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quinta-feira, 31 de março de 2011

Caixa de Pandora

 Helder Guégués, segundo me parece, participa numa espécie de laboratório de língua portuguesa com professores. Os disparates de que dá notícia decorrentes da aplicação do aborto gráfico por eles mostram o que se adivinhava. Em sendo professores a dar erros, que achais que o futuro vai dar?…


 


" [...] Vejo que alguns escrevem (e não são professores de Física disléxicos) «fição», outros escrevem (e não são cegos) «diotrias». É o novo acordo ortográfico e são professores que assim escrevem. Pês e cês é tudo para deitar abaixo a esmo e a eito. Vamos a ver se o que sobra é legível."
Helder Guégués, Ensandeceram, in Assim Mesmo, post 4488, 24/2/2011.


 


Pandora a espreitar a caixa (J.W. Waterhouse, 1896)
Pandora (a espreitar a caixa), J. W. Waterhouse, 1896.
(Imagem em Hellenica.de)


 


(Texto publicado originalmente na pág. da I.L.C. Contra o Acordo Ortográfico em 25/2/2011.)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Alma Lusíada

Convento de Mafra (M. Novaes, s.d.)
Convento de Mafra, [
s.d.].
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G. 


 


« Convém, a propósito, recordar que Portugal se tem regido pela ortografia aprovada conjuntamente com o Brasil em 1945, segundo o Acordo então firmado, que o Brasil inicialmente homologou e depois revogou, na sequência de enorme celeuma levantada, no seu Senado, em que, à mistura com o Acordo, segundo consta o anedotário, os distintos Senadores brasileiros consumiram largo tempo a discutir os malefícios da colonização lusitana e o ouro levado do Brasil, no tempo de D. João V, etc. e tal, como invariavelmente acontece nas acesas discussões linguísticas entre os nossos putativos irmãos de fala.
[...]
 Para a coesão do idioma, mais importante do que a ortografia é a sintaxe, em que a divergência luso-brasileira não pára de se alargar, principalmente por violação sistemática das regras gramaticais do Português, na boca da população brasileira.»

António Viriato, «O trigo e o joio, a propósito do desacordo ortográfico», in Alma Lusíada, 23/III/2011.


 


 Muito mais trigo do que joio nas avisadas reflexões de António Viriato sobre vergarem-nos à nova grafia brasileira. Merece a pena todo o artigo, que resume com ponderação o essencial do caso.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ligações escola-empresa

Anti-aborto graphico - (c) 2011

 Uma escola pública propôs a uma grande empresa do Estado a ida de professores para umas sessõezinhas de esclarecimento (doutrinação) aos empregados sobre as regras do Acordo Ortográfico da escrita brasileira.
 Teme-se seriamente que ninguém apareça.
 Entretanto a iniciativa prossegue.

(Fotografia do sr. António Fernandes.)

Praça do Commercio - (c) 2010
Praça do Comércio - (c) 2010

terça-feira, 22 de março de 2011

Pulo do Lobo

Pulo do Lobo © 2010
Pulo do Lobo, Alentejo, 2010.

Interlúdio todo electrónico

 Com alguns desafinanços mas, enfim... Andava à tarde com esta no ouvido sabe-se lá porquê. A senhora veio agora dizer-me: — "Estás todo electrónico, hem!." — (Tinha eu aqui a grafonola um bocado alta.) — Electrónico?!... — Estou sim com aquele misto de sensações que estas relíquias já esquecidas, empoeiradas de décadas, sempre nos fazem aflorar à pele.  — Mas vede! Deu-me ela a chave que faltava para o título do verbete: "Todo electrónico".




Mike Oldfield, Guilty
(1979)

segunda-feira, 21 de março de 2011

De carroça

Rua dos Cavaleiros, Mouraria (M. Novais, 1940-45)
Rua dos Cavaleiros, Mouraria, 1940-45.
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

domingo, 20 de março de 2011

Alyssum maritimum

Allyssum maritimum, Lisboa - (c) 2011
Lisboa - (c) 2011

sábado, 19 de março de 2011

Salvaria...

Salvaria (c) 2011
Hospital de Arroios, Lisboa, 2011.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Meu idioma é de vocês!

«Metralhas milionários»,Tio Patinhas nº 257, 1986 (in Universo Disney)


 


Cá está!
 Não conhecia a palavra «idioleto». Sabeis como a li? Idiolêto... (1)
 A primeira vez que me aconteceu [o fecho de vogais protónicas (2) motivado pelo brasileiro] foi no tempo da escola primária com o Tio Patinhas, o pato mais rico do Mundo, que faturava, fa-turava, fâ-tu-rá-va que se fartava. E eu nunca tinha ouvisto uma factura sequer.

(Tio Patinhas in Universo Disney.)


 




(1) Idioleto é escrita brasileira; a forma correcta é, naturalmente, idiolecto e pronuncia-se com o 'e' aberto como facilmente o leitor perceberá pela consoante etimológica.
(2) O fenómeno de fechameneto das vogais característico do português agrava-se com a leitura da escrita brasileira e afecta inclusivamente vogais tónicas, como vemos aqui com o pouco conhecido idioleto lido dum brasileiro, e como veremos mais cedo ou mais tarde com os aberrantes diretos da R.T.P.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Sensos

 Não sei que espécie de gente o governo recruta para o censo. A gente que há agora, com certeza.
 – Sobre o telhado do edifício: é um telhado de telha, inclinado?
 – O edifício tem um telhado de duas águas.
 – Desculpe! Que é um telhado de duas águas?... 
 Com o folheto dos censos: – Está a ver um telhado? Uma água; duas águas – enquanto lhe apontava para lá e para cá as faces inclinadas do papelucho semi-aberto.
 Perguntou-me se eu era arquitecto.

Telhado de duas águas - (c) 2011
Sensos - (c) 2011.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Não há censos grátis

Logótipo do censo de 2011 segundo José Cerca de Arouca 


 


 Não sei que espécie de gente o governo recruta para os censos. Gente empenhada em despachar serviço, com certeza.
 Primeira preocupação: se tenho Internete.
 – Isso é uma pergunta do censo? – procuro saber.
 – Não, é para lhe dar a senha para responder.
 – Minha menina, tenho a Internete mas é minha. Não para fazer eu o trabalho do Governo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Martim Moniz

 O Martim Moniz em 1984 sensivelmente do mesmo lugar daquela segunda de sexta-feira, embora mais de esguelha; o fotógrafo rodou para a esquerda, para NE.

Martim Moniz, Lisboa (Christopher Leach, 1984)
Martim Moniz, Lisboa, 1984.
Christopher Leach, in Busworld Photography.

Clannad


Clannad & Bruce Hornsby, Something To Believe In
(Sirius, 1987)

domingo, 13 de março de 2011

Geração iogurte

 Quando o madeirense Vicente Silva veio com a geração rasca (a minha; a primeira alfabetizada a ir à escola após o grande acidente nacional) eu achei que sim. Mas para me livrar da sarna passei a dizer que, depois de mim (dela, da minha geração), era o Dilúvio.
 A Filomena Mónica dá-nos hoje em torrente (como lhe é característico) a taxonomia do Dilúvio, das subgerações "à rasca": "são os mitras, os boys e os betos. [...] Dentro de cada grupo, há de tudo. Uns são inteligentes, outros burros; uns são trabalhadores, outros preguiçosos; uns são cultos, outros ignorantes; uns são de esquerda, outros de direita; uns são rapazes, outros raparigas; uns são ambiciosos, outros resignados; uns são activos, outros passivos." («Os mitras, os boys e os betos», in Público, 13/3/2011). 
 A geração dita "à rasca" parece-me mais os iogurtes nos "hipers" (plural precário; 4ª acepção). É fazer a correspondência...


(Imagem duma página espanhola, via Guglo.)

De referência...

 Tenho o Público no Kindle. Paga-se como Público em papel mas não tem publicidade (salvo as próprias notícias). Também é edição tipograficamente mais descuidada. Hoje num artigo de opinião não assinado leio exemplos de descuido do jornal dito "de referência", em quatro edições sucessivas (de 8 a 11 de Março). 
 Do jornal — a desgraça não é só na edição do Kindle, portanto.
 Os exemplos dados vão de notícias erradas por papagueanço irreflectido, à transmissão de opinião sensacionalista por notícia isenta, passando, claro, pelos inevitáveis erros de português. Um destes que me já tinha ficado atravessado na sexta-feira foi o dos hipermercados ao domingo; o erro apontado é a discrepância entre "Viana e Amadora recusam (...)", na capa, e "Viana do Castelo e Almada contra (...)", na notícia na pág. 16. Mas, e o objecto? - Hipers ao dominigo?! Hipers!...

Hipers?!... (Público, 11/3/2011)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Cenas de rua

 Primeiras demolições na Mouraria
 A Rua do Martim Moniz ao virar da esquina (esquerda), que deu no pavoroso largo... Para diante a Rua da Palma; para cá idem. À direita o fim da Rua do Martim Moniz prosseguindo as escadinhas da Calçada do Jogo da Péla. Um bairro alfacinha a caminho de desaparecer. Os transeuntes vão indiferentes. A vida corre como se nada fosse.
 O fotógrafo passou por lá.



Rua da Palma, Mouraria, 1937-46
Rua da Palma
, Mouraria, 1940-45.


 A Rua do Martim Moniz - que com as demolições se já abria em largo - e a tardoz do vetusto palácio do Marquês de Alegrete.  Adiante cruza-se a Rua da Palma.

Rua do Martim Moniz, Mouraria, 1937-45
Rua do Martim Moniz, Mouraria, 1940-45.




Fotografias: Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Presidente ex-horta (*)

Vendedor de hortaliça, Portugal, 1890-1910 (Charles Chusseau in George Eastman  House)


Vendedor de hortaliça, Largo do Carmo, 1890-1910.
Charles Chusseau-Flaviens, In George Eastman House.


 


 O discurso de posse dum presidente é uma daquelas coisas em que o conteúdo prolixo vai dirigindo a atenção prò lixo menos óbvio da forma (no caso não morfologia mas sintaxe). Lede vós:


Como Presidente da República, faço um vibrante apelo aos jovens de Portugal: ajudem o vosso País! Façam ouvir a vossa voz. (**)


 


(*) O ex é latino; a horta é das nabiças.
(**) A informação do lixo na forma de dizer deve-se ao avisado Venâncio neste foro; o discurso lê-se na própria Presidência.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Uma Lei contra o Acordo Ortográfico

Livro de Leitura da Primeira Classe do Ministério da Educação Nacional (in Planeta Tangerina)


" Embora tenha havido e talvez ainda continue a haver petições contra o A.O., não é de uma ou mais uma petição que se trata [...]
  Uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (I.L.C.) «pode ter por objecto todas as matérias incluídas na competência legislativa da Assembleia da República» (Artigo 3.º da respectiva lei ver) com as excepções previstas no mesmo artigo e limitações previstas no Artigo 4.º. A I.L.C. de revogação da Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008, de 29 de Julho, não está abrangida por nenhuma dessas excepções e limitações. Uma I.L.C. é examinada em comissão, apreciada e votada na generalidade e na especialidade, e objecto de uma votação final global (Artigo 9.º a Artigo 12.º), à semelhança do que acontece com os projectos de lei apresentados pelos deputados ou propostas de lei apresentadas pelo Governo à Assembleia da República. Uma vez aprovada pela A.R., após a promulgação pelo Presidente da República, segue-se a publicação no Diário da República sob a forma de Lei, para a entrada em vigor.
&nbsp Espera-se que estas breves notas tenham sido suficientes para dar a perceber a grande diferença que há entre uma petição e uma I.L.C."


Virgílio A. P. Machado, in Goodreads, 8/3/2010 [sublinhados meus].
 


 Claro que o benévolo leitor já percebeu que é para pôr uma Lei à votação contra o desconchavado Acordo Ortográfico. Mas há sempre gente nova a chegar e, os que estamos contra, temos família e amigos que duma maneira ou doutra, sabemos, padecem humilhação com esta mania de os governantes nos pregarem com leis que nos ferem e resultam em nosso prejuízo. Podemos só reclamar em família. Podemos talvez berrar em manifestações. Ou podemos fazer algo tangível, na mesma medida que o despudorado governo e deputados passam a vida a fazer-nos. Impor uma Lei.
  Imponhamos nós uma Lei.




Assinar I.L.C. contra o A.O. (imprima, preencha e assine.)
Envie por correio
ou
digitalize e envie por correio electrónico para:


 


ilcao_assinaturas [caracol electrónico] cedilha.net  


 




Refª:
Maria Luísa Torres Pires, Francisca Laura Batista, Glória N. Gusmão Morais, Livro de leitura da primeira classe, 1ª ed., Lisboa, Papelaria Fernandes, 1967. - Ilustrações: Maria Keil, Luís Filipe de Abreu, in Planeta Tangerina.
I.L.C. - Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Quem me dera saber dizer isto

O. Braga, Perspectivas (c) 2011



  • A designação de “português europeu, de certa forma, dissocia simbolicamente a língua do país que é Portugal — enquanto que a designação “português brasileiro acentua o simbolismo da nacionalidade atribuída à língua (ver o que diz, sobre este assunto, Ferdinand de Saussure: a supremacia do significante (brasileiro) sobre o significado (português), ou o conceito de assimetria conceptual. No caso de “português europeu”, o significante é “europeu”).

  • Neste contexto desconstrutivista / cultural brasileiro, o próximo passo do nacionalismo brasileiro será, talvez, o da implementação do conceito cultural de “brasileiro” para a língua do Brasil, e o de “brasileiro português” para Portugal. Aquilo que era português passa a ser brasileiro, e aquilo que era brasileiro passa a não ser português.



O. Braga, «Acordo Ortográfico: podem enganar muita gente, mas não toda», in Perspectivas, 2/3/2011.


domingo, 6 de março de 2011

Pátio da ralé

 O tratante que rege cá o pagode lá começou a vender o Terreiro do Paço às postas. E foi cheiozinho de si lá inaugurar a venda (cuidando decerto assim guindar-se ao nível dalgum marquês de Pombal ou coisa parecida). Entretanto os Correios levaram uma corrida em osso dali para uns contentores no Largo do Município. – Diz que a Câmara os vai pôr num prédio que tem devoluto no largo, mas primeiro vai ter de lhe fazer obras. E pagá-las. – A polícia também há-de levar uma vassourada para o lado oriental do Terreiro, para uma esquadra nova, do séc. XXI – do séc. XXI!... pois de que século havia de ser?!... – O ministério da Agricultura foi já fazer pousio para outro lado e o do Interior está a arrumar os papéis para desandar. Manda quem pode. Quem rege serve...
 Passei pelo Terreiro do Paço hoje. Puseram uma esplanada onde se deu o regicídio. As arcadas desse lado têm pendões publicitários entalados no vão dos arcos: "Pátio da Galé", dizem. – Em frente ao pátio levantavam uma estrutura medonha de andaimes que galga dez ou quinze metros Terreiro a fora; deve ser para, com panos de tenda, fazerem uma entrada monumental para as iniciativas da Moda e do Peixe, e que pode ir abrindo caminho à ocupação do Terreiro (além do Paço) pelo hotel Pestana que vem aí mascarado de pousada da Enatur. A esplanada e as lojecas, dum minimalismo pindérico, são para entreter o bom povo que, mal ensinado, aprecia muito. Do lado da Rua do Arsenal continua a fiada de pendões nas fachadas pombalinas anunciando o esbulho: "Pátio da Galé". O génio não toca a todos, mas quem simplesmente entenda a monumentalidade do Terreiro do Paço e veja a porcaria contemporânea com que o compõem logo há-de dizer: - Pátio da ralé; o Poder que nos rege.

Pátio da Galé em estilo Pinóquio (in Fado Alexandrino)
Pátio da Galé em estilo Pinóquio, Lisboa, 2011.
In Fado Alexandrino.

Escrito na pedra

 A discussão sobre o que se grava e o que se rasura na pedra dava pano para mangas, mas resume-se tão só a que cada um grava para se engrandecer ou oblitera para diminuir o alheio, o que dá no mesmo. É uma questão de Poder e da falta dele. - Os grafitos o demonstram: o Poder e a falta dele...
 Esta lápida aqui diz-nos de quem a gravou, do poder que tinha e da medida da obra que se arrogava a gravar na pedra. Basta ler o que está escrito.


 


Escola António Arroio, Lisboa, 2010
Lápida. Escola António Arroio, Lisboa, 2010.

sábado, 5 de março de 2011

Finis patriae (epílogo)

  Perguntava-me a estimada leitora Maria no verbete Finis Patriae se se não liam as incrições na colunas do cais do Terreiro do Paço. Lá lhe respondi que:
  A inscrição da coluna lê-se bem. Tal como a inscrição da outra. Dão notícia do embarque e das viagens do Presidente Carmona ao Ultramar em 1938 e 1939:


"COM A CERTEZA DE QUE FALA PELA MINHA VOZ PORTUGAL INTEIRO, PROCLAMO A UNIDADE INDESTRUTÍVEL E ETERNA DE PORTUGAL DE AQUÉM E DE ALÉM MAR."
GENERAL CARMONA.


  Obviamente que cantaria epigrafada com tais inscrições é uma vergonha para o Portugalinho dissolvido e apagado. Não sei o que lá diz hoje, talvez uma auto-flagelação como a do Largo de São Domingos ou textos sagrados como "separe o lixo" ou "beba Coca-Cola".
  Deixo agora cá o par daqueloutra (clique para ampliar).


 


Terreiro do Paço, Lisboa (H. Novais, post 1939)
Terreiro do Paço, Lisboa, [1930-80].
Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

quinta-feira, 3 de março de 2011

Finis patriae

 Ele há coisas que são tão óbvias que um perfeito idiota as entenderia. No entanto...
 Qualquer encontro entre o primeiro ministro de Portugal e a chanceler alemã, no actual estado de coisas, em situação alguma deveria dar-se. Muito menos a ida do primeiro ministro à Alemanha. O que havia a tratar haveria imperativamente de ser deixado à gravidade sombria das chancelarias diplomáticas. Isto que ontem se passou é da mais estúpida ausência de sentido de Estado e, vindo de quem vem – é isto o que mais se estranha – do pior amadorismo nessas tretas da promoção de imagem. Haverá alguém no mundo que não capte que o tratante está tão à rasca, mas tão à rasca, que anda completamente à nora? Que confiança inspira isto nos chamados mercados?
 Cometida a supina asneira, a última coisa que restava ao pedaço de asno, não para negar a evidência inegável, mas ao menos airosamente honrar a quem faz a maior desonra, seria citar dos Lusíadas:


Fazei, Senhor, que nunca os admirados
Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses,
possam dizer que são para mandados,
mais que para mandar, os Portugueses.


Os Lusíadas, X, 152.


Impossível, claro.


 



Terreiro do Paço, Lisboa, [1930-80].
Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

quarta-feira, 2 de março de 2011

Lisboa do futuro

Hotel Europa Palace (i.e. Palácio) ao Campo Pequeno



Cais dos paquetes em Santa Apolónia



Plano da Matinha



Ribeira das Naus



África Cont(inente)* nas Verdes Janelas/Av. Julho 24**



 




* Já com a futura (orto)grafia.
** Já com a futura sintaxe.


Coisa no Largo do Rato



Hospital de todos os Santos (Av. Central de Chelas)



Nova Sede da Polícia Judiciária (Rua Gomes Freire)



Ampliação do aquário Oceanário



Nova torre gémea em Sete Rios



Piscina do Areeiro



Piscina do Campo Grande



Piscina dos Olivais



Sede da EDP na 24 de Julho



Museu dos Coches na esquina oposta ao Museu dos Coches



Parque Mayer



 




Fonte inspiradora: Lisboa S.O.S.; Imagens do Guglo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Paredes com trezentos anos

 Pouco lhe deve faltar. O anexo das micros, na Praça do Chile já foi demolido. A placa de obras da Câmara exibe-se no portão sem nada preenchido.


Hospital de Arroios, Lisboa, 1961.
Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Impressão do Oriente

 A impressão que me dá é que o beduíno lá da Líbia está mesmo mesmo para cair hoje, ou não passa de amanhã. Há muitos dias, pelos ecos da imprensa, que tenho diariamente esta impressão. 


Fumadora de Narguilé (Egipto, 1855-1880)
Retrato de Estúdio; Fumadora de Narguilé, Egipto, 1855-1880.
(c) I.M.C./M.C.