
Excursão da F.N.A.T. em camioneta de passageiros, Portugal, 1950.
A. n/ id., Fundação Portimagem, Recordações da Vida Portuguêsa VII.
Numa camioneta da carreira há dias tive mote para umas voltas em excursão. Antigamente havia excursionismo, grupos excursionistas; muita gente, se viajava, ia em excursão. Agora há pacotes de viagem. Vem (vai) tudo em pacote…
Além do excursionismo havia camionetas da carreira para ir para a terra ou só para os arredores. Camionetas que serviam para fazer excursões, claro. E havia autopullmans para as excursões mais luxuosas, daqui que dessem às camionetas já um outro nome, essoutro de autopullman, chic mesmo a valer.
Caiu tudo em desuso? — Não. Nada! Êle há cada vez mais. Desusada só a linguagem.
Agora não já se apanham camionetas da carreira. Vamos todos de autocarro ou de expresso, conforme o destino seja urbano, suburbano ou outra cidade. Os autocarros dantes eram só na cidade; hoje vão aos arredores. Camionetas são transporte de carga, e o velho excursionismo deu em nada mais que turismo. Turismo, designação afrancesada para alindar o viajar de rebanhos. Mas é o progresso, fatalidade do destino, no caso, na transumância em massa — democratização das viagens, dirão os entendidos já agora, inspirados por Deus ou pelos evangelhos dos amanhãs que cantam… O caso, pois, o caso, é que me parece que até os cavalos da G.N.R. viajam com mais qualidade. Comparando eu da perspectiva do animal e da minha, claro.
(Revisto às vinte para as quatro da tarde.)
Sem comentários:
Enviar um comentário