(Imagem espigada na Internete.)
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Da geral limpeza
Anuncia a imprensa nestes dias que Portugal vai ter «saída limpa» do «resgate». Soa bem, não? A endrómina do «resgate» já mascarava por aí o grande empréstimo internacional mendigado para colmatar a 3.ª bancarrota desde 1928. E agora a tal «saída limpa» é eufemismo do estado de necessidade por não haver fiador internacional que caucione mais pedincha. Limpeza, se havemos realmente de vê-la, será na usura dos empréstimos que se hão fatalmente de seguir. Vai ser limpinho!
Fundo de pensões dos trabalhadores da indústria, 1946-48. «O que não foi gasto já sê-lo-á no futuro!», F.I.P., 1957.
Estúdio de Mário de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Alegoria pós-Abrilina
« Se os grupos partidários a cada momento se consideram candidatos ao Poder com fundamento na porção de soberania do povo que dizem representar, a maior actividade -- e vê-se até que o maior interesse público -- não se concentra nos problemas da Nação e na descoberta das melhores soluções, mas só na luta política. Por mais propenso que se esteja a dar a esta algum valor como fonte de agitação de ideias e até de preparação de homens de governo, tem de pensar-se que onde ela atinge a acuidade, o azedume, a permanência que temos visto, todo o trabalho útil para a Nação lhe é inglòriamente sacrificado. Tem de distinguir-se, pois, luta política e governação activa: os dois termos raro correrão a par.»
Oliveira Salazar, pref. à 4.ª ed. dos Discursos (vol. I, 5.ª ed., Coimbra, 1961, p. XXXIX).
Governação activa, entenda-se, bom governo e a obra dele resultante; simbòlicamente, se quisermos, o Teatro Monumental...
Luta política: o monumental chafurdo naquelas democráticas paredes e, finalmente, o derrube das próprias paredes... -- Livre e (literalmente) democrático, neste cenário, só o alheamento do povo.
Teatro Monumental, Saldanha, 1976.
F. Gonçalves, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
40 anos de censura
Sabe-se agora que antes do 25 coiso também não havia supermercados.
(Cartilha Abrileira de Manuel, in H Gasolim Ultramarino, 27/IV/14.)
A longa noite...
domingo, 27 de abril de 2014
No tempo da Tinturaria do Chile
Cruzamento da Av. de Roma com a Av. João XXI, Lisboa, 1974.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Há perto de nove anos referi-me cá à Tinturaria do Chile que existira naquela esquina ali perguntando-me se havia memória dela. E publiquei uma fotografia minha de 2004 onde, dela, da dita tinturaria, se via só lá o sítio. A curiosidade da tinturaria fora-me suscitada por um postal de António Passaporte que me encanta por mostrar este lugar tão familiar com aquele gostinho dos velhos tempos. O nome da tinturaria saltou-me à vista no postal por se achar deslocado; o Chile é um bom pedaço aquém daqui, em Arroios, mas entendia-se: a construção do bairro de S. João de Deus fora uma oportunidade de expandir o negócio. Um fenómeno de empreendedorismo, dirão hoje os novos entendidos, sem embargo dalguns velhos sabichões que, extrapolando à toa o nome da tinturaria dum recorte, puseram a Praça do Chile na Av. de Roma (v. imagem 4).
No Chile nunca a achei, mas é notório que aqui, em Janeiro de 74, o nome da tinturaria do dito, visìvelmente, perdurava.
Edição: António Passaporte (c. 1953) , in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
sábado, 26 de abril de 2014
Vote Acção Nacional Popular
Ninguém se lembrou de perguntar por que dei a fotografia do Tutti Mundi a 1973 ou 74, quando o arquivista a marcou para 198..., mas respondo à mesma: baseei-me noutra da série a cores de Artur Pastor que mostra o troço da Av. de Roma adjacente ao Tutti Mundi e à florista Romeira, em que se vêem dois cartazes de propaganda eleitoral da A.N.P. para as eleições de 1973. -- Ah pois foi! No Estado Novo também houve eleições; as últimas foram em Outubro de 73. e não há-de ser nada plausível que os cartazes de propaganda eleitoral da A.N.P. tenham passado de (ou sequer chegado a) 25 de Abril de 1974; digo isto com a mesma certeza com sei como mudou a Ponte Salazar de nome... -- Além disso, corrobora esta minha conjectura um cartaz da lista da oposição em 73, do M.D.P., chapado no fuste dum candeeiro de iluminação pública e visível noutra fotografia deste lote de Artur Pastor. O próprio autor inscreveu no sobrescrito onde as guardou uma data: Janeiro de 74.
Quem notou o cartaz do M.D.P. na Av. da Igreja em dia farrusco foi o leitor José Lima, que sugeriu que a fotografia, em sendo de 74, houvesse talvez de ser posterior ao 25 de Abril grande acidente nacional, justamente por causa daquele cartaz de propaganda eleitoral. Cuido que ambos nos deixámos influenciar pelas democráticas paredes de Lisboa feitas num chafurdo com a propaganda eleitoral pós-Abrilina e não concebemos possível sequer tal desalinho durante o Estado Novo. A realidade é sempre mais prosaica; em havendo eleições, natural é que se vejam cartazes da propaganda; e ainda mais certo é que quantos mais libertadores e revolucionários haja à solta, mais furiosa e anárquica estampagem haveremos de ter. Por mais censura ou fâchismo com que nos lavem o cérebro, a besuntice eleiçoeira mai-los seus recados medram tão facilmente como qualquer erva daninha.
Av. de Roma, Lisboa, 1974.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
sexta-feira, 25 de abril de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Estrada das Picoas
Há qualquer coisa que me intriga naquela dos meninos cultivando árvores. Não me refiro ao contraste com a C.M.L. actualmente, que as corta em vez de as plantar... O que estranho são os prédios de que lá falei como sendo na Rua das Picoas (actual R. Eng.º Vieira da Silva) que não calham nada com esta imagem agora. Não o sei explicar, não calham...
Rua das Picoas, Lisboa, c. 1900.
Alberto Carlos Lima, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Outra curiosidade com esta imagem qui é a quinta da condessa de Camarido, cujo palácio se vê nitidamente na elevação ao fundo da rua. Quedava-se ele exactamente no leito (hoje) da Av. da Praia da Vitória, do lado do Teatro Monumental.
Um perspectiva de lá para cá pelos anos 30...
C.T.F. (Correios Telégrafos e Faróis) Lisboa-Norte, Picoas, 1929-38.
Francisco dos Santos Cordeiro, in Fundação Portuguesa das Comunicações.
A Rua das Picoas de hoje é uma sobra da antiga estrada das Picoas, ela mesma um troço do velho caminho que ligava o Campo de Santana ao Rego e cujos troços iam sucessivamente mudando de nome: a Carreira dos Cavalos (R. Gomes Freire até ao Largo do mesmo), Estrada da Cruz do Tabuado até à Tr. do Abarracamento do mesmo nome (R. Gomes Freire até à R. da Escola de Medicina Veterinária), Estrada das Picoas (ruas Eng.º Vieira da Silva e das Picoas) e Rua das Cangalhas (Conde Valbom).
Francisco Heitor de Macedo & al., Obra do alargamento de Estrada da Cruz do Tabuado. Projecto. C.M.L., Arq. do Arco do Cego, PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00787, p. 8.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Antigo matadouro
terça-feira, 22 de abril de 2014
Antigo Largo do Matadouro
A legenda diz: «Culto da arvore; alumnos da eschola plantam arvores no antigo Largo do Matadouro» («O culto da arvore», Illustração Portugueza. n.º 209, 21/II/1910, p. 245.)
O antigo Largo do Matadouro é a praça fraternalmente dedicada ao maçon José Fontana, um paladino das classes laboriosas do tempo do socialista Anthero de Quental e das Conferencias do Casino.
Calhando, as arvorezinhas plantadas pelos meninos da eschola em 1910 ainda lá lá estão. E calhando, em levando lá hoje meninos da eschola, talvez elles educadamente apaguem as garatujas que outros meninos (que de certo são da eschola, mas não são do côro) teimam em fazer no coreto (o coreto vê-se-o ahi em construcção). Se não, que os ensinem a separar o lixo ou outra d'essas acções pias da nossa egualitaria e tolerante post modernidade.
A estrada por onde se alinham os gaioleiros que se vêem á direita é a das Picoas, hoje Rua Eng.º Vieira da Silva. Gaioleiros recentes em 1910, nos limites d'uma propriedade chamada Terras do Alto que abarcava os quarteirões desde a Casal Ribeiro até alli. Pelo meio percebem-se as embocaduras das ruas Fernão Lopes (morou n'ella o Saramago, em puto) e Actor Taborda (n'esta, o Eusébio diz que passava por muito lá...)
O muro em segundo plano é o que marcava o perimetro do matadouro das Picoas, onde houvemos posteriormente o Mercado do 31 de Janeiro (outro toponymo das esquerdas), a meias depois com o Forum Picoas e com o Saldanha Residenso. O matadouro foi d'alli para os Olivaes; não ennobrecia nada o lugar nem o que se quiz lá pôr ao depois.
...
Claro que são dictos os meninos estar a plantar arvores, mas o homem de chapéu de côco á republicano foi quem cavou o buraco...
Alumnos plantam arvores, Largo do Matadouro, 1910.
Phototypia animada de orig. de Joshua Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.
sábado, 19 de abril de 2014
Esquizofrenia democrática
A revista Mais Educativa, distribuída gratuitamente (quem na pagará?) aos miúdos e às miúdas das escolas secundárias, saiu-se em Abril com isto:
«40 Anos de Liberdade», Mais Educativa, 14/IV/2014, p. 30.
Ora bem! Esta miúda meia hippy em 1971, em Vilar de Mouros, parece uma garrafa meia vazia/meia cheia da festarola dos 40 anos Abrilinos! Vê-se-a meia despida porque era o fachismo, não havia pronto-a-vestir; e vai meia vestida porque o fachismo proibia o nudismo.
Falta de liberdade do caraças, pá!
(Século Ilustrado, 14/VIII/71. Fotografia de Armando Vida, in Porta da Loja)
Do fim da Nação
Acrescentaremos, apenas que, aparentemente, o G.B. [Grupo de Bilderberg], só começou a interferir — antes disso não se lhes dava confiança para tal — com o nosso devir colectivo, quando numa das suas reuniões (19/4/1974), ocorrida no hotel d’Arbois, em Megéve (Alpes Franceses), propriedade de Edmond Rotschild, se terá dado luz verde à alteração de regime em Portugal — coisa que, certamente, nunca terá passado pela cabeça de nenhum capitão de Abril…
A partir daí – e por razões e processos que são objecto de especulação — foi alcandorado a uma espécie de “secretário” ou “representante permanente” do G.B., na antiga Ocidental Praia Lusitana, o Dr. Pinto Balsemão, grande amigo dos Reis de Espanha, também convivas nestes eventos. Provavelmente desde 1983.Ten.-Cor. J. J. Brandão Ferreira, «Portugal e o Grupo de 'Bilderberg'», in O Adamastor, 26/VI/13.
(Sêlo de correio de dois tostões e meio, 1935)
quinta-feira, 17 de abril de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
Colherada na malga
O cidadão Papillon deu ontem em tecer louvaminhas na emissora nacional ao presidente da Comissão Europeia. Tal o descaro que no meio de salamaleques servis dignos dó ouvi-o dizer o como se sacrificou Durão Barroso em largar o cargo de primeiro ministro pela Comissão e como lho devemos agradecer aclamando-o a Belém (Contas do Dia, Antena 1, 14/IV/14).
No feudalismo, o ritual da homenagem firmava a sujeição do vassalo ao senhor, por quem havia de bater-se nas batalhas, em troca de protecção e favor.
Com os jacobinos, mais immixtio manuum ou menos osculum, a feudo-vassalagem pouco mudou. No fim, sempre o cidadão vassalo recebe uma dádiva da mão de seu senhor...
Tacho de barro n.º 3, da Feira da Louça.
domingo, 13 de abril de 2014
Tutti Mundi Drugstore e o jornalismo doutrinário
Tutti Mundi Drugstore, Lisboa, [1973-74].
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Escrevia anteontem confrade Manuel que acabara de ouvir na R.T.P. um tipo dizer que antes do 25 de Abril não havia pronto-a-vestir em Portugal. E rematava: é isto o jornalismo.
Jornalismo não havia de ser, mas é no que o jornalismo se tornou; coisa que o jornal escreva ou que no telejornal vá para o ar tem foro de verdade indeclinável. Torna-se lei da Natureza e doutrina do Mundo. Ao invés, aquilo que os noticiários omitam, é porque nunca existiu.
Portanto, antes do 25 de Abril não havia pronto-a-vestir em Portugal, como não havia jornalismo. Havia era censura a dar com um pau. Hoje, como graças ao 25 de Abril a censura acabou, temos o jornalismo, pois...
(Diário de Lisboa, 19/12/1968. Da Fundação do irmão do dr. Tertuliano.)
Rotundas na Av. de Roma
Praça de Alvalade, Lisboa, 195...
Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Certa vez publiquei a imagem de cima ilustrando uma conversa acerca duns que dizem «controlar as rotundas». Convencera-me de ser no cruzamento da Av. de Roma com a dos Estados Unidos e nem me ocorreu a praça de Alvalade. Ao tempo, a rotunda que me palpitava na memória, de ver em moço numa fotografia antiga, era a do cruzamento com a Av. dos Estados Unidos.
Cruzamento da Av. de Roma com a Av. dos Estados Unidos da América, Lisboa, 196...
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Esta rotunda empolgava-me muito mais do que o insípido cruzamento sobre o viaduto subterrâneo que conhecemos. Tinha outro encanto, era doutros tempos, duma primeva idade de ouro que me falhara, que o destino me não dera a experimentar. Lembro-me de nos espantarmos dela com emoção, eu e um velho amigo da mocidade em descobertas olisipográficas, quando descobrimos que o dito cruzamento tivera uma rotunda antes do viaduto.
Cruzamento da Av. de Roma com a Av. dos Estados Unidos da América, Lisboa, 197...
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Por 1970-71 a fisionomia destes dois cruzamentos da Av. de Roma mudou. Tem graça que o bairro de Alvalade teria então sòmente vinte anos de construído e, não obstante o planeamento cuidado, o progresso material das décadas de 50 e 60 constragia ali, já, a vida urbana. O crescimento das cidades em altura (para cima ou para baixo) é mera entropia. O progresso material como o entendemos é uma contraditória ilusão. E a sua estética desde aí, parece-me que nem isso.
Av. da Igreja e Pr. de Alvalade, Lisboa, [c. 1973].
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
sábado, 12 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Anibal Milhaes
[...] Milhaes estava encarregado d'uma das suas [do C.E.P.] metralhadoras Lewis. Durante a «Operação Georgette» [Batalha de La Lys], quando o Exercito Allemão attacou a sua divisão, Milhaes manteve-se firme com a sua metralhadora Lewis [alcunhada luisinha] e derrotou, quasi sozinho, dois assaltos allemães debaixo de intenso fogo, deixando cahidos centenas de allemães. Conseguiu cobrir a retirada dos Portugueses, a par da dos Escoceses, apesar de fortemente acossado ele próprio. Disparou em todas as direcções e manteve a sua posição até esgotar as munições. A sua bravura em circumstancias tão adversas convenceu os allemães de estarem a enfrentar uma unidade entrincheirada em lugar d'um só soldado português com uma metralhadora. Por fim, decidiram os allemães avançar rodeando a resistencia e Milhaes achou-se sozinho atrás das linhas inimigas onde permaneceu por tres dias sem quasi comer ou beber.
No terceiro dia, Milhaes, sempre com a sua metralhadora, salvou um major escocês dum pantano e ambos alcançaram as linhas dos Alliados. Milhaes foi calorosamente acolhido mas nada disse dos seus feitos. Foi do official que elle ajudara relatar a historia no Quartel-General Britannico e de varios outros testemunhos que os seus feitos foram conhecidos.(«Aníbal Milhais», in Wikipaedia em inglês.)
Ontem passou mais um 9 de Abril, mas a antenna radiofonica da emissora nacional só dá o 25. A liberdade não admitte interferencias.
Homenagem do presidente Thomaz ao soldado 'Milhões', [s.l.], [s.d.].
Imagem em «Aníbal Augusto Milhais, 'Herói Milhões'», Município de Murça, IV/2009.
terça-feira, 8 de abril de 2014
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Não se resigne, mova-se!
Shelfie: a erudição de prateleira (importada)
O blog da LER (uma revista que se diz de cultura portuguesa, mas que se publica em Portugal redigida no novo brasileiro oficial) deu o mote: partilhar uma «shelfie» (lestes bem, com h, de shelf (= prateleira), mas sem aspas, apesar de ser vocábulo amaricano, cousa de menos caso para uma revista que se diz de cultura portuguesa e que se publica em Portugal redigida no novo brasileiro cuadutado pelos governos de Portugal e Brasil).
A rubrica «Inspira-me» dos blogos do Sapo (uma marca duma companhia telefónica portuguesa -- Oi! -- apostada em abrasileirar Angola e Moçambique) aproveitou a... inspiração e desatou em destacar as shelfies dos blogos todos, convidando-me a juntar-me à dita... inspiração, aconselhando-me usar a «tag shelfie» (outra vez sem aspas nem outros pruridos linguísticos, certamente por admitirem sapudamente que tag e shelfie são já léxico formalmente português brasileiro e... não sei se oficial...)
Resolvi seguir a proposta sapuda e dei com isto: Shelfie: Biblioteca Nacional do Brasil, escrito ontem por uma Ana Paula Motta cujos livros favoritos são «Os Maias» e «Dom Casmurro». -- Um cliché de erudição, esta Ana Paula... -- Não sei cá porquê, convenço-me que a sua Biblioteca Nacional do Brasil preferida é uma nossa, da Universidade de Coimbra. Não vos parece?!...
Bibliotheca da Universidade, Coimbra, [s.d.].
Postal in Prof2000.
Adenda (11/IV/14): a boa da Ana Paula Motta teve a humildade de substituir a imagem da biblioteca joanina da Universidade de Coimbra. Fê-lo pela calada e, ficaríamos assim: ela como se nada fosse e os outros feitos parvos, implicando com a santinha, sem lógica nem razão; isto, não fora a cache do Google destapar-lhe as asneiras.
(A próxima adenda, aposto, há-de ser por o verbete da Ana Paula Motta ter sido eliminado.)
Av. da Igreja em dia farrusco (Lisboa, 1974)
domingo, 6 de abril de 2014
Addendum III
A proposito do 1.º jacto da T.A.P. em Lourenço Marques, tive recentemente do estimado leitor Joe Bernard esta informação:
[Da esq. para a dir.] Rego; ... ; Morão; …; Sedas(?); Odete Rei; T.V. [Tec. de Voo] Damaso; [Odete;] Cop [Co-Piloto] ... — voei com ele muito e hei-de lembrar-me do nome; C.te Gouveia da Cunha; C.te Amado da Cunha.
As caras das A/B [Assistentes de Bordo] são familiares, havemos de chegar lá.
Confirmam-se os que já estavam e sommam-se os que agora soubemos. Havemos de chegar lá.
Addendum: diz-me o sr. Ant.º Fernandes que o primeiro da esquerda é o supervisor de cabina Rêgo.
Addendum II: soube do meu prezado Fernando C. que o 4.º da dir. é o mechanico de voo Dâmaso; informe que agradeço.
Photographia: espólio do C.te Amado da Cunha; collecção. do Sr. Ant.º Fernandes.
sábado, 5 de abril de 2014
Campos do futuro B.º de Alvalade
O archivo photographico da C.M.L. tirou ha dias (*) a marca d' agua das photographias que faculta na rede. É uma boa novidade e um melhor trabalho, porque se lhe somma a maior resolução de muitas photographias publicadas que, d'antes nem se percebiam.
Olho um lote d'ellas de Eduardo Portugal catalogadas como «Campo Grande» e acho piada ás descripções do archivista, n'este estylo.
Panorâmica geral da zona deixando transparecer o carácter profundamente rústico desta zona limítrofe da Cidade antes da fixação dos grandes pólos culturais (Cidade Universitária — anos 50 — e Biblioteca Nacional — anos 60).
Chamar ás quintas arrabaldinas de Lisboa (n'este caso, em Alvalade), retratadas n'uma velha photographia, «zona limítrofe da cidade» cujo «carácter profundamente rústico» «transparece» n'uma «panorâmica geral» (haverá panoramicas photographicas não geraes?) é menos do que um estylo; soa a locução de telejornal inspirando a redacção ao archivista.
É pertinente, porém, a opposição campo/cidade expressa.
Já uma certa idéa de progresso posta na marcha do tempo, insinuada na menção á ulterior edificação por ali da Bibliotheca Nacional e da Universidade (ou «fixação dos grandes pólos culturais») é vício pior: é a mentalidade inculcada ás massas, dos bancos da eschola official á chachada televisiva, que molda o entendimento geral e tolda no prosador contemporaneo qualquer descripção simples. Nem cuido que se o archivista dê conta do que o affecta; a linguagem é um mimetismo tão natural como respirar, e a lavagem ao cérebro dá-se por osmose televisiva. Afóra isto, a menção aos «pólos culturais» ou lá como lhe chama é marginal á panoramica que procurou documentar. Disfarça mal a inepcia em decifrar a imagem (o que de si não seria vergonha; a imagem é difficil), mas baralha o leitor. Assim, melhor fôra estar quieto.
A imagem mostra (mostra realmente, não deixa transparecer) as terras da banda oriental do Campo Grande (a Bibliotheca Nacional ou a Universidade de Lisboa são na banda occidental, não cabem aqui). A chave para percebê-la é o hospital de Julio de Mattos que se avista ao longe, no primeiro terço esquerdo da imagem, mais ou menos sôbre a primeira metade das casas em primeiro plano. O edificio principal do Julio de Mattos identifica-se bem atrás e além d'uma fiada de árvores e, deante de si, para cá, notam-se bem as primeiras terraplenagens da Av. de Roma. A photographia foi, pois, tirada n'um poncto elevado entre a Av. de Roma e o Campo Grande, bem a sul da Av. do Brasil. Calhando, d'onde veio a rasgar-se o trôço da Av. dos Estados Unidos da América entre a Av. de Roma e o Campo Grande. O photographo aponctou d'alli ao Norte.
O casal em primeiro plano é da Quinta da Quintinha. Encoberto por si (sobresahindo além do annexo mais à esquerda do portão) vislumbram-se os telhados da quinta dos Coroxéos, as unicas casas que sobreviveram á completa rasia que a construcção do B.º de Alvalade fez n'estas terras.
O que se avista de casaes, depois, em direcção ao Julio de Mattos, são a quinta dos Auditores ou da Sr.ª de Sant'Anna (eschola primaria de Sancto Antonio e ruas adjacentes) e quinta do Bosque (Pr. de Alvalade e Av. de Roma aprox.). Das azinhagas dos Coroxéos e das Calvanas que eram os caminhos ruraes entre dictas quintas, nada se percebe.
Adivinha-se a Av. Alferes Malheiro (hoje do Brasil) e, seguindo-a com os olhos através da imagem, nota-se bem o casario no logar do Pote d'Agua, a onde levava a estrada do mesmo nome ou das Amoreiras que partia do largo de Arroios; um caminho mal conhecido que serpenteava pelas terras das futuras avenidas de Roma e do Rio de Janeiro para alli chegar. Além da colina que alli recortava o horizonte era a Portella, onde se edificou o aeroporto.
Mais haverá de dizer...
Vista das terras onde se veio a edificar o B.º de Alvalade, Lisboa, 1945 [1930?].
Eduardo Portugal, in Archivo Photographico da C.M.L.
______
(*) Publicado originalmente em 5/IV/14 ás três e um da tarde e publicado de novo com photographia legendada em 15/VI/2016 às vinte e cinco para as onze da noite.
Reposto na data original em 14/11/23 quando o archivo photographico tornou a pôr marca d' agua nas photographias que faculta na rede.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Carpintaria Mecânica de Santa Isabel, Ld.ª
quinta-feira, 3 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Os três primeiros aviões dos T.A.P.
Perfeitamente identificados à esquerda o CS-TDA e à direita o CS-TDC. Entre eles quero adivinhar o CS-TDB. Os três primeiros aviões dos Transportes Aéreos Portugueses.
Hum! Insígnias por pintar... -- o TDA não se lhe vêem insígnias nacionais na cauda e parece ter pintura da Aeronáutica Militar; nos outros as insígnias dos T.A.P. muito sumidas, como esboçadas só; pareciam os aviões em preparo para entrar ao serviço. -- O que deita a fotografia muito provàvelmente para 1946. -- A criação dos T.A.P. fôra em Março de 45 no âmbito do Secretariado da Aeronáutica Civil; os primeiros pilotos foram treinados nesse ano em Inglaterra (na B.O.A.C.), mas os T.A.P. só começarem a operar rotas comerciais em 46, depois de levarem a cabo neste último ano, já em Portugal, outro treino de pilotos, a par dum primeiro treino de assistentes de bordo. Entretanto fôra ensaiada a Linha Aérea Imperial com três voos experimentais também nesse ano (v. TAP Portugal, Voa Portugal. 60 Anos na Rota do Futuro, TAP, 2005, p. 16). -- A torre do aeroporto, com a varanda envidraçada no topo, parece ser bem a desse tempo.
Aeroporto da Portela, Lisboa, 1946.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
É curioso que o primeiro avião da série, o TDA (T de Transportes Aéreos, D de Dakota e A por ser o primeiro da série), andou ao serviço da Aeronática Militar antes de passar aos T.A.P. em 45; passou para D.E.T.A. de Moçambique ao depois, em 58, e acabou de novo (e definitivamente) na Força Aérea Portuguesa, atingido por um míssil «strella» da Frelimo em 6 de Maio de 74... Uma semana e meia depois do grande acidente nacional, portanto, mas isto não é para agora...
Fiquemo-nos por que o TDB se despenhou desafortunadamente no Monte da Caparica em 27 de Janeiro de 48 durante um voo de treino e o TDC foi graciosamente entregue ao P.A.I.G.C. juntamente com a Guiné e Cabo Verde em 75. Não sei que mais fim tenha levado.
Lisboa modernista, annos cincoenta
Lisboa modernista, 1935
Rua Ramalho Ortigão, Lisboa, 1935.
Eduardo Portugal, in Archivo Photographico da C.M.L.
Adenda d' um leitor attento:
Caro amigo, a fotografia não mostra a Rua Ramalho Ortigão, mas a Avenida Ressano Garcia, que conheço bem, pois nela residi durante quinze anos, apesar de ignorar que a mesma alguma vez houvesse tido uma placa central. De resto, o único automóvel que se vê na fotografia, está estacionado junto ao actual nº 17 da dita Avenida Ressano Garcia.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Da estiagem e da invernia mental
O que se diz hoje em dia para aí sobre a mundanice mais prosaica e o modo de o dizer denuncia bem quanto os contemporâneos apreendem do Mundo por catálogo e como papagueiam trivialidades com foros de acontecimento.
Esta manhã às oito e meia a rádio não anunciava mau tempo; antes enfatizava o alerta laranja do catálogo do meteorologista -- fazia-o apocalipticamente, como é costume. Concomitantemente exortava a gente a -- vede só a linguagem -- «usar autoprotecção individual». Dizer para vestir gabardina ou levar guarda-chuva não é linguagem de manuais certificados, sejam os do redactor do boletim meteorológico, sejam os de locução na rádio. Nada, pois, como método científico e procedimentos normalizados -- não é como se o progresso faz, seguro e com rigor?!... Vêm daqui as mais estrondosas descobertas, como agora uma dos cientistas paineleiros da O.N.U. sobre a estiagem e a invernia: parece que vai passar a haver constantemente calor no Verão e frio no Inverno; uma coisa nunca antes vista.
I, 1/IV/14.

