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domingo, 16 de agosto de 2009

Igreja de Arroios

 Tinha chegado eu ao largo de Arroios e... divergi. Retomando.



« Na sua simplicidade, fachada banal com uma única porta e com três janelas envidaraçadas, tudo liso, apenas com um apontamento arquitectónico nas pilastras de ordem jónica — é esta a Igreja de S. Jorge de Arroios. Podemos fazer-lhe uma pequena visita.
  S. Jorge de Arroios é uma das mais pobres igrejas de Lisboa embora, cheia de claridade, e — simpática. Possue uma única nave. Ostenta quatro capelas laterais: do lado esquerdo, a começar da entrada do templo, a primeira capela é de S. Miguel, N.ª S.ª do Carmo e N. S. do Perpétuo Socôrro, e a segunda (antiga do Santíssimo) é do Senhor dos Passos e de N.ª S.ª das Dôres; do lado direito as capelas são do Sagrado Coração de Maria e de Santa Terezinha, a primeira, e do Sagrado Coração de Jesus e Santa Cecília, a segunda. Nos topos há os altares pequenos de Santo António e de N.ª S.ª de Fátima.
  A capela-mór guarda hoje o Santíssimo no centro do altar, e sôbre ela a imagem, tão graciosa, embora sem valor artístico, de S. Jorge; aos lados N.ª S.ª da Conceição e S. José.
  O grande interêsse da Igreja é, porém, o Cruzeiro — considerado monumento nacional.»


Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, IV, 2ª ed., Vega, Lisboa, 1993, p. 84.


Igreja de S. Jorge, Arroios (E. Portugal. c. 1940)
Igreja de S. Jorge de Arroios, fachada principal, Lisboa, 194…
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.



 Este templo, acima descrito, foi levantado entre 1820-1828. O terramoto arruinou o templo anterior e a paróquia abrigou-se na ermida de Santa Bárbara até 1770. Nesse ano passou para a ermida do Senhor Jesus da Boa Sorte e Santa Via Sacra no largo das Olarias e finalmente, uns anos depois, para ermida de Santa Rosa de Lima, no palácio dos Senhores de Murça, depois Mesquitelas, na Rua de Arroios. Em 8 de Novembro de 1829 a paróquia tornou ao Largo de Arroios para a nova Igreja de S. Jorge; o próprio rei D. Miguel assistiu ao cerimonial (cf. Norberto de Araújo, loc. cit. e Luiz Pastor de Macedo, Lisboa de Lés-a-Lés, vol. I, Pub. Culturais da C.M.L., Lisboa, 1981, pp. 185 e ss.).
 Foi demolido este templo por volta de 1970 — diz[ia] — por ter sido considerado pequeno, dando lugar a outro mais amplo — diz[ia] também (apesar de no mesmo terreno) — mas para cujo gosto arquitectónico não acho qualificativo.

8 comentários:

  1. Eu tenho o termo: pavorosa!
    Conheço quem tenha casado na antiga igreja e quem tenha vivido mesmo ao lado, por altura da demolição.
    Penso que todas as vozes são unânimes: foi mais um vergonhoso atentado arquitectónico, que os Lisboetas - impotentes - tiveram de engolir.
    Aliás, no que toca à “chacina”, nem as igrejas estão a salvo! Veja-se o caso da igreja do Socorro, demolida em 49, para dar lugar a uma das zonas mais "bonitas e bem projectadas" de Lisboa!... :-X

    Qual terramoto, qual quê? É a mão humana - cheia de trocos - que mais tem devastado a nossa cidade.

    Abraço

    PS- a ver: (http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/x-arqweb/(S(2e032a55iu3ba3igcxi5k445))/ContentPage.aspx?ID=952be67b864a0001e240&Pos=1&Tipo=PCD)

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  2. Pavoroso pode ser. Aguentou-se a capelinha da Saúde sabe-se lá como. Cumpts.

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  3. Attenti al Gatti18/8/09 23:43

    Conhecí a antiga igreja de Arroios na minha infância. Mas a memória que guardo dela, estranhamente, difere da foto.
    Infelizmente, o execrável estilo arquitectónico replicou-se noutros templos, como o do Sagrado Coração de Jesus, na R. Camilo Castelo Branco, nos Olivais, etc.
    Talvez fosse para dar um ar de modernidade, mas passou de modernice horrosa.
    A.v.o.

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  4. Bic Laranja19/8/09 17:06

    Talvez seja do jardim que depois fizeram. No mais há inúmeros exemplos. Demasiados. Cumpts.

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  5. André Santos23/8/09 17:47

    A história da nova igreja de Arroios começa com a mudança do padre de então, com a vinda do padre José de Freitas de Sesimbra para a Freguesia de Arroios.

    Construção de aparencia pouco agradável, conta-se ter sido uma obra muito util na altura pois o anterior edificio - ou templo, como também lhe chamam - pelas suas dimensões e estado avançado de degradação, já não dava conta do recado.

    Foi a 3ª igreja edificada na vida de Monsenhor José de Freitas, que permaneceu de - se não me engano - 1955 até cerca de 2000 ao comando da sua igreja, freguesia na qual - já bastante idoso - ainda reside.

    Tudo em: "Salpicos de uma caminhada" / Mons. José de Freitas.
    Publicação: Castelo de Sesimbra : Junta de Freguesia, 2005

    Tivesse toda a Lisboa devastada por mãos humanas cheias de trocos tanta sorte quanto a igreja de Arroios...

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  6. Arquitectonicamente tem tido a mesma má sorte. De mais a mais não vejo a igreja nova de Arroios assim tão desafogada. Mas se faz melhor a sua função não se perdeu tudo. Agradeço-lhe o seu comentário, em todo o caso. Obrigado!

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  7. António Azeredo26/9/16 17:05

    Meus pais casaram , nessa igreja, no ano de 1949. É lamantável a sua demolição.

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  8. Sim, é verdade. Mas o que lá puseram prima pelo gôsto mai' refinado. Na linha de todas as igrejas edificadas dos anos 70 para cá, aliás!...
    Cumpts.

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