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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Anno

Do lat. annus, medida de tempo que comprehende 12 mezes... Differente do lat. anus que remette para o fundo do intestino grosso.


 


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  «Anno», Diccionario Aulete, 1.ª ed., Lisboa, Imprensa Nacional, 1881, p. 99.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Ainda no tempo da Farinha 33

 Milho alvo a 5$40 [cinco e quatrocentos, na linguagem mais corrente] / Kg; milho païnço a 6$90 [seis mil e novecentos, em linguagem também corrente]; e queijo Rabaçal a 19$00 [dezanove mil réis, em linguagem ainda corrente] o quilo.
 E um rèclamo aos vinhos Messias. -- É onde esta mercearia ficava: mesmo ao lado do rèclamo...


 


Mercearia, Lisboa (A. Pastor, c. 1960)
Mercearia,
Lisboa, c. 1960.

Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

No tempo da Farinha 33

 Batata nova para consumo a 1$00 [dez tostões] / Kg. Grande sortido de marcas leite em pó, leite condensado da marca que se sabe, atum em conserva, queijos de vária qualidade e qualquer coisa que não sei dizer a 49$00 / Kg.


 


Mercearia, Lisboa (A. Pastor, c. 1960)
Mercearia,
  Lisboa, c. 1960.

Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Da imundície imune


 [...] Nestas condições, normal seria que a jornalice espaventasse o escândalo, matéria de higiene urbana e saúde pública. Dorme, porém, descansado o presidente da Câmara. O homenzinho ajunta ser socialista a ser monhé, duas qualidades fundamentais que lhe garantem a imunidade jornalenga [...] A imprensa não quer enfarruscar as ambições políticas do cavalheiro. Lisboa já lhe fica curta nas mangas e inodora nas narinas. Tarde ou cedo, há-de perfumar de lixo o país inteiro.


Bruno Oliveira Santos, «Lisboa, a capital do lixo», in Biblioteca, 28/XII/13.



Imagem da porcaria que preside a Lisboa, in Biblioteca.


sábado, 28 de dezembro de 2013

No tempo da pesca

Praia dos pescadores, Albufeira (A. Pastor, 1960-65)


Praia dos pescadores, Albufeira, 1960-65.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Café de Paris • pizzaria • restaurante • snack-bar • grill • crepes

 O café no recanto da Praça de Londres de que me não recordava ontem era a final o Café de Paris. O confrade Manuel desfez-me dúvidas e enganos ontem ao serão num comentário certeiro com prova irrefutável.


Café de Paris, Praça de Londres (Lisboa), 1977.
Vasques, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 Com estas voltas dou comigo a pensar no desconcerto: da Praça de Londres irradiam, entre outras, as avenidas de Roma, de Paris e do México;  o Café de Paris ficava na Praça de Londres; o café Londres era (ou é) na Av. de Roma; a leitaria Mexicana descaía (e descai) da Praça de Londres para a Av. Guerra Junqueiro, sem caso da Av. do México que dá para o outro lado...
 Só a pastelaria Roma se atinava com a avenida do seu nome. Mas vede, acabou em hamburgaria americana!...


 


Adenda às 11h30:


 Em comentário acabado de receber, o confrade José Leite confirma que o café Londres antecedeu, no actual recanto do B.E.S. na praça da dita, o Café de Paris na imagem.
 Recapitulando, assim: nos anos sessenta e até, pelo menos 1973, há testemunho de no tal recanto da Praça de Londres haver (naturalmente) o café Londres. Em 1977 há prova fotográfica de o café Londres se haver vertido em Café de Paris (talvez oriundo da Manuel da Maia, talvez donde está a geladaria Surf). Somado ao que cogitei antes e somadas a Capri, a Zurique (ao Areeiro), a Luanda e mais alguma que me escape, é todo um tratado de cafés e pastelarias com nomes de cidades em avenidas com nomes de cidades, na cidade de Lisboa.

No tempo do moliço

Barcos moliceiros, Aveiro (A. Pastro, c. 1952)
Moliceiros, Aveiro, c. 1952.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


Moliceiro carregado


Moliceiro carregado de moliço, Ria de Aveiro (A.Pastor, 1952)
Moliceiro carregado, Ria de Aveiro, c. 1952.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Recanto da Praça de Londres

 Na esquina da Av. de Roma com a Pr. de Londres lembro-me dum balcão do Banco Espírito Santo & Comercial de Lisboa -- entre tanto o «Comercial de Lisboa» foi engolido pelo «Espírito Santo», que é um comilão. -- Um dia entrei com ideia de abrir uma continha de depósito; era moço, não devia dar ar de ter poupança ou renda de interêsse para tão relevante casa bancária e o empregadozeco do balcão não teve pejo em mo dar a entender. Voltei as costas sem mais, cuidando com os meus botões que se tivesse ido de gravata teria enganado o gajo. Abri ao depois conta no balcão de Benfica porque um patrão, certamente de gravata, não pagava senão através de tão ilustre casa bancária.
 A historieta é sem interesse e com o agravo de publicitar gratuitamente família de onzeneiros que dele não precisa. -- O que eu queria lembrar-me era do nome do café que havia naquele recanto. Vejo-o na imagem, recordo-me dele e não há maneira de me lembrar o nome...


Praça de Londres (vista parcial), Lisboa (A. Pastor, 1960-69)
Pr. de Londres, Lisboa, 1960-69 [post 1972].
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



(Datação revista em 27/XII/13 ao meio-dia e meia com base na matrícula do automóvel em primeiro plano.)

Tomateiro de janela

fotografia.JPG
Tr. dos Salgados, Venda Nova, 2013.
Cliché de Luísa Gonçalves.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Caes das columnas

Cais das Colunas, Lisboa (A.Pastor, 1950-69)


Cais das Colunas, Lisboa, 1950-69...
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

domingo, 22 de dezembro de 2013

Programa de variedades


Fran Jeffries, Meglio Stasera
(H. Mancini, F. Migliacci, in B. Edwards, A Pantera Cor-de-Rosa, 1963.)

Mensagem para esta quadra

 Sei duma Marisa Matias com sinecura no parlamento de Estrasburgo e uma avença semanal para falar na radiodifusão do regime (num programa «Conselho Superior», conselho esse representado diàriamente por sombras do espectro político autorizado -- o que vai das esquerdas revolucionárias à direita de avental).
 Na sexta-feira o locutor da emissora que dá antena à piquena lembrou-a que só havia de tornar a falar depois do Natal; se quereria ela -- foram as palavras do locutor -- deixar uma pequena mensagem para esta quadra.
 Balbuciou logo então desejo de o próximo ano ser um melhor ano, em que se ponha fim e se comece a pôr fim [sic] a este ciclo [político]; e seguiu na mesma linha de ideias até concluir com uma exortação muito adequada: as pessoas que me estão a ouvir, que não se resignem, por favor, que lutem pelos seus direitos. De permeio, vá lá, conseguiu denunciar uma vaga ideia da quadra por, enfim, ter alguma noção de que os portugueses e as portuguesas [ai, ai!...] não poderão ter um Natal tão digno como deveriam ter.


 Como cega a ideologia! -- Custa tanto a esta gente desejar simplesmente...?


Um santo e feliz Natal a todos


Corregio, «Adoração do Menino», 1818-20 (Óleo s/ tela, 81 x 67 cm -- Galeria de Uffizzi, Florença)


Correggio, Adoração do Menino, 1518-20.
Óleo sobre tela, 81 x 67 cm,  Galeria de Uffizzi, Florença.
(Imagem colhida na Galeria de Arte da Rede.)

Fragatas do Tejo

Fragatas, Rio Tejo (A.Pastor, 1950-69)Fragatas do Tejo, Lisboa, 1950-69.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

sábado, 21 de dezembro de 2013

Av. dos Estados Unidos da América

Av. de Roma, Lisboa (A.Pastor, c. 196...)
Av. dos E.U.A.
, Lisboa, 196...
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Av. de Roma

Romeira em dia de Inverno, Av. de Roma (A.Pastor, c. 196...)
Av. de Roma
, Lisboa, c. 1968.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Manhã de Inverno

 Manhã de Inverno no cais da alfândega. O relógio não marca ainda as sete. Dois automóveis alinham-se à entrada, aguardam o embarque. Um traz bagagem no tejadilho. O que parece um Guarda Fiscal ronda (os anti-fascistas de serviço não tardarão a aqui vir com aquele de chapéu e gabardina ser da P.I.D.E.). O Sol banha o casario apinhado na encosta da Sé. A primeira fiada é da Rua dos Bacalhoeiros (vedes a casa dos Bicos? -- que o Brás de Albuquerque construiu para uma tal Pilar...?); a segunda é da rua do Albuquerque e, logo a seguir, de S. João da Praça, em baixo da Sé (vedes a rosácea do transepto?). Ao depois é tudo até lá acima aos Lóios.




Cais da Alfândega, Lisboa, post 1955.
Estúdio de Mário de Novaes, in Bibliotheca de Arte da F.C.G.

Nota: Na legenda original o arquivista da Fundação Gulbenkian, além de redigir como analfabeto, diz que é a A.G.P.L. no «Terreiro do Paço». É o subproduto típico da mentalidade «mais ou menos» de quem não sabe nada e que povoa as cacholas mais modernaças, que já carregam inato tudo o que haveria a aprender; ignorar o que seja terreiro, o que seja paço, ou o que seja pròpriamente o Terreiro do Paço dá nisto. Anda-se por aí. Siga o futuro!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Portugal. Ano 39 e ½ depois do funeral

 O portugalinho da Liberdade é isto. Sucata para godinhos e robalos de águas portuguesas comprados à Espanha (ou a Marrocos) para os godões libertadores.
 Da herança industrial fascista apoderada pelos ditadores do proletariado, que sobra?
 A Sorefame ainda não fechou? Aguenta-se para aí só com godinhar sucata ou ainda dá para manufacturar robalinhos ferroviários?
 E o aço? Vem da China, ou fabricam-no os chins por cá antes de no-lo venderem? -- É como a electricidade, produzida da água dos nossos rios e do vento das nossas serranias, também pelos chins, a quem a compramos...?
 Se são tolas as perguntas, confesso-me desde já culpado de não saber nada destas coisas. Destas nem doutras, do tempo da C.U.F., da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes ou do navio mercante Arraiolos que carregava estas mesmas carruagens, fabricadas em Portugal, para terras longínquas.


 


Carruagens da Sorefame para sucata, Portugal  (D.P. Cabrita, 2013)
Sucata de novo-rico, Portugal, 2013.
Diamantino Cabrita, apud Caminhos de Ferro de Vale da Fumaça.

Embarque duma carruagem «Budd» fabricada pela Sorefame, Alcântara (Est. H. Novais, post 1948)
Embarque duma carruagem «Budd» fabricada pela Sorefame,
Alcântara, post 1948.
Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca d'Arte da F.C.G.

Manhã de chuva


Quinta-feira, 11h28, Restauradores, 1957.
Fotografia de John Gutmann, in Portugal Velho.

Pop de 81

 O rótulo naqueles anos era mais elaborado -- rock futurista, ou neo-romântico. São etiquetas da moda. Certíssimas quando se tem 13 anos e os referenciais são o kitsch do momento, oriundo dos horizontes curtos, do gôsto mimético dos pares da mesma idade... Estes anos todos passados e só assim me redimo de alguma vez me ter encantado disto. -- Aliás, um ano ou dois depois já me não revia aqui porque a banda da moda havia de ser outra. Tal como um, dois, três anos antes a moda fora a Donna Summer, os Bee Gees ou os ABBA. Sucede porém que fica uma centelha de saüdade. Reconforta tornar ali às vezes. Só pelo instante duma cantiga.


 



Duran Duran, Anyone Out There
(Old Grey Whistle Test, 7/7/81.)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Liceu Felipa

 Aliás gineceu; era escola feminina.
 Aliás Filipa (por Felipa, que é forma ortoépica correcta, por dissimilação dos dois ii consecutivos -- como em ministro/menistro).
 
Aliás Escola Secundária desde que o grande acidente nacional proscreveu proletàriamente os liceus.
 
Aliás agrupamento de escolas desde que o eduquês deu em prescrever escolas em cachos (foi mais ou menos quando o economês passou a prescrever empresas aos cachos, também).


 No tempo em que os telefones tinham discos de marcação, ligavam muita vez lá para casa à procura -- Está lá! É do liceu Felipa? -- Era engano, claro. Devia ser um n.º parecido...

 Liceu D. Felipa de Lencastre, Arco do Cego (S. A. Fernandes, 1958).
Liceu D. Felipa de Lencastre, Arco do Cego, 1958.
Salvador de Almeida Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.


 


(Revisto aos cinco para as duas da tarde.)

Invasão da Índia


« Quando foram afixadas as escalas de serviço fiquei surpreendido por não estar nomeado para a Índia. Fui ao serviço de escalas protestar pois, por rotação, era a minha vez. O funcionário pretendeu alterar a escala mas recusei, porque era contrário ao sistema de riscar e pôr outro nome. Deixei o aviso, para que na próxima viagem não se enganassem.
 Na viagem seguinte, as escalas estavam certas e lá estava o meu nome. Antes de iniciar a viagem tomei conhecimento de que Goa tinha sido invadida. O avião da T.A.P. estava lá e o aeroporto estava a ser bombardeado. Era a viagem que me pertencia, mas o destino quis que me fosse roubada, protegendo-me daquele martírio.
 Saí de Lisboa convencido de que iria aterrar em Goa, mas enganei-me. Em Carachi (Paquistão), fui informado que não poderia seguir para Goa, porque o aeroporto estava a ser bombardeado. Regressei a Lisboa, preocupado com os colegas que estavam em Goa. Quando cheguei, tomei conhecimento que durante a noite, o avião da T.A.P. aproveitando a escuridão e com alguns buracos na fuselagem, descolou de Goa. Dirigia-se para Carachi, a baixa altitude, para não ser detectado pelos radares. O voo foi executado com êxito e perícia, conseguindo chegar a Carachi são e salvo. Foi protegido pela sorte, mais uma vez.


 Passados uns bons anos, quando a T.A.P. comprou os Boeing 747, fui nomeado para ir para os E.U.A. frequentar o 1.º curso daquele tipo de avião, como chefe. A Boeing, conhecedora do caso de Goa tinha para frequentar esse curso pilotos de vários países, entre os quais indianos. Perguntou à T.A.P. se tínhamos algum problema em frequentar o curso com indianos. A resposta foi:
 
Nada temos a opor.
 Chegados aos E.U.A., começaram as aulas e lá estavam os indianos.
  Good morning!  e os indianos, um pouco comprometidos, lá respondiam: Good morning!
 Com o decorrer dos dias, nós e eles descomplexávamo-nos e começávamos a conversar cada vez mais, até que chegámos à amizade. Nós éramos dois comandantes e dois mecânicos [de voo] e alugámos uns apartamentos onde não faltava uma cozinha e respectivos apetrechos. Um colega meu era um bom cozinheiro e, um dia, resolvemos convidar os indianos para irem almoçar connosco. Aceitaram o convite. Durante o almoço, falou-se de Goa e viemos a saber que, aquando da invasão, eles foram os pilotos dos aviões que foram bombardear o aeroporto. Um dos mecânicos, que estava nesse avião da T.A.P. na altura dos bombardeamentos, volta-se para eles, rindo:
  Ah! seus malandros, queriam matar-me?! — Foi uma gargalhada geral até porque o álcool já estava a produzir os seus efeitos, a tal ponto que já se atiravam latas de cerveja vazias pela janela fora. Os indianos, eufóricos, já diziam:
  Vamos dizer à Indira Ghandi para dar outra vez Goa aos Portugueses, porque são uns gajos porreiros.


 Assim, terminou um encontro entre beligerantes.»


Miguel de Sousa Ferreira, Apontamentos da Vida de um Aviador e Agricultor, Ed. do Autor, Lisboa, 2001, pp. 43-44.



~~  «» ~~





(Recorte: «Transportes Aéreos da Índia Portuguesa», in Restos de Colecção, 12/IX/2011.)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Fim do assunto importante

Puto mijão, Sintra (s.n., 1966)
Costumes populares, Sintra, 1966.
Fotografia de autor não identificado, in Portugal Velho.

Assunto importante


Costumes populares, Areeiro, 1976.
Fotografia de Fidalgo Pedrosa, in Portugal Velho.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Hora de...

Costumes do Minho, Barcelos  (Alvão, 1932)
Costumes do Minho, Barcelos, 1932.
Fotografia de Alvão, in Portugal Velho.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Patetada tropical


Afloramento  do  'i'  Eufónico [Epentético]


  [...] Também nos demais casos em que seja ele simplesmente pronunciado, é nossa proposta que seja colocado graficamente.
 Exemplos:



Absolver



> abisolver





abster



> abister



Hipnose



> hipinose





psiquiatria



> pisiquiatria



Etnografia



> etinografia





oftalmologia



> ofitalmologia



Tecnologia



> tequinologia





substantivo



> subistantivo





Alfabeto sem Amarras, [Propostas para] que o idioma português seja simplificado e democratizado, principalmente no que se refere à sua ortografia.

Ze Carioca n.º 1415, Editora Abril (1978)



 No Mundo há gente aos milhões sem a mínima noção de haver um país que é Portugal. Sem centelha de rasgo, não lhe ocorre a ideia simples de haver de ser dum país com nome Portugal que emana o idioma conhecido como Português -- ou sequer lhe ocorre que em tal país haja de necessariamente haver também gente (e também aos milhões) que o fale. -- Mas é gente capaz (aquela primeira de que falei); sem alcançar um palmo à frente do nariz consegue ofuscar-se com o próprio umbigo.
 Mais patetas para juntar ao idiota...

(Imagem: Zé Carioca n.º 1415, Editora Abril (1978), in Tralhas Várias.)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Sei pela imprensa que...

 Mais de seis dúzias de sírios com passaportes turcos foram na Guiné metidos num voo de carreira de Bissau para Lisboa. Os sírios foram instalados na colónia balnear d' «O Século» a expensas dos portugueses.


 E pergunto provincianamente:



  • Que andavam estes sírios turcos a fazer na Guiné?

  • Quem os mandou até lá?

  • Alguém lhes pagou o bilhete na TAP?

  • Se não, por que houveram de ser trazidos para cá?

  • Podemos endossá-los a alguém ou vamos mantê-los para adornar a filantropia do dr. Sampaio?


789FOTG-placa-.jpg
Aeroporto da Portela, Lisboa, 196...
Fotografia do Museu da TAP (789FOTG-placa-déc60).

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Portela, 1965

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T.A.P.: aviões Caravela e Super Constellation, Aeroporto da Portela, 1965.
Fotografia: Cte. Amado da Cunha, in col. do Sr. Ant.º Fernandes.

À sanha dos soezes

Calçada portuguesa, Rotunda (A. Passaporte, 1940)
Calçada portuguesa, Rotunda, 1940.
António Passaporte, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Chimpanzés em demandas nos tribunais

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Aguardo novas da demanda pelo direito ao casamento «gay» e a co-adopção de meninos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Centro Sul


« Tendo em conta a sua baixa frequência e baixa afluência de passageiros (o 52 ainda chegou a ter autocarros de dois andares, já o 53 e 54 nunca sentiram essa necessidade), não deixa de surpreender que estas três carreiras tenham atravessado os anos setenta sem qualquer alteração [...]»


Cruz-Filipe, «52, 53 e 54: Os autocarros da ponte», in História das Carreiras da Carris.



Portagem da Ponte Salazar, Pragal (A. Pastor, 1973)
Portagem da Ponte Salazar, Pragal, 1973.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 Houve um autocarro que em tempos circulou da Praça de Londres para o Centro Sul, em Almada. Era um desdobramento do 40 que ganhou alforria como 52, 53 ou 54, não lembra já qual deles. [Era o 54.]
 Certo dia meti-me nele. Com o passo no bolso e uma nota de 20$00 na algibeira havia de ir ao Centro Sul. Planeava gozar as vistas da ponte, olhar em redor na outra banda e, se Deus quisesse, tornar. Sucedeu porém que, se bem estudei o trajecto e horários para ir e não ficar lá, para a despesa da tarifa suburbana da Carris em que incorria andei de antolhos. Deu asneira.
 Talvez com base no bilhete suburbano de 5$00 que sabia a Carris cobrar entre a Calçada de Carriche e Odivelas, conjecturei que para ir de autocarro pela ponte a conhecer o Centro Sul, mais do dobro daquilo seria absurdo; de modo que, pois, os 20$00 me haviam de chegar.
 Porém, quando a imprevidência comanda, o absurdo é natural que suceda.
 O caso foi que os 20$00 não chegavam (mas afinal chegaram e sobraram - já lá vamos); a tarifa suburbana de Alcântara ao Centro Sul era afinal 15$00 e, quando o pica-bilhetes ma disse ao estender-me o bilhete para o destino que lhe eu dissera, apatetei. Atoleimado, não perdi todavia a fleuma: paguei o bilhete honrando o negócio. E embotado de todo, devo confessar, não ouvi o contra-regra dizer para sair antes de o autocarro se fazer à ponte. Segui para o destino sem meios de pagar o regresso.
 Quando o autocarro arribou ao Centro Sul fugi do embaraço. Desesperado como um náufrago à cata duma tábua de salvação quis crer que da Praça da Portagem até Lisboa os 5$00 que me sobravam na algibeira pagariam o bilhete de regresso sem me denunciar a imprevidente estupidez. O que fiz para ali foi orientar-me até à Portagem antes do último autocarro, sem pensar em mais nada. Não me perguntem que voltas dei pelo Pragal até lá chegar, mas veio a ver-se consegui-o. Achei a paragem, apanhei o autocarro e, já sobre a ponte (destinado e sem retorno, portanto), pedi com naturalidade um bilhete de 5$00. Estendi a moeda.
 -- São 10$00 -- foi a resposta sêca.
 -- Só tenho isto. -- Acho que o entoei com indiferença. Tanto assim que o pica-bilhetes se foi sem me fazer caso. Deixei-me seguir suspenso do que havia de acontecer.
  Pois, nada. O cobrador não me tornou a dizer palavra até à Praça de Londres. Saí de acordo com o argumento. Cuido que cada um desempenhou o seu papel.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Memorial da cultura

 Hoje de manhãzinha, reportagem extensa na rádio sobre tirarem o Memorial do Convento do programa de Português dos liceus. Um côro de clamores: queixaram-se os vendilhões mafaricos (menos visitas de estudo à vila); queixou-se o director contabilista dos ingressos do palácio nacional (menos visitas).
 São clamores por motivos legítimos, concedo-lhes. Mas que são toda uma cultura...

 Cruelissima guerra que houve entre os caens, e gatos na grande praça da Real Villa de Mafra

 Comadres e compadres não deixarão de bradar pavlovianamente pelo menosprezo da literatura sem pontuação.  É toda uma intelectualidade. Não chega a ser cultura.




Gravura: Cruelissima guerra que houve entre os caens, e gatos na grande praça da Real Villa de Mafra, in Biblioteca Nacional.

Os taleiros

 Na sexta-feira (e hoje ainda o camarada Jerónimo), na rádio, diziam muito dos taleiros -- os taleiros de Viana do Castelo. Assim definha a prosódia, porque, na verdade, estaleiros (ou Portugal) já não temos.


(O Observador, n.º 47, 7/1/1972, pp. 8-10, in Porta da Loja.)

domingo, 1 de dezembro de 2013

Se fôra a isso...

« El-rei mandou ao barão (*) que fosse da sua parte visitar ao imperador Carlos Quinto, seu cunhado, que chegara de Itália a Espanha. E o barão entrando já por Castela com dezoito homens com que corria à posta **), perguntou-lhe um castelhano, vendo-o tão bem acompanhado, se ia tomar Castela. E o barão respondeu-lhe:

 — Se eu viera a isso, trouxera menos portugueses.
»


J. H. Saraiva (anot. e com.), Ditos Portugueses Dignos de Memória; História íntima do sécúlo XVI, 3ª ed., Mem Martins, Europa-América, 1997, pp. 134-135 (342).

Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983.







(*) D. Rodrigo Lobo da Silveira, 3.º barão do Alvito, vedor da Fazenda de el-rei D. João III.

(**) Corria à posta: correr à posta era a forma mais rápida da viagem na época, mudando os cavalos nas postas, escalonadas ao longo do caminho. [N. do A.]


Imagem do Escudo Português na Exposição de Arte Portuguesa na Academia Real das Artes, Londres, 1955-56.
Estúdio de Mário de Novais: 1933-83, in Bibliotheca de Arte da F.C.G..