Soberbo!!! A música e a atmosfera de uma Lisboa (e de um País), que ficou lá longe. Parabéns e muito obrigado por este extraordinário blog. Cumprimentos. Valdemar Alves
Eu nasci na Mouraria Num prédio que resistia Ao progresso que o venceu Um dia, tanto gingou Por fim, não se aguentou E de saudades morreu ... (O que sobrou da Mouraria)
Fabuloso! Faço minhas as palavras do Caro Valdemar Alves. E a junção do Fado Malhoa à imagem lança uma torrente de emoções neste coração de Lisboeta já com uns anitos em cima.
A Lisboa que o Caro Bic aqui evoca é anterior à minha existência terrena, mas ainda recordo certos trechos dela da minha meninice. Atmosferas agora engolidas pela globalizante e destruidora barbárie actual.
Ou é coincidência ou estou a tornar-me sentimental (será da idade?). Primeiro foi a foto da E.N.117 e agora é esta. Embora a data da foto seja anterior à minha chegada a este planeta, ainda me lembro de vêr o Arco do Marquês do Alegrete na sua agonia final. Lembro-me, até, de o meu pai comentar para os conhecidos, em ar de brincadeira, que o Arco estava assim porque um eléctrico tinha chocado contra ele. O Fado Malhoa era frequentemente cantado pela minha mãe - baixinho, porque assím o obrigava sua timidez - numa época em que era vulgar as mulheres cantarem durante as lides domésticas. Nos inícios dos anos 70, ainda subsistiam, desgarrados, a cabine telefómica e o "anexo" que está entre ela e o cinema e que era uma "tasca", minúcula e sebosa, onde o pessoal vinha "molhar o bico" nos intervalos das "fitas" do Salão Lisboa, mais conhecído como o "Piôlho". Agora, que tem sido recordado José Cardoso Pires, deu-me para pensar que ele talvez gostasse de ter conhecido este blogue. A.v.o.
Esta Praça - e a velha Moraria - infelizmente nunca cheguei a conhecer. Já as visitei vezes sem conta na minha imaginação... E através de magníficas imagens como esta! Tendo vivido muitos anos por perto, nunca entendi como foi possível massacrar um bairro inteiro para deixar – para sempre – só caos e ruínas!... Ver, hoje em dia, toda esta zona… é de fazer chorar as pedras da calçada! Curiosamente vivo agora numa outra zona – Sete Rios - em que se me ocorre dizer exactamente o mesmo!... São décadas e décadas de massacres, que parecem ainda não ter servido de lição! :-(
Só em 1987 com o 1º vol. da «Lisboa Desaparecida» fiz caso do arco. A minha mãe falou-me do arco quando passávamos de eléctrico, ainda a cabina lá devia estar, mas então não me fazia sentido. O gracejo do seu pai tinha espírito. Cumpts.
Tenho ideia que se fazem estas coisas com grande inconsciência. E depois com o disparate metendo-se pelos olhos dentro é impossível que não se chegue à conclusão que melhor era estar quieto. Cumpts.
É uma rica ironia. A tacanhez do entendimento de progresso está no Martim Moniz e lá na José Malhoa. Um fado Malhoa pleno de ironia, de feito. Com o pintor às voltas no túmulo, com certeza. Cumpts.
Há uns anos, coisa de quase vinte talvez, no centro de São João da Madeira vi colados vários papéis em que se exigia a demolição de uma "vergonhosa casa velha" (era qualquer coisa do género a expressão) que se encontrava ainda de pé numa das principais artérias da então "jovem" cidade. Vi depois que a petição (a exigência) tinha fortes apoios entre a populaça. É ir lá hoje e ver que "bela" é a cidade! Abraço Bem merece as distinções este blogue.
A propósito: para quem ainda lá não foi, recomendo vivamente a exposição "Lisboa 1758 - O Plano da Baixa Hoje". A entrada custa 3E.e pode ser vista nas instalações dos Correios, na Praça do Comércio. Entre tantas outras, também lá se encontra uma foto muito semelhante a esta. Mas tem muitos mais motivos de interesse, como a grandiosa maquete da Lisboa pré-Pombalina, um desenho à mão da zona ribeirinha, duma realismo e pormenor capaz de fazer inveja a muitas máquinas fotográficas, etc, etc. Encerra no final deste mês, penso eu. A.v.o.
Não conheço São João da Madeira. Mas será uma cidade jovem, pois então. Em sendo jovem quer-se tudo moderno. Grato pelo fado de Dª Teresa de Noronha, que vem muito a calhar. Cumpts.
Soberbo!!!
ResponderEliminarA música e a atmosfera de uma Lisboa (e de um País), que ficou lá longe. Parabéns e muito obrigado por este extraordinário blog. Cumprimentos. Valdemar Alves
Obrigado eu!
ResponderEliminarCumpts.
Eu nasci na Mouraria
ResponderEliminarNum prédio que resistia
Ao progresso que o venceu
Um dia, tanto gingou
Por fim, não se aguentou
E de saudades morreu
...
(O que sobrou da Mouraria)
Caro Bic:
ResponderEliminarFabuloso! Faço minhas as palavras do Caro Valdemar Alves. E a junção do Fado Malhoa à imagem lança uma torrente de emoções neste coração de Lisboeta já com uns anitos em cima.
A Lisboa que o Caro Bic aqui evoca é anterior à minha existência terrena, mas ainda recordo certos trechos dela da minha meninice. Atmosferas agora engolidas pela globalizante e destruidora barbárie actual.
Um Bem-Haja!
Ou é coincidência ou estou a tornar-me sentimental (será da idade?). Primeiro foi a foto da E.N.117 e agora é esta. Embora a data da foto seja anterior à minha chegada a este planeta, ainda me lembro de vêr o Arco do Marquês do Alegrete na sua agonia final. Lembro-me, até, de o meu pai comentar para os conhecidos, em ar de brincadeira, que o Arco estava assim porque um eléctrico tinha chocado contra ele.
ResponderEliminarO Fado Malhoa era frequentemente cantado pela minha mãe - baixinho, porque assím o obrigava sua timidez - numa época em que era vulgar as mulheres cantarem durante as lides domésticas.
Nos inícios dos anos 70, ainda subsistiam, desgarrados, a cabine telefómica e o "anexo" que está entre ela e o cinema e que era uma "tasca", minúcula e sebosa, onde o pessoal vinha "molhar o bico" nos intervalos das "fitas" do Salão Lisboa, mais conhecído como o "Piôlho".
Agora, que tem sido recordado José Cardoso Pires, deu-me para pensar que ele talvez gostasse de ter conhecido este blogue.
A.v.o.
Esta Praça - e a velha Moraria - infelizmente nunca cheguei a conhecer. Já as visitei vezes sem conta na minha imaginação... E através de magníficas imagens como esta!
ResponderEliminarTendo vivido muitos anos por perto, nunca entendi como foi possível massacrar um bairro inteiro para deixar – para sempre – só caos e ruínas!...
Ver, hoje em dia, toda esta zona… é de fazer chorar as pedras da calçada!
Curiosamente vivo agora numa outra zona – Sete Rios - em que se me ocorre dizer exactamente o mesmo!...
São décadas e décadas de massacres, que parecem ainda não ter servido de lição! :-(
Abraço
PS- E que bem ficaria o velho Fado Malhoa aplicado à bela Avenida José Malhoa… lindo exemplo de modernismo e respeito pela estética citadina!... :-(
ResponderEliminarObrigado! Igualmente.
ResponderEliminarSó em 1987 com o 1º vol. da «Lisboa Desaparecida» fiz caso do arco. A minha mãe falou-me do arco quando passávamos de eléctrico, ainda a cabina lá devia estar, mas então não me fazia sentido.
ResponderEliminarO gracejo do seu pai tinha espírito.
Cumpts.
Tenho ideia que se fazem estas coisas com grande inconsciência. E depois com o disparate metendo-se pelos olhos dentro é impossível que não se chegue à conclusão que melhor era estar quieto.
ResponderEliminarCumpts.
É uma rica ironia. A tacanhez do entendimento de progresso está no Martim Moniz e lá na José Malhoa. Um fado Malhoa pleno de ironia, de feito.
ResponderEliminarCom o pintor às voltas no túmulo, com certeza.
Cumpts.
Se é uma pergunta: sobrou uma ferida enorme no coração de Lisboa.
ResponderEliminarCumpts.
Há uns anos, coisa de quase vinte talvez, no centro de São João da Madeira vi colados vários papéis em que se exigia a demolição de uma "vergonhosa casa velha" (era qualquer coisa do género a expressão) que se encontrava ainda de pé numa das principais artérias da então "jovem" cidade.
ResponderEliminarVi depois que a petição (a exigência) tinha fortes apoios entre a populaça. É ir lá hoje e ver que "bela" é a cidade!
Abraço
Bem merece as distinções este blogue.
A propósito: para quem ainda lá não foi, recomendo vivamente a exposição "Lisboa 1758 - O Plano da Baixa Hoje". A entrada custa 3E.e pode ser vista nas instalações dos Correios, na Praça do Comércio. Entre tantas outras, também lá se encontra uma foto muito semelhante a esta. Mas tem muitos mais motivos de interesse, como a grandiosa maquete da Lisboa pré-Pombalina, um desenho à mão da zona ribeirinha, duma realismo e pormenor capaz de fazer inveja a muitas máquinas fotográficas, etc, etc. Encerra no final deste mês, penso eu.
ResponderEliminarA.v.o.
Já agora acrescento este fado, com sua licença.
ResponderEliminarNão conheço São João da Madeira. Mas será uma cidade jovem, pois então. Em sendo jovem quer-se tudo moderno.
ResponderEliminarGrato pelo fado de Dª Teresa de Noronha, que vem muito a calhar.
Cumpts.
Grato pela sugestão. A ver se ainda a apanho. Cumpts.
ResponderEliminarSalão Lisboa...
ResponderEliminaro famoso piolho!
Sim senhor.
ResponderEliminarCumpts.