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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Fado Malhoa

 A senhora lá em cima à janela está com a telefonia ligada.

Praça Martim Moniz, Lisboa (M. Novais, post 1946)
Praça Martim Moniz, Lisboa,  [post 1946].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G..


19 comentários:

  1. Valdemar Alves24/10/08 21:35

    Soberbo!!!
    A música e a atmosfera de uma Lisboa (e de um País), que ficou lá longe. Parabéns e muito obrigado por este extraordinário blog. Cumprimentos. Valdemar Alves

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  2. Eu nasci na Mouraria
    Num prédio que resistia
    Ao progresso que o venceu
    Um dia, tanto gingou
    Por fim, não se aguentou
    E de saudades morreu
    ...
    (O que sobrou da Mouraria)

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  3. Carlos Portugal24/10/08 23:12

    Caro Bic:

    Fabuloso! Faço minhas as palavras do Caro Valdemar Alves. E a junção do Fado Malhoa à imagem lança uma torrente de emoções neste coração de Lisboeta já com uns anitos em cima.

    A Lisboa que o Caro Bic aqui evoca é anterior à minha existência terrena, mas ainda recordo certos trechos dela da minha meninice. Atmosferas agora engolidas pela globalizante e destruidora barbárie actual.

    Um Bem-Haja!

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  4. Atentti al gatti25/10/08 00:44

    Ou é coincidência ou estou a tornar-me sentimental (será da idade?). Primeiro foi a foto da E.N.117 e agora é esta. Embora a data da foto seja anterior à minha chegada a este planeta, ainda me lembro de vêr o Arco do Marquês do Alegrete na sua agonia final. Lembro-me, até, de o meu pai comentar para os conhecidos, em ar de brincadeira, que o Arco estava assim porque um eléctrico tinha chocado contra ele.
    O Fado Malhoa era frequentemente cantado pela minha mãe - baixinho, porque assím o obrigava sua timidez - numa época em que era vulgar as mulheres cantarem durante as lides domésticas.
    Nos inícios dos anos 70, ainda subsistiam, desgarrados, a cabine telefómica e o "anexo" que está entre ela e o cinema e que era uma "tasca", minúcula e sebosa, onde o pessoal vinha "molhar o bico" nos intervalos das "fitas" do Salão Lisboa, mais conhecído como o "Piôlho".
    Agora, que tem sido recordado José Cardoso Pires, deu-me para pensar que ele talvez gostasse de ter conhecido este blogue.
    A.v.o.

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  5. Esta Praça - e a velha Moraria - infelizmente nunca cheguei a conhecer. Já as visitei vezes sem conta na minha imaginação... E através de magníficas imagens como esta!
    Tendo vivido muitos anos por perto, nunca entendi como foi possível massacrar um bairro inteiro para deixar – para sempre – só caos e ruínas!...
    Ver, hoje em dia, toda esta zona… é de fazer chorar as pedras da calçada!
    Curiosamente vivo agora numa outra zona – Sete Rios - em que se me ocorre dizer exactamente o mesmo!...
    São décadas e décadas de massacres, que parecem ainda não ter servido de lição! :-(

    Abraço

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  6. PS- E que bem ficaria o velho Fado Malhoa aplicado à bela Avenida José Malhoa… lindo exemplo de modernismo e respeito pela estética citadina!... :-(

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  7. Só em 1987 com o 1º vol. da «Lisboa Desaparecida» fiz caso do arco. A minha mãe falou-me do arco quando passávamos de eléctrico, ainda a cabina lá devia estar, mas então não me fazia sentido.
    O gracejo do seu pai tinha espírito.
    Cumpts.

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  8. Tenho ideia que se fazem estas coisas com grande inconsciência. E depois com o disparate metendo-se pelos olhos dentro é impossível que não se chegue à conclusão que melhor era estar quieto.
    Cumpts.

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  9. É uma rica ironia. A tacanhez do entendimento de progresso está no Martim Moniz e lá na José Malhoa. Um fado Malhoa pleno de ironia, de feito.
    Com o pintor às voltas no túmulo, com certeza.
    Cumpts.

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  10. Se é uma pergunta: sobrou uma ferida enorme no coração de Lisboa.
    Cumpts.

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  11. Há uns anos, coisa de quase vinte talvez, no centro de São João da Madeira vi colados vários papéis em que se exigia a demolição de uma "vergonhosa casa velha" (era qualquer coisa do género a expressão) que se encontrava ainda de pé numa das principais artérias da então "jovem" cidade.
    Vi depois que a petição (a exigência) tinha fortes apoios entre a populaça. É ir lá hoje e ver que "bela" é a cidade!
    Abraço
    Bem merece as distinções este blogue.

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  12. Atentti al gatti26/10/08 01:17

    A propósito: para quem ainda lá não foi, recomendo vivamente a exposição "Lisboa 1758 - O Plano da Baixa Hoje". A entrada custa 3E.e pode ser vista nas instalações dos Correios, na Praça do Comércio. Entre tantas outras, também lá se encontra uma foto muito semelhante a esta. Mas tem muitos mais motivos de interesse, como a grandiosa maquete da Lisboa pré-Pombalina, um desenho à mão da zona ribeirinha, duma realismo e pormenor capaz de fazer inveja a muitas máquinas fotográficas, etc, etc. Encerra no final deste mês, penso eu.
    A.v.o.

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  13. Já agora acrescento este fado, com sua licença.

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  14. Não conheço São João da Madeira. Mas será uma cidade jovem, pois então. Em sendo jovem quer-se tudo moderno.
    Grato pelo fado de Dª Teresa de Noronha, que vem muito a calhar.
    Cumpts.

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  15. Grato pela sugestão. A ver se ainda a apanho. Cumpts.

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  16. Salão Lisboa...
    o famoso piolho!

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