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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Era uma vez em Faro

Jardim, Faro (A. n/ id., Portimagem, 1939)
Era uma vez um casal no banco de jardim, Faro, 1939.
A. n/ id., in Colecção da Fundação Portimagem, «O Álbum de Família».


 

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Ena! Bigodinhos para pendurar balões (*)

Era uma vez, sentado com um livro, Portugal, [s.d.]. A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.
Era uma vez num jardim com um livro, Portugal, [s.d.].
A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.


 


(*) Tirada do Vasquinho da Anatomia com os copos, no retiro do sr. Alexandrino, sobre um bigode assim, num naco d' A Canção de Lisboa  (Cottinelli Telmo, 1933).


 

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

A ver se entendo a mama e o resto…

Tirada do rol do advogado da imigração Nuno da Silva, estabelecido em Arroios, Lisboa (ou direi já أشبونة — Al Usbuna? ).
Screenshot 2025-09-25 at 12-18-59 Facebook.png



Noman Sohail [ = Abençoado Nobre] — Taxa mínima para renovação [de autorização de residência]?


أمير العزوني [i.é, Amir (ou Emir) Al Azúni = Grandioso Emir/Príncipe] — Não há taxa mínima; necessita estar a trabalhar [ou empregado…] enquanto corre o processo de renovação.


Rashid Ahmed [ = Muito Louvado Beato] — Tudo certo, com algumas correcçõezinhas: não é obrigatório [estar a trabalhar — ou empregado, digo eu]; alguns que recebam da Segurança Social ou estejam em cursos do I.E.F.P., esses basta-lhes provar à A.I.M.A. que estão a viver em Portugal e à procura de emprego [cá está!], enviando declaração de prova da Segurança Social e do I.E.F.P.



 Dos nomes aprende-se muito; e já se compreende muito melhor a altivez, como que ungida de baptismo, desta espécie de gente quando a vejo passar nas nossas ruas com sobranceira indiferença ao indígena luso. Isto quando nos abeiramos já da  arrogância agressora com que se manifestam às portas de S. Bento.


 Do teor da conversa, é como se lê: um esquema cristãmente socialista, oficial, de subvenção à islamização de Portugal.


 Estupidez? Traição? Suicídio…


Screenshot 2025-09-25 at 13-40-58 Facebook.png


 Puxando só a meada do Rashid, louvado seja, que aparece tão entendido, tira-se-lhe que é bengali, natural de Sylhet (à inglesa) ou Srihatta (à indiana), casado e escritor.


 Escritor.


 O que escreveu o escritor?


 Pois, escreveu que trabalha na A.N.A., na Portela… (agente infiltrado no aeroporto de Lisboa ou avançado da nossa novíssima P.S.P. de fronteira?…)
 Escreveu e publicou mais que:



 Não sei se foi por esta ordem ou pela ordem inversa.
 Com isto tudo que vai, em 2023, por cá, terminou o 4.º cap. dum curso (e-learning?) de Gestão de Reclamações. Alá o ajude sempre, foram os votos da mulher depois do feito.


 Ala com isto, digo eu.


 

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Era uma vez… de automóvel

Era uma vez… de automóvel, Sintra, 1939. A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.
Era uma vez… de automóvel, Sintra, 1939.
A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.


 

Uma crise nacional que nem se imagina

 O Benfica empatou. A maior causa nacional — a única causa nacional — empatou. O presidente da causa única nacional, diz, passou o dia no campo de treinos a resolver a crise. São horas e horas de eucaristia televisiva pelo Benfica. Ninguém sabe bem como resolver isto. Os padres bem rezam o terço.


 


«Rui Costa passa o dia no Seixal após empate», Now [um rico nome para um canal de televisão português], 24/IX/25


 Fora isto nada se passa. Os cinco gurkhas que vi sair dum bruto jipão com grandes malões directos para o nepalês ali em baixo não são nada. Nem são ninguém. Ainda. Pelo menos até adquirirem o passaporte da República do Benfiquistão. Coisa dumas semanas, na pior das hipóteses. Mais rápido que a nação resolva a crise.


 

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Era uma vez no autocarro

Era uma vez no autocarro, Alameda, 196… A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.
Era uma vez no autocarro, Alameda, 196…
A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.


 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Crónica do trabalho que os portugueses não querem fazer

Lisboa, sexta-feira 19 de Setembro ao meio-dia e picos, Portugal — © MMXXV
Lisboa, sexta-feira 19 de Setembro ao meio-dia e picos, Portugal — © MMXXV


 

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Da insídia

 Com os turcos às portas de Constantinopla reza a história que se reuniram os doutores a debater o sexo dos anjos.


 Agora, com os turcos já bem dentro de portas e à soleira de São Bento, os doutores propuseram-se regimentalmente debater fogos extintos sem entenderem (ou fazerem que não entendem) o fogo vivo com que a insídia já rodeou S. Bento.


 Houve um que não. Esse acorreu aonde estava o fogo. Não sei se ele é bom, se é bombeiro. Mas não se acha outro que lá vá.…


 


IMG_0088.jpeg
A insídia, exposta por Paulo Almeida em comentário a Adriana Alves, João Porfírio, «Manifestação pacífica [sic] juntou 5 mil imigrantes [i.é, centenas] em frente à Assembleia — até Ventura aparecer», Observidor [isso mesmo], 17/IX/25.


 

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Crónicas do trabalho em Portugal


 Pouco depois da hora de almoço, Mourinho saiu de casa no seu Ferrari preto […] e rumou ao Seixal, onde estavam Mário Branco, director geral dos encarnados […]
Bruno Roseiro, «Chegou de Ferrari preto…», Observador, 18/IX/25 (sublinhado meu).




 Crónica a preto, e branco, e sobre tudo a encarnado, do Zé que foi despedido pelos turcos por ter sido  eliminado pelo Bruno, que foi despedido e substituído pelo Zé que foi despedido pelos turcos por ser eliminado pelo Bruno, que foi despedido e agora foi substituído pelo Zé que foi despedido porque… Enfim!…Parece que o Zé já arranjou trabalho.



Vai dormir, pá! — Ou o locutor fanhoso da TV palerma ao portão da cocheira do Zé que foi despedido, mas  que, parece, já arranjou trabalho (C.M.T.V., 17/IX/25)


 

No tempo da união recretativa filarmónica do bairro

Deolinda Rodrigues, Fado Corrido e ensaio da filarmónica
(Madragôa,
Perdigão Queiroga,
1952)


 


 O fado foi dado ao mundo e filarmónica de bairro que subsista aí andará a ponto para ser corrida.


 

terça-feira, 16 de setembro de 2025

A pátria que já não está…

A Pátria — cartão publicitário, 1943. Colecção Fundação Portimagem.
A Pátria — cartão publicitário, 1943.
Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.


 



segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Do tempo do 92-94 da Av. dos Estados Unidos e do terminus do 35 na Av. de Roma

 Av. dos E.U.A., 92. Construído por 1956. O gémeo, n.º 94, estava por fazer. Vê-se o céu. Foi construído de 1961 a 1963. A fotografia calha assim entre 56 e 61. O autocarro é o 35. A carreira terminava ali…


Av. de Roma, Lisboa (A. Serôdio, 1963)
Av. de Roma, Lisboa, 1957-60.
A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.


 


O 35 terminava ali, pois:



 Apesar da frequência entre Cais do Sodré e Areeiro rondar os nove minutos, o serviço do 17 foi sempre irregular, devido à irregularidade das ruas e à elevada densidade populacional ao longo do seu percurso. Em 1957, a Carris decidiu remediar este problema pondo ao serviço autocarros de dois pisos; porém, não sendo possível estes veículos circularem em todos os arruamentos do percurso, foi decidido autonomizar o 17A – nascendo assim o 35.
 […]
 Da Morais Soares, o 35 seguia pelos caminhos tradicionais e não pelas novas artérias. Assim, a ligação ao Areeiro efectuava-se pelo que correspondia à antiga Estrada [i.é, Azinhaga] do Areeiro: Rua Carvalho Araújo, Rua José Ricardo, Mercado de Arroios, Rua Rosa Damasceno e interior do Bairro dos Actores. Atingindo o Areeiro, a carreira seguia por um percurso novo (dando satisfação aos desesperados moradores da zona) pelas Avenidas Padre Manuel da Nóbrega e São João de Deus até à Avenida de Roma, terminando na grande rotunda da Avenida dos Estados Unidos.
 […]
 A 27 de Novembro de 1960, [deu-se] o prolongamento do 35 ao Hospital de Santa Maria […]  Inaugurada três anos antes, nos últimos dias de 1957, a carreira 35 foi sempre daquelas carreiras que simplesmente estão lá, sem grandes frequências […]


Cruz-Filipe, «35: o clássico», História das carreiras da Carris, 27/XI/2010 passim (outrora em linha).



  E o 35 simplesmente está lá, na imagem, passados agora, quê?…  Para mais de 65 anos. Uma memória em idade da reforma,  balizando activamente outras memórias.


 

domingo, 14 de setembro de 2025

Lisboa novíssima, c. 1960

Pr. de Londres, Lisboa, c. 1960. A. n/ id , Colecção da Fundação Portimagem.
Pr. de Londres, Lisboa, c. 1960.
A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.


 

sábado, 13 de setembro de 2025

Visões distintas, de facto…

 O solar de Mateus não há dúvida que é distinto. Como ilustrativo dum debate autárquico de Vila Real de Santo António também é de larga visão.


 


«Conta lá: Vila Real de Santo António em debate», «Sapo», 12/IX/25.
«Conta lá: Vila Real de Santo António em debate», Sapo, 12/IX/25.


 

Estói ou Estoi? Ou Estoy?…

 Instou-me muito cordialmente o benévolo leitor J.H.S., cujas iniciais de assinatura coincidem com as de José Hermano Saraiva, a emendar Estói por Estoi na minha publicação de terça-feira.


 Dei-lhe ontem uma resposta empenhada e longa, bem que apressada e pouco estudada, que treslado  agora para aqui, revendo-a e augmentando-a, enquanto não emendo a que lhe dei lá. Reli-a lá há pedaço e achei-a talvez meia impertinente. Não quis ser descortês, e por isso empreendo de novo na questão, à laia de desculpa. Não sei se mereço.


 Preguntava ao sr. J.H.S. desde logo se me poderia esclarecer se a pronúncia da gente da terra era Estôi, porque me dizia — para que se pronuncie o -o- fechado (como está correcto) e não aberto.


 Vim a descobrir por isto que houve questão há anos com a grafia Estói, cujo acento agudo no ditongo ditava que se marcasse timbre aberto na vogal -o- (ói). Como nunca li nem ouvi Estôi nem conheci gente da terra que mo ensinasse, aprendi Estói com -o- aberto somente de ler o topónimo. Ou seja aprendi a entoar o topónimo a rimar com herói e não com boi, isto sem sem ofensa. E dei em resposta exemplos dalguns autores consagrados:



Raul Proença, Guia de Portugal, II Estremadura, Alentejo, Algarve, [repr. da 1.ª ed.], Biblioteca Nacional, Lisboa, 1927, p. 241 (Estói).

Magnus Bergstrom, Neves Reis, Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa, Empresa Nacional de Publicidade, [s.l.], [1955], p. 175 (Estói).

A. Almeida Fernandes, Toponímia Portuguesa (Exame a um Dicionário), Associaçao para a Defesa da Cultura Arouquense, Arouca, 1999, p. 280 (Estói).



 O útimo A., o Dr. Armando de Almeida Fernandes, até dá origem germânica do topónimo (asts, ramo, com sufixo oi) e considera que foi levado de Norte para o Sul, do concelho medieval Vila Estói, hoje mero lugar na freguesia de Valpedre, concelho de Penafiel. Tem graça esta origem e deslocação do topónimo de Vila Estói para o Algarve porquanto a Assembleia não decretou mudança de denominação para ela na origem, a Vila Estói; só para o povoado algarvio que dela tomou o nome, segundo o Dr. Almeida Fernandes, a quem dou crédito porque foi um grande estudioso da toponímia e não só.


 Temos assim Estoi de lei (como o ouro), e Vila Estói, por inércia da mesmíssima lei, porque a Assembleia não leu este autor, decerto. Ou porque para os lados de Penafiel se não procurou ou nem houve questão alguma com a entoação do ditongo final ói/ôi…


 Empreendendo, pois, agora mais na questão, tiro das Dúvidas Linguísticas do Flip:



 A Lei n.º 32/2005, de 28 de Janeiro, alterou a denominação oficial da povoação e a freguesia de Estói, que passou a denominar-se Estoi. Esta era uma pretensão de alguns dos seus naturais e habitantes.
Helena Figueira, «Estoi ou Estói?», in Flip — Dúvidas Linguísticas, 2/VII/2009 (sublinhado meu).



 Já ontem lera nas Ciberdúvidas desta Lei 32/2005 que, sem preâmbulo, sem aduzir razão de alguns nem de nenhuns dos seus naturais e habitantes ou qualquer outra explicação, antes ordenando seca e imperialmente sem ai nem ui a mudança do nome da terra — a povoação e a freguesia de Estói, no município de Faro, passam a denominar-se Estoi. — Li esta lei seca e pareceu-me bem a Assembleia com ela, no mando e no tom imperativo, pois não há nada como sem dúvida, e vai daí determine-se e mande-se publicar.


 O caso seria, ao que cuido, de nenhuma justificação e de igual importância, também me pareceu. Coisa com que se ninguém aborreceria, nem o Povo de Estoi nem o Visconde de Estói (cf. Nobreza de Portugal e Brasil, vol. II, Editorial Enciclopédia/Zairol, Lisboa, 1960-1989, p. 568). Antes pelo contrário. O Visconde porque já morreu. — Mesmo que vivesse seria, a bem dizer, Visconde de Estoy, estou em crer, tendo sido o título dado por el-rei D. Carlos em 1906. — A Estoy do Visconde não é, por tanto nem por nada tida nem contemplada na lei da Assembleia, até por não ter ela competência nos títulos da Nobreza senão para os querer dar todos por nulos. Só Estói, portanto, é contemplado por ela, com o que passou a Estoi, sem acento, e que Povo da terra talvez prefira. Ou pelo menos alguns dos seus naturais e habitantes, como dizem as Dúvidas Linguísticas do Flip que já referi.


 Da literatura ao meu dispor, que vem de trás, do passado, concluo que amanhã já não canta nem hoje conta. Estão todos aqueles autores errados a grafar Estói. Faça-se por conseguinte tábua rasa. O passado, nestes tempos actuais, tem-se visto e percebemo-lo ainda mais a cada dia, foi um erro colossal e a necessitar de penitência, quando não mortificação. Mas não morramos já disso. Aguardemos talvez que o Congresso Nacional do Brasil ou Academia Brasileira das Letras emitam soberana lei, despacho ou decreto de confirmação final sobre o caso — Estoi ou Estói? — pois, como sabemos desde a sua Resolução n.º 35/2008, a Assembleia desta República Portuguesa trespassou servilmente o domínio e senhorio absoluto do idioma pátrio aos Brasileiros.


 Até lá «a linda aldeia edificada sobre um cômoro que domina a vasta planície banhada pela ribeira do Alcaide», como diz o Guia de Portugal de Raúl (ou Raul?) Proença, que se vá chamando como alguns dos seus naturais e habitantes dizem e a Assembleia nacional dispôs: Estoi (ôi). No fundo é como já dizia o Pinho Leal…



«Estoi ou Estoy», Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno; diccionario ... de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias», vol. III, Mattos Moreira, Lisboa, 1874, p. 71


«Estoi ou Estoy», Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno; diccionario ... de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias», vol. III, Mattos Moreira, Lisboa, 1874, p. 72.
«Estoi ou Estoy», in Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno; diccionario Geographico, Estatistico, Chorographico, Heraldico, Archeologico, Historico, Biographico e Etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias, vol. III, Mattos Moreira, Lisboa, 1874, pp. 71-72.


 

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A Alameda de sua graça numa tarde de 57

Jardim da Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa (A. n/ id., Portimagem, 1957)
Jardim da Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa, 1957.
A. n/ id., in Colecção da Fundação Portimagem, «O Álbum de Família».


 

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Era uma vez em Lisboa

Elevador da Glória, Lisboa, 1973. A. n/ id , Colecção da Fundação Portimagem.
Elevador da Glória, Lisboa, 1973.
A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.


 


Elevador da Glória, Lisboa, 1981. A. n/ id , Colecção da Fundação Portimagem.
Elevador da Glória, Lisboa, 1981.
A. n/ id., Colecção da Fundação Portimagem, in Flickr.


 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

No tempo da batata nova a 2 mil réis

No tempo da batata nova a 2$00, Lisboa (Portimagem, s.d.)
Beco do Pocinho, Alfama, [s.d.]. 
A. n/ id., Col. da Fundação Portimagem, in Flickr.


 

terça-feira, 9 de setembro de 2025

No tempo da escola primária com professores

No tempo da escola, Estói [i.é, Estoi] (Saüdade 511, Portimagem, [s.d.])
No tempo da escola primária, Estói [i.é, Estoi], [s.d.]
Portimagem, in Flickr.


 


(Para calcar certas inteligências mais para baixo.)


 

O Observador a ver mal

Observador, 9/IX/25
(Observador, 9/IX/25.)


 


Sem professor, como podem sequer quaisquer alunos começar as aulas?


 

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

O Rossio ao depois dos eléctricos

Rossio, Lisboa 196… Estúdio de Mário Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
Rossio de Lisboa, Portugal, 196…
Estúdio de Mário Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.


 

domingo, 7 de setembro de 2025

No tempo em que o pessoal da Carris usava chapéu


Lisboa — Elevadores e Escadinhas
24 Horas na Vida de uma Cidade
, 2.º ep., R.T.P., 1973.


 

Campanha contra os «franceses»

«Marcelo felicitou a forma «heróica e brilhante» como selecção conquistou europeu de hóquei», Jornal de Notícias, 7 de Setembro, 2025


 Por mim — vi só a final — a coisa é uma bela salada.
 Os franceses têm um Rendeiro, um Sobrinho, um Chana e um Livramento, todos italianos e todos a jogar em Portugal; completam o Ramalhete na baliza. O treinador é português e nem fala francês.
 Os portugueses por seu lado já fazem do Ramalhete com um meio-espanhol. Para um torneio de nações parece o que dizia o cigano. — É tudo uma raça pegada.


 

sábado, 6 de setembro de 2025

Jovem…

A notícia transcrevo-a do jornal i, mas a imprensa da situação põe-na toda nos mesmos termos.


 



Jovem [1] detido por agredir bisavó de 83 anos em Lisboa


 Além da detenção do jovem [1], [a] P.S.P. apreendeu várias doses de diferentes tipos de droga e armas proibidas.


 O Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da P.S.P. deteve um jovem [1] de 23 anos [2], suspeito [3] de agredir a bisavó, de 83 anos.
 O jovem [1], de 23 anos [2] exerceria [4] de «forma reiterada, violência física e psicológica sobre a sua bisavó, de 83 ano», lê-se num comunicado da P.S.[P.], divulgado este sábado.
 A idosa era forçada a sair de «sua casa para a rua, por onde deambulava, para evitar as agressões».
A detenção ocorreu no âmbito de um inquérito em curso em que se «investiga o crime de violência doméstica» [5], tendo sido dado cumprimento a um mandado de detenção, busca e apreensão domiciliária.
  Além da detenção do suspeito [3], a operação resultou ainda na apreensão de 172 doses individuais de haxixe, 91 doses individuais de cocaína, 56 doses de
ecstasy, uma soqueira, três facas, uma pistola de airsoft [6], uma munição de calibre 6,35 mm, 300 euros em dinheiro e material para embalar e pesar estupefacientes.
 O jovem [1] já foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe [sic] ficado sujeito a apresentações semanais [7] a entidades policiais, à proibição de se aproximar a menos de 50 metros da bisavó e à proibição de deter qualquer tipo de arma [8].


Jornal I, 9/6/25 (sublinhados e pontos de abreviação meus).



 


 Trocado por miúdos:
 [1][2Jovem e de 23 anos é esconder de mim, leitor, um malandro (cheira-me que drogado), e em simultâneo esfregar-me nas ventas a descrição dum homem feito que noutro tempo contaria no lombo com uma ou duas comissões na guerra do Ultramar, talvez com maior proveito de regeneração e menos leviandade para com a malvadez do malandro. Estimulação contraditória
 [3Suspeito é inocentar o malandro que já se viu, nada mais.
 [4Exerceria… é jornalismo de merda, a pôr no condicional aquilo que a polícia afirma em comunicado oficial como «violência» de «forma reiterada» sobre a própria avó. Reiterado é repetidamente. Qual é a dúvida do jornalista?
 [5Voilência doméstica é definição tipo do sacrilégio, da heresia mais nefanda eleita por estes dias; pior que traficar droga ou andar armado de pistola e facas. Trata-se do pecado capital por excelência catado aos molhos diàriamente pelos familiares do Santo Ofício dos nossos tempos (leia-se jornalistas). Foi este o motivo por que a polícia foi accionada (como dizem agora por chamar a polícia) para prender o patife.
 [6] Dizer airsoft é fino e amacia ao leitor o perigo duma arma na mão dum bandido. Ressoa a coisa de brincadeira. Já na mão dum leitor, não. Seria perigoso, sendo preciso alertá-lo na própria notícia dos perigos e riscos legais, e da regras de segurança das armas de pressão de ar.
 [7Apresentações semanais na polícia sem ficar preso foi porque é jovem [1].
 [8] Nem uma fisga!


 


 Resumindo.
 Um patife de 23 anos, traficante de droga, com um arsenal de facas, pistola e soqueira, foi preso pela polícia porque… batia na avó. Foi posto à solta pelo tribunal com ordem de não se chegar perto da avó nem pegar em armas.
 Ah! E de se apresentar ordeiramente na esquadra uma vez por semana.
 Acredito que sim.
 


Jovem…

Quem não viu Lisboa, não viu

(Quem não viu Lisboa, não viu) Coisa Boa, Gare Marítima de Alcântara (Painel: Almada de Negreiros, 1943-45; fotogr.: M. Novais, s.d.)
[Quem não viu Lisboa, não viu] Coisa Boa, Gare Marítima de Alcântara, 1943-1945.
Painel de Almada de Negreiros; fotografia de M. Novais, s.d.


 


*    *    *


 


 Quem não viu Lisboa, não viu. Não viu e já não vê. Nos alvores dos anos 90, que vi, vivi, e já desencantava comparada àquela Lisboa doutras eras, como diz o verso, essa mesma uma Lisboa que não vi nem vivi, mas que era de encanto.  A dos 90, mesmo desencantada, ainda era Lisboa, mas só vejo agora [vi vai para um ano, recorda-me agora].
 Porém, agora, hoje, já não há Lisboa. Houve, mas acabou. Esta «Lisboa» entre aspas e só de nome, por inércia. Perdeu a graça, mas cuida-se em glória…
 
Glória…
 Glória dum progresso de brinquedo. Brinquedo para excursionistas basbaques e a fazer muito, mas muito arranjo aos ladrões da caixa das esmolas que se desunham à fossanga no meio desta merda toda.
 Lisboa tornou-se num parque de diversões. Não é uma cidade. É uma grande Alfácia Disney para os sapiens de fora virem brincar, com os alfacinhas a fazerem de trombalazanas de jardim zoológico: tocam a sineta se lhe derem uma moedinha. Se o parque de diversões se estraga é que é o diabo. Lá se descobre a fraude.


(Revisto e publicado de novo ás quatro e meia da tarde porque o borrão de antes de almôço foi à pressa e… as sardinhas estavam ao lume.)


 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

A sensação que me dá…

Nos 100 anos do elevador da Glória rezava assim:



« Periodicamente, todos os elevadores são revistos e reparados. As revisões diárias são feitas durante a noite, minorando os incómodos que as paralizações [sic] sempre acarretam. Já as reparações anuais, necessáriamente [sic] mais morosas e complexas, vão colidir com os hábitos e comodidade dos fiéis usuários que assim ficam privados deste pequeno conforto. Indesejadas, mas indispensáveis para garantir as condições de segurança de que todos querem disfrutar [sic], estas paragens contribuem para manter na «linha» passageiros e elevadores.»


 



«Características especiais deste elevador», Cem anos a caminho da Glória [desdobrável do centenário do elevador da Glória], Lisboa, Carris, 1985.


 



 Avançados 40 anos, exactamente hoje, a sensação que me dá é que nos não resta em Portugal já um mínimo de massa crítica para manter a funcionar como deve um engenho mecânico do tempo de el-rei D. Luiz. Devemos ter progredido neste entremez para um ponto algures entre o Brasil e o Bangladexe. Basta só ir na rua em Lisboa.


 

Dos trabalhos que os portuguêses não querem fazer

 Subia esta menhãa a Almirante Barroso de automóvel. A par de mim subia-a um ciclomontanhista a dar ao pedal como que em perigos e guerras esforçados, mas irradiante de virtude, quiçá, com cheiro já de santidade. Na verdade não me cheirou porque trazia os vidros fechados mas, calhando, seria suor, a penas… Vi só que lhe rompiam uns pêlos grisalhos da barba. O ás do pedal já não era moço.


 Daí a pedaço, descia eu a pé a dita rua em Lisboa e cruzo-me com um ciclista velho, mais velho que o outro, a resfolegar cansaço e a empurrar uma bicicleta pela rua acima. Vinha êle a pé, portanto.
 — Agora há umas dessas com uma pilha — não me contive que lhe não dissesse, apontando-lhe para a bicicleta.
 — É verdade — respondeu-me bem disposto. — Mas essas são só para monhés.


 Fiquei-me com esta porque é mesmo. E bem o tenho visto: os portuguêses são uns autênticos moiros de trabalho na devoção ao ciclomontanhismo. Já aqueloutros desgraçados está quieto!…


 


Ciclomusicalismo, Estefânia — © MMXXIII
Ciclomontanhismo, Lisboa — © MMXXIII


 

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Verde, código, verde

 Não havia dantes uma piada dum que lhe quando ensinaram que para pagar com o cartão multibanco a senha era verde, código, verde? Diz que o viram pegar no terminal de pagamento como se fosse um telefone e dizer baixinho:
 — Verde. Código. Verde! 


 Comprovativo de transferência via Reddit (Few-Astronaut1417, 2/IX/25)


Parece que deu falha na comunicação.


 


 


(Imagem do comprovativo de transferência esgalhada do Reddit.)


 

Excursões a mote alheio

Recordação da viagem: excursão da F.N.A.T. em camioneta de passageiros, Portugal, 1950. A. n/ id., Fundação Portimagem, Recordações da Vida Portuguêsa VII.
Excursão da F.N.A.T. em camioneta de passageiros, Portugal, 1950.
A. n/ id., Fundação Portimagem, Recordações da Vida Portuguêsa VII.


 


 Numa camioneta da carreira há dias tive mote para umas voltas em excursão. Antigamente havia excursionismo, grupos excursionistas; muita gente, se viajava, ia em excursão. Agora há pacotes de viagem. Vem (vai) tudo em pacote…


 Além do excursionismo havia camionetas da carreira para ir para a terra ou só para os arredores. Camionetas que serviam para fazer excursões, claro. E havia autopullmans para as excursões mais luxuosas, daqui que dessem às camionetas já um outro nome, essoutro de autopullmanchic mesmo a valer.


 Caiu tudo em desuso? — Não. Nada! Êle há cada vez mais. Desusada só a linguagem.


 Agora não já se apanham camionetas da carreira. Vamos todos de autocarro ou de expresso, conforme o destino seja urbano, suburbano ou outra cidade. Os autocarros dantes eram só na cidade; hoje vão aos arredores. Camionetas são transporte de carga, e o velho excursionismo deu em nada mais que turismo. Turismo, designação afrancesada para alindar o viajar de rebanhos. Mas é o progresso, fatalidade do destino, no caso, na transumância em massa — democratização das viagens, dirão os entendidos já agora, inspirados por Deus ou pelos evangelhos dos amanhãs que cantam… O caso, pois, o caso, é que me parece que até os cavalos da G.N.R. viajam com mais qualidade. Comparando eu da perspectiva do animal e da minha, claro.


 


(Revisto às vinte para as quatro da tarde.)


 

Camioneta da carreira

Recordação de viagem, Caneças (A. n/ id., Portimagem, 1946)
Recordação de viagem, Caneças, 1946.
A. n/ id., Portimagem, in Flickr.


 

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

A nova biografia de Camões

 Folheei-o no supermercado duma vez que o vi no escaparate. Despertou-me curiosidade e não no achei mau de lêr; a A. argumenta bem apesar do gómito da ortografia brasileira em que o publicou. Pecha sua, do editor?…
 Com tempo fui-o lendo no supermercado. Quando o deixei de vêr por lá requisitei-o à biblioteca municipal, no que tive de esperar seis mêses até mo emprestarem. Um livro que despertou o interêsse, sempre reservado pelos leitores da biblioteca. Li-o finalmente com prazer. Devolvo-o hoje.


 Camões dispersou-se na vida vastamente pelo mundo português de seu tempo, da baixa estúrdia das arruaças e freqüência das ninfas de água doce de Lisboa, à guerra além-mar em África, na conquista, navegação e comércio da Arábia, Pérsia e Índia, até às partes da China. Só não esteve na quarta parte nova, o Brasil.
 Como a vida, a sua biografia tem andado desgarrada por numerosos autores desde que por obras valerosas da lei da morte se libertou. Esta biografia agora faz a compilação do que se sabe, do que julga saber-se, o que se pensa e se pode conjecturar da vida e voltas de Camões. Voltas a mote alheio com argumentos verosímeis, quando não, convincentemente plausíveis. Quem no queira conhecer tem aqui um tômo de pêso, com vasta bibliografia estudada e um aparato de notas notável para mergulhar ainda mais no que se escreveu e publicou sôbre Camões.


 Pecha maior à partida, como disse, o vómito ortográfico. Uma desgraça que me impede de alguma vez dar dinheiro para adquirir êste livro.
 Pechas de pormenor, que não diminuem o mérito a esta biografia, mas que deslustram na justa medida em que denunciam umas certas falhas de base, como o não saber a A. e romancista que os apelidos de família em português têm plural: os Noronhas, os Silvas, os Portugais, o Vimiosos, os Macedos de Santarém aparecem sempre ao leitor no singular; ou confrontar o rei de Portugal e o de França dizendo-os «homónimos» e não «homólogos» não parece que seja de falta de revisão, como as gralhas de D. Teotónio II por D. Teodósio II, duque de Bragança (p. 508), ou «cópia» por «copla» na anedota da meia galinha ao senhor de Cascais (pp. 528-259). 
 Outras pechas de pormenor, mas muito eloqüentes sôbre a mentalidade da A. são a cedência a eufemismos que rezam enervantemente o pai-nosso e a avé-maria dêstes nossos tempos, como dizer «pessoas escravizadas» por «escravos», p. ex. (p. 402). Pior nos juízos de valor quando por fim a A. caracteriza Camões, naturalmente, como homem do seu tempo, e lhe aponta não se lhe achar nenhum desabafo contra a Inquisição, nenhum protesto contra a escravatura (p. 585). O quadro mental em que a biógrafa vive imersa entranha-o ela assim no biografado e passa-o ao leitor que também já voga nêste ar do tempo. Passaria sem mais, não fôra o caso de a A. a par disto aparecer a grafar Deus duas vezes seguidas com minúscula (p. 585). Não pode ser por acaso. Será êle impiedade ou fé doutra espécie…?


Isabel Rio Novo, «Fortuna, Caso, Tempo e Sorte; Biografia de Luís Vaz de Camões», 1.ª ed., Lisboa, Contraponto, 2024»
(Imagem de A. n/ id., in D.N.)




Isabel Rio Novo, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte; Biografia de Luís Vaz de Camões, 1.ª ed., Lisboa, Contraponto, 2024.