Ou da Cerca. Ou do Saraiva. Isto é, quinta de Manuel Joaquim Saraiva, entre a Av. Almirante Reis (ou só desde a Heroes de Quionga?) e a Azinhaga (depois Calçada) do Poço dos Mouros. A casa da quinta suponho que fosse uma que ainda existe por trás do n.º 44 da Rua dos Heroes de Quionga (antiga Travessa do Caracol da Penha) e cuja morada cuido que seja hoje uma Via de Manuel Bernardes, 10. -- Ou talvez não... Se a via é do Manuel Bernardes, não há-de ser do Manuel Saraiva... -- A casa está de pé mas abandonada. Vê-se da Penha e, mais de perto, dum cotovelo do antigo Caracol da Penha (Rua Marques da Silva).
Há notícia antiga de se ter construído em 1909 um pátio e uma rua particular ligando a Estrada do Poço dos Mouros à Travessa do Caracol da Penha (Heróis de Quionga), além da respectiva, embora provisória, ligação de esgôtos à Rua Conselheiro Moraes Soares; tudo nos terrenos de Manuel Joaquim Saraiva, e com cedência de terreno na dita travessa do Caracol da Penha também por um certo Pio Barral, talvez dono dalguma desanexação da quinta do Saraiva; quem sabe se do talhão de baixo, entre a actual Almirante Reis e a Heroes de Quionga -- mera conjectura. -- Os arruamentos rasgados (onde se contava a rua que veio a ser a de Sebastião Saraiva Lima) foram entregues à Câmara por um Joaquim Rodrigues Gadanho, não sei se proprietário, se empreiteiro [proprietário]; com certeza dono da obra mas, precisava de ver o [que] há no arquivo (C.M.L., A.A.C., CMLSB/UROB-PU/09/00337). [*]
No Pátio do Saraiva, à Rua Sebastião Saraiva Lima [e na Vila Saraiva, à Penha] preserva-se hoje o nome da velha quinta: Saraiva. Por roda de 1908 via-se a quinta distintamente da rua... Conselheiro Moraes Soares; talvez onde fica hoje [ficou em tempos] a C.G.D.
Penha de França tomada da Rua Conselheiro Moraes Soares, Lisboa, c.1908.
José Artur Leitão Bárcia, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Nota: este verbete devia-o faz bom tempo ao prezado leitor Mário Cruz.
[*] Joaquim Rodrigues Gadanho era dono da Quinta do Manuel Padeiro, antiga dos marqueses de Soidos (ou de los Soidos, título espanhol), à Calçada ou Estrada do Poço dos Mouros e que abarcava as actuais ruas Jacinto Nunes, Sebastião Saraiva Lima e Carrilho Videira, entre o troço final do antigo Caminho de Baixo da Penha (Rua Dr. Lacerda de Almeida o Largo Alferes Francisco Duarte), a Rua Morais Soares e a dita Calçada do Poço dos Mouros. Era dono dum Casal do Alperche ou Quinta dos Alperces à Penha de França, salvo erro a quinta do Gadanho à Az. do Vale Escuro (Rua Dr. Castelo Branco Saraiva) onde abriu a Rua de Frei Manuel do Cenáculo e a construiu a Vila Gadanho, que subsiste e lhe perpetua o nome. Não descuro que fosse sua a Quinta do Paraíso, adjacente à do Gadanho pelo Poente, confrontando com o Caminho de Baixo da Penha. Justamente, Joaquim Rodrigues Gadanho morou no Caminho de Baixo da Penha, n.º 4, morada que também subsiste, embora como porta das traseiras dum prédio já do século XXI.
(Revisto em 8/8/15 e novamente revisto, e augmentado, em 30/1/21.)
Caro Bic,
ResponderEliminarMuito obrigado pela atenção.
A casa (a maior) ainda lá está. Abandonada, com os vãos das janelas entaipadas. O telhado creio que já não é o original. Consegue-se ver no mapa do Google ou quem sobe ao miradouro da Penha pode constatar. A mais pequena foi demolida para dar lugar ao edificado da Heróis de Quionga. Tenho uma pequena mania de comparar as fotos com o levantamento topográfico de Silva Pinto, para assim determinar o local onde o fotografo possa ter tirado a foto. Concordo consigo e acrescento que, eventualmente,Leitão Bárcia tenha entrado um pouco em terrenos da quinta, não tendo ficado pelo arruamento da Conselheiro Morais Soares.Pormenor na parte inferior da foto: as canas. Talvez para o feijão ou tomate? Quem sabe. Um pouco mais abaixo havia uma nora ou poço para o regadio da courela. Como era rústica esta Morais Soares!
Esta foto de Penha de França actual encontrei no panorâmio. Tirada mais ou menos na mesma linha, mas muito mais próxima.
ResponderEliminarhttp://www.panoramio.com/photo/17886348
É o chamado 'progresso'.
Cumprimentos a todos.
Se admira a casa desta quinta ainda existir, o ter telhado é quase um fenómeno. Pode o fotógrafo não ter-se adiantado pelo hortejo. Basta a lente ter pouco ângulo.
ResponderEliminarCumpts.
Telhados e antenas de TV são progresso, sem dúvida. Não dão é para uma saladinha para acompanhar com as sardinhas.
ResponderEliminarObrigado pelo termo de comparação. :)
Boa noite,
ResponderEliminarAlguma vez se cruzaram com informações do Palácio de São Gonçalo na calçada do poço dos mouros?
Estaria precisamente onde se abriu depois a Rua Sebastião Saraiva Lima
Obrigado,
A sua pregunta deixou-me curioso. Hei-de ver. Do que achar lhe direi.
ResponderEliminarObrigado!
Boa noite,
ResponderEliminarNo processo de autorização a Joaquim Rodrigues Baganho para a abertura de ruas em seus terrenos, encontrei a confirmação de que o casarão que surge na planta de 1911 (e nas anteriores até à de 1780), como sendo a Quinta do Manel Padeiro, era de facto o Palácio (provavelmente mais perto de uma casa senhorial do que de um palácio), dos Marqueses de Soidos, que lá nasceram todos, do 2º ao 5º.
A própria Calçada do Poço dos Mouros aparece como Calçada dos Marqueses de Soidos na planta 7 do Atlas do Filipe Folque.
Ora a minha pergunta é: Tem fotografias da Quinta do Manel Padeiro? Já encontrei duas em que se vê a Quinta do Saraiva, logo "do outro lado da rua".
Olá boa tarde, folgo em ver o asterisco deste artigo que complementa com a informação que lhe dei sobre os marqueses de soidos. Pelo para alguma coisa já serviram as minhas carolices! :)
ResponderEliminarVinha novamente com mais perguntas... tem notícia de a quinta do Saraiva, que realmente era a antiga cerca do convento da Penha de França, alguma vez se ter chamado quinta do Asilo de Santa Catarina? Sabe onde era esta quinta? Tem de ser por ali porque aparentemente confrontava a sul com a Quinta do Manel Padeiro (do Alcaide-Fidalgo, do Marquês de Soidos). Espero que o acesso ao registo predial da Quinta do Marquês de Soidos me traga mais elementos. O que encontrar, partilho!
Obrigado
Viva!
ResponderEliminarEstava para lhe responder lá onde me deixou recado ontem, mas ainda não revi o Roberto Dias da Costa.
Entretanto mostraram-me isto:
https://live.staticflickr.com/65535/52610388977_5428591fc0_o.jpg
É do «Livro das Plantas das Freguesias de Lisboa», 1756(?)/1768(?), na Tôrre do Tombo (cf. https://digitarq.arquivos.pt/details?id=3909706 ). Vai a fs. 76 do dito livro (imagem m166). Se vir, há duas grandes construções na Calçada do Poço dos Mouros. Infelizmente não adianta muito ao caso que me põe a descrição da freguesia de St.º André (f. 75; St.o André era o orago da freg.ª dos lugares de Arroios e Penha de França ao tempo; v. os comentários em https://biclaranja.blogs.sapo.pt/a-nova-praca-do-areeiro-1509870 ).
Obrigado eu de seu interêsse e das achegas que me traz aqui. Sempre fica menos árido o que vou pondo.
Peço-lhe só que me deixe rever o assunto. Arredei-me dêle e a minha cabeça já dá para mais.
Ano bom!
Desculpe só responder agora! Não recebi notificação. Obrigado eu pela resposta!
ResponderEliminarLá está a biblioteca/junta de freguesia e o casarão mais abaixo. Tenho andado à procura nos arquivos mas não apanho nada. Hoje descobri que a quinta do callado em 1926 aparece desenhada num processo de expropriação onde é a quinta das machadas na planta do silva pinto. Nessa planta do processo de expropriação por causa do alargamento da Morais Soares e do cemitério, aparece a quinta das machadas mas mais pequena.