Já avisou na escola que não deixa a filha aprender as normas do Acordo Ortográfico. E acredita que a lei está do seu lado
Um pai está a tentar impedir que a filha de oito anos aprenda Português com as novas regras do Acordo Ortográfico (A.O.). «Já falei com o professor e expliquei à directora que não aceito que ela seja ensinada assim», explicou ao SOL José Manuel Bom, que acredita que o A.O. não está em vigor. «Nada revogou o decreto-lei de 1945 que define as regras da ortografia que usamos», defende o consultor, que ainda não obteve da escola qualquer reacção. «Até ao momento, ainda não tive resposta». De resto, o SOL tentou também sem sucesso ter uma resposta do Agrupamento de Escolas Eugénio dos Santos, em Lisboa, que não fez qualquer comentário.
Pais à procura de apoio jurídico
José Manuel Bom acredita, contudo, que não está sozinho. «Há na internet vários pais que anunciam em blogues que não querem os filhos a aprender regras absurdas», conta o encarregado de educação que se queixa de não perceber a forma como a filha pronuncia as palavras escritas com a nova ortografia. «Há palavras que ficam irreconhecíveis. Por exemplo: deixa de haver uma maneira de diferenciar para’ e ‘pára’, porque o acento do verbo desaparece».
Já a resistência por parte dos professores pode ser muito mais difícil. «Têm-me chegado denúncias de professores que anunciaram que não iriam aplicar o Acordo e que, por isso, começaram a ter as piores turmas e os piores horários e a ser alvo de verdadeiras perseguições por parte das direcções», revela João Pedro Graça.
O Ministério da Educação e Ciência (M.E.C.) assegura, contudo, não ter conhecimento de qualquer situação em que pais se estejam a recusar a que os filhos estudem com a nova ortografia.
Margarida Davim, «Resistentes ao acordo ortográfico», Sol, 27/1/2012, apud I.L.C.A.O..
Acabei de remeter ao gabinete do Exmo. Sr. Ministro Crato um recado com esta notícia. Para já, o Ministério da Educação não pode continuar a assegurar não ter conhecimento de qualquer situação em que pais se estejam a recusar a que os filhos estudem com a nova ortografia. Depois exorto todos os Pais e Encarregados de Educação a reclamarem directamente a S. Exc.ª o Sr. Ministro Crato para que ele aja, como é de seu dever.
(Prima na imagem. RECLAME!)
«O Ministério da Educação e Ciência M.E.C .) assegura, contudo, não ter conhecimento de qualquer situação em que pais se estejam a recusar a que os filhos estudem com a nova ortografia.»
ResponderEliminarE como poderia o MEC ter conhecimento disso? Tudo o que a máquina burocrática do Estado não prevê pura e simplesmente não existe. Ora, se porventura der entrada nos serviços administrativos do MEC uma declaração (ou coisa que o valha) de qualquer pai jurando que jamais algum dos seus rebentos tragará o AO90 , é certo e sabido que o papel em que a declaração está escrita irá imediatamente para o "arquivo morto". Não constando esse tipo de "reclamação" das normas ministeriais, dos regulamentos administrativos e, em suma, do acervo de reclamações espectáveis para as respostas possíveis, então é claro que nada se faz, nada se responde e, por conseguinte, "ninguém" no MEC tomará sequer conhecimento do assunto.
Estas desculpas esfarrapadas e, aliás, recorrentes, são espectaculares exemplos da escola burocrática que serve para encobrir qualquer mentira de Estado: não temos conhecimento porque não nos chegou nada e não nos chegou nada visto não termos conhecimento de que algo nos tenha chegado.
É verdade. Mas isto há-de ir, como água mole em pedra dura. Calhava bem melhor um dilúvio, no entanto...
ResponderEliminarCumpts.
Mas admiram-se de quê? Essa gente é invertebrada intelectualmente… ai que saudades que eu tenho do intelectual Crato, que, aqui atrasado, dava gosto ver na Sic… também tenho saudades desta!
ResponderEliminarCumpts
Dizia umas coisas. Mas é uma desilusão.
ResponderEliminarCumpts.
Já o Tagus Park o dera a entender...
ResponderEliminarCumpts.
Tem o caro Bic toda a razão... eu é que não passo dum parvo dum romântico incorrigível.
ResponderEliminarCumpts