«O sr. D. Carlos tambem hontem não assistiu á tourada no Campo Pequeno. (Dos jornaes). |
— Está aqui tudo? Brito Camacho, Ao de Leve, Guimarães, Lisboa, 1913, pp. 60-62.
Fotografia: A.N.T.T., O Século, Joshua Benoliel, lt. 09, cx. 04, neg. 10. |
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Da cambada...
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Além do fim do mundo
(Dos jornaes). |
— Muito interessante a festa, não é verdade? Brito Camacho, Ao de Leve, Guimarães, Lisboa, 1913, pp. 63-65.
Fotografia: A.N.T.T., O Século, Joshua Benoliel, lt. 8, cx. 10, neg. 4. |
domingo, 29 de janeiro de 2012
Gatos de alfândega
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« O governo resolveu supprimir todas as gratificações por serviços extraordinarios. (Dos jornaes). |
Iam alli implorar a protecção de S. Ex.ª. Brito Camacho, Ao de Leve, Guimarães, Lisboa, 1913, pp. 84-88. |
sábado, 28 de janeiro de 2012
Casa Sonotone (finalmente!)
Até aqui era mal de ouvido. A gente queixava-se da asneira, bradava sonoramente contra o engano e parecia tudo surdo. Depois agora, com a «promiscuidade gráfica a campear», como tão apropriadamente diz o meu correspondente que em boa hora me enviou esta imagem, parece que alguns começam a ver a asneirada cacográfica com que apedrejaram a nação que os elege. Por certo foram a alguma loja do Grupótico à procura de óculos com que pudessem ler a vergonha gráfica dos diários da Assembleia e da República e vai daí, ledo engano, saiu-lhes uma prótese auditiva. — Olha! Melhoraram das otites; soa que alguns do meio do Atlântico já ouvem, finalmemte, as consoantes «mudas».
Deputados do P.S.D./Açores na Assembleia da República defendem Aplicação do Acordo Ortográfico deve ser suspensa em Portugal
Os deputados do P.S.D./Açores na Assembleia da República pretendem saber se o Acordo Ortográfico vai ser suspenso em Portugal.
Num documento remetido ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, os deputados Mota Amaral, Joaquim Ponte e Lídia Bulcão referem que «agora que a aplicação do Acordo Ortográfico se tornou obrigatória nos documentos oficiais, vai surgindo com evidência o empobrecimento da língua portuguesa dele decorrente» [...]
(in Diário Insular, 28/1/2012, apud I.L.C.A.O.. Sublinhado meu.)
Fotografia gentilmente cedida pelo sr. Alves Pereira.
Pais contra a cacografia no ensino
Já avisou na escola que não deixa a filha aprender as normas do Acordo Ortográfico. E acredita que a lei está do seu lado
Um pai está a tentar impedir que a filha de oito anos aprenda Português com as novas regras do Acordo Ortográfico (A.O.). «Já falei com o professor e expliquei à directora que não aceito que ela seja ensinada assim», explicou ao SOL José Manuel Bom, que acredita que o A.O. não está em vigor. «Nada revogou o decreto-lei de 1945 que define as regras da ortografia que usamos», defende o consultor, que ainda não obteve da escola qualquer reacção. «Até ao momento, ainda não tive resposta». De resto, o SOL tentou também sem sucesso ter uma resposta do Agrupamento de Escolas Eugénio dos Santos, em Lisboa, que não fez qualquer comentário.
Pais à procura de apoio jurídico
José Manuel Bom acredita, contudo, que não está sozinho. «Há na internet vários pais que anunciam em blogues que não querem os filhos a aprender regras absurdas», conta o encarregado de educação que se queixa de não perceber a forma como a filha pronuncia as palavras escritas com a nova ortografia. «Há palavras que ficam irreconhecíveis. Por exemplo: deixa de haver uma maneira de diferenciar para’ e ‘pára’, porque o acento do verbo desaparece».
Já a resistência por parte dos professores pode ser muito mais difícil. «Têm-me chegado denúncias de professores que anunciaram que não iriam aplicar o Acordo e que, por isso, começaram a ter as piores turmas e os piores horários e a ser alvo de verdadeiras perseguições por parte das direcções», revela João Pedro Graça.
O Ministério da Educação e Ciência (M.E.C.) assegura, contudo, não ter conhecimento de qualquer situação em que pais se estejam a recusar a que os filhos estudem com a nova ortografia.
Margarida Davim, «Resistentes ao acordo ortográfico», Sol, 27/1/2012, apud I.L.C.A.O..
Acabei de remeter ao gabinete do Exmo. Sr. Ministro Crato um recado com esta notícia. Para já, o Ministério da Educação não pode continuar a assegurar não ter conhecimento de qualquer situação em que pais se estejam a recusar a que os filhos estudem com a nova ortografia. Depois exorto todos os Pais e Encarregados de Educação a reclamarem directamente a S. Exc.ª o Sr. Ministro Crato para que ele aja, como é de seu dever.
(Prima na imagem. RECLAME!)
Reclamação - 01912002578
Prezados srs.,
Recebi V/ carta de 23/1/2012 sobre seguros de vida. Extensa, e redigida nessa grafia manhosa que o Conselho de Ministros e a Assembleia agora recomendam por meio de duas resoluções. Ora nenhuma resolução do governo ou da Assembleia se sobrepõe legalmente a decretos-lei em vigor, logo a ortografia portuguesa não pode deixar de ser a do Decreto n.º 35.228 de 8/12/1945, com as alterações do D.L. 32/73 de 6/2 (*).
Exposto isto, acrescento-vos: nada do que me chegue redigido nessa cacografia crioula que pretendeis crismar como português me é legível. Tropeço nos erros e um asco incontrolável tolhe-me toda a leitura. Por conseguinte não me escrevais mais desta maneira ou vereis rejeitada a v/ correspondência.
Cumpts.
[Cliente muito bem identificado]
De: CGD Espaço Cliente
[cgd.espaco.cliente@cgd.pt]
Enviado: sábado, 28 de Janeiro de 2012 12h54
Para: [Cliente muito bem identificado]
Assunto: Reclamação - 01912002578
Exmo(a) Senhor(a) [Cliente muito bem identificado],
As exposições dos nossos Clientes merecem-nos toda a atenção e são entendidas como um meio privilegiado para identificar oportunidades de melhoria que permitam aumentar a qualidade do serviço prestado pela Caixa. Neste contexto, agradecemos o seu contacto, registado com o número - 01912002578, a que responderemos com a maior brevidade. Esta referência pode ser utilizada em futuros contactos.
Com os melhores cumprimentos,
Gabinete de Apoio ao Cliente
Nota: Por favor não responda para esta caixa de correio electrónico, que se destina exclusivamente ao envio de mensagens.
Caixa Geral de Depósitos
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Diz a S.I.C. que adoptou o Acordo Ortográfico, não foi?
Jornal da Noite, S.I.C., 27/1/2012.
Via mural de «'Tá bonito» no livro das fuças.
O mecânico de aviões Lobato
O mecânico Lobato põe em movimento a hélice do avião n.º 30.
O mecânico Lobato, [Vila Nova da Rainha?], 1934.
A.N.T.T., Arquivo do Jornal O Século, ref.ª PT/TT/EPJS/SF/001-001/0031/2247I.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Os críticos inteligentes
« Os criticos intelligentes que accusaram O CRIME DO PADRE AMARO de ser apenas uma imitação da FAUTE DE L'ABBÉ MOURET não tinham infelizmente lido o romance maravilhoso do snr. Zola que foi talvez a origem de toda a sua gloria. A semelhança casual dos dois titulos induziu-os em erro.
Com conhecimento dos dois livros, só uma obtusidade cornea ou má fé cynica poderia assemelhar esta bella allegoria idyllica, a que está misturado o pathetico drama d'uma alma mystica, ao O CRIME DO PADRE AMARO que, como podem vêr n'este novo trabalho, é apenas, no fundo, uma intriga de clerigos e de beatas tramada e murmurada á sombra d'uma velha Sé de provincia portugueza.
Aproveito este momento para agradecer á Critica do Brazil e de Portugal a attenção que ella tem dado aos meus trabalhos.
Bristol, 1 de janeiro de 1880.
Eça de Queiroz
(Nota da 2.ª edição)
Eça de Queiroz, Crime do Padre Amaro (Scenas da Vida Devota), 4.ª ed., Porto, Livraria Chardron, 1901.
Isto a propósito de algumas bojardas...
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
«Portugal devastado pelas agoas. Os temporaes de dezembro»
Rua de Cascaes em Alcantara, Lisboa, 1910.
A.N.T.T., O Século, Joshua Benoliel, cota desc. 018.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Mãi
Há uma reforma ortográfica que é a da «mãi» (Portaria 7:117, Diário do Govêrno n.º 126/31, I.ª Série, de 27 de Maio — cf. § 5.º). Para irmos ao encontro do Brasil...
Quem leia de Machado de Assis as «Histórias Sem Data» (Rio de Janeiro, B. L. Garnier, 1884) encontra lá quási um quarteirão de «mãis», dois pares e meio de «mamãis» mais ou menos bradadas (— «Mamãi, mamãi», bradou Ernestina entrando na saleta) e, para compor, meia dúzia de «mães».
Ontem entrevi a «boa Mãi» de José de Alencar quando lia «Como e porque sou um romancista» (Rio de Janeiro, B. Leuzinger & Filhos, 1893); a boa senhora «assistia ao preparo de chocolate com bolinholos, que era costume offerecer aos convidados por volta de nove horas» — vem a pp. 18 e merece o episódio relatado um aparte, tem graça e valor histórico.
« Uma noite por semana, entravam mysteriosamente em nossa casa os altos personagens filiados ao Club Maiorista de que era pesidente o Conselheiro Antonio Carlos e Secretario o Senador Alencar.
Celebravam-se os serões em um aposento do fundo, fechando-se nessas occasiões a casa ás visitas habituaes, afim [sic] de que nem ellas nem os curiosos da rua suspeitassem do plano politico [antecipar a entrega do governo a D. Pedro II], vendo illuminada a sala da frente.
Em quanto deliberavam os membros do Club, minha boa Mãi, assistia ao preparo de chocolate com bolinholos, que era costume offerecer aos convidados por volta de nove horas, e eu, ao lado com impertinencias de filho querido, insistia por saber o que alli ia fazer aquella gente.
Conforme o humor em que estava, minha boa mãe ás vezes divertia-se logrando com historias a minha curiosidade infantil; outras deixava-me fallar ás paredes e não se distrahia de suas occupações de dona de casa.
Até que chegava a hora do chocolate. Vendo partir carregada de tantas gulosinas a bandeja que voltava completamente destroçada; eu que tinha os convidados na conta de cidadãos respeitaveis, preoccupados dos mais graves assumptos, indignava-me ante aquella devastação, e dizia com a mais profunda convicção:
— O que estes homens vem fazer aqui é regalarem-se de chocolate.»
Adiante. Tornando à «boa Mãi» de Alencar em menino, o seu humor parece que se reflecte também na escrita do autor: Mãi/mãe.
Com isto, não chegando a mães-de-santo nem nada que o valha, podia cuidar eu ainda assim, serem as «mãis» mais tropicais do que reinóis quando, já não sei por que estranho acaso, abri «O Crime do Padre Amaro» (4.ª ed., Lello, Porto, 1901) e li:
« — Adeus Ruça! estás magrinha: pega-te com a Senhora Mãi dos Homens.»
É na página 70.
Diogo Bernardes, Varias Rimas ao Bom Jesus, e á Virgem Gloriosa Sua Mãi.., Lisboa, 1770.
(Biblioteca Nacional de Lisboa http://purl.pt/181/3/)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Subsídio de férias!
O desembarque de caixotes com ouro destinado ao Banco de Portugal, Porto de Lisboa, 1937.
A.N.T.T., Dp6/Sl1/Arm1 (O Século, 31/3/1937).
domingo, 15 de janeiro de 2012
Adéga Regional
Adega não leva acento. Não me lembro já em que livro (há-de ter sido naquela época em me deleitava a descobrir, fascinado, grafias antigas em velhos alfarrábios a que ia deitando a mão, coisa lá da segunda metade dos anos oitenta) aprendi que os antigos diziam adêga, tal como também diziam côche. Cousa de que os modernos já nesse tempo haviam perdida a noção... — Em boa verdade estas cousas não são tão lineares mas recorda-me de que eu e um camarada da demanda destas novidades antigas, naquele tempo, simplificávamos assim e orgulhávamo-nos de recuperar assim a esquecida prosódia, se possível a par duns quantos arcaísmos. Os antigos sabem sempre melhor, era a noção implícita que tínhamos, e corrigíamo-nos certas vezes quando o hábito de dizermos adéga e cóche aflorava naturalmente sobrepondo-se ao que descobríramos ser o melhor português. Erudito que nos ouvisse havia de ficar impressionado com tão ecléctico alardear de meros rapazolas. E os comuns só ganhavam em nos ouvir.
Esta vaidade imberbe havia de ter dado em vergonha mais tarde, quando ganhámos o hábito de veranear por Colares...
Adega Regional, Colares, 1937.
O Século (29/3/929), in A.N.T.T., PT/TT/EPJS/SF/001-001/0042/0395L.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Ál-var-o
 — « É importantíssimo fazermos as reformas laborais que tróica determinou.»
Se não foi isto anda perto — o que o ministro (?) Álvaro disse na televisão.
 Tão desgraçada sujeição dum ministro de Portugal, fosse ele reflectido e houvesse um mínimo de brio, não na haveria nunca de revelar assim diante das câmaras. Agora, quando a esperteza nem para aprender a estar calado dá, imaginai só que trabalho acabará por produzir...
(Imagem do Álvaro a fazer de ministro na página da comissão liquidatária.)
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Da fuga de capitais
A polícia da saúde
Agenda cultural da câmara
Cara [Correspondente],
Repare no texto (7.ª linha):
«[…] prostituição nas ruas realiza-se na terceira terça-feira de cada mês e tem encontro marcado às 10h30 no café A Brasileira.»
Ainda continuei a ler até às «arquiteturas» mas confesso que tais arqui-preeminências aliadas ao texto anterior me intimidaram um tanto.
De toda a forma obrigado pela agenda.
Cumpts.
[Do blogo Bic Laranja]
De: [Correspondente identificada]
Enviado: 13 de Janeiro de 2012 11:14
Assunto: Azulejos em Lisboa
(Agenda cultural da C.M.L., 13/I/12.)
Dois estúpidos e seu povo
« A 12 de janeiro de 1759 foi proferida a sentença, e, n'essa noite sinistra, á luz dos archotes, os operarios martellavam o cadafalso. As pancadas dos martellos ouviam-n'as os infelizes condemnados, reunidos todos n'uma casa do palacio de Belem. A marqueza, D. Leonor Tavora, tinha sido conduzida, do convento das Grillas para Belem. Ahi se juntáram todas as victimas do odio dos dois estupidos. Pela madrugada já o povo enchia a praça e os logares d'onde se podesse contemplar o horroroso supplicio.»
Manoel Caldas Cordeiro, «O Marquez de Pombal (Folheto para Poucos)», Porto, A. J. da Silva, 1890.
Demonstração do Teatro em que depois de justiçados os Reos... Anónimo, c. 1759-60.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Do furo jornalístico
Não há agora dia em que a imprensa não descubra um maçon. Trabalho fastidioso e de pouca novidade. Notícia seria porventura darmos aí um pontapé numa pedra sem sair um maçon de baixo, muito embora furo jornalístico de nomeada fosse achar um jornalista maçon.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
A ponte aérea
« No dia 28 de Agosto de 1975 apresentei-me, como Co-Piloto de Boeing 747, nas Operações da TAP para fazer mais um voo da Ponte Aérea.
Neste caso: Lisboa / Luanda / Nova Lisboa / Luanda / Lisboa. Já à saída de Lisboa se notava um ambiente estranho entre a tripulação (reforçada): havia um grupo que parecia saber de coisas que viriam a acontecer e mais ninguém sabia.
Os outros interrogavam-se, notando a ligação ao Partido Comunista daquele grupo sabedor de coisas...
A pouco e pouco, até Luanda, percebeu-se do que se tratava, sem que os 2 Comandantes tivessem sido avisados da alteração "programada" (à revelia) do propósito inicial do voo a Nova Lisboa: recolher civis Portugueses e trazê-los para Lisboa.
E o que se tramava era nem mais nem menos do que deixar em terra, em Nova Lisboa , os Portugueses e levar para Luanda os militares do M.P.L.A., em perigo dado o apertar do cerco à cidade pela UNITA.»
Gabriel Cavaleiro, «A Ponte Aérea de 1975; um episódio», in Rio dos Bons Sinais, 7/IV/2011.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Compro o que é malaguenho
Dantes havia a alfândega. O preço dos bens importados era nivelado com os produzidos em Portugal, o erário obtinha boa receita, a indústria nacional não falia à primeira, o estado poupava em subsídios de desemprego e os tribunais não se perdiam a gerir falências. Perdiam os marketeiros subvencionados com impostos extraordinários por um governo evangelizador de massas sobre que o nacional é bom. Ora as massas sabem sem evangelização nenhuma que bom, bom, é poderem comprar. E para isso convém as massas haverem rendimento, nem que seja do trabalho.
Ao quarto dia dos idos de Janeiro uma formidável empresa do estado português — o que subsidia a catequização geral sob o lema compro o que é nosso — distribuiu (ou alocou, chiquerrimisticamemte dizendo) agendas ao pessoal. As tipografias malaguenhas rejubilam (clique na bola amarela).
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Da cultura
Não percebi o incómodo jornaleiro hoje com umas ordinarices nas catacumbas da bola. E ouvi que o Ministério Público se pôs em campo. Perde-se tempo com cada uma!...
Bach, Concerto de Brandeburgo n.º 6 em Si bemol maior - 3.º (allegro).
(Karl Richter, Orquestra de Bach de Munique.)
O rei bai nu
« Seis de janeiro de 1832. Manhã chuvosa e frigidissima. O zimbro rufava nas frestas envidraçadas da egreja de Santa Maria de Abbade. Ringiam as carvalheiras varejadas pelo norte. Ao arraiar do dia, a devota dos Tres Reis Magos, a tia Bernabé, tecedeira,—viuva do operario Bernabé, que lhe deixára o nome e uma cabana com sua horta — ergueu-se, foi á residencia parochial pedir a chave da egreja; e, sobraçando a bassoura de giesta para barrer o chão, e a almotolia para prover as lampadas, entrou no adro. Ao passar em frente da porta principal, ajoelhou, persignou-se e orou. N'este momento, ouviu o vagir convulso e rispido de criança.»
Camillo Castello Branco, «O Commendador», in Novellas do Minho, v. I, 2.ª ed., Lisboa, Parceria A.M. Pereira, 1903, p. 83 (sublinhado meu).
Uma «bassoura» só pode ser para «barrer»... Liberdade literária talvez esquecida, mas não interdita; liberdade prosódica como determinante ortográfica vedada até aqui, legitimada agora pelos murcons Bichara & Malaka mai-lo competentinho Diário da República... E já agora que falo de leis, há alguém reflectido que me explique (sem implícita ou explicitamente perpassar pingo do conceito de colonialismo no que venha a dizer) o senso dum tratado internacional ratificado por três estados imperar na ordem jurídica de oito nações soberanas; ou, limitando-nos ao Direito português, como pôde uma resolução (e não uma lei) dos deputados à Assembleia revogar um decreto-lei.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Deputado maçon investiga superespião maçon
A ver se entendi bem...
Os jornalistas andam a dizer que um deputado investigador é tão maçon como o super ex-espião investigado. O filme parece ao contrário, mas não é bem isso. O deputado respondeu que os jornalistas sabem mais da maçonaria do que ele. Não negou. Disse que os jornalistas sabem mais da maçonaria do que ele.
Pois é! Calhando sabem... Ou, como dizia o cigano, isto agora é tudo uma raça pegada.
(Imagem da Internete. Verbete revisto às dez para o meio-dia de 4.)
Ai as otites!...
« Uma circular informativa do Infarmed esclarece que os titulares de Auctorização de Introducção no Mercado (A.I.M.) teem de implementar o Accôrdo Orthographico da Língua Portuguesa na informação dos medicamentos, como o Resumo das Características do Medicamento (R.C.M.), o folheto informativo e a rotulagem.»
Accôrdo Orthographico applicado a partir de hoje nos documentos officiaes. Fonte: Lusa [Brasílica], 1/I/2012 (a graphia original foi corrigida segundo o exemplo dos melhores auctores).
Hoechst Portuguesa, Av. Duque de Ávila, 196...
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Um cartoonista espectacular
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Da forma de certos recados
Segundo o Rui da D.ª Esperança e o Beto dos cabacinhos, era eu pequeno, havia a Húngria - às vezes calhavam uns desafios de bola com os húngaros (e talvez daqui a Húngria) nas quartas-feiras europeias. Ao depois, no liceu, houve o império austro-húngaro, mas fracturou-se.
Pois a Hungria soou-me que fez agora uma Constituição anti... fracturante. Uma que não admite qualquer par de jarras abortar o instituto do casamento nem permite o propriamente dito aborto, se bem ouvi na Emissora às seis da tarde, e ao depois às sete. Há também, parece, que uma menção a Deus...
Estas são daquelas notícias em que se pressente o tom agoniado dos noticieiros. Tanto que ensaboaram logo os húngaros (e a nossa mente) com o comissário Barroso mais a secretária Clinton que com saliva e cuspo espumaram preocupação sobre a sancta democracia e que louvada seja a libardade. Não sei se não tarda, havemos de ver a Hungria a contas com a dívida soberana ou algo assim aborrecido.
Ilustração: Jean Plantureaux, Perigo Magiar (Le Monde, apud Presseurop).
Diário de Notícias erra pela terceira vez
« A [Em] 9 de Dezembro [de 1945], o D.N. publicava o decreto que aprovava [approvava] as regras, que então asseguravam "a unidade e o esplendor do idioma comum [commum]" e garantiam "a segurança e permanência de uma só língua portuguesa no mundo".»
«A terceira vez que o D.N muda de ortografia [orthographia]», in Diário de Notícias, 1/I/2012 (os quinaus são meus).
E em cima da contumaz asneira (a de 45, garantindo a segurança e permanência de uma só língua portuguesa no mundo é de gritos) calha-me hoje em sorte um tal sr. Ferreira Fernandes «optimista», raspando com as mãos e quebrado nos quartos traseiros. Garrochada em tal cernelha é puro desperdício. Vá de pampilho nos lombos de volta para os curros e poupem-se os espectadores aficionados a más sortes!
[Vaias ao ganadero do Diário de Notícias!]
domingo, 1 de janeiro de 2012
Borda d'Água
Estive há dias a ver o ano de 2012. O 1 e o 8 de Dezembro calham ao sábado. Ora aí estão dois feriados bons para o capataz do triunvirato desbastar no ano que vem, com margem para 2013.
Ao depois... Ao depois se há-de ver o que sobra do calendário gregoriano. Ou desse tal capataz...
Feliz 2012!
(Almanaque do Borda d'Água no Passeio Verde.)