.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Imprensa noticiosa



  Na senda do combate francês ao terrorismo franco-belga noticiam-se por cá coisas também importantes. A par da «resposta implacável» do cidadão Holanda da França que enviou aviões de caça a bombardear os bárbaros franco-belgas na Síria (e aqui pregunto: não haviam de ser antes aviões bombardeiros?...), o lusoportugalinho do jornalismo licenciado, (a)mestrado e doutor(in)ado avançou a notícia (uma forma ainda mais evoluída de dar notícias é avençá-las, não apenas avançá-las) de que na vertente materno-descendente da refrega contra a moirama os bárbaros, duas rusgas da ramona houve anteontem e ontem — implacáveis, creio — sobre os franco-belgas domésticos: uma na zona M de Chelas e outra num perigoso arrabalde saloio de que me esquece agora o nome.
 Cada um é para o que nasce, da ramona sempre soubemos que capturou ao segundo dia artefacto guerreiro mais notório do que a fisga do primeiro dia. Nada, porém, como o(s) milhar(es) de G3 que levaram sumiço nas revolvências do P.R.E.C., não imagineis ...


 Pois hoje soou outra notícia de investida no lusoburgo contra o perigo franco-belga, com upgrade digno de nota: desta vez coube, não à ramona, mas à polícia sacréta, que surgiu com o aparato duma autêntica Maria da Fonte no pasmo geral da Póvoa de Lanhoso, terra da lusomãe do franco-belga descendente do Bataclan. — Admitem-se coincidências suspeitas neste caso, aviso o leitor... — Fonte que não a Maria da dita, mas não confirmada, anunciou simplesmente que a investigação procura dar caça à raça dessa espécie de luso-herói negro apaparicado na imprensa nacional e — versão oficial — apurar as ligações da lusomãe a Portugal, não obstante já ter desalvorado das berças de Lanhoso ainda a alvorada de Abril não produzira estragos. — Não é clara, porém, a sua influência (da alvorada libertadora) no abjurar da lusodita mãe, como inferem os leitores mais atentos do empenhado pendor da imprensa livre e democrática em referir-se à apostasia (que é acto feio) sempre e só por conversão (que é livre e democrático, quando não ascé(p)tico).


 Não foi entretanto confirmado que uma das linhas da investigação se destinasse a apurar a verdadeira identidade da Maria da Fonte, de que ainda hoje há dúvidas, e quais as ligações que terá tido ao califado franco-maçonbelga e à morte do Sá Carneiro.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Madraçal

 A evangelização dos meios de comunicação acerca dos terroristas já enjoa. Os povos são em geral ignorantes, mas não são estúpidos. Portanto, a conversa de os terroristas de Paris serem lusodescendentes, franceses ou belgas passa da típica dissociação cognitiva da realidade do jacobinismo beato para a mentira descarada e perigosa através de notícias viciadas. Por que o fazem?...


 No sábado a evangelização geral das gentes com a ladainha dos refugiados, coitadinhos, perdeu o pio. E quem no frenético palrar das T.V. abrisse o bico a ligar alhos de kalashnikov e bugalhos de transumância de bárbaros, era-lhe cortada a palavra. Vi-o por mais duma vez. Pudera! Os factos na ordem do dia desmentiam tão chocantemente o carpir diário dos refugiados, coitadinhos, que até cegavam! — Era toda uma laboriosa catequese de meses que ruía.


 Como disse, os povos não são estúpidos. Não obstante os tele-evangelistas insistem. De mansinho, logo que o frenesim parisiense acalmou, lá tornaram ontem e hoje com a lavagem ao cérebro: uma coisa são terroristas kamikaze, repetidamente belgas, franceses e até um maternal lusodescendente (que espécie de orgulho tiram os nossos jornalistas de salivar esta porcaria de noticiário?!!); outra coisa são mouros, árabes, islamitas…


 Credo! A barbárie só viaja com passaporte europeu, é esse o axioma?!... E a jihad é uma chaga social dos subúrbios franco-belgas?!... Vai ver-se, a santa Liberdade e os sagrados Direitos do Homem (*) frutificaram afinal das areias do Médio Oriente, pois!... Deus já me tinha dito!...


 




(*) Até nisto de serem «do Homem» já a demência monolítica jacobina verteu para «Humanos». Pobres cacholas. Não distinguem «Homem» (ou sequer «homem») de machismo.


Vitral: Sancho VII de Navarra, o forte, na batalha de Navas de Tolosa (1212). Colegiada de Santa Maria de Roncesvales.

Terça-feira

 Nas primeiras páginas d' «A Obra ao Negro» (*) de Margarida Yourcenar acho «soldados de infantaria» em tradução de lansquenets, no original. Ora lansquenets, no caso, refere-se aos soldados de infantaria alemães (mercenários) das fileiras dos exércitos de Francisco I; no texto, são metáfora dos caules de aveia dos campos onde dormia plàcidamemte a personagem.


 Não está mal traduzido, sobretudo contando a figura de estilo composta da imagem duma companhia de infantaria. Porém ocorreu-me que o termo tudesco, cujo sentido português de tropa alemã se acha consagrado  no nosso idioma desde o séc. XVI, documentado na historieta do Conde de Redondo, D. João Coutinho, relatada nos Ditos Portugueses Dignos de Memória; o termo tudesco designava a guarda do imperador; guarda alemã, que enfileirava com os tercios de Carlos V, pois bem...


 Cogito no preciosismo e rigor das traduções em contraponto à desgraçada tradução da jornalistagem que estagia para aí traduzindo literalmente marché aux puces... Coitados, nem ideia fazem...


 


Sérgio Godinho, É terça-feira
(Música do Kilas, o Mau da Fita, 1980; ilustrações de Cristina Sampaio)


 




(*) Ed. do Público, colecção Mil Folhas. Trad. de Ramos Rosa, Luísa Jorge e Manuel Gomes.


Revisto às vinte e cinco para as quatro.

domingo, 15 de novembro de 2015

Pulguedo


« De volta a Paris, depois do choque, os museus e espaços públicos continuam fechados, mas no conhecido mercado das pulgas grande parte dos comerciantes reabriram (sic) as portas» (Telejornal, S.I.C., 15/XI/15).



 Temos um jornalismo mais versado em inglês de praia do que no idioma de Camões. E irritantemente estúpido. Abastece-se na feira da ladra global de notícias e que temos? -- O conhecido mercado das pulgas, já ouviu falar?...


 Antes, noutro telejornal de burrice estrondosa, o terrorista de linhagem argelina, Ismael, além de filho da mãe, diz que era de «descendência portuguesa». (Percebia-se logo do nome que devia desaguar cá.)


 




 


(Retratos da S.I.C. e da T.V.I., 15/XI/15.)


 

Je suis l' Histoire

 «Ismael Omar de 29 anos, lusodescendente, é um dos atacantes do Bataclan», vejo na T.V.I 24. Entendo agora que a torre de Belém tricolor foi acto expiatório, não lusotraças ou quaisquer insectos de mãe portuguesa esvoaçando sob os holofotes. Mea culpa...





 De última hora, no mesmo canal, dizem que a polícia identificou mais dois terroristas: são franceses.
 Vai a civilização dos europeus a ferro e fogo e a noção do que lhe sucede é um lusodescendente e, vá lá, dois franceses.



 


(Imagens do nanismo lusomunicipal à cata de cavalgar a História no Público de hoje.)

Nótula de protocolo

Hollande Implacável (13-11-15)


  Rajoy solidário (14-11-15).jpg


 No noticiário do baile armado no Bataclan e adjacências ouvi logo na sexta-feira, e repetido depois, que o presidente da França «foi retirado» do estádio. — «Foi retirado»! — A voz passiva nesta retirada soou-me como franca fraqueza do presidente da França. Não tardou porém vi-lhe na T.V. a «resposta implacável» da França à bárbara agressão; muito composto, solene e protocolarmente acobertado no trapo da União Europeia, a par da sua bandeira. Outros se seguiram, solidária e protocolarmente com suas bandeiras a par da da União, casos do italiano e do espanhol.


Renzi-solidário-(14-11-15)


 


 


 


  Esta apresentação em si não diria muito se a não cotejasse com a aparição do primeiro ministro inglês diante da bandeira do Reino Unido, condignamente (e só) com a da França a par. O cobertor azul-estrelado não entra no protocolo britânico.


 





Cameron com protocolo britânico (14-11-15)


 


(Imagens da imprensa na rede sobre o ataque aos parisienses em 13/XI/15.)

sábado, 14 de novembro de 2015

Os holofotes estejam connosco!

Refugiados foi ontem. Hoje somos todos franceses.


 



La Tour, Radiotelevisão ... 3, 14/XI/15.


 


Adenda: entrevista à concierge já a seguir.

Central de informação

Notícias, praça da vila (S.l, s.d.)

Ainda hoje não ouvi notícia dos «refugiados».




Estudantes ávidos de notícias, Coimbra, 1907.
Fotografia de Adelino Furtado, in Portugal Velho.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O voo nocturno da T.A.P.

 Pela calada noite parece que se lá fechou o negócio. Os termos dos novos sócios:



«Estou seguro [de] que com todos os seus colaboradores, clientes e parceiros vamos conseguir um futuro de crescimento para a TAP e garantir que seja uma alavanca de trabalhadores, modernidade e orgulho de Portugal». (H. Pedrosa)


« [...] Investiremos para a modernizarmos com novas rotas, mercados e novos aviões [modernizar velhas rotas, mercados e velhos aviões será sempre pior, em tese...] Estou certo que todos em conjunto conseguiremos reforçar o Hub de Lisboa, conseguiremos com a ajuda dos nossos colaboradores ter o melhor serviço para os nossos clientes. A T.A.P. é a maior marca de Portugal e [é] fundamental para a economia Portuguesa pelo que contribui para a geração de riqueza nacional [preciso era não tomá-la o estrangeiro...]» (D. Neeleman)


(Do comunicado da Atlantic Gateway, 12/XI/15.)



 Pelo falar, parece gente entendida. Além dos parênteses, segue o glossário para que os entendamos em essência...



  •  Alavanca: utensílio;

  • Clientes: passageiros;

  • Colaboradores: trabalhadores;

  • Competitividade: avidez comercial;

  • Hub: com três letrinhas apenas / se escreve a palavra hub / de todas a mais pequena / a maior que TAP tem — tradução impossível por impossibilidade de contacto entra a matéria e a antimatéria;

  • Modernidade/Modernizar: mudar por moda e por mudar.

  • Parceiros: ?...


 Haja dinheiro!


Voo nocturno em Super Constellation, TAP (Esp. Cte. Amado da Cunha, 195...)
Super Constellation, TAP, 195...
Esp. do Cte. Amado da Cunha, in colecção do Sr. Ant.º Fernandes.


 


(Emendado às dzez para as cinco.)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Palavras mágicas

Colonialismo. Tal como fascismo é das palavras mais terroristas do século passado e quem as usa tem o poder de um exército, sem precisar de divisões.


«O Jornal», 14/11/75, in Porta da Loja


Citação e recorte d' O Jornal, in Porta da Loja.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Vede lá a esperteza!

 Se firmar trato com o pífaro parlamentar do Partido Comunista pôde parecer ridicularia habilidosa (ou condicionada) para adocicar acôrdos políticos verdadeiramente ditos, esquecer-se das tubas sindicais do Comité Central cheira-me a esperteza de fraco mestre!
 Está tudo visto... Siga a democracia, pois!


 



Reses, Moscavide, 1955
Armando Serôdio, in archivo photographico da C.M.L.

Dos homens do poder

 Um govêrno de nodoas está por horas. Má sina a nossa que os que lhe urdiram o fado são espécie da mesma igualha.


Affonso Costa n'um grupo de portadores de protesto republicano ás Côrtes, Lisboa (J. Benoliel, 1906)
Affonso Costa e um grupo de portadores do protesto republicano ás Côrtes
, Lisboa, 1906 (*).

Joshua Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.




(*) O archivo municipal dá o anno de 1906 á photographia, mez de Junho. Parecem-me todos encasacados de mais para tal mez. Talvez o protesto fôsse isso...

Apostilas a uma notícia do «Observador»

 O benévolo leitor Paulo Nunes deixou-me há dias nota dum artigo no «Observador» sobre o valioso achado de registos paróquias da freguesia do Soccorro (Rita Ferreira, «O tesouro do Socorro que revela segredos do terramoto», in Observador, 2/XI/15). Aconselho o artigo, tem interesse, apesar do título meio sensacionalista e desgarrado (o único segredo que presumo do terramoto é o mito de que nada lhe sobreviveu, e o artigo, concretamente, fala doutras coisas).


 Numas limpezas na igreja do Colèginho o padre Edgar Clara achou numa sala de arrumos esquecida os róis de confessados da freguesia de Nossa Senhora do Soccorro, do período de 1612 a 1856. O achado prometia; despertou a curiosidade de estudiosos e interesse do Município e da Torre do Tombo na sua salvaguarda, mas como nada se faz sem tempo, ficou com o Padre Edgar.
  Uma nota já sobre aquela data de 1612: em 1620, segundo o cômputo da população de Lisboa de Frei Nicolau de Oliveira, a freguesia que deveio de Nossa Senhora do Soccorro era de S. Sebastião da Mouraria (cf. A. Vieira da Silva, «A população de Lisboa», in Dispersos, vol. II, 2.ª ed., C.M.L., 1985, p. 38). Não sei quando mudou o orago...
 Isto mostra-me como a nossa memória da cidade é fraca — quem lê os olisipógrafos?... Houvera quem nos publicasse... e sobretudo débil.
 No relato da demanda da estudiosa Cristina Torres pela confirmação de D. Jayme de La Té y Sagáu ser freguês daquela paróquia diz-se que vivia na Rua dos Livreiros — que já não existe — do lado esquerdo.
 Coisa ingrata, a incursão jornalística pela olisipografia ao fundo da notícia sem saber de mestres que a guiem: a Rua dos Livreiros existe, pois; foi há muito indicada por Gomes de Brito (Ruas de Lisboa, vol. I, p. 40) como sendo a nossa Rua do Arco da Graça.
 Luiz Pastor de Macedo na Lisboa de Lés-a-Lés conta mais: a Rua do Arco da Graça deve o nome a uma imagem de Nossa Senhora posta em 1657 no postigo da muralha fernandina que a atravessava; o arco da Graça foi demolido, mas esta serventia que nos leva ainda agora directamente ao portal nobre do Hospital de São José foi conhecida do povo de Lisboa como rua dos Livreiros por se nela acharem estabelecidos muitos deles; e a razão deles ali era o colégio de Santo Antão-o-Novo, ou dos jesuítas, como lhe o povo chamava. E por ele, o colégio, o nome oficial que teve foi Rua Direita do Colégio ou simplesmente Rua do Colégio. O convento dos jesuítas deveio hospital depois da derrocada final do Hospital Real de Todos os Santos em 1755; da invocação de S. José, como o nome de el-rei...
 Vingou por fim o nome do Arco da Graça. porém, esteve vai-não-vai para receber dístico toponímico de Rua do Contemporâneo, nome estranho que admirou Júlio de Castilho e lhe mereceu 4 pontos de exclamação (Lisboa Antiga. Bairros Orientais, vol. IV., 2.ª ed., p. 252).
  Que era isso de Contemporâneo? — Nada mais nada menos que uma revista que foi dirigida pelo pai da actriz Ângela Pinto e que ali tinha a sua redacção.



« A redacção e as oficinas do Contemporâneo estavam instaladas numa velha casa da Rua do Arco da Graça. Tudo ali respirava demazelo misturado com miséria. O Pinto era o tipo de boémio incorrigível, levando a vida a cantar, com a cabeça povoada de sonhos e quimeras, sem que os desenganos e as desilusões conseguissem esfriar-lhe a alegria, ou desvanecer-lhe a certeza de que acabaria por triunfar no futuro. Era ao mesmo tempo um céptico e um crente, com a alma pródiga simultâneamente de cinismos e ingenuïdades. O seu lema de vida era «o não te rales», trabalhando de manhã para comer à tarde e confiando serenamente em que para o dia seguinte Deus daria.»


(Lourenço Caiola, Revivendo o passado, p. 124, apud Lisboa de Lés-a-Lés, vol. I, 3.ª ed., C.M.L., 1981, p. 140).



 


Rua do Arco da Graça, Lisboa (E. Portugal, c. 1940)
Rua do Arco da Graça (antiga Direita do Colégio e dos Livreiros), Lisboa, c. 1940.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.



 Mais ingrata é a pouca memória da Rua da Palma. Delminda Rijo do G.E.O., estudiosa de Demografia Histórica por quem no artigo se mostra o valor dos róis de confessados para se recensear històricamente a população e se conhecer o itinerário das ruas de outrora mai-la qualidade da gente que lá morava, baralha-se todavia na Rua da Palma. Ou confunde-se, em vez, a jornalista?...



  Outra rua fácil de identificar é a Rua Nova da Palma, que agora se chama apenas Rua da Palma e que desemboca na praça do Martim Moniz, que não existia. «Era Rua Nova da Palma porque tinha sido aberta recentemente, para fazer a ligação dos Anjos até aqui à Mouraria. Era uma das entradas da cidade de Lisboa».



 É verdade. Foi Rua Nova até ser velha, já na 2.ª metade do séc. XIX, mas da voragem dos tempos convém não nos deixarmos levar para não incorrermos em anacronismos.
  A Rua da Palma tem històricamente três troços:



  • o primeiro do séc. XVI, desde trás de S. Domingos (onde acaba a Rua Barros Queirós) ao muro fernandino onde se abriu o postigo de S. Vicente à Guia (ao centro do Martim Moniz; hoje puseram lá uma espécie de monumento que jorra água);

  • o segundo, de 1856, que continua o primeiro sòmente até à paroquial do Soccorro (embocadura da Rua de S. Lázaro, ou melhor, Carreirinha do Soccorro), mas que começou por ser considerado uma rua distinta chamada Rua da Imprensa — esta durou oficialmente só 11 meses e tomou-se logo por acrescento da Rua da Palma em Setembro de 1857;

  • e o terceiro que prolonga o anterior ao Desterro e ao Intendente (não aos Anjos), que é o único que resta hoje (o desastre que nos legou o Martim Moniz acabou com ela).


 Para a época dos róis de confessados em apreço, o único troço possível é o mais antigo, vem no mapa. E a ligação aos Anjos fez-se até 1889 pelas ruas da Mouraria e do Benformoso.


Filipe Folque, Atlas da carta topográfica de Lisboa, n.º 36, 1858 (C.M.L., PT_AMLSB_CMLSB_UROB-PU_05_01_38


Filipe Folque, Atlas da carta topográfica de Lisboa: n.º 36, 1858.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Portugal razão e mistério

 Do mister eng.º seleccionador nacional esta manhã na emissora dita tal, a receita para Portugal ganhar o campeonato da Europa de 2016:



 Sorte e acreditar que é possível; é esta a receita que Fernando Santos dei...xa [soluço na locução] na Antena 1 para vencer o europeu de futebol do próximo ano, em França.
 — É p'ciso ê [ter] alguma sorte. O fetebol tamém tem... tamém tem... tamém tem esse mistério, que é o mistério de ter sorte ou não ter sorte. [A] Port'gal no campeonato da Europa [de] 2012 acont'ceu isso: uma bola no poste num pènalte; uma bola foi ao poste e ent'a outra, que não entrou. 'Tanto essas coisas tamém acontecem... E a outra é: acreditar verdadeiramente; não basta querer é muito importante crer; 'tanto, quereres ganhar, quereres alcançar isto, mas tens qu' acreditar qué p'sível, não é? — que é outro crer — não é querer é crer. 'Tanto eu acho questas coisas são mut' imp'tantes: querer e crer ao mesmo tempo; e alguma sorte.
 — É também um psicólogo nesse aspecto?
 — Não sei se isso se pode considerar um psicólogo, são boa gestão de recursos humanos. [Ah!]
 Sorte e acreditar que é possível, a receita que Fernando Santos deixa na Antena 1, em entrevista para ouvir na íntegra depois das dez.


(Nuno Rodrigues, Noticiário das 9h00 — 11' 25", Antena 1, 9/XI/2015.)

Capture.JPG



(Fotomontagem da U.E.F.A. e do horóscopo virtual.)

sábado, 7 de novembro de 2015

Panorâmica de Lisboa

Panorâmica do alto de S. Sebastião, Lisboa (Esp. E. Portugal, c.1900)
Panorâmica de Lisboa, S. Sebastião da Pedreira, [s.d.]
Espólio de Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Estrada da circunvalação

 Na sequência do enigma photographico de S. Sebastião ao Monsanto, esta da circunvalação de Lisboa a par da cadeia penitenciária sem enigma nenhum, agora, mais do que a data. Mas como noutra da sequência se vê o prédio do anjo ao Saldanha (hoje há lá o Atrium), talvez se a descubra no seu processo de obra. É data coincidente com as obras de alargamento da circunvalação na volta onde vieram a fazer o Bairro Azul e anterior ao palacete Mendonça.
 Tudo pistas...

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 Panorâmica do alto de S. Sebastião ao alto de Campolide, Lisboa, [s.d.].
Espólio de Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Da música...

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E até já lhes deu música. Eles é que não tinham chegado para ouvir. Por isso dão-ma só a mim...

Burguês fidalgo

 Dizia esta manhã o Nicolaço nas contas do dia (Antena 1): «... são empresas conhecidas em português por startups».
 
Talvez possa aprender do princípio...


 


Molière, O Burguês Fidalgo.

Antigripal jornalístico infecta linguagem

1 «milhões» de anciãos fabricam vacina?!...
Dantes as vacinas tomavam-se.

A Bola, 5/XI/15

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

S.M.A.S.: registos postais e juros de mora

 Já cá dei notícia do requintado caso. Paguei (por estimativa) à companhia das águas, durante meses, água que não gastei . Extraviou-se uma factura e veio-me cobrado o registo do aviso da factura por liquidar (de água que não gastei).
 Credor seu, eu (por pagar meses a fio água que não gastei), cobra-me ela juros de mora por liquidar atrasado (mas dentro do novo prazo dado) a factura extraviada por conta de água não devida.


 Ontem recebo nova carta registada da companhia das águas. Não quero saber. Recusei-a. Só quero ver do descaramento de ma cobrarem.


Aguadeiros no Chafariz de Dentro, Alfama (J. Benoliel, 1907)
Aguadeiros no Chafariz de Dentro, Alfama, 1907.
Joshua Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.


 

Madredeus

  A Madredeus mudou a cantora. A Madredeus começou por uns dias...
  Não! A Madre de Deus é um lugar (um convento) onde foram por uns dias. Em 1985. Para fazer um disco. E assim os dias da Madre de Deus tornaram-se a Madredeus.
 Mudar a cantora torna a Madredeus noutra coisa. O autêntico é irrepetível. Sem desprimor.


Madredeus, O Paraíso
(c. 1998)


 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Do Estado livre e democrático

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  Ainda não descobri se o Estado com a emissora nacional me quere dar catequese, se amedrontar-me com o lobo mau.
 Na antena da emissora, nestes dias, têm-me diàriamente posto o terror diante com «150 novos casos de diabetes todos os dias» e «com o acidente vascular cerebral que mata um português por hora». Lançam estes ameaços à Nação por campanhas pagas, não sei se directamente com os impostos, se por O.N.G. mantidas com os impostos... Em qualquer dos casos, o caso é que ainda na semana passada me agitaram o papão do cancro nos chouriços e nas morcelas enquanto hoje faziam uma festa: a polícia dos galheteiros fez 10 anos.
 Irra!
 Do tempo òrrivel do fâchismo maldizem a torto e a direito a P.I.D.E., que se metia com a gente por conspirar contra o Estado. Mas ficava por ali. Hoje vejo-me aflito em cada mastigadela porque tenho o Estado a vigiar-me na ponta do garfo.


 


(Imagem neopidesca da Portaria 240/2010, de 30 de Abril.)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Ainda a propósito de ontem (ou não derivasse o próprio nome «Albufeira» de alterações climáticas…)


  As décadas de 40 e 50 do século XX foram pródigas em inundações no Algarve, as quais adquiriram contornos violentos em Albufeira. Cheias causadas por intensa pluviosidade, que engrossaram a ribeira e invadiram a vila, que cresceu precisamente sobre a ribeira.
  [...]
  Sendo as cheias um fenómeno cíclico e normal no clima mediterrânico, e a função dos cursos de água tão-somente transportá-la, seja ela muita ou pouca, a ocorrência de cheias fluviais em Albufeira [é], nas circunstâncias actuais, uma verdadeira «bomba-relógio», de consequências imprevisíveis [ou melhor, previsíveis], que urge corrigir.
  Quanto a responsáveis, somente o Homem o é, afinal ocupou, usou e abusou de uma área que não era sua, mas da Ribeira de Albufeira.


Aurélio Cabrita, «Cheias em Albufeira, fenómeno tão antigo quanto a ocupação do vale ribeirinho», Sul Informação, 1/XI/15.


 



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 (Imagens do Sul Informação.)

A propósito de ontem...

 Já hoje aventaram os pregoeiros da verdade oficial que as inundações no Algarve se tornam mais frequentes, primeiro, pelo aquecimento global ou pelas alterações climáticas, como lhe deram ao depois em chamar; segundo, pelo cimento em barda...
 Vou pela primeira. Desde a extinção dos mamutes à dança de certos índios de pele vermelha que o fenómeno está antropocentricamente comprovado. A segunda é coisa de patos bravos e a patada só por si não teria artes de inundar nem um talho que fosse. Talvez vacas de carne vermelha ou porcos de carne processada, talvez...



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Talho n.º 213,
S. Domingos de Benfica, 1945.

Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.

Futuro de Lisboa em 1957

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Plano urbanização da zona a norte do parque Eduardo VII; esquema de  localização dos tribunais criminais de Lisboa do arquitecto Rodrigues Lima; fotografia aérea da década de 40 da área correspondente à praça Marquês de Pombal e parque Eduardo VII; esquema das zonas reservadas para estabelecimentos comerciais, escolas, habitação, edifícios públicos, escritórios, escola técnica.


In archivo da C.M.L., PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/10/145.

domingo, 1 de novembro de 2015

Da neomentalização pós-colonial

  A 1.ª página, hoje, do Público, jornal europeu do ano, jornal mais bem desenhado em Portugal & Espanha [perdão, Espanha & Portugal]; série racismo em português em Angola: houve independência sem descolonização das mentes.
  Inculcas: 1) Europa, Ibéria; 2) racismo em... umbundo?, quimbundo?, quicongo?, lunda?, angolano?, lusófono? (ah! ah!) — Não! — em português!
  Que descolonização — de que mentes, e onde — querem os do Público fazer, hem?!...




Público, 1/XI/15
(Público, 1/XI/15.)