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domingo, 26 de outubro de 2008

Andar de Metro

 Já devo ter entrado naquele nível de excentricidade alheia à realidade mais comezinha, de tantos que aí se vêem, que se diz que vivem num mundo da Lua. Sou capaz de palmilhar sem me perder ruas inexistentes na Mouraria; imagino até que ouço fado das janelas abertas sobre o arco do Marquês do Alegrete. Porém com uma coisa tão corriqueira como comprar um bilhete de Metro fico num desnorte: peço um bilhete na bilheteira que o não vende; salto de máquina em máquina à procura de botões que não vejo e que são no écran; olho intrigado para as portas que se não abrem sem encontrar rasgo para o bilhete...
 Quem me acompanhava e me deixou fazer esta figura ainda comentou: - "Nem parece que nasceste cá."


Estação de Metro das Picoas, Lisboa, 2007.
Fotografia de Arpels, in
Skyscraper City.

20 comentários:

  1. Pior do que isso, só eu enganar-me na estação e ficar indignada por achar que as remodelações não param, que há obras mais necessárias, etc, etc, sem querer admitir que sou eu que me engano, que me desoriento e já não só saio pelas saídas erradas, como já me apeio nas estações que não quero.

    Não está sozinho. E também conheço bem Lisboa, à superfície e até há pouco tempo gabava-me de nunca me desorientar no metropolitano

    Um abraço

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  2. Esta é a memória de uma Lisboa que ainda imitava Paris, na moda, na literatura... até nas placas que anunciavam o metro.

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  3. O Metro anda muito complicado. Sou do tempo em que havia só duas carruagens ao domingo. Hoje eram seis e articuladas. Saí no Terreiro do Paço, imagine-se.
    Cumpts.

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  4. E anda pouco de Metro, Bic. Comigo é o mesmo drama. Sempre que ali passo, entro em acelerado, mas nervoso, processo de adaptação a novos preços, nova maquinaria, novos trajectos… Não há meio das coisas estabilizarem. ;-D

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  5. Em rigor, essa memória está mais no palacete em segundo plano. Prémio Valmor de 1914, hoje sede do Metropolitano de Lisboa.
    A entrada foi oferecida pelo Metro de Paris a Lisboa mas só em 1994, o que pode já querer dizer outra coisa...
    Cumpts.

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  6. Este sistema de bilhetes é uma seca e torna muito difícil a vida a deficientes ou a quem carregue crianças. De resto acho, em termos de percursos, o metro simples, comparativamente a Barcelona ou a Paris por exemplo.
    Mas prefiro andar de laranjinhas, apesar de ter uma saída de metro a dois minutos de casa.

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  7. No Metro de Lisboa já me aconteceu pior do que isso tudo: roubaram-me a carteira, com documentos preciosos e algum dinheiro. Só consegui recuperar alguns documentos, que apareceram nas instalações sanitárias duma entidade pública.

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  8. "A entrada foi oferecida pelo Metro de Paris a Lisboa mas só em 1994..."

    Presumo que foi muito antes, pois eu trabalhei na zona das Picoas e utilizava essa entrada nos anos 80 e julgo que até nos anos 70. Estarei enganado?

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  9. Agradeço-lhe a correcção e a informação, caro Bic Laranja. É sempre um prazer aprender com quem sabe mais. Acontece, portanto, que a tabuleta do metro não é uma memória de Paris, mas apenas a memória de uma memória de Paris.

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  10. Dantes não havia barreiras para entrar ou sair.
    Cumpts.

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  11. Na verdade isso é pior. Nisso não tenho do que me queixar, felizmente.
    Cumpts.

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  12. Tive a mesma ideia que vossemecê quando lá vi a data da oferta. Hei-de verificar.
    Cumpts.

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  13. Sim. E a sede do Metro uma memória do modelo de Paris.
    Cumpts.

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  14. Essa oferta não teve a ver com uns adereços urbanos franceses que consumíamos nos anos 80? Tenho ideia disso. Por acaso até eram bonitos.

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  15. Não sei a que se refere. Desculpe.
    Cumpts.

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  16. Curioso o revivalismo Arte Nova francês, numa Avenida onde toda a história artística e arquitectónica de Lisboa foi massacrada. Incluindo nos interiores do palacete “do Metro”!... :-0
    É caso para dizer: a galinha histórica da vizinha, é sempre melhor que a minha!

    Abraço

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  17. Muito bem posto. Uma ironia autoflagelante dos autores da desgraça. Os pobres nem se deram conta.
    Cumpts.

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  18. Para mim é a estação de metro mais bonita de Lisboa, exteriormente.

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  19. Mas anda meia mal tratada.
    Cumpts.

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