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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dum protectorado em dissolução

« Assim, mais de duas décadas após a sua assinatura, o Acordo Ortográfico unificador da língua portuguesa consegue a proeza de dividir de facto e de jure os países de expressão oficial portuguesa [...] Onde antes havia uma natural e inevitável clivagem entre o Brasil e o bloco euro-africano da lusofonia existe hoje uma injustificável desunião entre Portugal e os P.A.L.O.P. [...]
   Nenhum dos países africanos que ratificou o A.O. fez qualquer esforço ou tomou qualquer medida para o aplicar; em Portugal (berço da língua portuguesa) e no Brasil impera o caos ortográfico-linguístico e usa-se uma mixórdia [...] Não há paralelo nem precedente na história de qualquer grande língua de cultura para esta situação difícil de qualificar.»

António Emiliano, «A C.P.L.P. e a consagração do desacordo ortográfico», in Público, 19/IV/2012.


 




Nota à margem (ou nem tanto):
Na mesma página do  jornal, um Sebastião Rego, jurista, refere-se a uma ocupação «branca» de Portugal (a Alemanha que ocupou Portugal, remetendo-o para o estatuto de protectorado e manipulando por completo as alavancas de soberania do nosso país). Verbera logo de entrada, estupidamente a despropósito (a menos que estivesse a ser mordaz,  que não creio), o ditador e seus panegiristas. Mas no fim acerta. Portugal tornou-se um protectorado alemão (a saque por muitos outros apátridas). Quem perceba (como é de perceber) o caso ortográfico como um acto particular da geral e criminosa senda dos quem vêm regendo Portugal desde 1974, facilmente acha algures o propósito deliberado de desmantelar o país e pilhar a nação. Desagregar um idioma é um fundo golpe na unidade dum estado-nação. Fazê-lo alardeando o contrário e mobilizando o sistema de instrução pública nacional é tenebroso sofisma que parece escapar a muitos, desatentos ou já doutrinados. Ele anda tudo ligado. O protectorado que Portugal se tornou é um passo inegável  caminho da dissolução. Eis o que é.

4 comentários:

  1. Português euro-africano ??? Ocupação "branca" ???
    Vou ali vomitar e já volto!

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  2. Protectorado alemão? Quem me dera! Se Portugal fosse um protectorado alemão isto estava muito melhor gerido. Portugal é um protectorado da incompetência.

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  3. Bic Laranja20/4/12 16:09

    Julgue o que quiser. Nem os alemães são modelo de nada nem os incompetentes que nos enxameiam o governo são portugueses dignos do nome.
    Cumpts.

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  4. A confusão da geografia do português parida do dejecto dito ortográfico leva também a isto; ao borbulhar de nomenclatura deveras bizarra. Todavia o texto diz «bloco euro-africano da lusofonia».
    Vamos por partes:
    1) «Lusofonia» é máscara para supressão deliberada do «português»; parece que dizer «português» fere certa «moral». É daqueles rodriguinhos do género «pessoa portadora de deficiência» para chamar os coxos, os manetas e os marrecos. Exercício inútil posto em voga com laivos de doutrina por portadores de paralisia cerebral.

    2) Suprimido o significante «português», se queremos entender-nos jogamos com «blocos» (parece Lego, isto): o «euro-africano» em vez de simplesmente «português» é o mesmo de 1) ou pior; o adjectivo composto, tão compostinho com o «-africano», para não ferir os pretinhos, coitados, omite por assepticamente o «português», essa raça danada -- mas quem não quere ferir os pretinhos, coitados, não são senão os da paralisia cerebral de aí atrás; -- sempre foram muito paternais com os pretinhos, coitadinhos, embora nunca digam explicitamente «pretinhos», coitados, por pudibunda comiseração. Dão dó!
    O outro bloco (é do português que falamos por mais que o escamoteiem), o bastardo, pode assim assumir sem escolhos o genuíno significado de... português. Enxerta-se a oliveira no zambujeiro e apregoa-se dele o mais fino azeite. Por isto tanta dessa gente do igualitarismo pseudo-morigerador proclama a cavalo na sua moralinha que o idioma português não é dos portugueses. Eles o sabem, pois! Quando o idioma português deixar de remeter de imediato para os portugueses por se chamar «lusofonia» (ou quiçá brasileiro), então o trabalhinho está feito.

    3) A «ocupação branca» do jurista Rego nem sei bem se é «branca» por «branqueada» (para se mascarar, mais uma vez, enfim!...) ou se é «branca» por contraste -- o que só se entenderia se fôssemos, os portugueses, berberes mouros ou cafres da Guiné. -- Ora sendo o caso de os germânicos «ocupantes» serem, eles sim, bárbaros, concluo ser o protectorado uma moderna invasão bárbara; nada que a História nos não tenha já mostrado com, por exemplo, o saque de Roma por Alarico, o visigodo, em 410, com marcas evidentes no decair da civilização.

    Em conclusão: tanto procuram esconder raças para não ferir culturas (ou vice-versa, que tanto dá) que acabam pondo raças e culturas às escâncaras e em alto contraste. Vê-se assim o tino dos atrasados mentais que parem tão trabalhadas neologias.
    Desde a pré-história que a linguagem já foi inventada, credo!
    Cumpts.

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