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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Reconstrução de pavimentos (*)

« Por motivo de reconstrução de pavimentos, a partir do dia 30 de Setembro de 1955 (6ª feira) é encerrado o troço da Avenida de Roma entre a Rua Silva e Albuquerque e a Avenida da Igreja. Assim, a partir daquela data o percurso da carreira 7 é provisoriamente alterado naquele troço em ambos os sentidos, passando a efectuar-se pelas Ruas Silva e Albuquerque, ligação à Rua Maria Amália Vaz de Carvalho, Rua Maria Amália Vaz de Carvalho, Rua Marquesa de Alorna e Avenida da Igreja.»
C. Filipe, A minha página Carris.

Avenida de Roma e Av. dos E.U.A., Lisboa (A.Pastor, 1960-69.
Avenida dos Estados Unidos no cruzamento com a Av. de Roma [pormenor], Lisboa, 1960-69.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
 




(*) «Reconstrução de pavimentos» é um do mito dos tempos da fundação de Lisboa por Ulisses.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Escrito pela aluna Maria há cerca duma hora

« Estou no 11º ano, comecei agora o ano lectivo e todos os dias entro em “luta” com a minha professora português por causa deste assunto. Todos os professores parecem submissos e conformados, mas eu simplesmente não me consigo conformar e faz-me ainda mais confusão a posição dos professores (especialmente os de português) em relação a isto. Em português, quando se começar a avaliar nos testes como erro (disseram-me que seria em 2014), não prejudicarei a minha nota por não querer escrever assim, mas recuso-me a escrever nos meus cadernos e em tudo quanto seja MEU de uma maneira que eu considero ridícula! E a minha professora de português anda a “impingir-nos” o acordo ortográfico, e o manual este ano já está todo adaptado... É horrível, frustrante, não consigo sair de uma aula de português sem me sentir frustrada e irritada. Anda a ser mesmo complicado. E hoje descobri que a gramática também mudou! Por isso, muitas das coisas que durante 10 anos de escolaridade andei a decorar e a considerar como correctas, agora do nada mudam! (Imaginem as pessoas que estão na faculdade, em cursos de Letras!) Eu não percebo como querem que nos adaptemos a isto, ainda por cima a gramática não é o forte de muitas pessoas na escola. Ainda se fosse acrescentar algumas coisas, se calhar até faziam isso de vez em quando e nem nos apercebíamos. Mas não, mudaram os nomes, acrescentaram coisas só para complicar, sem necessidade justificada! Os complementos circunstanciais agora são os modificadores e muito mais coisas mudaram e tornaram-se mais complexas, sem necessidade nenhuma; não percebo nada; nem eu nem ninguém; vai ser horrível ter que reaprender imensas coisas de gramática, completamente diferentes/modificadas, com as quais já não conseguimos criar associações porque não sabemos o que são. E a minha professora insiste que não é necessário termos uma aula para nos mostrar tudo o que foi modificado: o que era x passa a ser o quê; mas que tudo se vai mostrando “sem pressas, quando surgir”. Estou completamente à toa, e o mais chato é que eu não quero isto para mim, nem para a minha língua, mas tenho que me adaptar na escola! Todos os meus colegas se sentem revoltados, ainda que uns mais que outros, mas sei que muitos vão acabar por se conformar. Mas eu sinto-me DESESPERADA por que isso não aconteça! Queria que tudo o que as pessoas acham viesse a público e mudassem isto! Que se fizessem ouvir! Meios de comunicação, manifestação, qualquer coisa! Só assim alguém nos ouve, infelizmente! (Visto que nem sequer nos requisitaram voto na matéria!) Não consigo conformar-me, não vou fazê-lo. A nossa língua é linda, das nossas maiores heranças, dos nossos maiores potenciais. Isto é um ATENTADO ao português! Eu queria muito assinar, mas não tenho mais de 18 anos por isso não tenho número de eleitor. Não haverá outra maneira de eu poder assinar?»
Comentário da estudante Maria, in «Assinar a I.L.C.», I.L.C. Contra o Acordo Ortográfico.


«As duas línguas ou a Grammatica Philisophica...», por Jeronymo Soares Barbosa, Coimbra, na Real Impressaõ da Universidade, 17...




Adenda: resposta do 1º Subscritor da I.L.C., em 30/9/2011 (ver em baixo).

Que é dele o padeiro?

Mota do padeiro, Av. dos E.U.A. (A.Pastor, 1960-69)
Mota do padeiro, Av. dos Estados Unidos da América, 1960-69
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Jardim

Jardim, Praça de Londres (A.Pastor, 1960-69)
Jardim, Praça de Londres, 1960-69.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Escritos de Eva

 
 Recebi da estimada leitora Eva uma florida medalha (muto obrigado!) e a incumbência de dizer seis ou sete coisas que aprecio. Já em tempo me calhou dizê-lo nas «Correntes da memória» e repeti-lo ao depois em «Seis coisas como elas são». Adapto agora o rol anterior ao jogo actual.
 Sete coisas que gosto: 1) dias longos e noites abafadas; 2) conservar hábitos; 3) limites à superprodução galopante (vulgo P.I.B.) de bens inúteis; 4) uso da linguagem com propriedade; 5) ignorar o telefone; 6) melão, no Verão. Acrescento mais uma: 7) a Lezíria do Ribatejo.

Campos da Barroca d' Alva, Alcochete - (c) 2010
Barroca d' Alva, Alcochete - (c) 2010.

 Preciso agora de passar o testemunho a seis blogos. Pondero meia-dúzia no rol aqui ao lado...

Lampadinha

lampadinha.jpg

 Sua Exc.ª o ministro Álvaro da Economia exprime-se com brilho: ouvi-o na telefonia dizer do aumento da electricidade para consumidores (30%) e para empresas (55%). Cuido, portanto, que quem acenda a luz seja um de dois, consumidor ou empresa. Tertium non datur.
 Que tamanho brilho não encandeie o último a sair...

(O Lampadinha é do Prof. Pardal e do Walt Disney.) 

Av. João XXI

Av. João XXI, Lisboa (A.Pastor, 1960-69)
Avenida João XXI, Lisboa, 1960-69.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Efeméride

« No dia 26 de Setembro de 1971 (domingo) a carreira 7 de autocarros é prolongada ao Cais do Sodré, passando a assegurar o serviço da carreira 16 e reforçando a oferta na Avenida Almirante Reis. A partir do Cais do Sodré a carreira circula pela Avenida Ribeira das Naus, Praça do Comércio, Rua da Prata, Rua do Comércio, Rua da Madalena, Largo do Caldas, Poço do Borratém, Martim Moniz, Rua da Palma e Avenida Almirante Reis, Rua Pascoal de Melo, Rua António Pedro e Rua Pereira Carrilho até à Avenida Manuel da Maia, de onde segue pelo percurso habitual até à Calçada de Carriche. No sentido inverso, a partir da Alameda Afonso Henriques circula pela Rua Quirino da Fonseca, Rua Alves Torgo, Rua José Falcão, Rua Francisco Sanches, Avenida Almirante Reis, Rua da Palma, Martim Moniz, Rua Dom Duarte, Praça da Figueira, Rua dos Fanqueiros, Praça do Comércio, Rua do Arsenal e Rua Bernardino Costa. »
C. Filipe, A minha página Carris [sublinhado meu].


Autocarro 7, Alameda, 1960
Autocarro 7, Alameda, 1960.
Fotografia do Museu da Carris, in 255 Preservation Group.

domingo, 25 de setembro de 2011

Heliporto Moniz

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Hemi-heliporto, Porto Moniz, 2011.

sábado, 24 de setembro de 2011

O VI.º Império

Nas palavras de Fernando Cristovão, 1986 é o ano que marca a nascença da lusofonia. A grandiosa lusofonia está, obviamente, acima da mera língua portuguesa.


Miguel Esteves Cardoso, «O Acordo Tortográfico», in Explicações de Português, 2ª ed., Assírio & Alvim, 2001, apud I.L.C. Contra o Acordo Ortográfico.




Condóminos da língua?!
Não há Google lusofonês (ainda). Medindo a grandiosa lusofonia com os Google possíveis temos: 



  • Páginas de Portugal (google.pt) – 1 470 000 6 530 000 (4/3/2012);

  • Páginas de Brasil (google.com.br) - 194 000;


A lusofonia é portuguesa. O português que fique para o Brasil.


 

 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Do machismo

 Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao género feminino.
Discurso da presidente do Brasil na Assembleia Geral da O.N.U., in O Planeta Osasco, 21/IX/11. (*)

Pois Dilma é do género masculino. Assim como «trolha».



Bairro da Madre de Deus, Lisboa (E.Portugal, 1944)
Bairro da Madre Padra de Deus; abertura de ruas, Lisboa, 1944.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.




(*) Note o benévolo leitor, se puder, o caso que faz este periódico brasileiro do famosíssimo Acordo Ortográfico.
(Verbete revisto.)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Faísca

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Cais do Sodré, Lisboa, c. 1960.
Fotografia do Museu da Carris, in 255 Preservation Group.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Prolongamento de percurso

« No dia 21 de Setembro de 1952 (domingo) a carreira 1 é prolongada, passando a servir o novo Bairro da Encarnação. A carreira segue pelo percurso habitual desde o Cais do Sodré até ao Aeroporto, seguindo depois pela Estrada de Sacavém [Av. da Cidade do Porto] até à Rotunda da Encarnação, onde passa a efectuar terminal.»
C. Filipe, A minha página Carris.


Autocarro 1, Rotunda da Encarnação, 1952
Autocarro 1, Rotunda da Encaranação, 1952.
Fotografia do Museu da Carris, in 255 Preservation Group.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Outono escreve-se com maiúscula

  Outono escreve-se com maiúscula, «Livro de Leitura da Segunda Classe.

« Hoje tive a primeira reunião de turma da minha filha mais nova, e disse à professora... aquilo que ela já sabia: o que ela ensinar à Adriana pela «via acordista» eu, depois, corrijo. O que, aliás, já aconteceu hoje, primeiro dia de aulas: ela disse às crianças que agora os meses e as estações do ano se escrevem (primeira letra) em minúsculas... e eu instruí a minha garota quanto à forma correcta. Praticamente todos os outros pais e encarregados de educação concordam comigo. Ficou a ideia de marcar uma outra reunião, com outras professoras, incluindo a responsável principal, do agrupamento em que a escola se insere. Mas esta é uma guerra que se afigura muito difícil...»

In Portugal dos Pequeninos, 16/9/2011.


 É guerra mais trabalhosa do que difícil. Um trabalho de Hércules. Todavia possível. Até lá é de ir fazendo a necessária guerrilha...
 Tenho ouvido relatos doutros pais contrariados com o absurdo cacográfico em que o governo prossegue, e que o manifestam, deseperados, aos professores. E ouço também que estes se reduzem ao rebanho assalariado e amorfo em que os tornaram, escusando-se a repudiar a ignorância das letras como bons mestres haveriam de fazer. Para agravar, há aí novos livros que, sem ser proscritos... são mal escritos.
 Comigo, livro escolar em mau português não haveria filho meu de ter que lhe não pusesse eu o devido quinau; a grosso e a vermelho para ficar bem visível. Cada emenda nos livros seria uma lição para professores que se apascentam mais pela cartilha administrativa do que se regem pela dedicação ao saber e à cultura. Em suma, aos imprestáveis.
 Isto podem todos os pais fazer já que os livros são seus.
 Não cuidem também, nem se deixem refrear por mentiras que correm de que a simplificação da escrita segundo o Acordo Ortográfico faz os meninos aprenderem melhor. Se assim fosse, os meninos brasileiros aprenderiam melhor as letras do que os portugueses, já que no Brasil não andam «atrapalhados» pelo «p» de «óptimo». Não deixe, benévolo leitor, pai ou encarregado de educação que lhe comam as papas na cabeça; procure o índice de analfabetismo em Portugal e no Brasil no programa da O.N.U. para o desenvolvimento de 2007/2008 e veja. O índice de analfabetismo do Brasil é o dobro do de Portugal. — E no Brasil até já se ensina que «nós pega os peixe» como sendo correcto! — Ora a prova, se precisa ela fosse, de que a ortografia dum idioma, qualquer idioma, nada tem que ver com o analfabetismo dum povo mede-se muito bem pelo francês e pelo inglês; em ambas as línguas a ortografia de farmácia segue o étimo grego pharmakeía (pharmacie – fr.; pharmacy – ing.), porém o índice de analfabetismo em França, na Inglaterra, no Canadá ou nos Estados Unidos é de menos de 1%. Quem há aí em Portugal que ache que um filho seu se haveria de baralhar para aprender a escrever pharmácia?
 O que vai dito vale o que vale e o Acordo Ortográfico está aí, é que que todos dizem. Mas não baixemos os braços. Se não há tino no governo nem nos professores contra o ensinar burrice às nossas crianças, o que sobra aos pais empenhados e encarrregados de educação honestos em Portugal é fomentar o talho da alarvidade (orto)gráfica através da divulgação e assinatura duma proposta de lei, concreta, redigida à margem de partidos, para revogação imediata do Acordo Ortográfico. A Iniciativa Legislativa de Cidadãos para esse fim segue em curso e cada vez recolhe mais assinaturas. Faz falta que todos assinem. São precisas 35.000 assinaturas para levar a proposta de lei à Assembleia. É muita assinatura para um país tão pequeno, um dos trabalhos de Hércules. Mas cada um de nós, por si, preencher e assinar um impresso não é tarefa tão hercúlea, afinal.


(Imagem do Livro de Leitura da Segunda Classe, in Santa Nostalgia.)

 


Adenda:

« Também sou contra o novo acordo e como docente não está a ser fácil! Ando sempre munida com um prontuário, porque não me entendo com a nova grafia! Mas de facto como professora sou mesmo "obrigada" a usar o novo acordo ortográfico. Como sou professora de Matemática, à partida não teria muitos problemas... mas tenho de ter atenção aos sumários! Peço é por favor que entenda o papel da professora da sua filha! Ela não tem culpa de que como professora, seja "obrigada" a usar a nova grafia! Nós não temos a quem nos queixar ou suplicar para [não] usar o novo acordo ortográfico. Por favor não trave uma luta com a professora da sua filha. Um professor estar colocado já é um milagre e por muito que se pense o contrário, trabalha-se muito na nossa profissão! Não crie um problema [...] à "minha" colega [...] »

Comentário duma professora em 21/9/2011, que diz do que se passa com os professores.
(Sublinhados meus.)

 

 Põe aspas em ser «obrigada», e bem: 1) até 2016 não é obrigada a nada nem mal lhe pode advir, especialmente na redacção dos sumários; 2) como professora de Matemática pode escudar-se justamente nisso, na Matemática, e escusar-se ao resto; 3) pode assinar a I.L.C. contra o acordo ortográfico; diz que é contra, já assinou?
 Por fim, a reclamação dos pais não é centrada na pessoa do professor, mas na Escola como instituição. Se são os pais contra um ensino errado, como agentes activos da educação dos filhos, natural é que reclamem, que se façam ouvir em toda a medida, e que a Escola através dos seus responsáveis faça chegar essas vozes ao ministério. Porque das duas uma: ou somos contra a burrice e queremos acabar com ela; ou somos complacentemente contra e então nada feito.

2.ª Adenda:

« Só lhe tenho a dizer que a minha escola é T.E.I.P. e como tal tem autonomia para decidir se quer ou não adoptar o novo acordo. A resposta é positiva [adoptou-o]! E a autonomia da escola também se estica à contratação de docentes! Não posso levantar "poeira" estando numa situação precária. E nós docentes cumprimos ordens, assim como os empregados duma empresa! E sim já assinei a I.L.C.! »

Tréplica da mesma professora em 23/9/2011.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Interlúdio pop


Buggles, I Am A Camera
(Adventures In Modern Recording, 1981)



Adenda:  
 
O Nuno tinha o disco. Comprou-o na papelaria lá da rua — o Jaime há-de lembrar-se, ele tem boa memória destas coisas. — Da cantiga, porém, não há-de haver muito quem se lembre, creio... (também a julgar pelo número de vezes que foi vista esta cópia no Tubo desde Agosto 2009: 308.)
 Eu lembro-me. Ontem vinha a ouvi-la de Salvaterra para cá. Tenho-a naquela série em que a seguir vem o Geno...
 ...
    ...


       ...
          ...
             ...
                 ...
                    ...
                        



Dexy's Midnight Runners, Geno
(1980)



(Uma banda que visivelmente não contribuía para o desemprego entre os jovens.)

Já não vale a pena chorar

 Costuma dizer-se que quem não chora não mama. Tenho para mim que a mama que se sabe da Madeira leva já carradas de anos, a medir pelas birras. Sucede que agora a teta da República secou a valer.

Casa do Zarco, Funchal, 2011
Casa do Zarco, Funchal, 2011.

domingo, 18 de setembro de 2011

O ocaso da ortografia

 Uma coisa que me sempre irritou nas Ciberdúvidas foi a mania de atirarem as consoantes etimológicas do português para dentro do burladero (parêntesis), a par dos acentos cricunflexos brasileiros (cf. Mictório, Ciberdúvidas, 27/10/2004). Tal exercício parecia-me que era escrever mal; nem escreviam português nem português brasileiro; e tal dejecto ortográfico (passe o termo) sucedia em páginas de esclarecer dúvidas de... português. Pois bem, com a maravilha luso-fôna da união da grafia do português pelo português brasileiro a cagada (desculpem o termo) não podia sair melhor. Confira s.f.f. o benévolo leitor a desdita em que nos lança o Acordo Ortográfico de 1990 (o tal já firmado que se torna imperativo de os portugueses acatarem, polos brasileiros não acatarem eles o que firmaram de livre vontade em 1945). No pelourinho dos «Abusados» da Casa Pia (Ciberdúvidas, 13/1/2004), a redacção é uma confusão pegada. É nisto que havemos de pastar durante anos. É ou não o fim da Ortografia (= recta escrita)?

Ciberdúvidas em mau português

Nota: claro que pelo português brasileiro a impor, o que vai a verde é o que se tem por incorrecto e o que vai vermelho o que se quer tornar português correcto.

Da moleza (ou dos espectadores com disfunção...)

José Diogo Quintela contra o acordo ortográfico


« Com a entrada em vigor deste A.O., desaparece a disfunção eréctil. O A.O. faz administrativamente num instante o que o Viagra anda a tentar fazer quimicamente há anos. De repente, os homens portugueses deixam de ser afectados por dificuldades na erecção. Agora, no máximo, são afectados por dificuldades de erecção. O que não parece assim tão grave: não só uma erecção sem o c, mais curtinha, parece logo menos pujante, mas também uma afectação tem ar de não maçar tanto. Até por causa disso os preservativos já não precisam de ser tão seguros. Basta-lhes ser um contraceptivo e chega.»


José Diogo Quintela, «Adeqúe o seu vocabulário», in Pública (suplemento do Público), 18/9/2011.





Nota: o tetraneto do 1º conde de Farrobo assinou há dias a I.L.C. contra o acordo (orto)gráfico.

sábado, 17 de setembro de 2011

Buraco na madeira

Buraco na madeira (c) Alexey Fursov
(Fotografia: Alexey Fursov, in Stockpodium.)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

«Vício da droga» muda de nome

 O Instituto da Droga e Toxicodependência (I.D.T.) vai mudar de nome e adoptar a designação de S.I.C.A.D. – Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos [?!!!] e Dependências.


Sol, 15/6/2011.



Aditivos e dependências.

Demência, ignorância, finis patria
Desisto.

Home' paje' do Sapo

Prezados srs.,


Sendo que vos noto tão pressurosos em abrasileirar o portal do Sapo, pergunto-vos se o vocábulo «homepage» é tupi ou se é simples gralha tipográfica nos regionalismos alentejanos home' e paje'.


Cumpts.

Do blogo Bic Laranja
(Enviado há 10 min.)



«Tapuias»,  Alberto Eckhout Krijgsdans


Dança dos Tapuias
Alberto Eckhout,  c. 1636-1644.
Óleo sobre tela, 168 x 294 cm, Museu Nacional da Dinamarca, Copenhaga.
(Via «Erro de Português», in Amadeu, Leandro e Claribel.)


 




Adenda:

Boa tarde[,]


Informamos que Homepage é designada como sendo Página Principal [ao contário, melhor dizendo], ou seja, é a página web principal ou de apresentação num sítio (site) da web. O site pode conter múltiplas páginas web, mas apenas uma será a homepage, ou home page.

Obrigado[,]
[Respondente identificado]
SAPO
(Sublinhados meus.) 



 Não deve ser alentejano, portanto.

 

Código 560, não é?...

made_in_china_.jpg

E dantes é que se podavam as mentes, pois...




Imagem do Último Nan Ban Jin.

Palhavã

 Lamenta-se (com razão) na Lisboa S.O.S. a demolição há poucos anos dum chalet do risco de Raul Lino. Era no quarteirão entre a Estrada de Benfica e o último troço da António Augusto de Aguar, à Palhavã. Salva a Clínica de S. Lucas e a casa gémea que se lhe encosta, a demolição nesse quarteirão foi de tudo o resto. Tudo. O resto... é zero. Nem o nome Palhavã restou. Apagaram-no até donde o haviam enterrado: da estação do Metro.  

Palhav%E3.JPG
Fotografia aérea do Bairro Azul e área adjacente (fragmento), Lisboa, 195…...
Mário de Oliveira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Do «naming» e do «branding»

 O sr. Paulo Araújo, que não é de cá, andava remotamente intrigado com o porquê da estação de metropolitano do Chiado se chamar agora Bluestation. Procurou a razão na Internete e achou:


«A insígnia constará de um conjunto de projecções decorativas desta estação, da responsabilidade da Dub Vídeo Connection, com grafismo assinado pela Partners. Nestas projecções poderão ser visualizados conteúdos organizados por categorias, integrados pela Mobbit Systems, como “News” (notícias de última hora), “To Do” (agenda lúdico-cultural da Baixa-Chiado PT Bluestation), “Useful” (informações como tempo e trânsito), “Fun” (informações sobre lazer), “Chiado” (informações sobre a zona do Chiado) e “Kids” (informações dirigidas para os mais novos).
« O naming e a exploração do branding serão continuados, materializando-se, numa fase posterior, a outras estações da rede do metropolitano.
»


 Mas — pergunta o sr. Paulo Araújo — porquê Bluestation?
 Não lhe sei responder.
 Apenas digo que se o «naming e a exploração do branding serão continuados», espero que os homeless achem useful pernoitar por lá e, já agora, que defequem no grafismo e urinem nas projecções decorativas. Bluestation será uma rica marca para o intenso perfume alfacinha expelido pelo Metro.


Bluestation (Genial Baba), Chiado (in Metropolitano de Lisboa)
(Imagem do Metropolitano de Lisboa.)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Contas do meu rosário



 Excepto a...
 Quantos sinais de trânsito com excepto a... haverá em Portugal? Uma vez disseram-me 100.000. Talvez 200.000. São estimativa, valem o que valem, mas para uma conta rápida servem.
 Imagine o benévolo leitor que mudar o excepto a... para brasileiro em todos os sinais de trânsito custa € 50,00 (€ 25,00 cada placa + € 25,00 a mão d' obra). Considere por agora só esta despesa e deixe outros custos... 
 Ora assim sendo, a conta simples a fazer é € 50,00 por sinal de trânsito, vezes 100.000 ou 200.000 sinais. Pois o resultado é cinco a dez milhões de euros. — Um a dois milhões de contos. — Só para os excepto a..., bem entendido. Sobram os novos letreiros da Direcção Geral dos Impostos, p.ex., postos há dois, três anos na fachada das repartições de finanças. Mais a restante ortografia que houver, a preços de mercado.
 Bem sei, é empreitada a diluir até 2016 segundo apregoa a atabalhoada regência do Acordo Ordtográfico; dá um a dois milhões por ano, uma gota no deficit, mas... sendo que abrasileirar o português era escusado — a escrita que temos serve bem, obrigado — um tostão que custasse seria sempre mais caro.


 


(A fotografia é de Manuel Campos Vilhena, do blogo H Gasolim Ultramarino, que espero me não me leve a mal usá-la nas contas do meu rosário. O verbete foi refundido às 10 da manhã de 13 de Setembro.)

O alavanqueiro

 Ouvi um na televisão a falar em desalavancar. O que é desalavancar? É quebrar uma alavanca dalgum mecanismo?
 Espera! O freguês também diz «alavancar». Cheira-me que mandou vir aquilo da América. Significa mover uma alavanca? Deve ser. Mas para dar impulso?... — Pois foi enganado. — Que homem mais ultrapassado, que se ainda serve de alavancas para dar impulso. Só a força que é precisa fazer!... Não sabe que ele agora a inovação não pára? Com a electrónica, o fly by wire, é tudo joysticks, touchpadsécrans tácteis, pelo que no mínimo produz-se implementaçãojamé se impulsiona. Ele devia era inovar e dizer buttonizar e desbuttonizar para tudo; para a economia, para a indústria, para as exportações, porque é tudo virtual também — pode actuar-se electronicamente. Agora alavancas!...

Estação de Campolide, Lisboa (M.Novais, s.d.)
Estação de Campolide
, Lisboa,[s.d.].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G..

De mosquetão e alabarda, sim. E bandeiras...

 Do pouco que conheço de Tomás Bueno, convenço-me que é inteligente, sagaz, e aprimorado na redacção do português. Tudo qualidades estimáveis e raras. Mas incomoda-se com o honrado patriotismo português a propósito do (des)acordo ortográfico, e ferra-o irreflectidamente de patrioteirice, como é hábito geral da esquerdalhada que polui, infrene, o devir.
 Escreve ele no livro das fuças:


 Pela internete afora, o que dá de português empunhando alabardas e mosquetões, desfraldando bandeiras de D. Dinis, escudos da Casa de Bragança, estandartes da Casa de Avis ou até brandindo escapulários com orações a D. Sebastião contra o Acordo Ortográfico não é brincadeira. Parece a T.F.P. [?]. Sou visceralmente contra essa palhaçada incompetente do A.O., mas patrioteirada me incomoda. No fim, os portugueses bons e decentes - que ainda são a grande maioria - vão acabar aderindo à reforma só pra não se misturarem com essa direitada patriota de pacotilha.


Bandeirantes

 A patrioteirice toca a todos; das bandeiras que tanto caipira agita desavergonhadamente para humilhação portuguesa, às mentirolas do Bichara por o disfarçar, ela anda aí. A cacografia bicharo-malakenha é produto de vaidadezinha particular de bandeirantes de má fé e um desserviço a todos. Mas nada disso invalida uma história de acordos não cumpridos pelo Brasil e agora esta reforma de pendor claramente abrasileirado. Depois de tratos quebrados sucessivamente, a cedência do justo à parte de mau trato é humilhação, há-de concordar. Pior quando uma humilhação assim é justificada com mentiras que ofendem a inteligência, inclusive por agentes portugueses. É uma humilhação a triplicar para um português honrado, há-de o meu amigo convir (abrasileiramento do português quando foi o Brasil que rompeu os tratos; justificações a fazer-nos passar por estúpidos; e traição descarada).
 O problema essencial da cacografia bicharo-malakenha é a porcaria que ela é, todos sabemos; e argumentos sérios contra não faltam, graças a Deus. Mas há um ditado que diz que «quem se não sente, não é filho de boa gente». E como não estamos a lidar com gente séria nem de boa razão, natural é que saiamos de mosquetão e alabarda.



(Imagem n' O mar do Poeta.)

Lisboa, c. 1908

 Cliché de Alberto Carlos Lima. À atenção do benévolo leitor...

Lisboa (A.C.Lima, c. 1908)

domingo, 11 de setembro de 2011

Feirão mediático (aquém do)

Nova Iorque, 1987 (in Sting, 'Englishman in New York, (c) A&M rcords)


 


Imagem: in Sting, Englishman in New York, (c) 1987 A&M Records.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Nuno Pacheco, director-adjunto do «Público»

Nuno Pacheco, jornalista Nuno Pacheco subscreveu a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação da entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990. Um acto muito digno e meritório que saúdo e agradeço penhoradamente (não desfazendo de todos quantos já assinaram).
 Não se perdia nada uma campanha declarada do «Público» a favor desta Iniciativa Legislativa de Cidadãos. O novo governo só dá mostra de fraqueza e inércia, e o «Público», como todo o jornal de referência, tem um dever de responsabilidade na comunidade que, já vimos, não enjeita. O que se vê por todo o lado é gente contra esta mosntruosidade linguística e, paradoxalmente, instituições resvalando para a demência acordita. Se os portugueses são tão geralmente contra o execrável (des)acordo (como bem se vê que são), como aceitar que p. ex. a R.T.P. (sustentada com dinheiro dos impostos) prossiga tão militante nesta afronta? Que sociedade será esta, em que as instituições se compõem por indivíduos que reflectem e pensam duma maneira e, ao depois, institucionalmente, o que se apresenta à comunidade é o exacto oposto do que os comuns pensam? Por certo são os donos do poder (os lordes) que se sobrepõem à vontade das pessoas em geral. Mormente usando as instituições públicas nacionais, o que será, em toda a linha, ilegítimo e imoral. Por conseguinte não fica mal nem será descabido o «Público» abraçar aqui a causa dum tão grande número de pessoas na nossa comunidade (e leia-se comunidade de língua portuguesa, onde Angola e Moçambique têm sensatamente vindo a evitar tão inútil quão dispendioso disparate). É uma causa pelo bem comum. Ora já vimos que a única forma que resta a nós portugueses para forçar os autistas órgãos de soberania nacionais a ouvirem a nossa vontade é propondo no Parlamento uma lei contra o estúpido Acordo Ortográfico pela via duma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, prevista na lei
 Apelo ao «Público» para que nos ajude na recolha de assinaturas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Do bem cavalgar todo o asno

«He de saber que o boo cavalgador deve concordar seu assessego [=à vontade no cavalgar], segundo ja disse, com a obra que a besta faz [...]» (*)





Evanildo Bichara: Acordo por dentro e por fora

 Uma cavalgadura de nomeada que dá pelo nome de Bichara ou algo parecido desembestou-se com mais umas milongas na defesa de... — Do que havia de ser, senão o covarde e estúpido abrasileiramento da grafia do português com que vermes intestinais e aleivosas criaturas que esvoaçam em torno da luz procuram amesquinhar o que resta de Portugal?
 No Dia OnlineO Acordo por dentro e por fora», 3/9/2011) escreve o parlapatão, curando dourar a lama:


« [...] Em poucas palavras, se pode dizer que o Acordo de 1990 participa de muitas das qualidades atribuídas à reforma de 1911, que alimenta as Bases do sistema de 1940 que, por sua vez, derrama seus bons frutos em nosso tão apedrejado Acordo de 1990. Quem se detiver a, pacientemente, comparar lição por lição as Bases de 1940 com as Bases de 1990 vai poder acompanhar, quase passo a passo, a mesma redacção, surpreender os mesmos exemplos...»


 Os mesmos exemplos... Com tão indigente decalque está justificado o descabido exemplo de «aflição» na Base IV do Acordo de 90, a tal que manda às urtigas as «consoantes mudas» porque os moucos acorditas as não conseguem ouvir; como se em 1990 ainda alguém escrevesse «afflicção» em português de 1911 e precisasse de ser acordado!...
 Mais adiante estriba-se na pronúncia (ou será purnúnsia) para sustentar a nova escrita unificado-facultativa:


« [...] o Acordo Ortográfico aconselhou não continuar com a dupla "Egito" e "Egipto", porque, grafias assim de uma mesma realidade da língua, já que ambas formas têm uma só realidade linguística, as pronunciamos da mesma forma [...] Mas, diante de facultatividades e realidades linguísticas diferentes, como "António" e "Antônio", "bebé" e "bebê", "acessível" e "accessível" [sic], entre tantas outras, não poderia fugir às duplas pronúncias [...] »


 E assim, para não darem as azémolas luso-fônas com os burrinhos na água por não saberem português vamos [haveríamos de] ter de encafuar no ridículo Egito toda a Egiptologia, seja obra de egiptólogos egípcios ou não, sem esquecer a Egipcíaca Santa Maria?!... Tarefa por demais inglória porquanto do Antônio do assentamento de Maria Preta, ao Zé António da Aldeia dos Trinta, não há-de haver palavra que em português não tenha duplas, triplas, óctuplas, ou mesmo mais pronúncias. A menos que sejem purividas algũas d'eilhas, como deveria ser aquele bicharesco e bárbaro «accessível», a coisa não se faz por menos.
 Este Bichara é uma cavalgadura, um mentiroso que já desmascarei aqui. Cabotino, não só ignora boçalmente a realidade do português fora do Brasil (erro que o manhoso Houaiss não cometia), como anseia em desepero de argumentos encarrapitar o trôpego acordo de 90 pela colagem à sempre enaltecida reforma de 1911.
 — Pois saiba, SUA CAVALGADURA, que nem a reforma ortográfica de 1911 foi a maravilha que se para aí diz (foi mero acto de afirmação de regime), nem nunca nela se propunha a supressão a esmo e a eito das consoantes etimológicas. Lesse vossemecê a lição de Gonçalves Viana, que foi seu relator, e saberia.
 — Instrua-se, sua besta! Aprenda! 


Consoantes mudas?!..
Gonçalves Viana, Ortografia Nacional, Livraria da Viúva Tavares Cardoso, Lisboa, 1904, p. 73.


 


 (E ainda se arroga o asno propor melhorias para as ortografias inglesa, francesa, espanhola, italiana e alemã.)
 




(*) Livro da Ensinança de bem Cavalgar Toda Sela, p. 49.
(Revisto às vinte para as onze.)

domingo, 4 de setembro de 2011

Rua do Garrido

 Bairro operário que Joaquim de Jesus Gonzalez Garrido (1874-1937) construiu na quinta do Bacalhau por concessão da câmara municipal em escritura lavrada em 14/10/1911. O prolongamento da Alameda de Dom Afonso Henriques da Rua Carvalho Araújo ao Alto do Pina, no início dos anos 40, levou à expropriação e demolição destas casas (n.ºs 1, 21 e 30 a 32 da Rua do Garrido). Receberam Maria de Lourdes Gonzalez Rey e marido, filha e genro de Joaquim Garrido, uma indemnização de 292 500$00 pela expropriação. A quitação do pagamento foi dada em escritura de 27/7/1942 por Joaquim Carlos Gonzalez Rey, irmão da Sr.ª D.ª Maria de Lourdes, na qualidade de seu procurador e do marido. O nome de Joaquim de Jesus Gonzalez Garrido perpetua-se no troço da rua de seu nome que não foi demolido, mas que também não foi edificado por si.

Rua do Garrido, Alto do Pina (E.Portugal, 1939)
Rua do Garrido (tomada da Calçada da Ladeira), Alto do Pina, Junho de 1939.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Pátio das Águias


« O Pátio das Águias ficava mesmo em frente ao cimo da Alameda D. Afonso Henriques. Havia um chafariz ao lado da entrada. A familia mais conhecida do Pátio das Águias era a dos jornaleiros. Não me lembro dos nomes dos pais (talvez o "Foge ao Vento") mas conheci os irmãos todos: o Manecas, o Adelino (o Lina dos juniores do Benfica) o Cabena, o Príncipe (que teve um café na Rua Capitão Roby) e o Totina (meu afilhado de casamento). Outra família conhecida eram os Chitas. Gente famosa como o Calé e o Mário Reis, excelentes jogadores de futebol. O Pesca (o Cruz do Benfica campeão europeu) também parava no Pátio das Águias, mas salvo erro morava na Rua do Garrido. A sede do Águias do Alto do Pina era na taberna, no prédio da Rua Barão de Sabrosa de gaveto com a Alameda. O Ricardo Ferraz, treinador de boxe do Sporting também era do Pátio das Águias, assim como os irmãos Paz que jogaram no Belenenses.»


Adriano Rui Ribeiro (2/9/2011), em resposta a Attenti Al Gatti (1/9/2011) na Quinta das Olaias.



Rua Barão de Sabrosa, Alto do Pina (A.J.Fernandes, 1964)
Rua Barão de Sabrosa, Lisboa, 1964.
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 Há-de ter sido o dito pátio das Águias nestas casas do tipo de vila operária ou, nas que lhe ficavam traseiras, com entrada pela Calçada da Ladeira diante da embocadura da primitiva Rua do Garrido? No «Projecto de Prolongamento da Alameda D. Afonso Henriques entre as Ruas Carvalho Araújo e Barão de Sabrosa», uma planta geral mostra o casario deste lugar disposto em torno dum tanque ou chafariz (o tal chafariz ao lado da entrada sr. Adriano Rui?). O nome «Pátio das Águias» não vem assinalado nas plantas, nem referências expressas a si achei na documentação que consultei. Lembro-me, porém, dalgures aí haver uma Quinta das Águias...

Prolongamento da Alameda (fragmento), Lisboa (J.P. Oliveira, 1937)
Projecto de prolongamento da Alameda D. Afonso Henriques entre as ruas Carvalho Araújo e Barão de Sabrosa, 1937, mapa 12.
João Paulo Oliveira et al., C.M.L./A.A.C, CMLSB/UROB-PU/10/012.


 Rua Barão de Sabrosa é designação moderna dada à azinhaga do Alto do Pina por deliberação da câmara municipal em 25/11/1892; em tempos mais rurais foi esta serventia chamada simplesmente azinhaga do Pina (cf. Filipe Folque, Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, C.M.L., 1856-58, mapa 7). Estendiam-se estas casas que davam aqui frente para a Rua Barão de Sabrosa além do prédio moderno que se lá vê (actual n.º 157). O varandim ao cimo das escadas que dão serventia às casas é (foi) marca viva da cota da velha azinhaga do Alto do Pina; o alinhamento e o alargamento da rua primitiva deu o desnível; há por certo outros casos pela cidade. Tal como pátios ou vilas operárias as há ainda hoje ao longo desta serventia, a saber: a vila Musgueira, no n.º 65, a vila Alegre, no n.º 101-A, e a vila Marques, no 110-112.


Rua Barão de Sabrosa no entroncamento da Calçada da Ladeira, Alto do Pina (A.J.Fernandes, 1964)
Rua Barão de Sabrosa, Lisboa, 1964.
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quinta dos Merceeiros

 Ou da Cerca. Ou do Saraiva. Isto é, quinta de Manuel Joaquim Saraiva, entre a Av. Almirante Reis (ou só desde a Heroes de Quionga?) e a Azinhaga (depois Calçada) do Poço dos Mouros. A casa da quinta suponho que fosse uma que ainda existe por trás do n.º 44 da Rua dos Heroes de Quionga (antiga Travessa do Caracol da Penha) e cuja morada cuido que seja hoje uma Via de Manuel Bernardes, 10. -- Ou talvez não... Se a via é do Manuel Bernardes, não há-de ser do Manuel Saraiva... -- A casa está de pé mas abandonada. Vê-se da Penha e, mais de perto, dum cotovelo do antigo Caracol da Penha (Rua Marques da Silva).
 Há notícia antiga de se ter construído em 1909 um pátio e uma rua particular ligando a Estrada do Poço dos Mouros à Travessa do Caracol da Penha (Heróis de Quionga), além da respectiva, embora provisória, ligação de esgôtos à Rua Conselheiro Moraes Soares; tudo nos terrenos de Manuel Joaquim Saraiva, e com cedência de terreno na dita travessa do Caracol da Penha também por um certo Pio Barral, talvez dono dalguma desanexação da quinta do Saraiva; quem sabe se do talhão de baixo, entre a actual Almirante Reis e a Heroes de Quionga -- mera conjectura. -- Os arruamentos rasgados (onde se contava a rua que veio a ser a de Sebastião Saraiva Lima) foram entregues à Câmara por um Joaquim Rodrigues Gadanho, não sei se proprietário, se empreiteiro [proprietário]; com certeza dono da obra mas, precisava de ver o [que] há no arquivo (C.M.L., A.A.C., CMLSB/UROB-PU/09/00337). [*]
 No Pátio do Saraiva, à Rua Sebastião Saraiva Lima [e na Vila Saraiva, à Penha] preserva-se hoje o nome da velha quinta: Saraiva. Por roda de 1908 via-se a quinta distintamente da rua... Conselheiro Moraes Soares; talvez onde fica hoje [ficou em tempos] a C.G.D.



BAR_000179.jpg
Penha de França tomada da Rua Conselheiro Moraes Soares, Lisboa, c.1908.
José Artur Leitão Bárcia, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



Nota: 
este verbete devia-o faz bom tempo ao prezado leitor Mário Cruz.


[*] Joaquim Rodrigues Gadanho era dono da Quinta do Manuel Padeiro, antiga dos marqueses de Soidos (ou de los Soidos, título espanhol), à Calçada ou Estrada do Poço dos Mouros e que abarcava as actuais ruas Jacinto Nunes, Sebastião Saraiva Lima e Carrilho Videira, entre o troço final do antigo Caminho de Baixo da Penha (Rua Dr. Lacerda de Almeida o Largo Alferes Francisco Duarte), a Rua Morais Soares e a dita Calçada do Poço dos Mouros. Era dono dum Casal do Alperche ou Quinta dos Alperces à Penha de França, salvo erro a quinta do Gadanho à Az. do Vale Escuro (Rua Dr. Castelo Branco Saraiva) onde abriu a Rua de Frei Manuel do Cenáculo e a construiu a Vila Gadanho, que subsiste e lhe perpetua o nome. Não descuro que fosse sua a Quinta do Paraíso, adjacente à do Gadanho pelo Poente, confrontando com o Caminho de Baixo da Penha. Justamente, Joaquim Rodrigues Gadanho morou no Caminho de Baixo da Penha, n.º 4, morada que também subsiste, embora como porta das traseiras dum prédio já do século XXI.

(Revisto em 8/8/15 e novamente revisto, e augmentado, em 30/1/21.)