Manhã de Inverno no cais da alfândega. O relógio não marca ainda as sete. Dois automóveis alinham-se à entrada, aguardam o embarque. Um traz bagagem no tejadilho. O que parece um Guarda Fiscal ronda (os anti-fascistas de serviço não tardarão a aqui vir com aquele de chapéu e gabardina ser da P.I.D.E.). O Sol banha o casario apinhado na encosta da Sé. A primeira fiada é da Rua dos Bacalhoeiros (vedes a casa dos Bicos? -- que o Brás de Albuquerque construiu para uma tal Pilar...?); a segunda é da rua do Albuquerque e, logo a seguir, de S. João da Praça, em baixo da Sé (vedes a rosácea do transepto?). Ao depois é tudo até lá acima aos Lóios.
Cais da Alfândega, Lisboa, post 1955.
Estúdio de Mário de Novaes, in Bibliotheca de Arte da F.C.G.
Nota: Na legenda original o arquivista da Fundação Gulbenkian, além de redigir como analfabeto, diz que é a A.G.P.L. no «Terreiro do Paço». É o subproduto típico da mentalidade «mais ou menos» de quem não sabe nada e que povoa as cacholas mais modernaças, que já carregam inato tudo o que haveria a aprender; ignorar o que seja terreiro, o que seja paço, ou o que seja pròpriamente o Terreiro do Paço dá nisto. Anda-se por aí. Siga o futuro!
Apenas uma pequena discordância. No meu entender o relógio marca quase 08:00, isto porque sendo indiscutível que a fotografia é tirada no Inverno (basta ver as copas das árvores despidas), no Inverno, se ainda não fossem 07:00, o Sol ainda não estaria tão alto. Estaria ainda "lusco fusco". Isto porque efectivamente a observação do relógio não é conclusiva.
ResponderEliminarQuanto ao mais, votos de um Santo Natal.
Ena pai! As fotografias que publica são de uma nostalgia saudável, mas a acidez com que critica os novos tempos não são consentâneos com a abertura de espírito necessária para a interpretação e assimilação desta antiga realidade por quem não a viveu.
ResponderEliminarJá me revi no 27, que apanhava na Borges Carneiro, de inverno ficava cheio de frieiras, no 22 para o Alto de Santo Amaro que passava na Estrela, no eléctrico do bilhete operário que ligava Belém ao Alto de S.João , nas ruínas do Mundo Português em Belém , no 25 Estrela / Gomes Freire para namorar, mas nos homens de gabardina e bigode à sul americano não me consigo rever, por favor, recordar é viver saudavelmente , não há presente sem passado, os serôdios podem ter graça e audiência , mas não conseguem evitar a realidade.
Cá está! Sempre havia de aparecer quem etiquetasse os homens de gabardina como previsto.
ResponderEliminarObrigado pela nota de apreço e... deixe lá os serôdios. A prova de que a realidade lhes não escapa é a tal acidez da crítica. Haja abertura de espírito para a entender.
Um Santo Natal é o que desejo!
É muito boa observação. Realmente 7h00 da manhã pode parecer cedo para o ensolarado da scena. Se se deu ela em Dezembro. Todavia cuido que o Inverno fosse aqui mais adeantado. As árvores, é certo, vão despidas até Março. A scena deve ser por aí, já mais próxima ao equinócio.
ResponderEliminarAgradeço e retribuo.
Votos de Feliz Natal!!
A direcção da sombra indica as onze e meia da manhã, mais coisa menos coisa.
ResponderEliminarDonde o relógio... (ou eu...)
Abraço
E o comprimento da sombra? Joga com a sua direcção?...
ResponderEliminarDesconcertante...
Abraço e feliz Natal.
O comprimento da sombra não é fácil de avaliar neste caso. Seja como fôr não é incompatível com a hora aventada, com algum erro cometido. A hora é sempre determinada com segurança pela direcção. Neste caso, a sombra do poste mostra ser quase paralela à borda do passeio.
ResponderEliminarJá o comprimento sugere-me, sem grande rigor, meados de Março ou meados de Outubro.
(o relógio não marcará 11:35?)
Abraço e obrigado pelos votos. Que são retribuídos.
Hei-lhe de dar razão, pois. Calhando o relógio marca mesmo 11h35.
ResponderEliminar:)
Cumpts.
Um Ford Anglia à direita e um Peugeot 203 à esquerda...
ResponderEliminarDevo estar a ver muito mal mas por mais que procure não vejo árvores nenhumas... nem vestidas nem despidas...
ResponderEliminarMaria
Ampliando a fotografia (prima a imagem) descobrem-se uns ramos de copa atrás duns homens de preto.
ResponderEliminarBom Natal!
Sim senhor. Foi dum desses modelos que deduzi a data aproximada.
ResponderEliminarBoas Festas!
Igualmente para si e para todos os seus. Feliz Natal também para todos os leitores deste tão gratificante espaço blogosférico.
ResponderEliminarMaria