Maravilhosa colecção de fotografias dos eléctricos de Lisboa em 1977. É um preciosíssimo inventário ilustrado de todas as carreiras que eu ainda conheci em circulação (acho que não houve nenhuma destas em que eu não tivesse andado). Noto o ar descuidado dos carros eléctricos (e da cidade em geral), estranhamente tão familiar na minha memória, que contrasta com imagens comparáveis dos anos 60 (cf. Praia e 24 - P. Chile) e com o brinco que é o 28 hoje em dia. Nalgumas fotografias outros pormenores passam à margem dos carros eléctricos a quem tenha a paciência do olhar atento; como aquela do 27 para o Poço do Bispo, no jardim da Praça Paiva Couceiro, onde uma família enlutada parece confortar-se sob o olhar do guarda-freio. O cemitério não é longe...
Eléctricos de Lisboa; fotografias antigas. Trams aux fils, 1977.

Quando foram tiradas tinha eu só 5 aninhos, mas estão lá muitas coisas de que eu ainda me lembro.
ResponderEliminar- As "minhas" carreiras: 3, 16 e 27
- "Aquele" Largo do Rato
- As ruas quase sem carros (quer a andar, quer estacionados)
Aparece lá uma coisa que eu nunca tinha visto: um 15 com atrelado. Aquela ida ao Estádio viria de onde? Do C.Sodré?
Aquele 15, talvez por ser de atrelado, não devia ter Cruz Quebrada na bandeira e valeu-se do Estádio. Valiam ambas, sabe. A pouca gente deve-se às fotografias serem domingueiras, não lhe parece? E muito provavelmente 'Agosteiras' também.
ResponderEliminarE depois, claro, aquele Rato.
Cumpts.
Dá gosto de ver os eléctricos SEM publicidade. Por outro lado deviam-se recuperar umas quantas linhas de eléctricos, coisa que faria qualquer cidade saudável.
ResponderEliminarObrigado pelas imagens,
e cumprimentos pelo seu blog de Lisboeta inteiro,
MDC
Parece-me mais terem sido todas feitas em diferentes épocas do anos. Tanto se vê, numas, gente em mangas (curtas) de camisa como, noutras, pessoas com pull-overs!
ResponderEliminarDúvido que façam isso de reabrir linhas! Isso iria atrapalhar a actual grande moda e, quiçá, salvadora da pátria (OK, dos transportes deste país) que é andar de bicicleta!
ResponderEliminarConheço um senhor com cerca de 80 anos que nasceu e cresceu em Lisboa, que mais tarde se mudou para a minha aldeia no distrito de Viseu e há muitos anos que não vê Lisboa. Sempre gostei de o ouvir contar todas as suas aventuras envolvendo el´ctricos: viajar sem pagar, fugir do guarda-freio ou mesmo da guarda "polícia", de como saltava para e do eléctrico e acidentes daí decorrentes... O que mais me custa é dizer "Não tio, essa linha já não existe. Essa também não." e não perceber completamente os circuitos dele. Mas ver estas fotos ajudou um pouquinho a compor o quadro que eu criei na minha cabeça através das suas descrições. Obrigada.
ResponderEliminarBelíssimo documento da história da Cidade.
ResponderEliminarComo está diferente, agora!...
Para a Luísa (e não só): vejam o site do Luís Cruz-Filipe (usado pelo Bic Laranja em alguns dos seus posts) e que relata a história das várias carreiras da Carris (eléctricos e autocarros): http://www.math.ist.utl.pt/~lcf/CCFL/
ResponderEliminarBela compilação!
ResponderEliminarDá-se o caso curioso de a foto de entrada (não sei se aparece sempre a mesma) que tem o depósito de água me ter lembrado uma outra minha com a qual já semeei alguma desinformação. :)
Abraço
Uma espécie de sinalética...
ResponderEliminarCuido que não varie. O Flickr (esta escrita é mesmo bárbara)... O flicre, pois bem, permite escolher a fotografia de entrada; esta é a melhor do lote. Passei lá certo dia chuvoso, talvez em 88, munido de máquina. Ficou registo mas com fraco efeito. Uma pena aquela cocheira e o depósito terem ido à vida.
Cumpts. :)
Deixe-me discordar. Os meios agasalhos vêem-se nas com maior sombra, pelo fresco da manhã. De mais a mais o fotógrafo não é de cá. É talvez coisa para uma semana de férias. Mas é tudo suposição, claro.
ResponderEliminarCumpts.
Quem os viu passar ou esperou por eles, como eu, nem imagina a saudade. Mesmo os da publicidade de que me lembra tão bem: o verde da Sir After-Shave, o branco da Philips com duas bolas envolvendo os faróis, o atrelado da BP gás. Fazia bem a todos umas quantas linhas de eléctrico, sim. A do Poço do Bispo estendida até Moscavide completaria o eixo de Algés com proveito. Mas o Metro dá mais 'obra'... E uma circular de Santa Apolónia a Alcântara teria mais graça que os autocarros.
ResponderEliminarCumpts.
E já faltou mais para a ordem ser 'em passo de corrida. Marche!'
ResponderEliminarCumpts.
Dá mais vida às histórias, bem sei. Note abaixo a sugestão do sr. Ricardo Moreira para as carreiras da Carris. Caso conheça não conheça bem Lisboa os mapas ajudam a situar.
ResponderEliminarCumpts. a si e ao velho senhor lisboeta da sua aldeia.
É verdade. Obrigado!
ResponderEliminar:) Cumpts.
ResponderEliminarPara aqueles que tenham paciência do olhar atento....na foto do 10 da Graca no lado esquerdo ta um senhor sentado a segurar num sinal. Podem nao acreditar mas este era para os electricos. Por 'sinal' logo ao lado era a 'tasca' :)
ResponderEliminarCumptos
Esta foto lembra-me a minha Escola (Patricio Prazeres) ali ao lado que eu frequentei nos anos 70.
ResponderEliminarEsta rua não tinha muito movimento, do que me lembro é de uma Instituição que ensinava os invisuais a andarem sózinhos na rua.
Bem sei. Uma raqueta verde de um lado e vermelha do outro. A taberna (e a freguesia permanente) geria o trágefo. Cumpts.
ResponderEliminarAbsolutamente fantásticas estas fotos. E os tais pormenores? Uma riqueza! Sim, a falecida cocheira de locomotivas e o depósito de água e a frase revolucionária no muro, em que "barracas" ficou como "bacas" (sería de propósito?), o Land-Rover verde que pontua um par de fotos na Calçada da Estrêla, a Paiva Couceiro que, bizarramente, me deu tanto trabalho a identificar e só não foi pior devido à "pista" da senhora de luto, o Poço do Bispo, o Conde Barão e outros locais cheios de vida, a publicidade (à B.B., por exemplo), etc. etc. Está lá tudo, cristalizado no tempo.
ResponderEliminarParabéns pelo achado e obrigado por estes momentos de puro gozo.
A.v.o.
O Henrique foi o único que conheci que andou nessa escola. Também foi no fim dos anos 70. Cumpts.
ResponderEliminarTambém me aconteceu o mesmo na Paiva Couceiro. 'Bacas' foi escrito por algum cábula das barracas. A BB ...
ResponderEliminarCumpts.
o que mais me fascina é a antiguidade, os carros e a cidade... fantástico, Parabéns
ResponderEliminarMas porque é que reduziram a rede de elétricos da cidade de Lisboa????
ResponderEliminar«Elétricos» Lisboa nunca teve. Só eléctricos.
ResponderEliminarA pergunta, depois de corrigido erro, pode dirigi-la à C.M.L. e à Companhia Carris.
N.B.: os comentários em acordês serão eliminados.
Amigo, e o Acordo Ortográfico já se esqueceu dele?
ResponderEliminarPosto corrigido o erro sugiro que se dirija ao Instuto Internacional da Língua Portuguesa.
Ou então que preste atenção às coisas que diz sem estar minimamente informado.
Ah, pois! A estupidez agora é oficial. Bom proveito.
ResponderEliminar(Sou seu amigo? Não me lembro de si...)
Aqui está o site Oficial da CARRIS que comprova aquilo que eu disse: http://www.carris.pt/pt/servico-diurno-electricos/
ResponderEliminarE o cavalheiro cuida assim ter razão? Lamento.
ResponderEliminarCumpts.
Mérito do fotógrafo. E da cidade que se findou.
ResponderEliminarCumpts.
É relativamente simples: na verdade, cheguei a ver sair do Terreiro do Paço («P.Comércio») bastantes eléctricos 15 com bandeira de destino «ESTÁDIO». Isso é do tempo em que o términus da linha 15 já era no Terreiro do Paço. Mas a primeira modalidade da linha para o Estádio, segundo julgo saber, foi como serviço extraordinário da linha 15, precisamente a partir do Cais do Sodré, em dias de jogos de final da Taça de Portugal e outros eventos desportivos movimentados no tempo do Estado Novo. E convém lembrar que o términus do serviço normal da linha 15 começou por ser no Rossio, sendo encurtado ao Terreiro do Paço quando, entre 1945 e 1948, foram «recuados» os terminais ali localizados, como intuito de diminuir a circulação de eléctricos das ruas da Baixa. Foi assim que os terminais das linhas 9,15 e 18 passaram para o Terreiro do Paço, os das linhas 1,2 e 13 passaram para os Restauradores, o da 12 para a Praça da Figueira e o percurso das linhas 10-11 foi desviado das ruas do Ouro e Augusta para as Ruas dos Fanqueiros e da Prata, via Praça da Figueira. Pelo Rossio e Ruas do Ouro e Augusta ficaram então apenas as circulações 22-23 e 25-26, até 1960, e o terminal da 28, aos domingos e feriados e fora das horas de ponta (nos restantes períodos foi relocalizado na Rua da Conceição...).
ResponderEliminar(propositadamente redigido em desconformidade com o chamado Novo Acordo «Ortográfico» da Língua «Portuguesa»))
Muito obrigado do seu comentário, tão cheio de informes.
ResponderEliminarCumpts.
Tão bom seria ver estes 'Bichinhos Amarelos' fazerem carreira para Cruz Quebrada e a carreira 24.Saudades!
ResponderEliminarEsses Brills conhecidos como 'Carros da Estrela' também faziam percurso para Cruz Quebrada e Estádio ou só circulavam nas avenidas?Curiosamente,este era um dos meus eléctricos favoritos,embora que nunca me tivesse circulado com ele.Não me canso de olhar vezes sem conta p'ra imagens dele.
ResponderEliminarEsclarecendo mais sobre o 'Carro da Estrela',eléctrico esse que também digo ser o bar da Costa da Caparica praticamente destruído e que devia pegar nele p'ra levar à oficina,restaurá-lo e levar p'ró museu,o que seria ideal.Só de olhar p'ra imagens,dá-me vontade de estampá-lo na t-shirt e de desenvolver a maquete para montá-lo.Isso também seria p'ra marca de modelismo OCCRE,tal como aconteceu com o 'Standard' habitual.
ResponderEliminarCompreendo-o.
ResponderEliminar:)
Cumpts.
Não se valorizam devidamente estas coisas. Se alguns o agora começam a fazer ainda é pouco.
ResponderEliminarE perde-se a memória.
Cuido que se não adaptavam a percursos sinuosos, daí terem-nos postos nas carreiras das avenidas. Quando estas as linhas foram suprimidas acabaram-se.
ResponderEliminarNa marginal havia carros de maior dimensão ou de atrelado.
Cumpts.
Será que alguém se lembra do percurso dos eléctricos que saíam do Rossio até entrarem na avenida da Liberdade? Acho que iam pela R. das Portas de Santo Antão e viravam para a avenida passando junto aos correios...
ResponderEliminarSaíam do Rossio pela R. das Portas de Santo Antão afluindo nos Restauradores pela Tr. do mesmo nome, junto aos correios, justamente. E ante a Estação do Rossio havia sòmente uma via, no sentido descendente.
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado e parabéns pelo excelente blog...
ResponderEliminarAbraço!
Obrigado eu!
ResponderEliminarEu lembro-me de ir jogar ténis ou rugby ao Estádio Nacional de eléctrico. Lambro-me vagamente de passar num bairro de barracas que aí havia, com "retornados" de Timor. Não sei se será só impressão, mas parece-me que haveria alguns elécricos que ficavam na Cruz Quebrada e outros que iriam até ao Estádio, mas de uma forma regular.
ResponderEliminarÓptimas fotografias. Cumprimentos
Permitia.
ResponderEliminarOs Eléctricos tinham duas bandeiras — Cruz Quebrada e Estádio — mas o término era no mesmo lugar. Ainda lá vão hoje. Ou já não...?
ResponderEliminarOs «tártaros» enxamearam o vale do Jamor, mas a destratarização ficou completa no referendo à independência de Timor: ou escolhiam ser timorenses ou indonésios. Portugueses é que não. Podemos chamar-lhe higiene oral. Foi limpinho!
Cumpts.
(13 de Junho 2017, 11:16)