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domingo, 30 de agosto de 2009

Domingo à noite...

Nova Lisboa, alçado das ruas principais...
Prospecto das frontarias que hande ter as ruas principaes que se mandaõ edificar em Lixboa baixa arruinada e se dividem com colunelos para separaçaõ do uzo da gente de pé do das carruages.
Desenho a tinta-da-china, aguarelado a carmim, assinado por Sabastião Joseph de Carvalho e Mello e Eugénio dos Santos e Carvalho. Dim. 340 x 1000 mm. In
Monumentos, nº 21, Setembro 2004, p. 70.
 





 Na era dourada dos cursos da C.E.E. julgo que criei na mente uma espécie de aura de sonho com a descoberta da Lisboa pombalina. Não sei se isto se entende.
 Frequentei um curso da C.E.E. no Largo da Abegoaria (o Paulo Pires, aquele que faz teatro, também andou lá) e costumava subir da Baixa à Trindade observando ruas e casas. Tentava perceber-lhes nas fachadas sóbrias que marcas lhes davam a origem setecentista ou oitocentista: o ferro forjado raiado do tímpano duma porta que por vezes trazia data; o velho feitio das janelas de guilhotina; o esconso das escadas; o piso nobre de sacadas; o acanhado das trapeiras... Queria ver vestígios de cena pombalina que amalgamava na mente, com antiga gente imaginada nebulosamente nos seus distintos modos e roupagem. Um livro que resgatei por esse tempo na Barateira da Trindade (Suzanne Chantal, A Vida Quotidiana em Portugal ao Tempo do Terramoto, Livros do Brasil, Lisboa, s.d.) forçou mais o devaneio. Coisas da imaginação, ou pior.
 O fenómeno, quando o explico, adensa-se em algo mais extraordinário porque se dava com o walkman (o barbarismo derivou em fones e, até ver, no neobarbarismo hi-pod) nos ouvidos, nalgumas vezes com música pouco a condizer: uma cassete dos primórdios de Suzanne Vega. Pois com toda esta mistura, ouvir velhas cantigas da Suzanne Vega traz-me sempre a aura diáfana do devaneio em que naquele tempo punha a imaginação. Calculo que os meus itinerários da Baixa se gravaram em fundo na cassete da Suzanne Vega e no fim, refundida a cassete, plasmou-se tudo cá na ideia. Assemelha-se-me isto - agora que o conto - a uma involuntária lavagem ao cérebro, porque a busca incessante de vestígios do passado tornou-se-me numa mania em todos os caminhos que percorro. Não sei se é coisa que faça bem.
 



Suzanne Vega, Ironbound (Fancy Poultry)
Madrid, 1989.

Crazy

 Em meio de Agosto de 91 - caneco, fez já 18 anos! - guiaram-me uns amigos para uma discoteca de Tavira... ou de Faro, já nem sei... Conhecia muito pouco do Algarve naquele tempo - particularmente discotecas - e essa vez até nem teve que contar. Apenas uma coisa: tocou na discoteca uma cantiga dum cantor que eu não sabia o nome mas cuja voz reconheci de outra cantiga que ele cantava e que eu gostava mais. De nenhuma das duas cantigas eu sabia também sequer o título. A que não passou na discoteca foi esta.
 



Seal - Crazy
Festival de Montreux, 2004 Ao vivo na TV, 1991.

sábado, 29 de agosto de 2009

Do decoro

  No adro da igreja do Carmo dois rapazolas com um patinete (o bárbaro consagrado é skate) macaqueavam para lá e para cá. — Pás! Pás! — faziam naquela macaquice mesmo nas barbas da Guarda do quartel do Carmo.
 Abeirei-me da sentinela (vamos lá ver o que isto dá, pensei com os meus botões) e perguntei-lhe serenamente porque permitia a Guarda aquilo ali.
 — Não sei... — balbuciou — Não tenho ordens... Mas o senhor fale com o cabo da guarda — e tocou uma campainha.
 Veio o cabo e procurei—lhe então à mesma se à Guarda lhe não incomodava aquela macaquice ali ao pé.
  — Ali onde estão é o museu. Desde que não venham dali para cá — e apontou o pau da bandeira — não fazemos nada.
 — Mas o museu é monumento nacional... — e fitei-o.
 Hesitou, admirado, e repetiu a arenga: — Desde que não venham dali para cá... — Ao que depois aduziu: — Na verdade até agora ninguém se queixou. Mas se o senhor quiser pôr o caso ao comando... — e virou-se fazendo face ao quartel sem contudo me voltar as costas.
 — Não é caso para isso. Muito obrigado — despedime.
 Mais tarde calhei passar a S. Bento e pus-me a questão se ali a Guarda fará mais pelo decoro ou se será como no Carmo, meramente decorativa.


Convento do Carmo, Lisboa (C.A. Cunha, s.d.)


Convento do Carmo, Lisboa, [s.d.].
Fotógrafo não identificado [Carlos Alexandre da Cunha]. Arquivo Fotográfico da C. M.L.

(Texto revisto: 0h56. Imagem e legenda repostas: 12/VIII/18 às 18h00.)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Jovem de 35 anos

Jovem de 35 anos...

Jovem de 35 anos! RTP Notícias
Notícia da RTP.

(Tristemente o jovem faleceu. Mas não é doutra coisa que aqui tracto.
)

Sexta-feira


  1. A população do Reino Unido está a crescer pela primeira vez na história - solta-se duma locutora da TVI no café. Os locutores são assim, como as araras: dizem coisas.

  2. Revista de imprensa na telefonia: - "Hospitais a gastar acima do aceitável, uma notícia sobre saúde no J.N." - Sobre saúde? Qual saúde...?

  3. Ainda no J.N.: "P.S.D. reduz impostos às empresas." - Posto nestes termos parece que o P.S.D. já governa os impostos.

  4. Camilo Lourenço empolgado sobre juízes: "não pode haver actividade nenhuma da vida onde não seja medida a produtividade!" É o mercantilismo feito religião. Mas como é que se medirá a produtiva actividade de sermão e homilia dos fala-barato?

  5. Anúncio antes das notícias das 9h30: "A primeira ida de Jorge Gabriel à praia depois da lipo-aspiração, um exclusivo na Lux."


Hoje também há a greve nos aeroportos, mas basicamente é isto...

Bagageiro, Aeroporto de Lisboa, [s.d].
Bagageiro, Aeroporto da Portela, [s.d.].
Fotografia: Museu da TAP.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O melro

 O mundo está para acabar num espirro por causa da gripe pandémica. Tenho esperança que o ministério das máscaras ainda nos possa salvar cá em Portugal, vamos lá a ver... Vai ser trabalhoso, pois a gripe é pandémica porque sim. Como aquela outra gripe pandémica, também porque sim, dos pássaros. Isto é tudo muito sério e por tal estou até aqui meio ralado porque havia hoje um melro morto naquele pedaço ajardinado entre o 27 e o 28 lá onde trabalho e não consigo agora encontrar o nº azul da gripe aviária para avisar para lá. Já procurei em todo o lado e não consigo achar...

Melro de Novembro (Richard Allen)
Melro de Novembro.
Richard Allen, Aguarela, 27 x 32 cm.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Da sinalética

 Fala-se muito por aí agora em sinalética (parece que é sinónimo de sinais, mas com mais ciência) que não é respeitada...
 Montado no Google Streetview eis um belo exemplo de sinalética: oficial e não oficial. Da não oficial parece que haveriam as autoridades oficiais de enquadrá-la no meio da diarreia legislativa em que se perdem - era o mínimo para mascarar a candente falta de autoridade. Da sinalética oficial sobra aquele aviso de Hospital ali para sinalizar em 2009 um hospital fechado e vendido, salvo erro, em 2004. À relaxada mulher de César (autoridades oficiais, leia-se) já tanto dá parecer séria como perra. Deixa-se andar, governa sem vergonha, improvisa sinalética oficial que não se consegue assimilar e cuida que salva a autoridade desde que lhe não grafitem o palácio. Entretanto enfarta-se de democracia e arrota eleições porque talvez assim se salve.

Hospital (Google Streetview, 2009)
Hospital de Arroios, Lisboa, 2009.

domingo, 23 de agosto de 2009

Eléctricos de Lisboa (fotografias antigas)

 Maravilhosa colecção de fotografias dos eléctricos de Lisboa em 1977. É um preciosíssimo inventário ilustrado de todas as carreiras que eu ainda conheci em circulação (acho que não houve nenhuma destas em que eu não tivesse andado). Noto o ar descuidado dos carros eléctricos (e da cidade em geral), estranhamente tão familiar na minha memória, que contrasta com imagens comparáveis dos anos 60 (cf. Praia e 24 - P. Chile) e com o brinco que é o 28 hoje em dia. Nalgumas fotografias outros pormenores passam à margem dos carros eléctricos a quem tenha a paciência do olhar atento; como aquela do 27 para o Poço do Bispo, no jardim da Praça Paiva Couceiro, onde uma família enlutada parece confortar-se sob o olhar do guarda-freio. O cemitério não é longe...
 


Trams de Lisbonne(Anciennes Photos) (Portugal)


Eléctricos de Lisboa; fotografias antigas. Trams aux fils, 1977.

Redução de serviço

Com o objectivo de adequar a oferta à procura nos períodos de menor utilização do transporte público (sábados à tarde, domingos, feriados e período nocturno), no dia 23 de Agosto de 1982 (2ª feira) a carreira 23 de eléctricos [para S. Bento] é suprimida. O seu serviço continua a ser assegurado pelas carreiras 6 de autocarros, que é reforçada e passa a funcionar no período nocturno, e 26 de eléctricos.»
C. Filipe, A minha página Carris.



Eléctrico 23, C. Redondo (Trams aux Fils, 1977)
Eléctrico 23, Conde de Redondo, 1977.
Fotografia:
Trams aux fils.

sábado, 22 de agosto de 2009

Reforço de serviço

 « A partir do dia 17 de Novembro de 1947 (2ª feira) a carreira 23 de eléctricos [para S. Bento] é reforçada


C. Filipe, A minha página Carris.



Rossio, Lisboa (H. Novais, s.d.)
Eléctrico 23, Rossio, c. 1948.
Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Praça da Figueira

Muito provavelmente em vésperas da demolição.



Mercado, Praça da Figueira (E.Portugal, 1949)

Praça da Figueira, Lisboa, 1949.

Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Dias da rádio

Dias da rádio...




(Aparelho de rádio...)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Agosto de 1940

Av. da Torre de Belém, Lisboa (E.Portugal, 1940)
Avenida da Torre de Belém, Lisboa, 1940.
Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Almanaque Disney

Escutas em Belém



Há escutas em Belém.

Dia do que se queira

 A folhinha do calendário diz que é dia de S. João Eudes, mas não é isso que diz no jornal. Diz que é dia da fotogra-

fia.



Rampa da estação do Rossio, Lisboa (E.Portugal, s.d.)

Rampa da Estação do Rossio, Lisboa, [s.d.].

Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


Adenda ao dia...


Travessa da Saúde, Belém (E.Portugal, s.d.)

Travessa da SaúdeLisboa, [s.d.].

Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



O mais notável desta é que o burro está do lado da universidade que depois ali houve...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Da treta

Da treta  É a absurdamente estúpida a chachada que a televisão debita. Nem falo dos Gouchas, coisa perfeitamente chã dentro do género do arraial saloio.

 Um desses canais que debita "notícias" 24 horas por dia atirou-me perto das 11h00 da noite com uma reportagem de bonecos de Lego movendo-se dum lado para o outro como se fora uma grande demonstração científica. Doutrinadamente a treta ecoa com chavão panfletário - no domínio das tecnologias - acompanhada de recado igualitário - elas pedem meças a eles. Tecnologias serve para crismar bonecos de Lego em robots (coisa sofisticadíssima). Enquanto isto numas legendas em pé de página os 'robots' ajudam o combate à gripe A (!!!). Era o ingrediente desta anedótica civilização que faltava para salgalhar os melhores clichés da moda numa autêntica salada russa.

 Dantes havia governos - já o aqui disse - que pagavam excursões à Sibéria aos mais reticentes em assimilar a doutrina da ciência certa. Agora pago eu TV por cabo para me injectarem (o verbo aqui não é inocente...) a ciência certa em casa.

 Sem poder mais com a doutrinação desvio a atenção, não sem perceber ainda de raspão o sr. Nabeiro dizendo coisas sobre aquilo. Empreendedorismo e excelência hão-de ser os chavões que se seguem... Não quero saber mais. Ocorre-me só uma notícia desta manhã:90% das notas de dólar têm cocaína. Aí tendes a explicação desta sofisticada civilização da treta: é da droga. Não admira que se queira tudo cada vez mais verde e sustentável.


(A Verdadeira Treta é do
Mais Portugal.)

Capuchos, Lisboa

Jardim de Santo António dos Capuchos com casario algo castiço.

 




Alameda de Santo António dos Capuchos, Lisboa, 1940.

Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

domingo, 16 de agosto de 2009

Igreja de Arroios

 Tinha chegado eu ao largo de Arroios e... divergi. Retomando.



« Na sua simplicidade, fachada banal com uma única porta e com três janelas envidaraçadas, tudo liso, apenas com um apontamento arquitectónico nas pilastras de ordem jónica — é esta a Igreja de S. Jorge de Arroios. Podemos fazer-lhe uma pequena visita.
  S. Jorge de Arroios é uma das mais pobres igrejas de Lisboa embora, cheia de claridade, e — simpática. Possue uma única nave. Ostenta quatro capelas laterais: do lado esquerdo, a começar da entrada do templo, a primeira capela é de S. Miguel, N.ª S.ª do Carmo e N. S. do Perpétuo Socôrro, e a segunda (antiga do Santíssimo) é do Senhor dos Passos e de N.ª S.ª das Dôres; do lado direito as capelas são do Sagrado Coração de Maria e de Santa Terezinha, a primeira, e do Sagrado Coração de Jesus e Santa Cecília, a segunda. Nos topos há os altares pequenos de Santo António e de N.ª S.ª de Fátima.
  A capela-mór guarda hoje o Santíssimo no centro do altar, e sôbre ela a imagem, tão graciosa, embora sem valor artístico, de S. Jorge; aos lados N.ª S.ª da Conceição e S. José.
  O grande interêsse da Igreja é, porém, o Cruzeiro — considerado monumento nacional.»


Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, IV, 2ª ed., Vega, Lisboa, 1993, p. 84.


Igreja de S. Jorge, Arroios (E. Portugal. c. 1940)
Igreja de S. Jorge de Arroios, fachada principal, Lisboa, 194…
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.



 Este templo, acima descrito, foi levantado entre 1820-1828. O terramoto arruinou o templo anterior e a paróquia abrigou-se na ermida de Santa Bárbara até 1770. Nesse ano passou para a ermida do Senhor Jesus da Boa Sorte e Santa Via Sacra no largo das Olarias e finalmente, uns anos depois, para ermida de Santa Rosa de Lima, no palácio dos Senhores de Murça, depois Mesquitelas, na Rua de Arroios. Em 8 de Novembro de 1829 a paróquia tornou ao Largo de Arroios para a nova Igreja de S. Jorge; o próprio rei D. Miguel assistiu ao cerimonial (cf. Norberto de Araújo, loc. cit. e Luiz Pastor de Macedo, Lisboa de Lés-a-Lés, vol. I, Pub. Culturais da C.M.L., Lisboa, 1981, pp. 185 e ss.).
 Foi demolido este templo por volta de 1970 — diz[ia] — por ter sido considerado pequeno, dando lugar a outro mais amplo — diz[ia] também (apesar de no mesmo terreno) — mas para cujo gosto arquitectónico não acho qualificativo.

Fábrica das cervejas Leão

 


 Há dias mencionava aqui a demolição da fábrica da Portugália fazendo a ponte para uma mais antiga fábrica de cervejas em Arroios: as cervejas Leão. Eis cá, pois, mais uma memória de Arroios industrial. As cervejas Leão ficavam na Rua de Arroios 46-48, com frente também para a Rua Frei Francisco Foreiro. O seu aspecto à volta de 1901...

Fábrica das cervejas Leão, rua de Arroios, [1901-1908].
Fábrica das cervejas Leão, Arroios, [1901-1908].
Arquivo Fotográfico da C.M.L.

sábado, 15 de agosto de 2009

Largo de Arroios

« O largo de Arroios - diz Vilhena Barbosa - é célebre na história moderna de Lisboa pelas cenas populares de que foi teatro por ocasião da invasão francesa de 1810. A capital encheu-se de gente fugida das diversas terras do reino ao aproximar-se o exército do general Massena. Algumas praças de Lisboa, e entre elas o largo de Arroios, transformaram-se em acampamentos obstruídos de bagagens, por meio dos quais se aninhavam as famílias desoladas.
  O habilíssimo lápis do nosso querido pintor Domingos António de Sequeira fêz um quadro de uma dessas cenas, que consternaram tôda a cidade, desenhando o largo de Arroios, no momento em que se distibuía aos míseros fugitivos, por ordem do Govêrno, a sopa diária. Deste desenho de Sequeira fêz uma grande e excelente gravura Gregório Fernandes de Queiroz, discípulo do célebre Bartolozzi


Vilhena Barbosa, Arquivo Pitoresco, vol. VIII, p. 26, apud Luiz Pastor de Macedo, Lisboa de Lés-a-Lés, vol. I, 3ª ed., Pub. Culturais da C.M.L., Lisboa, 1981, p. 184.



Sopa de Arroios, Lisboa, 1810.
Buril e água forte: Domingos António de Sequeira, Gregório. Francisco de Queiroz, 1813, in  Biblioteca Nacional Digital.

Cantigas de Santa Maria



Narciso Yepes - Cantigas de Santa Maria

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Gasolina mal precisa; oficina, nem falar!

Tudo quanto me lembrava (mal) era o título e isto:


Lá vem [...]

a-mais o seu belo carrinho

leva os filhos [meninos] à escola

faz as compras de caminho [...]




Na realidade era assim:

 



Reclamo do Citroën Dyane (anos 70), via Fórum Citroën.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Serviço de bordo

 Quando no Delito de Opinião se relembram os velhos sacos de viagem da TAP e onde se comenta, entre outras coisas, o serviço de bordo...
 Aqui vai uma amostra de como era.

Serviço de bordo, Caravela, 196... (Museu da TAP, 1447FOTG-OB CA)

TAP: Serviço de bordo, Avião Caravela, década de 60.
Fotografia: Museu da TAP.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

0,06‰

 A verdadeira dimensão da pandemia. Tudo somado, desde Maio, aposto que mais gente tenha ido ao psi...



(Imagem via Google...)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Raio de jornalismo...

Ministra da 'pandemia'Afadiga-se S. Exª. a Srª Ministra da Saúde neste momento numa conferência de imprensa relatando as últimas contagens da gripe dos porcos em Portugal. Parece que fecharam umas creches porque há criancinhas com a gripe - essa dos porcos. Parece também que houve uns maus cidadãos que se recusaram usar máscara  (se fosse comigo solicitaria de imediato um escafandro) enquanto esperavam saber se tinham gripe - a tal, dos porcos.

 - Se no fim não fosse a dos porcos (se fosse a normal) poderiam tirar a máscara?

 Nenhum jornalista perguntou.

 Alguém ainda se lembra da gripe das aves? Já foi declarado o fim dessoutra apocalíptica epidemia? Porque é que desde Março de 2006 ninguém mexe na Informação actualizada do Centro Regional de Saúde Pública do Centro sobre o vírus influenza A/H5N1, exibida no Portal da Saúde (página da Internete do Ministério da Saúde)? Diz lá que não existe vacina contra esse vírus - essoutro, o da galinhas. Já inventaram alguma vacina desde 2006? - Pelas últimas estatísticas parece que bastam 12 semanas para inventar uma vacina para a gripe...

 E que foi feito daquele tratamento (ozeltamivir, i.e. Tamiflu) que Portugal adquiriu dois milhões e meio de doses em 2005 para uma epidemia que nunca chegou (Paulo Alexandre Amaral, R.T.P., 25/8/2005)? - É curioso que também vão ser dois milhões e meio os portugueses infectados em Outubro que vem. Andarão decalcando os planos de contingência...?

 Desta vez foram encomendadas três milhões de vacinas (Antena 1, 16/7/2009), mais do dobro do preço do Tamiflu em 2005.

 Nenhum jornalista, nem daqueles que cavam casos Casa Pia e Freeport, pergunta nada disto?

 Disto ou...

 - Ainda é proibido ter aves de capoeira em explorações ao ar livre nas zonas de passagem de aves migratórias, decretadas de risco especial? (Como se as aves migratórias lessem decretos...)

 - O que fazer e a quem denunciar um pombo morto no Rossio ou o periquito na gaiola, alguém se lembra? Lembra-

-se a srª ministra?

 - Que é feito do alarmismo de haver um pato morto algures?!...

 E finalmente, ninguém pergunta o mais elementar:

 - Isto da gripe dos porcos que dá todos os dias na televisão é
na realidade o quê?!...

Em dia de São Lourenço...

... vai à vinha e enche o lenço.

São Lourenço (M.N.A.A., Lisboa)
Imagem de S. Lourenço no M.N.A.A., via Virgílio Nogueira Gomes, com artigo muito bom sobre o santo padroeiro dos cozinheiros.

(Vou almoçar.)

Já passa da meia-noite...


Double, The Captain Of Her Heart

(1985)

sábado, 8 de agosto de 2009

Do discurso

Novidade passou a dizer-se 'conceitos inovadores e originais'. É toda uma filosofia...


Do discurso elegante


 Elegante agora é repetir sempre e sempre glamour quando não se sabe dizer elegante... fascinante,  impressionante, deslumbrante, admirável, maravilhoso, assombroso, excitante, encantador ou, o pouco glamouroso espectacular. É todo um défice lexical.

 


Bette Davis comendo um gelado


 Bette Davis ridícula a comer um sorvete. 

Companhia das Lezírias

Companhia das Lezírias, Catapereiro, 2009
Catapereiro, 2009.

Fases

Há quinze dias houve a mania... Agora passou.




Lisboa, 2009.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Cacarejo

 Ontem foi um drama tenebroso no noticiário das seis e meia da Antena 1. Cito de cor: - Os lucros da Galp Energia cairam cinquenta e não sei quantos por cento no primeiro semestre em relação ao primeiro semestre do ano passado. Não disseram quanto foi ainda assim o lucro mas é uma desgraça. Uma tremenda desgraça a somar aos 89 que, já disseram, vão quinar na estrada este Agosto... - De tão precisos na previsão, só por caridade não dizem quem vai ser - percebe-se - porque de certeza, de certezinha até os já adivinharam pela bola de cristal. Mas deixam a gente aqui ralada sem saber... E como se não bastasse, logo agora, com o apocalipse pandémico já marcado para Outubro...
  No entanto, hoje, um noticiário da manhã radioso: a Baxter descobriu a vacina que nos vai salvar do apocalipse pandémico. O Mundo afinal já não acaba em Outubro por causa da gripe mexicana e pouco falta para a boa nova dos lucros da Baxter terem trepado cinquenta e não sei quantos mil por cento. Deus abençoe a América por lá haver a Baxter!
 E por ser de lá a O.M.S. também...
 Só falta agora é achar a Maddie, mas ela está quase, está quase!...



 




Ilustração de Maria Keil e Luís Filipe de Abreu, in PORTUGAL. Ministério da Educação Nacional, Livro de Leitura da Primeira Classe, 1ª ed., Papelaria Fernandes, Lisboa, 1967, p. 81.
(O galo já foi vacinado contra a gripe aviária - lembrais-vos dela? -, não há perigo de contágio.)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Isaltinices

 Também vem no  jornal agrafado mas já tinha ouvido na telefonia. "É uma vergonha que os políticos acusados ou pronunciados se candidatem a eleições", diz um certo dr. Mendes.

 Vergonha é, mas que importa a vergonha? As eleições são por essência banha da cobra de intrujões a mentecaptos. Um comércio. Doutra forma como podiam majores, fátimas e isaltinos ser tão sufragados?!... 


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 Na antiga Grécia, os Isaltinos condenados eram votados sim, mas era ao ostracismo. Aqui dão conferências de imprensa.





(Imagem da E.P.A.)


O povo é quem mais ordena mas Deus nos livre do povo


 Se há coisa que verdadeiramente desacredita (agora diz-se descredibiliza, não é?) a democracia - pior que todas as isaltinices descaradas que algum político cometa - é ele haver mentecaptos sufragando isaltinos. Vai daí que se proponham muito paternalmente leis que guardem os mentecaptos de eleger livre e democraticamente qualquer intrujão mais descuidado que se deixe enredar na malha judicial. O povo é quem mais ordena, mas é preciso guardá-lo de não saber dar as ordens certas...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Quando a esmola é grande...

i Esta manhã abasteci na antiga Sacor e ofereceram-me um jornal: - "Espere aí que temos aqui uma  oferta para si." - disse a senhora da caixa.

 - Que simpático! Um jornal. E é de hoje?!...


I


 Escolher uma letrinha do aeiou para nome dum jornal (ou do que quer que seja) parece-me ainda mais básico do que monossílabos...


 


O I (ui)


O I é do tamanho duma revista e tem as folhas agrafadas como as revistas, mas o papel é de jornal e suja as mãos como os jornais. Abro-o ao calhar e leio um título: "Menos nascimentos pode ser solução para a pegada ecológica" (se não é isto é algo assim). Pegada ecologica é eufemismo para lixo, depreendo.

 E menos nascimentos, seria ele também solução para a pegada jornalística?

sábado, 1 de agosto de 2009

Lisboa, anos 30

 Quando há uns anos comecei a esgravatar no Arquivo Fotográfico da C.M.L. apercebi-me dum hiato temporal. A colecção de imagens de Lisboa dos anos 20 e 30 é notoriamente menor do que a doutras décadas entre 1900 e 1960. Daqui para cá também não abundam mas deixemos essa parte. Do estúdio de Horácio de Novais foram há muito pouco tempo publicadas estas raras imagens de Lisboa, de meados dos anos 30 (c. 1936), para regalo meu e do benévolo leitor que se deleita com estas novidades antigas. São da colecção da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian. Pode clicar na setinha para ver.

 



Mala de cartão

Emigrantes, Santa Apolónia [E. Gageiro, 1960(?)]

Emigrantes, Santa Apolónia, 1960 [?].

Eduardo Gageiro, Lisboa no Cais da Memória...

Agosto

 Antes de se transformar em Silly Season por razões doutra ordem e que não vêm ao caso, a época, em havendo designação para ela, há-de ter sido primeiramente dos Jean-Pierres. Mas não era nada fashion, era só o calendário. Alguns lá na rua contavam os dias para o 1º de Agosto, mas dava-se geralmente conta, logo que corria a notícia de o Peter já cá está (atenção: diz-se Péter - era o neto da Dª Alda, vinha da Alemanha); ele trouxe mais daquelas borrachinhas (gomas) do ano passado. A acompanhar, não raro, ouvia-se lá das bandas da praceta sobre a Suzy e o Benny ou, mais cá, da costumeira passagem de raspão da Marta e do Simão que trouxeram um joguinho electrónico com para primo. Todos lho cobiçávamos para jogar.
 Havia, pois, estas raras preciosidades a que só se conseguia jogar a mão uma vez por ano, por altura dos emigrantes. Alguns de nós cá, depois, éramos descarados; como o Nabo com o Peter: -"Vai lá à tua avó buscar mais daquelas borrachinhas para a gente!" - Sempre a mesma coisa, o Nabo, na pedincha (v. O homem das pastilhas). Em menos dum fósforo esgotávamos o stock ao desgraçado do Peter. A sua generosidade parecia-me ingénua e fazia-me espécie. Agora que falo nisto interrogo-me se não seria barganha para entrar jogos da malta lá da rua... - Ingénuo era eu, vai-se lá ver.
 Com o tempo as gomas perderam o sabor e a época dos Jean-Pierres perdeu a novidade. Ainda houve tempo depois para fogachos mais maduros duma Susana - mocinha bonita que estava na Holanda - que catrapiscava muito a gente na rua lá do alto da janela da tia Ivone. A tia é que não ia em cantigas e guardava a sobrinha muito em casa, de modo que namoriscar, só de gargarejo. Uma complicação para uma janela do 4º andar... - Bom, parece lá houve uma ocasião em que o Ruizinho lhe roubou uns beijos no adro...
 Enfim!... jean-pierrices, ou já nem tanto.

[Revisto ao 1/4 para o meio-dia]


Teledisco jean-pierrista



Karmo Leal, Mala de Cartão