| início |

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

De mosquetão e alabarda, sim. E bandeiras...

 Do pouco que conheço de Tomás Bueno, convenço-me que é inteligente, sagaz, e aprimorado na redacção do português. Tudo qualidades estimáveis e raras. Mas incomoda-se com o honrado patriotismo português a propósito do (des)acordo ortográfico, e ferra-o irreflectidamente de patrioteirice, como é hábito geral da esquerdalhada que polui, infrene, o devir.
 Escreve ele no livro das fuças:


 Pela internete afora, o que dá de português empunhando alabardas e mosquetões, desfraldando bandeiras de D. Dinis, escudos da Casa de Bragança, estandartes da Casa de Avis ou até brandindo escapulários com orações a D. Sebastião contra o Acordo Ortográfico não é brincadeira. Parece a T.F.P. [?]. Sou visceralmente contra essa palhaçada incompetente do A.O., mas patrioteirada me incomoda. No fim, os portugueses bons e decentes - que ainda são a grande maioria - vão acabar aderindo à reforma só pra não se misturarem com essa direitada patriota de pacotilha.


Bandeirantes

 A patrioteirice toca a todos; das bandeiras que tanto caipira agita desavergonhadamente para humilhação portuguesa, às mentirolas do Bichara por o disfarçar, ela anda aí. A cacografia bicharo-malakenha é produto de vaidadezinha particular de bandeirantes de má fé e um desserviço a todos. Mas nada disso invalida uma história de acordos não cumpridos pelo Brasil e agora esta reforma de pendor claramente abrasileirado. Depois de tratos quebrados sucessivamente, a cedência do justo à parte de mau trato é humilhação, há-de concordar. Pior quando uma humilhação assim é justificada com mentiras que ofendem a inteligência, inclusive por agentes portugueses. É uma humilhação a triplicar para um português honrado, há-de o meu amigo convir (abrasileiramento do português quando foi o Brasil que rompeu os tratos; justificações a fazer-nos passar por estúpidos; e traição descarada).
 O problema essencial da cacografia bicharo-malakenha é a porcaria que ela é, todos sabemos; e argumentos sérios contra não faltam, graças a Deus. Mas há um ditado que diz que «quem se não sente, não é filho de boa gente». E como não estamos a lidar com gente séria nem de boa razão, natural é que saiamos de mosquetão e alabarda.



(Imagem n' O mar do Poeta.)

12 comentários:

  1. Carlos Portugal12/9/11 14:21

    Caro Bic:

    Contra essa bicheira (ou Bichara?), apetecia era sair de metralhadora. Pesada. Ou então de insecticida desinfestante, tipo gás da mostarda (já que nos fazem chegar a mostarda ao nariz)... Como esta cambada nos apelida de «direitada», se calhar até apetecia arvorar outros estandartes...

    Cumprimentos.

    ResponderEliminar
  2. Caro amigo e vizinho deste grande bairro ou aldeia virtual que se tem vindo a tornar o portal dos blogs do sapo: este senho tão fan do aborto ortográfico se esquece que aqui nesta ditosa pátria lusitana, cujos feitos no caminho para a Índia foram cantados de forma invejosamente brilhante pelo Rei dos Poetas de seu nome Luís Vaz de Camões nunca leu de certeza textos escritos em português do Brasil e pensa que é só eliminando as letras mudas que muda tudo; é que no Brasil nas palavras que derivaram directamente do latim sem qualquer evolução as letras ditas mudas continuam aser escritas, em especial em vocabulário técnico. Exemplo: antes do aborto ortográfico a linha imaginária feita pelo Sol ao longo das 12 constelações do Zodíaco se escrevia elíPtica e no Brasil escrevem com P, mas em Portugal devido ao aborto ortográfico tiraram o P se esquecendo por pura estupidez que elíptica dervia da figura geométrica que dá pelo nome de elipse.
    Enfim há alturas nesta vida curta que nós humanos temos que mais vale ser de direita do que ser de esquerda, porque nem tudo é preto ou branco, é mais para o cinzento e quando é para defender a língua pátria temos que escolher o tom certo

    ResponderEliminar
  3. É assim que se fala. Contra factos não há argumentos.
    Porque com uma argumentação desta natureza, não vejo como contraditá-la. E se acaso o for, só por uma enorme dose de má fé.
    Parabéns!
    Maria

    ResponderEliminar
  4. Uma opinião pessoalíssima, para variar, apenas sobre este assunto e sem envolver a ILC.

    TRB é um brasileiro que sabe escrever. E muito bem, devo dizer. Além disso, TRB é um brasileiro que se manifesta publicamente contra o AO90. E muito bem, devo dizer também.

    Além disto, TRB viveu em Portugal e continua a passar por cá umas temporadas, volta e meia. Logo, conhece pelo menos razoavelmente - até porque é tradutor de ofício - o nosso país e quem aqui vive, além, é claro, de saber seu Português, em ambas as variantes, das quais aliás parece preferir a nossa, já que mal se percebe em qualquer dos seus escritos que é brasileiro o autor.

    Mas é mesmo brasileiro, claro. E ressente-se, o que me parece naturalíssimo, quando alguém pisa os seus calos nacionalistas, digamos assim, ou os seus brios patrióticos, para dizer melhor.

    Acho, por conseguinte, que é positivo ter na nossa causa comum um brasileiro, este brasileiro, sendo que este pode como outros podem trazer outros brasileiros para a dita causa. E acho também que ele não faz mais, quando verbaliza a sua revolta contra alguma xenofobia que por aí se vai vendo neste particular, do que aquilo que fazem alguns de nós outros pela mesma via e da mesma forma. Ou seja, TRB por vezes exagera na sua afirmação patriótica de brasileiro enquanto pretenderia apenas verberar exactamente a mesma coisa, em género e em grau, que observa e lê em alguns portugueses.

    O que acontece é isto, digo eu: quanto a TRB, como a outras pessoas do Brasil que apoiam a nossa luta, é bem melhor que se mantenha(m) do nosso lado do que se passe(m), chutado(s) à força de insultos xenófobos (que os há), ou para o campo do adversário ou para o da mais supina indiferença, o que neste caso viria a dar na mesma coisa.

    Não se trata aqui, é claro, de "ouvir e calar", muito longe disso, até porque não somos pessoas de, como se diz no Brasil, levar desaforo para casa. Trata-se tão somente de escolher o mal menor, isto é, alguma tolerância acrescida - a mesma que temos o direito de exigir em troca.

    Estou convicto, aliás, de que o próprio aceitará sem pestanejar os (justos) remoques a si dirigidos neste "post", já que nada do que aqui se diz é minimamente ofensivo ou sequer deselegante.

    E repito também aqui o que "pessoalmente" disse a TRB: desfraldar bandeiras de D. Dinis? Ora aí está uma coisa que não me rala nem um bocadinho. Vamos a isso! Já quanto aos demais instrumentos de escaramuça e alguns outros de esconjuro, bem, dada a sua evidente obsolescência, passo.

    João Pedro Graça

    ResponderEliminar
  5. Bic Laranja12/9/11 18:02

    Como o meu estimado João Pedro Graça não deixou de entender, tratei (aqui e lá onde bem sabe) de pôr os pontos nos ii. E outro tanto faz o João Graça em boa hora, aqui, ao esclarecer algumas leituras meias de viés que se possam vir a perceber. O prezado Tomás atirou um virotão cheio de efeito mas a léguas do alvo, que não era para a direita. Nem para esquerda. A contenda não é polítiqueira de esquerdas e direitas, embora haja de ser política, tal a natureza e necessidade da I.L.C.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  6. Bic Laranja12/9/11 18:04

    Vossemecê recentra o caso aqui muito bem, tal como eu centrei de modo veemente no meu verbete.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  7. Bic Laranja12/9/11 19:09

    É mais ou menos isso. O tom deve ser o da honradez pela verdade. E da esquerda à direita onde se há-de achar?
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  8. Bic Laranja12/9/11 19:10

    Generosidade sua. Obrigado!

    ResponderEliminar
  9. Bic Laranja12/9/11 19:25

    O Tomás Bueno está connosco. Cuido tê-lo convencido nos seus próprios termos que direita ou esquerda não vêm ao caso.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  10. Carlos Portugal13/9/11 18:51

    Ainda bem. Bom trabalho, Caro Bic!

    Cumprimentos.

    ResponderEliminar
  11. Quanto a nacionalismo, tenho visto o brasileiro, que lá é de direita e de esquerdas e teve expressão na orografia. Vd. REFORMA ORTOGRÁFICA E NACIONALISMO LINGÜÍSTICO NO BRASIL do Prof. Maurício Silva (USP) (http://www.filologia.org.br/revista/artigo/5(15)58-67.html )
    E também com relevância, http://members.fortunecity.com/prgalvao/Projetosoitocentistasdeortografia.htm
    onde podemos encontramos isto, entre muito mais: Deste modo, o Systema de Orthographia Brazileira (1880) proposto por Paranhos da Silva tinha em vista transcrever a fala brasileira, correspondendo, portanto, a um nacionalismo linguístico, já anteriormente traduzido na literatura de estro romântico, entre 1840 e 1880, pela inserção de "indigenismos" nas obras dos autores (José de Alencar, por ex.) que pretendiam criar uma expressão brasileira, diferenciadora da língua e literatura do antigo colonizador.16 Na sua reivindicação da autonomia linguística do Brasil, Paranhos da Silva chega ao ponto de entroncar a "língua brasileira" no castelhano17 e de refutar o enraizamento do "brasileiro" no português, assunto de que se ocupa longa e repetidamente, quando diz

    O brazileiro, porem, que é uma pequena moficasão do portuguez ãtigo e tão pôco dialéto dele em razão dos neologismos indijenas e africanos (...) é scientificamente falando, o mesmo dialeto castelhano empregado ãtigamente em Portugal. por consequencia, não se pode com sereiedade afirmar que em relasão a o castelhano, isto é, tomãdo se dialéto em sua acsepsão sientifica, seja o brazieleiro o mesmo dialéto que o galiziano moderno ou portuguez atual. (...) Alem disto, os portuguezes ilustrados reconhecem que o brazileiro não conforma cõ as regras da gramática de portugal, e dizem que o brazileiro não é «curréto» (Questões de Lingoística, 1882, p. 12,15).

    Sobre nacionalismos, parece que começou no Brasil e a acusação de xenofobia aos portugueses, caso não engulam o acordo que, julgam eles, os ajudará a conquisrar a tão ambicionada cadeira permanente do conselho de segurança da ONU - uma ideia fixa da política externa brasileira.
    Aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u467609.shtml
    E aqui, como o CPLP funciona ao serviço dessa ambição brasileira: http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/politica/2011/6/29/CPLP-realca-importancia-grupo-internacional-contacto-para-Guine-Bissau,32849bbb-3de0-4b5f-ae47-497172a24e83.html

    Também por aqui se vê a extraordinária pretensão do português língua oficial e as dimensões e extraordinário alcance que lhe atribuem:
    «Ao longo de décadas, desde a época da luta contra o apartheid e pela independência da Namíbia, venho advogando a inclusão do português como língua oficial da ONU. Creio que é hora de o movimento social organizado encampar essa proposta, no intuito de possibilitar a milhões de atores da sociedade civil no mundo uma participação efetiva nos eventos internacionais. Nesse sentido, uma articulação com os outros povos de língua portuguesa, vários deles africanos, pode ter início nessa 3ª Conferência Mundial contra o Racismo. A recente adição da língua árabe ao rol dos idiomas oficiais da ONU demonstra que a inclusão do português não é impossível. Depende da mobilização política dos povos interessados a nível internacional.»

    Ao pé disto, que me parece muito nacionalista, megalómano e delirante mas que não parece incomodar o Sr. Bueno, onde está o patrioteirismo dos pobres portugueses?







    ResponderEliminar
  12. Todos esses delírios parecem fascinar certos dementes por cá, infelizmente, apenas e só porque carreiam o idioma português. Triste ilusão de burros atrás duma cenoura, que continuam alegremente, mesmo depois da marosca se desmascarar em lusofonia. Seria curioso saber quantas vezes ocorre este estúpido neologismo no Brasil e em Portugal e comparar a proporção disso face aos habitantes de cada um dos lados.

    ResponderEliminar