A.N.T.T., «O Século», Joshua Benoliel, cota desconhecida 006.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
Olha o passarinho!
Mais etnografia
Imagem à procura de legenda
A.N.T.T., «O Século», Joshua Benoliel, cota desc. 035.
sábado, 28 de abril de 2012
O ministro das finanças
António de Oliveira Salazar, (Vimieiro de Santa Comba Dão, 28 de Abril de 1889 – Lisboa, 27 de Julho de 1970).
Imagem: «Time», 22/7/1946.
O Sr. Tenente-Coronel Brandão Ferreira pôs na linha esta semana o ministro das finanças -- o que fala a 33 r.p.m. -- por se ter andado a comparar com o autêntico.
« Salazar optou por uma estratégia de fecho do País sobre si próprio. Durante décadas prescindiu da possibilidade de se financiar nos mercados financeiros internacionais. A nossa opção (*) é diametralmente oposta» («Sol», 23/3/12).
O Sr. Tenente-Coronel Brandão Ferreira responde-lhe no tom e com a autoridade que há-de merecer um «rapazola deslumbrado» que as profira, dando-lhe eloquente lição de história comparada.
« Em 1926 havia dois problemas que estavam à cabeça de todos os existentes: o problema da bancarrota e o problema da ordem pública (ou da falta dela) -- talvez o Sr. ministro não tenha ideia, mas Lisboa assemelhava-se à Bagdad dos últimos anos.
A Ditadura Militar foi tratando da ordem pública (sem o que não se consegue fazer nada), mas foi incompetente para resolver o problema financeiro. [...] Por isso foram buscar, novamente, o tal professor de Coimbra. O filho do caseiro do Vimieiro tinha fama de competente mas, também, de pessoa séria, que é um título que os homens públicos hodiernos têm dificuldade em ostentar.
[...] Obteve um sucesso extraordinário, criando um "superavit" nas contas em menos de dois anos. [...] Logo a partir de 1935 conseguiu reunir os fundos suficientes -- mesmo estando "fechado sobre si mesmo" -- para investir na economia que nunca mais parou de se desenvolver até atingir um crescimento de 6,9 por cento ao ano, em 1973 (no Ultramar era ainda superior) [...] Quando morreu viraram-lhe os bolsos e só descobriram cotão e meia dúzia de contos, que ele amealhara para os seus gastos pessoais.
Os senhores, agora, são ávidos de tudo e não dão o exemplo de nada [...] O regime político pós-1974/5 e os órgãos do Estado que o serviram nada conseguiram fazer com mais-valias por si geradas, apenas conseguiram fazer coisas com o dinheiro de outros e a mando de outros. E o recurso aos mercados, que o ministro das finanças tanto gaba, apenas serviu para, agora, termos uma dívida... colossal!
Belo saldo.
Resta acrescentar que, sendo a dívida actual muito superior à de 1926, o País não foi afectado por nenhuma guerra nos últimos 37 anos e que, à excepção de greves, tem gozado de paz social [...]
Não foi assim no final dos já longínquos anos 20.
Portugal teve que atravessar o "crash" financeiro da Wall Street, de 29, seguido da crise da libra (a que nós estávamos ligados), que se prolongou pelos anos 30; e depois apanhámos em cheio com a Guerra Civil de Espanha, logo seguida da II Guerra Mundial [...]
Por isso, Dr. Gaspar, quando balbuciar o nome do Estadista Salazar, comece por se pôr em sentido, depois ajoelhe e a seguir faça um acto de contrição. E fale só do que saiba.»
Isto é só um respigado de «O ministro das Finanças meteu-se com Salazar!», publicado n' «O Diabo» em 24 de Abril. O Sr. Tenente-Coronel é eloquente e magistral. Recomendo a leitura do artigo todo, em voz alta e à família. Especialmente aos mais novos.
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(*) «Nossa opção» é plural majestático?! Muito apropriado.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Dum asno
O secretário Viegas foi anteontem à feira dos livros.
O secretário Viegas zurrou dali à imprensa que «não haverá qualquer revisão do acordo ortográfico» (Lusa, 24/IV/2012) depois de asnear há mês e tal que «íamos aperfeiçoar» o denominado Acordo Ortográfico (TVI 24, 28/II/2012). — Como se o esterco se pudesse aperfeiçoar.
O secretário Viegas percebeu em tempos um verbete meu em que dizia que os mentecaptos comprovadamente já redigem leis («Legislador mentecapto», 25/I/2008). Deu-me razão e destaque (v. «Revista de blogs. Escrever bem», Origem das Espécies, 27/1/2008.). — Referia-me em concreto à lei do fumo, mas o tratado do Acordo Ortográfico afina pelo mesmo diapasão.
O secretário Viegas deixou de perceber o que é claro. Comprovadamente o secretário Viegas tornou-se um mentecapto. É um asno. Bem se vê o trabalho que o levou à feira do livro.
(Imagem: The Lycée Times)
terça-feira, 24 de abril de 2012
Tenho para aí ouvido ùltimamente da batalha dos Atoleiros...
Pois nada melhor do que ler as crónicas.
« E Nuno Álvares com sua gente era já em um lugar bem convinhável pera a batalha, onde chamam os Atoleiros, uma meia légua pouco mais ou menos aquém de Fronteira, de contra Estremoz. E como Nuno Álvares foi em aquele lugar [i.e. E sendo Nuno Álvares naquele lugar -- a forma foi é do verbo ser e não do verbo ir, que seria idiolecto brasílico absolutamente descabido], sendo já certo que os castelãos vinham à batalha, fez logo descer a pé terra todos os seus homens de armas. E dessa pouca gente que tinha concertou suas batalhas da vanguarda e retaguarda e alas direita e esquerda. E fez concertar os besteiros e homens de pé para as alas e por onde entendeu que melhor estaria para bem pelejar. E tudo isto feito e concertado começou de andar pelas batalhas em cima duma mula esforçando todas as gentes com boas palavras e gesto ledo. E dizendo a todos que lhes lembrassem bem em seus corações quatro cousas. A primeira que se encomendassem a Deus e à Virgem Maria sua madre e o tivessem assim em suas vontades. E a segunda que eram ali por servir seu senhor e alcançar honra grande que a Deus prazeria de lhe dar. E a terceira como ali vinham por defender-se e suas casas e a terra que possuíam e se tirar da sujeição em que os el-rei de Castela queria pôr. E a quarta que sempre tivessem nos entendimentos de sofrer todo trabalho e de apreciar em pelejar, não uma hora mas um dia todo e mais, se cumprisse. E ditas estas palavras os castelhanos eram mui acerca deles. E Nuno Álvares se desceu logo da mula em que andava e se pôs a pé na vanguarda ante a sua bandeira por cumprir aquilo que em Estremoz dissera que, com ajuda de Deus, ele seria dos primeiros que começasse[m] a obra; o valente e verdadeiro cavaleiro que não dissimulava mas cumpria o por ele prometido. E a tenção sua era que os castelãos viessem a pé à batalha. E eles traziam esse propósito, mas, como viram Nuno Álvares com sua gente assim de pé e corrigida para vencer ou morrer, mudaram seu propósito e ordenaram que viessem à batalha de cavalo, atrevendo-se que eram muitos e bem encavalgados e que logo os desbaratariam. E concertaram suas batalhas a cavalo: e toparam mui de rijo em Nuno Álvares e nos seus, mostrando grande esforço e dando grandes alaridos como mouros cuidando os espantar. E ali foi a batalha em volta e bem pelejada. E nos primeiros golpes foram mortos e feridos muitos cavalos dos castelãos. E com as feridas os cavalos alvoraçavam e derribavam-se e seus donos e retraíam atrás. E vinham os outros de refresco que estavam detrás para isto apartados. E assim lhes aveio como aos primeiros, de guisa que prouve a Deus de os castelãos serem desbaratados. E foram mortos dos castelãos muitos: entre os quais morreu aí o Mestre de Alcântara e Pêro Gonçalves de Sevilha e outros grandes. E [o] prior [do Hospital, irmão de Nuno Álvares]. E Martim Anes de Barbudo [a] que se chamava [da banda dos castelhanos] Mestre de Avis. E outros fugiram. E Nuno Álvares vendo em como os castelhanos eram desbaratados, e que fugiam, foi logo a cavalo, com mui poucos dos seus porque tão asinha todos não puderam haver bestas, e seguiram o encalço aos que fugiam uma légua e meia até que, por noite, forçado foi de se tornar.»
Crónica do Condestável, cap. XXVIII (grafia e pontuação muito modernizadas).
(Ilustração: Carlos Alberto in História de Portugal, 13ª ed., Agência Portuguesa de Revistas, [s.l.], 1968.)
Do customizing de feedback
Certa vez, na apresentação da aplicação SAP aos quadros duma grande empresa do Estado, alguém, para não estar calado, inquiriu o significado da sigla:
— Serviços Armazéns e Produtos — foi a resposta do vendedor entendido.
Ena! Uma multinacional alemã com nome genuìnamente português...SAP ECC 6.0.
... Que afinal fala um inglês crioulo.
domingo, 22 de abril de 2012
E.N. 375 (Av. do Atlântico)
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Black
Este cançonetista para Black é um bocado pálido. E com isso saiu um teledisco em black & white.
Black, Wonderful Life
(A & M Records, Ltd., 1987)
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Dum protectorado em dissolução
« Assim, mais de duas décadas após a sua assinatura, o Acordo Ortográfico unificador da língua portuguesa consegue a proeza de dividir de facto e de jure os países de expressão oficial portuguesa [...] Onde antes havia uma natural e inevitável clivagem entre o Brasil e o bloco euro-africano da lusofonia existe hoje uma injustificável desunião entre Portugal e os P.A.L.O.P. [...]
Nenhum dos países africanos que ratificou o A.O. fez qualquer esforço ou tomou qualquer medida para o aplicar; em Portugal (berço da língua portuguesa) e no Brasil impera o caos ortográfico-linguístico e usa-se uma mixórdia [...] Não há paralelo nem precedente na história de qualquer grande língua de cultura para esta situação difícil de qualificar.»
António Emiliano, «A C.P.L.P. e a consagração do desacordo ortográfico», in Público, 19/IV/2012.
Nota à margem (ou nem tanto):
Na mesma página do jornal, um Sebastião Rego, jurista, refere-se a uma ocupação «branca» de Portugal (a Alemanha que ocupou Portugal, remetendo-o para o estatuto de protectorado e manipulando por completo as alavancas de soberania do nosso país). Verbera logo de entrada, estupidamente a despropósito (a menos que estivesse a ser mordaz, que não creio), o ditador e seus panegiristas. Mas no fim acerta. Portugal tornou-se um protectorado alemão (a saque por muitos outros apátridas). Quem perceba (como é de perceber) o caso ortográfico como um acto particular da geral e criminosa senda dos quem vêm regendo Portugal desde 1974, facilmente acha algures o propósito deliberado de desmantelar o país e pilhar a nação. Desagregar um idioma é um fundo golpe na unidade dum estado-nação. Fazê-lo alardeando o contrário e mobilizando o sistema de instrução pública nacional é tenebroso sofisma que parece escapar a muitos, desatentos ou já doutrinados. Ele anda tudo ligado. O protectorado que Portugal se tornou é um passo inegável caminho da dissolução. Eis o que é.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Acerca duma toleima
Na toleima do cavalheiro Lavoura sobre o «país do negro» lembrou-me o leitor José duma que publiquei há tempo — do átrio do Metropolitano no Campo Pequeno, salvo erro — em que se via colorido o trajar daqui há cinquenta anos.
Ei-la novamente.
Ajunto-lhe uma outra dessa série a cores, na gare da estação do Saldanha, também já publicada em tempos mas a preto e branco, passe alguma publicidade em causa (mais ou menos) própria.
Metropolitano de Lisboa, Campo Pequeno (?), 1959.
Metropolitano de Lisboa, Saldanha, 1959.
Fotografias: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Do racional do negócio
« No encerramento da maternidade Alfredo da Costa, como em tantos outros casos de cortes, há uma palavra mal escondida: negócio. Para que as parcerias público-privadas nos novos hospitais da periferia de Lisboa dêem lucro, é necessário que lhes seja dado fazer um número mínimo de partos que as actuais condições não permitem. A maternidade Alfredo da Costa é a unidade a abater para o efeito.»
José Pureza, «A Racionalização», in Diário de Notícias, 13/IV/2012 [sublinhado meu].
Este é mais amigo duma parceria com todos os santos, querem ver!...
Público, 16/IV/2012.
Fotografia da materninade Dr. Alfredo da Costa do estúdio de Mário de Novais (s.d.), in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Papillon
Real ocação
O noticiês é crioulo do «amaricano». O português é outra cousa.
Joeirando a primeira página do «Público», «realocação das verbas» é real ocação (s.f. acto ou dito de cabeças ocas) dos verbos «atribuir» ou «(re)distribuir», do português arcaico, linguagem do tempo anterior ao real ocaso (realocase em amaricano) do léxico corrente nos bestuntos noticieiros.
domingo, 15 de abril de 2012
Estações de serviço na auto-estrada de Lisboa-Sintra

Estações de serviço na auto-estrada de Lisboa-Sintra, Alfragide, 1970.
Nuno Barros Roque da Silveira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
sábado, 14 de abril de 2012
Rua Augusta
Um cavalheiro Lavoura que escreve em brasileiro num blogo com título «amaricano» resolveu olear a inteligência num excerto de José António Saraiva no Cachimbo de Magritte, brotando-lhe a tese de: «No Portugal tradicional, o de há cinquenta anos, praticamente toda a gente (pelo menos as mulheres) vestia de negro. Os fatos de homem também eram sempre negros. Portugal era o país do negro. De acordo com as curiosas ideias do arquitecto Saraiva, teríamos que o Portugal tradicional fugia em direcção ao nada.»
É uma «curiosa» ideia a sua (do tal Lavoura), inspirada nuns dizeres do arquitecto Saraiva acerca de ser o negro (o trajar negro) sinal duma sociedade a caminho do nada. Uma ideia que não perscruta a sóbria fazenda dos alfaiates de então, que se não coteja com a moda noutros países tradicionais a ver que ombreassem com Portugal como «países do negro», mas que brotando do escuro do seu bestunto por iluminação fortuita do arquitecto Saraiva o havia, ao menos, de elucidar pelos efeitos observados neste Portugalinho hodierno. — A ideia bate certa à chegada. — O nada em que Portugal se vê hoje brotou de mentes assim como a do Lavoura, que baralham fatos negros com factos obscurecidos; mentes moldadas por ideias fortuitas em modas garridas, que se não afectam por nada da óbvia realidade, nem quando por acaso arribam por raciocínios etéreos a uma acertada conclusão. Desafortunado acaso, tão estéril como estas mentes, que não produz vislumbre de reflexão.
Na imagem em baixo o Portugal tradicional vê-se de chapéu e fato sem que daí os trajos sejam «sempre» (ou sequer) negros. Eis os fatos e os factos. Decerto, dado que Portugal veio entretano a dar em nada, são mais recentes do que de há cinquenta anos as fatiotas negras que confundem as mentes e obscurecem os factos. E assim, se a assimilação de fatos com factos é comprovadamente de 1990 e a fotografia é de c. 1960, o negro dos factos subjacente ao destino a que chegou Portugal deve estar no meio. Aí pelo meado dos anos 70.
Rua Augusta, Lisboa, c. 1960.
A.N.T.T., «O Século», Joshua Benoliel, cx. G, lote 0, neg. 341.
Capristanos
U.C.A.L.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Isto é alguma coisa?!...
O vocabulário do I.L.T.E.C. é tão mauzinho que benza-o Deus! - Aliás, tudo o que derive da indigência linguística do Malacaka é miséria de meter dó. - Calculem bem que o portal da língua portuguesa dá o adjectivo «reflectido» sem admitir o verbo «reflectir»; só deixa haver «refletir», chegando a derivar de «reflectido» o advérbio «refletidamente», sem «c» etimológico (v. imagem acima). E assim, embora a maltazinha do I.L.T.E.C. me conceda o tal «reflectido» (brasileiro, pois claro; quiçá tupi...), não admite nada de «irreflectido», nunca, nem mesmo (e neste caso muito menos, ora bem) em brasileiro.
Da irreflexão em tratados ortográficos estamos, pois, conversados. (Já estávamos, aliás.)
segunda-feira, 9 de abril de 2012
La Lys
9 de Abril de 1918. Noventa e quatro anos da batalha de La Lys em que milhares de soldados portugueses tombam a ferro e fogo debaixo da fuzilaria alemã.
Sabia da data, porém escapava-se-me a lembrança do dia, confesso, não fora terem dado há pedaço no canal da memória um dos programas do prof. Hermano Saraiva em que ele o mencionava.
Uma subtileza dalguém fazendo jus ao nome do canal?
Caso assim fosse, foi ele cousa tão tímida, tão tímida, que a poucos há-de ter avivada a memória. Veio-me porém à ideia se teria porventura, afinal, a agenda mediática dado eco à efeméride e se não seria o meu particular esquecimento de andar eu a Leste. Assaltado por esta preocupação (e certo remorso) procurei saber. — Pois, em no fazendo, a pesquisa do noticiário sobre «La Lys» no Guglo, hoje, traz-me três notícias da imprensa regional e uma num jornal da emigração, todas requentadas, nada com menos de 5 dias. Uma última notícia, da R.T.P., é ainda mais deprimente; é de 26 do mês passado e dá nota de a Liga dos Combatentes não ter dotação para recuperar as campas dos soldados portugueses sepultados em Boulogne-Sur-Mer. Sobre La Lys é tudo.
Não devo afligir-me. Os nossos bravos caídos em batalha já lá estão, em descanso. Honraram a pátria que lhes cobrou a vida. Cumpriram o dever melhor do que aqueles que os mobilizaram como carne para canhão, que os largaram à sua sorte mal equipados e mal preparados, que lhes cavaram a sepultura, que os esqueceram então e cujos herdeiros políticos os esquecem agora.
Nao devo afligir-me, pois. A omissão deliberada de datas nacionais nos noticiários há-de acabar por diluir-me memórias tão inconvenientes como esta ou alguma ideia de Portugal. De modo que engulhos de consciência por esquecimentos como este meu de hoje acerca dos nossos que tombaram ralar-me-ão a mim menos e menos e aos vindouros nada de nada. Em compensação, doses soporíferas de Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira (o aniversário deste trovador da liberdade foi lá esquecido, como podia?!), como as que ouvi logo de manhã na antiga Emissora Nacional são muito melhor remédio para estados de alma patrióticos. La Lys interessa tanto à agenda mediática como relembrar a Restauração de 1640. Vede antes que aconchegante foi havermos tido agora a policia espanhola patrulhando as nossas terras. 
Ilustração Portugueza, II.ª Serie, n.º 635, 22 de Abril de 1918.
domingo, 8 de abril de 2012
«Verba volant, scripta manent»
O benévolo leitor que, com razão, reflicta e se abisme com o estulto primado da pronúncia como regente da escrita, capaz de dar como correctos em português inúmeros pares de palavras da mesma família como Egipto/egípcio, tacto/intacto, epiléptico/epilepsia, jacto/jactância, &c., não pode nem deve deixar de ler o texto — «Essa sinistra guilhotina» — do prof. Fernando Paulo Baptista publicado na página da I.L.C. contra o Acordo Ortográfico. Ora leia o benévolo leitor. Leia com atenção e veja a diferença de se entregar a feitura de tratados sobre o idioma a gente capaz ou a sapateiros que, salvo o devido respeito aos mestres deste ofício, não haviam nunca de ir além da chinela. Quem diz chinela, diz pronúncia...
É porivido vazar e[n]tu[l]ho, Teixelo, 2006.
sábado, 7 de abril de 2012
Pois! Os troikas são só trez...
Dês que a televisão portugueza se converteu á escripta brazileira quasi deixei de ter noticias do rectangulo. Uma que me appareceu hontem deante, espantosa, foi de haver policias hespanhoes fazendo ronda e montando guarda n'outras terras de Portugal que não a de Olivença.
Matadouro municipal, Olivaes, 195...
In Archivo Photographico da C.M.L..
(Verbete revisto às 20 para as 9 da noite.)
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Nasceu em 1919...
Tem uma certa graça. Ajudou-me a aproximar da data da reportagem d' «O Século» que publiquei há dias no verbete do Chiado elegante.
O rapazinho espigadote encostado à parede.
Ninguém me tira a ideia que é... — Sabe o benévolo leitor?
Sabê-lo-á descobrir, por certo. O título dá uma pista. Foi sabendo dele (que nasceu em 1919) que, conjecturando ter ele aqui uns dez anos, contas feitas à reportagem fotográfica no Chiado, ela anda por roda de 1930.
Ora veja o benévolo leitor se descobre quem é o mocito.
Fotografia: A.N.T.T., «O Século», J. Benoliel, ...
Da wikitreta
«Alguns que julgam saber mas ignoram» são os da Wikipaedia em português (brasileiro). Em 24 de Agosto de 2005, quando publiquei o verbete Vade retro auspicium malum, davam a batalha de Alcácer Quibir como ocorrida em 24 de Agosto de 1578. Tenho tanta certeza disto que lá li, como tenho do pudor que pus na remissão em nota, por pronome indefinido, daqui para o erro, evitando cá mencionar o nome da Wikipaedia — aquilo, lá, qualquer um escreve em roda livre (cuidava eu) o que sabe ou pode, logo a Wikipaedia não seria em si mesma de culpar. Rasurei aqui a remissão quando dei notícia da emenda lá, com a verdadeira data da batalha (4 de Agosto de 1578). Hoje, porém, não há memória de lá ter estado escrita alguma vez a data de 24 de Agosto para a dita batalha. O que dá impressão ao transeunte é que, ali, sempre de início o que esteve foi que a batalha se foi no «Verão de 1578». O caso não tem grande interesse ou gravidade, não fora ter sido demonstrado recentemente que o histórico da Wikipaedia anda a ser reescrito. Se o é por capricho de doutrinados parvos ou por obediência a alguma agenda iniciática não sei. A única conclusão indubitável é que os «alguns que julgam saber mas ignoram» têm pouca sciência enciclopedista mas lá sabujice censória é cousa que lhes não falece.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Do sufrágio directo
O sr. presidente da mesa do conselho nacional do partido C.D.S. escreveu à sr.ª directora do «Público» para endireitar seus ditos, que o cronicão Rui Tavares pusera por torto, a propósito do voto na Assembleia do sr. deputado Ribeiro e Castro. Não li (nunca leio) o que escreve o cronicão nem o caso me interessa além do que vai aí sublinhado.
Posto isto fico curioso se, em regime de sufrágio directo, um deputado responde primeiro à nação ou à confraria que o propõe a voto. Se é a segunda lá me hei-de governar com a magnanimidade da confraria... em conceder-me feriado no 1.º de Dezembro, por exemplo. Mas, neste caso, para quê o sufrágio directo?
(«Público», 4/IV/2012.)
