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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Impressões do Oriente

 Com carroças, tendas e até barcos, em improvisados laboratórios ambulantes, os fotógrafos partiram na descoberta dos lugares mais longínquos [...]
 Mas se a apetência pelas "notícias fotográficas" de todo o mundo era notável, as imagens que chegavam da Síria, do Líbano, da Palestina, da Arábia e, sobretudo, do Egipto,  mereciam uma especial atenção.


ExposiçãoImpressões do Oriente. De Eça de Queirós a Leite de Vasconcelos, Museu Nacional de Arqueologia, 2008.


Chefe beduíno em Jericó.jpg
Chefe beduíno em Jericó, Palestina, séc. XIX.
Ferrier p.f.et Soulier; J. Levy Suc, Casa Museu Carlos Relvas.
 (c) I.M.C./M.C.

Alcântara-Mar

Alcântara, Lisboa (M. Novais, c. 1955)
Passagem de nível e gare marítima de Alcântara, Lisboa,  [c. 1955].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G..

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Os teóricos

J.M. Graça Affreixo; H. Freire - 'Elementos de Pedagogia', 3ª ed., Livr. Campos Júnior, Lisboa, 1872.
 


 Parece-me que os teóricos da organização escolar dantes eram mais práticos. Talvez por isso menos ocos. Ou líricos, pondo de modo mais elegante. Com tudo o que para aí vai ocorre-me uma frase de Lopes de Mendonça - «Não há ideia, por mais absurda, que não se torne mais ou menos útil ...» (Panorama, 20 de Novembro de 1858) - que, calhando, pode servir à proposta dos teóricos do Conselho Nacional de Educação (Parecer 8/2008, Diário da República, 2.ª série, N.º 228, 24  de  Novembro  de  2008)
 Sobra dizer que Lopes de Mendonça se referia ao Sebastianismo...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O método socrático da vida eterna

 Diz que vão acabar as reprovações na escola. Diz que é como se fez na Finlândia que é muito desenvolvida...

 Há muito que tinha ideia que reprovar na escola é parecido com morrer: podemos empenhar-nos mais na segurança para ninguém morrer em acidentes; podemos trabalhar mais na Medicina para curar todas as doenças; podemos com labor incansável resolver o problema de morrermos de velhice...

 Ou podemos simplesmente fazer um decreto proibindo todos de morrer.

 


Há, nas hortas, nabos...



(Imagem: Livro da Primeira Classe, 1954, in Santa Nostalgia.) 

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Do escrivão da chancelaria

 Segundo as notícias a declaração final da cimeira Luso-Brasileira será divulgada (não deveriam dizer antes redi-
gida?) na nova ortografia.

 Significa que irá conter erros de Português.

 A menos que o decreto n.º 35.228, publicado em Diário do Governo, 8 de Dezembro de 1945, e o Decreto-Lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro, sejam como tanta lei agora. Podem aplicar-se ou não segundo o critério de cada indivíduo.






(
Ordenações Afonsinas, Livro I, Título X.)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A modesta via certa

A prova que em 1961 já se conhecia a solução para a circulação de carros eléctricos. Só que na época não havia sustentável nem amigo do ambiente...
Nem podia ostentar o nome 'corredor bus'.


Junto ao mercado 31 de Janeiro, Lisboa (A.J.Fernandes, 1961)
Junto ao mercado 31 de Janeiro, Av. Fontes Pereira de Melo, 1961.
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

[E aquela carrinha é do homem das pastilhas, será...?]

Prémio Valmor 1914 e o problema das moradias unifamiliares nas avenidas

Arquitecto: Norte Júnior, Manuel Joaquim, 1878-1962.

Actual sede do Metropolitano de Lisboa mais a empena do nº 30 que perdeu o prémio Valmor.

E o problema do estacionamento também.



Prémio Valmor 1914, Av. Fontes Pereira de Melo (P. Guedes, c. 1914)

Prémio Valmor de 1914, Av. Fontes Pereira de Melo, 28, 1969.

Artur Bastos Inácio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Prémio Valmor 1910

Arquitecto: Korrodi, Ernesto, 1870-1944 . Actual não sei o quê...


Prémio Valmor 1910, Av. Fontes Pereira de Melo (P. Guedes, 1910-14)
Prémio Valmor de 1910, Av. Fontes Pereira de Melo, 30, [1910-14].
Paulo Guedes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Prémio Valmor 1914

Arquitecto: Norte Júnior, Manuel Joaquim, 1878-1962. Actual sede do Metropolitano de Lisboa.


Prémio Valmor 1914, Av. Fontes Pereira de Melo (P. Guedes, c. 1914)
Prémio Valmor de 1914, Av. Fontes Pereira de Melo, 28, [c. 1914].
Paulo Guedes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

domingo, 26 de outubro de 2008

Andar de Metro

 Já devo ter entrado naquele nível de excentricidade alheia à realidade mais comezinha, de tantos que aí se vêem, que se diz que vivem num mundo da Lua. Sou capaz de palmilhar sem me perder ruas inexistentes na Mouraria; imagino até que ouço fado das janelas abertas sobre o arco do Marquês do Alegrete. Porém com uma coisa tão corriqueira como comprar um bilhete de Metro fico num desnorte: peço um bilhete na bilheteira que o não vende; salto de máquina em máquina à procura de botões que não vejo e que são no écran; olho intrigado para as portas que se não abrem sem encontrar rasgo para o bilhete...
 Quem me acompanhava e me deixou fazer esta figura ainda comentou: - "Nem parece que nasceste cá."


Estação de Metro das Picoas, Lisboa, 2007.
Fotografia de Arpels, in
Skyscraper City.

Outro dardo

 Acertou neste alvo mais um dardo vindo do benévolo leitor Luís Bonifácio da Nova Floresta. Traz apensas muito gentis palavras sobre este blogo que são sempre gratas de ouvir. Muito obrigado!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Fado Malhoa

 A senhora lá em cima à janela está com a telefonia ligada.

Praça Martim Moniz, Lisboa (M. Novais, post 1946)
Praça Martim Moniz, Lisboa,  [post 1946].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G..


Brilhante Weblog

 Obrigado!

 Publico alguns gostos pela via do blogo, é só. Naturalmente há sempre alguém que compartilha e se agrada. Talvez (muito raramente) tenha rasgos mas brilhante... Não. O amigo deste blogo José Quintela Soares, pela via da Opera per Tutti foi demasiado generoso comigo.

 Oxalá também me seja benevolente (é nisto que me falta brilhantismo) por causa de me escusar à regra de nomear sete blogos merecedores desta referência. Não saberia dizer só sete e, só pensar que viria a ser  injusto é-me penoso.

Muito obrigado!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Abertura da Rua Nova da Palma


« Abertura da Rua Nova da Palma. - No século XVI possuía o Convento de S. Vicente-de-Fora uma grande horta intramuros, com assentamento de casas, poço, nora e chão de sequeiro dentro dos muros debaixo da porta de S. Vicente [depois mudada em Arco do Marquês do Alegrete] junto ao mosteiro de S. Domingos, no sítio das Ruas dos Canos e da Palma, onde havia 18 moradas de casas, que o Convento aforou em 1524 a um Fernão Dias e sua mulher, avós de Francisca Coelha, casada com um João de Palma, cavaleiro fidalgo da Casa de El-Rei, que em 1554 estavam senhores da horta.
 O Mosteiro de S. Vicente, querendo tirar proveito da horta, e fazer nela mais 30 casas, modificou em 10 de Outubro de 1554 o seu contrato com o enfiteuta, modificação também aceite pela mulher em 30 do mesmo mês, pelo que estes ficaram obrigados, sob certas condições, a fazer uma rua pelo meio da horta com 15p. (3m,3) de largura, desde o Mosteiro de S. Domingos até à rua que passava entre o muro da cidade e as casas que eles aí tinham [*], rua representada actualmente [1948] pelo começo inferior da Travessa da Palma.
 Foi pois nos terrenos dessa horta do Mosteiro de S. Vicente que, pelos meados do século XVI se rasgou, paralelamente à Rua dos Canos, intramuros, a rua de que é representante a Rua da Palma, entre as traseiras da Igreja de S. Domingos e o actual [1948] Largo do Martim Moniz.»


A. Vieira da Silva, A Cerca Fernandina de Lisboa, v. I, 2.ª ed., Lisboa, [C.M.L.], 1987.



Rua da Palma, Mouraria (E.Portugal, 1949)




 
 A fotografia mostra o troço inferior da Rua da Palma em 1949 (Eduardo Portugal, Arquivo Fotográfico da C.M.L.). Ao fundo, as traseiras de S. Domingos. A cerca fernandina cruzava a Rua da Palma por onde vai aquele eléctrico a descer; abria-se aí a porta da Rua da Palma.
 A Rua dos Canos [ou Rua Silva e Albuquerque], que circunscrevia a Nascente a ancestral horta do Mosteiro de S. Vicente, descia paralela à Rua da Palma;  ficava para onde davam frente as casas que se percebem já demolidas nas traseiras primeiro prédio à esquerda.
 O largo donde surgem o automóvel e o eléctrico aqui em primeiro plano tomou o nome de Martim Moniz, que era o nome da rua que vinha das Escadinhas da Saúde e seguia até à Calçada do Jogo da Péla. No lado Sul desta rua, no seu troço oriental houve o palácio do Marquês do Alegrete antes de ser demolido em 1946. Assim nasceu o Largo do Martim Moniz, essa chaga no meio de Lisboa.




[*] Mosteiro de S. Vicente, Livro B, arm. 48, n.º 37, fls. 15 a 23v. — Ao nosso amigo Gustavo de Matos Sequeira agradecemos a amabilidade de nos haver indicado a fonte das informações relativas à horta onde se rasgou a Rua Nova da Palma. [Nota do autor.]



 

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O mestre e o aprendiz

 Há uma espécie de jornalistas que sabe tudo e por isso não dá a palavra ao entrevistado. Faz-lhe perguntas por formalidade, mas provoca-lhe urticária deixá-lo responder.

 Hoje à tarde havia um desses na telefonia do carro. Passou por ser humilde ao confessar ao mestre entrevistado que não sabia distinguir carpinteiro de marceneiro. Pediu ao mestre que explicasse.

 O mestre começou por referir que ainda assim havia carpinteiros de limpos, que eram os que executavam por exemplo uma janela, mas acabou interrrompido pelo disparate.

 - E os outros serão o quê? Os carpinteiros de sujos?!...

 - De toscos - respondeu o mestre. - Além dos carpinteiros de limpos, há os carpinteiros de toscos - e explicou que seriam os que metiam barrotes, por exemplo, num telhado, para se depois porem as telhas.

 - E o marceneiro faz um trabalho mais artístico - atalhou então o jornalista com sabedoria incontida.

 O mestre lá foi conseguindo dizer que o marceneiro executa móveis ou ornamentos em madeira até que o jornalista intempestivo lhe atirou que...

 - Alguns marceneiros podem até fazer o design das peças que executam.

 O mestre hesitou, acabando por dizer:

 - Isso de design já não sei...



 




Nota: o mestre e a imagem são da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva; o jornalista é da rádio. Uma nota final; o texto pode eventualmente transmitir uma certa ironia por parte do mestre que, em boa verdade, não foi nunca percebida por mim durante a entrevista. O mestre foi mais genuíno do que o texto dá a entender.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Distinção

Prémio Dardos


"Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."




 Um mimo hoje da Menina Marota para este blogo, o qual me deixa duplamente orgulhoso. Já há dias o leitor Luís Maia me deixara em comentário uma singela nota de semelhante simpatia. Confesso que só agora atingi o alcance do seu comentário. Soa a desculpa de mau pagador, bem sei, mas é agradecimento tardio e penitência pela resposta (que agora soa) meia deselegante, que então lá dei...

 Obrigado a ambos pela gentil honra que me fizeram.

 Manda finalmente a regra que nomeie 15 blogos merecedores do prémio. Pois sejam todos os 15 ou mais abaixo do título Ligações à esquerda.

 Ou melhor: Ligações, à esquerda.



 




Adenda: Vi só hoje, 22, que há mais um lote de dardos, da Once (Twice, Three Times...) dirigido aqui. Obrigado também a ela pela simpática oferta!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Sem emenda

 Vi hoje o Saldanha novamente engalanado. Com muitas bandeiras. Com publicidade a uma marca de carros.
 Essa espécie que governa, que se embucha de cidadãos e arrota democracia, não tem respeito por nada.


Cartazes de propaganda no monumento ao Duque de Saldanha, Lisboa, 1976.
F. Gonçalves, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

domingo, 19 de outubro de 2008

E.N. 117, será?

 Nunca vi este lugar assim. E no entanto parece-me familiar.
 As placas dão direcções de Carnaxide a 3 km, à mão esquerda, e Benfica à mão direita a outros 3 km. A legenda da fotografia não menciona data nem local, nem há sinais à vista que indiquem a próxima povoação adiante, mas cuido que seguindo em frente se vai à Amadora.
 Ou a Queluz, que se a conjectura está certa, este cruzamento é na estrada desse nome.


Estrada de Queluz (ou E.N. 117), cruzamento com a Estrada de Alfragide, Portugal,  s.d..
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G..

O ieme

 A página do Instituto de Meteorologia parece dirigida a crianças; tem um prof. Salpico animado explicando aos meninos que ieme  é a abreviatura de imipê.
 Talvez a missão do I. M. tenda a esvair-se como a sua definição pela sigla: ieme diz pouco...
 Talvez por isso o Instituto de Meteorologia não dissesse ontem grande coisa sobre a borrasca em Lisboa e o seu termo.
 E talvez também porque fecha ao sábado.

Marcas da civilização: ¼ de vigor

 O ¼ de vigor vem agora em pacotes Tetrapak com o desenho do ¼ de vigor.

 


qol_large_vigor.jpg ¼ de Vigor em Tetrapak


 


 


(Imagens do Monóculo e do Restaurante.)


 


 

Praça de Espanha

Vindo de Sete Rios.


Terrenos (da Praça de Espanha), Lisboa, [s.d.].
Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

sábado, 18 de outubro de 2008

Sete Rios

Sentido da Praça de Espanha.


Terrenos junto à estação do Metropolitano, Lisboa, 1961.
Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Recortes de imprensa

 A recolha, as contas da areia e a boa parte do escárnio devo ao meu amigo Fernando C.. A má parte do escárnio é minha.


Revista Única, 11/10/2008


 No mês passado ironizei num comentário algures - embora a ironia deva ter passado despercebida a quem me não conhece - sobre o "novo grafismo e lógica temática" desse sucedâneo jornalístico do saco de plástico que é a revista Única. Novos grafismos e novas lógicas temáticas aplicadas ao que quer que seja são autênticas inanidades que, a par do autocarro da selecçãoiluminam a alma de qualquer português e a enchem sempre do mais orgulhoso vazio, não duvidemos. Tornaram-se também, pois, verdadeiros produtos que nos orgulham.

 Confesso, dando voz à passiva, que estou tão orgulhado pelos tais produtos que merece que some ao rol deles todo o jornalismo made in Portugal das Novas Oportunidades. O verdadeiro e único jornalismo que se orgulha de saber que os verbos pronominais não são amigos do ambiente, pois tornam o papel da Única pouco... solúvel. 


Revista Única, 4/10/2008



 A nova lógica temática da nova Única inclui uma rubrica de Numerologia onde se escreve: 22 Toneladas foi a quantidade de areia que Alberto João Jardim importou de Marrocos [...] que custou 3 milhões de euros [...]

 
Contas feitas às 22 toneladas de areia por € 3.000.000,00 e um camião devia bastar para o transporte...

 Com a areia a € 136,36 / kg.

 Quem diz que o petróleo está caro não tem noção da realidade!... 


Global, 8/10/2008



 Grécia. Mais de 10659 imigrantes detidos.

 
A numerologia aplicada aos imigrantes dará para números decimais?!...


 


 


Expresso, 27/9/2008



 A. Marinho e Pinto nunca tinha ouvido, embora para banco, Pinto & Sottomayor tivesse melhor preço/sonoridade.

 Mas ainda assim nada ecoa melhor do que Vale e Azevedo é melhor num nome de farmácia.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Os Pequenos Vagabundos

 Há emoções vividas em tenra idade que ficam profundamente vincadas na memória. Como se fossem vigoroso labor de lapicida em pedra pouco rija. E tal como às lápidas dos antigos, o tempo vai escondendo essas marcas na memória deitando-lhes aos poucos camadas de sedimento. Podia pensar que se esbatem. Não nas vivências mais emotivas, que nem luz rasante precisam para avivar esses sulcos da memória. É necessário tão só desempoeirá-las do sedimento para se ver quão vivas estão. Falo de boas recordações.

 






 


 Vi os Pequenos Vagabundos pela muito novinho. Inicialmente induzido pelo meu irmão, mais crescidote. Eu gostava era de ver bonecos animados, e disse-lhe. Ele só me respondeu: - Vê que vais gostar. - Que fabulosas aventuras as daqueles moços (que crescidos então me pareciam) na busca do tesouro, em passagens secretas, acampando em ruínas; o Castelo Sem Nome, a escalada das torres, armaduras sinistras, lutas aguerridas, corridas de karting, cavalos, a perseguição de mota, o aviãozinho telecomandado, o helicóptero dos bandidos - e aquele meio chinês muito mau -, os capuchos misteriosos, enfim, tudo. Mais a música...

 Comprei a série. Fui-a saboreando sem pressa - um episódio ou dois em cada sábado - mais a senhora (que nunca a vira ou não se lembra). Em cada cena que fui revendo tudo me voltava. Com o mesmo prazer de quando vi pela primeira vez, em criança. Em cada cena que ia revendo pensava emocionado: - Ah pois é! Havia esta cena! - sem me lembrar da que viria a seguir. E logo na seguinte a mesma emoção de rever repetia-se: - Ena, pois é! Havia esta cena!... Estava cá tudo guardado, com todas as emoções que aquelas aventuras então me causaram. Foi um ciclo de mais ou menos 35 anos que me fez reviver com a mesma emoção momentos muito agradáveis que tive na infância.

 É quanto agora terei de esperar, parece-me!... Senão estraga...

domingo, 12 de outubro de 2008

€ 20.000.000.000,00

 Parece que o euromilhões não foi só em Sendim. Temos agora por cá um generoso fiador de bancos.
 Seguem-se variedades.


Variedades



Pink Floyd — Money
(montagem de VjZman no Tubo)

Rua Castilho, domingo à tarde


Rua Castilho, 15, Lisboa, 2008.

sábado, 11 de outubro de 2008

Palácio dos Coruchéus (remodelado)

 Arrenda-se palácio remodelado: 'ateliers' a bom preço; estacionamento desafogado.

Palácio dos Coruchéus, Lisboa (V.G. Figueiredo, 1972)
Palácio dos Coruchéus, Alvalade, 1972.
Vasco Gouveia de Figueiredo, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Outubro

 A noite hoje está um tanto abafada. Tem cheiros de Verão...
 Dizia-me a senhora à tardinha que agora em sendo 7h00 já anoitece. Lembrei-me que desde sempre me entristece o Outono. Acabavam-se as férias grandes, o que era uma tristeza, e ter que voltar às aulas... A senhora não. Gostava da escola; sempre gostou de estudar. Para meu maior desânimo vinha-me a melancolia dos dias a definhar, o sol já não tardava até bem depois das nove como nos maiores dias. Lembro-me de pensar ano após ano que mesmo assim era aceitável anoitecer às 7h00. Pior era depois, até ao Inverno, minguarem os dias, minguarem, minguarem, ao ponto de serem cinco e meia da tarde e já de noite...
 Agora está um nadinha mais fresco. Já vamos em Outubro.



Charneca de Belas ao Pôr-do-sol, Lisboa (Silva Porto, 1879)
Silva Porto, Charneca da Belas ao pôr-do-sol,1879.
Óleo sobre tela, 85 x 150 cm,
 Museu do Chiado, Lisboa.

Direitos dos animais

 Os srs. deputados da nação, na sua alta ciência do que é o bem comum, deviam ponderar seriamente a aplicação do Código da Estrada a cavalos que circulem sem cavaleiro na via pública.


Cortejo integrado num concurso de cavalos de carroça, [Campo Grande?], 1911.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Meio-dia e meia ao quarto para as oito

 À tardinha, pouco mais seria do quarto para as oito, o relógio dos bombeiros da Encarnação dava... Devia ser meio-dia e meia.


Bombeiros da encarnação, Lisboa (M.Oliveira, c 1948)
Quartel do Batalhão Sapadores Bombeiros do bairro da Encarnação, Lisboa, c. 1948.
Mário de Oliveira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

É prohibido affixar cartazes n'esta propriedade

Terminal 2 (c) 2008

Terminal 2, Aeroporto da Portela, 2008



 A A.N.A., essa unidade económica cuja missão bastante, herdada da Aeronáutica Civil, seria administrar os aeroportos nacionais, deve entender que pôr publicidade descarada nos edifícios públicos (refiro-me ao aeroporto da Portela, incluindo o telheiro chamado terminal 2) materializa o enxerto comercial da sua nova missão: ligar "Portugal ao mundo [esta parte não será mais com a TAP?], e contribuir para o desenvolvimento económico, social e cultural [sublinho cultural] das regiões em que se insere."

 C'mon deve ser, pois, um nicho de mercado. E Opel uma janela de oportunidade. Ora isto não é desenvolvimento de nenhuma espécie em particular (económico, social, cultural, &c.). Isto é o desenvolvimento...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

(Des)afronta

Saldanha engaiolado, Lisboa (c) 2008

 Dei hoje conta que a C.M.L. retirou a gaiola publicitária que afrontava o monumento ao duque de Saldanha. Acredito que tenha sido por causa do Lisboa S.O.S.. Não sei - ainda lá não passei - se de caminho livraram também o Marquês de Pombal da vergonhosa publicidade às cervejas. Feito isto, fica a faltar [que me lembre] à C.M.L. livrar-
-nos dum punho erguido impingindo-nos uma marca de telefones logo abaixo do aeroporto da Portela.
 Devia haver mais respeito.

Palácio dos Coruchéus

 Arrenda-se: 'ateliers' a bom preço; lugar de estacionamento.

Palácio dos Coruchéus, Lisboa (A.Goulart, 1964
Palácio dos Coruchéus, Alvalade, 1963
1964.
Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Da inspiração sem título

 Se eu tivesse um 'atelier' em Lisboa também seria capaz....






José Pedro Croft, Sem Título

Gravura sobre papel, 212 x 214 cm, 2006.

(Galeria de Filomena Soares via Portugal dos Pequeninos)

Cabeça de giz

Com patrocínio duma marca de refrigerantes americana.

Saldanha, Lisboa (c) 2008
Saldanha, Lisboa, 2008.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Lisboa assim...

 Pode bem ser que um dia  todos os presidentes da C.M.L. venham a ter um busto ou uma rua para serem olhados com indiferença. Mas não será numa Lisboa assim...

Monumento a Rosa Araújo
Monumento a Rosa Araújo, esquina das ruas Rosa Araújo e Mouzinho da Silveira, Lisboa, [1936-1940].
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
 

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Da falta de visão

 Numa acção política assaz proficiente - um discurso - nos Açores a srª drª Manuela Leite afirmou que "o P.S. [dos Açores] para se manter no poder [nos Açores], o meio que mais utiliza é coarctar a liberdade das pessoas."

 Que outra consequência esperava de tão brilhante discurso senão apanhar nas ventas com o défice democrático da Madeira? Com um mínimo engenho fugia de dizer aquilo e procuraria tão só demonstrá-lo. Mas não. Eis a... excelência da apregoada democracia: tira-se do nível do bafejo que ventila por baixo dos cérebros.

 Sai-nos cá cada cegueta!



Rainha de Copas, Disneylândia (Jesse, 2007)

Rainha de Copas, País das Maravilhas.

Foto de Jesse, Disneylândia, 2007.

Da ceguice

Saramago qual Spínola.  Eu que nem aprecio o escritor Saramago nem o li por aí além, sobre a confusão armada acerca do filme sobre a cegueira apreciei a resposta dele que a «estupidez não escolhe entre cegos e não cegos».
 Quando a escrita proscrever o vocabulário ou as figuras de estilo por causa do enjoo politicamente correcto [ou as vírgulas por alguma outra razão] havemos com certeza de estar todos a ficar ceguetas.



 


Saramago de monóculo na biblioteca...


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Multibanco

Multibanco


 O Multibanco mudou de emblema. Parece que é para ser mais jovem, mais fresco, mais leve e mais essas coisas deloittianas. E o emblema que estava parece que já tinha 25 anos, pois e tal!...

 Era velho? Precisava de reforma? Aos 25?!...

 Pois!...

 Mas o qu' é qu' o Multibanco vende? Qual é o público alvo a atingir? Qual é o R.O.I. esperado pela mudança de imagem, das máquinas, dos terminais de pagamento, dos autocolantes, dos impressos...?

 E é a S.I.B.S. quem vai pagar?!...

 Pois, pois!...

 Calhando, se tivessem posto publicidade à Coca-Cola no lugar do novo emblema... Ou melhor: se pusessem um patrocinador por cada caixa metida na parede [à laia da Liga de Futebol em cada ano] convencia-me eu mais que quem vai pagar não é cá o je. É qu' é o meu dinheirinho que anda por ali...



(A imagem é da Praça da República em Beja)

A fraude

 Eh! Eh!

 Ainda agora estava ali um na televisão todo ufano a mostrar a fraude. Que tinha comprado nos Estados Unidos, disse como se sempre tivesse sabido da intrujice. Se sabia, se todos os especialistas em assuntos económicos que ouço agora criticarem sabiam, porque foi que nunca disseram?

 


A fraude a partir de $ 9.99 em...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Economia

 A Diplomacia usa a mentira com requinte. Já o jogo na bolsa...A Finança: o Grande Cão (R.B.Pinheiro, 1900)

 A quantidade de especialistas em economia, banqueiros, &c. que tem aparecido na televisão é quase como se, por causa da onda de assaltos, se chamassem eminentes larápios para justificar-se publicamente. No fim de semana ouvi de raspão um daqueles condenar com certo  desdém a nacionalização do banco Fortis na Bélgica e na Holanda. No conceito do especialista em assuntos económicos - havia um grande banco francês interessado no Fortis - o mercado não funcionou regularmente porque os belgas e os holandeses não se permitem muito liberalmente tolerar que os franceses mandem no seu maior banco. Confesso que de economia só sei o que os gregos perceberam há muitos séculos: oikos nomia (oikos nomia) significa governo da casa. E parece-me que foi precisamente isso que os belgas e os holandeses fizeram: trataram do governo da sua casa. No fim dos anos 20 um professor de Coimbra fez o mesmo e conseguiu superavits para a família quando na América tudo ruía com a Grande Depressão.

 O governo da casa guarda em si uma moral familiar, um conceito de união e justiça entre os da família. Já a economia de mercado se assemelha aos bichos da selva (os grandes comem os pequenos), mas com selvajaria de humanos. Em assim sendo, entregar o governo da casa a estranhos ou a batoteiros de casino dá no mesmo: em desgoverno.



 


Rafael Bordalo Pinheiro, A Finança: o Grande Cão.

Capa d' A Paródia, nº 2, 24 de Janeiro de 1900.