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domingo, 30 de novembro de 2008

Dr. João das Regras

[ Um verbetezinho pelo meu pseudónimo na enciclopédia livre em 17 de Fevereiro de 2005. Impedido de o eliminar de lá pelos senhores daquilo uso-o aqui mais enriquecido, com ilustração do Clube Filatélico de Portugal.]


 Dr. João das Regras. Postal ilustrado com a sua imagem, editado Sociedade Histórica da Independência de Portugal, com selo de 1$60 azul cinzento CE433 da 2.ª emissão Independência de Portugal, obliterados com carimbo de Lisboa (29.11.27 - 1.º dia de circulação).


 Jurisconsulto nascido em data desconhecida em Lisboa, onde faleceu em 3 de Maio de 1404. Filho de João Afonso das Regras e de Sentil Esteves e, após o segundo casamento da sua mãe, enteado de Álvaro Pais, perpetuou o seu nome em virtude da magistral representação da causa do mestre de Avis nas cortes de Coimbra de 1385 cujo corolário foi a aclamação de D. João I como rei de Portugal.


 De acordo com Fernão Lopes esteve em Bolonha, e é verosímil que tenha estudado na universidade daquela cidade de Itália. Foi professor da Universidade de Lisboa, onde mais tarde desempenhou o alto cargo de encarregado ou protector, equivalente, segundo alguns, ao cargo de reitor (Carta Régia de 25 de Outubro de 1400). Tal como o seu padrasto, teve uma acção importante no levantamento de Lisboa que alçou o mestre de Avis por regedor e defensor do Reino. Conselheiro e chanceler do mestre, a sua acção na crise de 1383-1385 culminou na inteligente argumentação em que, omitindo o nome do mestre, negou validade às prentensões dos outros candidatos ao trono.



  • A D. Beatriz, filha do falecido rei de Portugal, nega o dr. João das Regras quaisquer direitos por nulidade do casamento de D. Fernando com Leonor Teles, que era já casada com João Lourenço da Cunha quando o rei a desposou; por incerteza quanto à paternidade de D. Fernando, dado o comportamento irregular de Leonor Teles; por haver contraído um casamento com o rei D. João I de Castela, seu parente (a mãe do rei de Castela era tia-avó de D. Beatriz) sem a dispensa do papa legítimo Urbano IV, em vez do antipapa Clemente VII;

  • Ao rei de Castela, por ser herege, refuta João das Regras o direito a ser rei de Portugal pois reconhecera o antipapa e fora excomungado pelo legítimo papa; porque o seu parentesco com o rei D. Fernando se dava pela linha feminina (as suas mães eram irmãs), o que pelo direito consuetudinário hispânico não dava direitos de sucessão.

  • Os infantes D. Dinis e D. João, filhos de el-rei D. Pedro I e de Inês de Castro, portanto, irmãos de D. Fernando, não podiam ter direito ao trono porque eram ilegítimos: D. Pedro nunca casara com Inês de Castro; além disso fizeram guerra contra Portugal aliados a Henrique II e a D. João I de Castela.


 Inteligentemente, a sua estratégia demonstrara que o trono estava vago pois nenhum dos pretendentes tinha direito a ele. Pertencia assim às cortes escolher livremente um novo rei, sendo o mestre, «per unida concordança de todolos grandes e comum poboo» aclamado rei de Portugal.


 O rei concedeu muitas mercês ao dr. João das regras: fê-lo cavaleiro de sua casa, senhor das vilas de Castelo Rodrigo, Tarouca e Beldigem; senhor de Cascais e seu termo, do reguengo de Oeiras, das dízimas das sentenças condenatórias de Évora, da jurisdição da Lourinhã e das rendas da portagem de Beja. Fernão Lopes refere-se a ele «como notável barom, comprido de ciência [e] mui grande letrado em leis [...]». Jaz sepultado na igreja de S. Domingos de Benfica, em Lisboa.




Bibliografia:



  • Fernão Lopes, Crónica de D. João I, vol. 1, [s.l.], Civilização, imp. 1994.

  • Joel Serrão (dir.), Dicionário de História de Portugal, [s.l.], Iniciativas Editoriais, imp. 1963.

sábado, 29 de novembro de 2008

Rua Larga de São Roque


Bando precatório de estudantes a favor das vítimas do terramoto de Benavente, Lisboa,1909.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Rua da Misericórdia


« A Rua Larga de S. Roque foi mandada abrir por carta de D. Sebastião para o Senado da Câmara, datada de 8 de Janeiro de 1569 (1). Sucedeu a um antigo caminho que das Portas de Santa Catarina subia pela encosta do monte de S. Roque para os moinhos de vento e arrabaldes ao norte da cidade.
  Chamava-se, como já vimos, Rua Direita do Mosteiro de S. Roque, ou Rua pública que vai de N. Sr.ª do Loreto para S. Roque, ou Rua de S. Roque (2), ou Rua Larga de S. Roque(3), denominação esta que perdurou até à implantação do regime republicano. Mudou-se-lhe então o topónimo para Rua do Mundo, e depois para Rua da Misericórdia (4).»


A. Vieira da Silva, A Cerca Fernandina de Lisboa, vol. I, 2.ª ed., [C.M.L.], Lisboa, 1987, pp. 150, 151.



 




N. do A:
(1) Livro 2.º de El-Rei D. Sebastião, p. 49, apud Matos Sequeira, O Carmo e a Trindade, vol. I, p. 278.
(2) Summario, por C.R. de Oliveira, ed. de 1755, p. 22.
(3) Corografia Portugueza, pelo P.A. Carvalho da Costa, t. III, 1763, p. 473.
(4) Deliberações camarárias respectivamente de 29 de Outubro de 1910 e de 12 de Agosto de 1937, e editais respectivamente de 18 de Novembro de 1910 e de 19 de Agosto de 1937.

Rua da Misericórdia, Lisboa (A. Serôdio, 1967)
Rua da Misericórdia, Lisboa, 1968.

Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

De Architectura

Av. da República (c) 2008
Av. da República, 14-28, Lisboa, 2008.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Vitrúvio

Deve querer significar vidro...

Monumental (c) 2008

Monumental, Lisboa, 2008.

Assunto: Lei 12/2008 de 26 de Fevereiro

 Sobre este inútil assunto são já duas as cartinhas que a EDP me manda. Se bem entendi: 1) uma lei da República dá-me o direito a receber uma factura da luz por mês; 2) o regulamento da E.R.S.E. admite a possibilidade de as partes acordarem diferentemente da lei; 3) para que a EDP cumpra a lei e não o regulamento da E.R.S.E. eu devo enviar-lhe o canhoto devidamente preenchido e assinado.
 Já me tinha dado conta que as leis da República eram postulados e que o costume é que faz lei.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Rabos de palha

 O perigo dos rabos de palha é a sua natureza altamente inflamável. Se pegam fogo e ateiam ao palheiro bem pode o feitor vir com o corpo nacional de bombeiros que o maioral da quinta não há-de passar, pelo menos, sem se engas- gar com o fumo.


Lisboa: prisão modelo, c. 1890-1910.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in
George Eastman House.

24 | P.Chile

Tornando à esferográfica azul.

Eléctrico 24, Lisboa (MTUIR 1963)
24, Largo do Carmo, 1963.
Colecção do M.T.U.I.R.




Adenda



Este modelo de carro eléctrico, conhecido como «caixote» começou a ser fabricado nas oficinas da Carris, em St.º Amaro, a partir do final da II Guerra. Dediquei-lhes um òdiozinho de estimação, na minha infância. É que estes eléctricos eram feios. Com aquelas linhas direitas, pareciam cortados a machado. Ainda por cima, as janelas, com vidros de baixar, que não recolhiam completamente, deixando uns centímetros de fora, davam-me pelo ombro, além de terem portas que nos isolavam do bulício do exterior.
 E os atrelados ainda eram piores. Nesses as janelas davam-me pelo queixo. Para cúmulo, era sempre para aí que o meu pai me rebocava. Que raio de predilecção aquela! Os outro modelos, sim! Reboludinhos, com vidros de subir que escancaravam janelas onde, de cotovelo apoiado no peitoril víamos, de camarote, a rua a desfilar. Em vez de portas, tinham grades, que deixavam o mundo ao alcance da mão e ainda davam para confraternizar com a malta da «pendura». Eram outro luxo!
 Os «caixotes» começaram a ser retirados a partir de 1992, sem que eu, traumatizado, tivesse feito as pazes com eles.
Actualmente, existe apenas um exemplar, para amostra, no Museu da Carris.
 A.v.o. 
Comentário de Atentti al gatti, 26 Nov. 2008.


domingo, 23 de novembro de 2008

Domingo: programa de variedades


Dionne Warwick, Walk On By

Prémio Foto

 Recebi de José Quintela Soares, do blogo Lisboa Antiga, o "Prémio Foto". Obrigado! Mas o mérito não é verdadeiramente meu, pois que as melhores que se cá neste blogo acham são doutrem.

 Manda a regra que publique agora uma fotografia à minha escolha e nomeie oito premiados para propagar o prémio. Faço todavia doutro modo; publico oito fotografias à laia de nomeação e quebro os grilhões para não acorrentar os seus autores. Conto que me assim perdoem o abuso de pôr cá as suas fotografias sem consulta prévia. A ordem foi ao calhas [mais ou menos, por causa daquelas três na vertical]..

 



Luísa,

 
Nocturno


Cais das Colunas (c) Luísa


 

Alexa,

 
Mercado de Bem-Fica


Pátio Ripamonti (c) Alexa



Maria Isabel

 
Aguaceiro


Sexta-feira (c) Maria Isabel


 

Rosa

 
Blogo de Cheiros 


Carvalho americano (c) Rosa




Platero,

 Click Portugal


Sé de Évora (c) Platero



Dona T.,

 
Dias que Voam


Feira da Ladra (c) Dona T.



Carlos Romão,

 A
Cidade Surpreendente


Parque de Serralves (c) Carlos Romão



Manuel,

 
H Gasolim Ultramarino


Sesimbra (c) Manuel



 




Nota: relacionado com prémios obrigado especialmente (e tardiamente) à srª Dona T. que ofereceu o prémio dos dardos a este blogo antes de ninguém, em 28 de Setembro, e que eu não agradeci propriamente quando aqui dei notícia do assunto. Desculpe-me a desatenção!

sábado, 22 de novembro de 2008

Camarada

Saldanha (c) 2008
Saldanha, Lisboa, 2008.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Avante Saldanha

 O par do reino converteu-se do grande capital a paladino da classe operária. Mas quando há pedaço lá via as bandeiras do P.C.P. drapejando deu-me pena: o camarada Saldanha, além de diabético, é bipolar.
 



Monumento ao marechal duque de Saldanha, Lisboa, post 1909.
Chaves Cruz, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Ministros, cães de fila e perdigueiros

 O sr. dr. Menezes foi ameaçado por ex-ministros de Portugal. Ao que chegámos! Noutro tempo havia maneiras próprias para tratar de certas maçadas. Um ministro de Portugal não seria facilmente achado num assunto assim... Coisas da democracia!







 Falando em ministros de Portugal, no caso, havemos de os ligar dalguma maneira a três partidos na Assembleia. Pois cheira-me que dois deles já se puseram em campo para poderem farejar...

 Coisas da democracia, mais uma vez.

 




Gravura dos perdigueiros de artista desconhecido; publicada por Brown & Bigalow, 194...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Português arruinado

 No guião do simulacro de resposta a um terramoto que a protecção civil vai fazer e que circula aí pelas caixas de correio electrónico não encontro menção a ruínas ou edifícios arruinados. Antes noto por lá um certo barbarismo, espécie de carne picada do amaricano  (é tão fácil almoçar no MacDonald), que parece derivado de colapso. Na realidade não é. O substantivo colapso entrou no Português por via erudita sem necessidade de vertê-lo em verbo; havia melhor vocabulário para se dizer ruir. E eis-nos, pois, chegados à progressiva sociedade do co-
nhecimento, mais justa e igualitária; aquela que dos escombros do odioso regime das palavras caras democratizou o colapso em regular verbo da 1ª conjugação e foi tornando inteligente qualquer mentecapto.

Colapso
Dicionário da Lingua Portuguesa 2004, Porto Editora, 2003.




Texto ligeiramente revisto às 8h30 da noite porque aqui, pelos vistos, também se mete água.

Desfile de eléctricos

Esta é a só a 2ª parte. A 1ª é um nadinha mais longa e está em exibição aqui






Comemoração do Dia dos Museus.

António Gonçalves,
C.E.C., 2008.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O profano, o sagrado e o santo ofício

 Na Atenas clássica a tirania era um instituto sério da democracia previsto para situações graves que ameaçassem a pólis. A histeria com o sacrílego dito da srª drª Manuela Leite só se compreende, portanto, porque a democracia entretanto se tornou religião.

 Sucede que foi destaque também hoje nas notícias o julgamento dum padre de Argoncilhe - de Argoncilhe - porque desobedeceu à Guarda Republicana.




Auto de Fé

Av. 28 de Maio, nº 2

Demolido, que era para construir um mais bonito. Ou é uma perspectiva errada?!...

A morada está mal...

 


     

Fotografias: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G.


terça-feira, 18 de novembro de 2008

Do enjoo

 A caminho de Lisboa, descendo de Linda-a-Velha pela auto-estrada do estádio intrigou-se-me no domingo a senhora com o que parecia ser uma árvore de Natal que se via na outra banda. Era a base do Cristo-Rei que estava iluminada, mas afinal não era nenhuma árvore de Natal.
 O meu bom amigo Fernando C. trouxe-me hoje um recorte de imprensa. Notai a verborreia da notícia que passa ten-
ta passar a ignóbil apropriação do património como veste-se de luz, reabilitação urbana, imagem renovada, iniciati-
va, fórmulas criativas,
e que diz tudo sobre o tipo de gente que promove este odioso tracto.
 Quando me deu o recorte o meu amigo não conteve um enjoado "se o país era todo para vender...?"

Cristo-Rei vende electrodomésticos

Expresso,15 de Novembro de 2008.

domingo, 16 de novembro de 2008

Perfumaria da Moda

De Santa Catarina ao Grandella. Do Grandella a Santa Catarina.

Com paragem na Perfumaria da Moda.

 




Leonor Maia e Ribeirinho, O Pai Tirano, 1941. 

Tatão

Perfumaria da Moda, Rua do Carmo 5-7 (M. Novais, post 1943)

Parfumaria da Moda, Rua do Carmo, 5-7,  [post 1943].

Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G.

sábado, 15 de novembro de 2008

O eléctrico 1

 E um senhor à procura de táxi....?
 E um padeiro com a cesta às costas. É de manhã, mas não vai alta que as sombras são longas. Fazia-se era tarde para o senhor à procura de táxi.
 E o gasolineiro que pousa a bomba. Ia lá eu imaginar uma bomba de gasolina naquele sítio.
 E uma costureira aqui apressada, será? - Costureira, quero dizer.
 E o cartaz do Valentão das Dúzias, no Éden, atira-me um ano para a fotografia:1948; mais o tempo que demorou a cá chegar...
 O eléctrico 1 era o de Benfica.

Restauradores, Lisboa (M. Novais, post 1937)
Restauradores, Lisboa,  [post 1948].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

E.N. 6

 Estrada Marginal, Santo Amaro (M. Novais, post 1937)
Estrada Marginal, Santo Amaro,  [c.1950 post. 1937].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G.




Adenda: a datação inicial da fotografia pareceu-me agora demasiado grosseira. Atendendo às matrículas julgo que posso recuar a data da fotografia para os anos 30. A matrícula do carro à direita decorre do Código de 1911, que foi mudado em Novembro de 1936 para o esquema que todos conhecemos de duas letras, dois números, dois números (cf. História das matrículas). Não sei quanto tempo levou a converter todas as matrículas das séries de 1911 mas cuido que para aquele carro ainda a ostentar se estaria muito provavelmente em fins de 36 ou início de 37. As roupas dos transeuntes (especialmente da senhora) indiciam tempo frio: arrisco o Inverno de 36/37, princípio da Primavera, talvez. Ou, dilatando mais, pode ser admissível o fim do ano de 37. As restantes matrículas podem corroborar o ano de 1937: o carro à esquerda foi matriculado em 1935-36 e vê-se já rematriculado; ostenta uma série de letras reservada à D.G.V. de Lisboa para converter as antigas matrículas; os restantes dois carros ostentam matrículas de 1937-38 (a 1ª série de números, neste caso o 10, marca os anos).
 Todo este arrazoado pode apenas definir, bem sei, um limite a quo e não invalida por si só que a fotografia seja mais recente. Sucede que a matrícula do N-15689, na pendência de ser mudada, não permite uma margem de datação muito alargada. Mas não descarto absurdos. A chave está na demora da D.G.V. do Porto ou algo que a valha, em rematricular aquele carro. Uma coisa é certa: não tendo demorado até 1945, o título deste verbete torna-se anacrónico.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Agora tem diabetes

 Duas semanas e meia sem publicidade havia de dar nisto: o Saldanha tem diabetes. Unidos pela diabetes - parece-

-me que é o que dizem as bandeirinhas lá plantadas agora.





Praça Duque de Saldanha e Av. da República, Lisboa, 1968.

João Brito Geraldes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O simplex da administração rodoviária



 De início não soube muito bem o que pensar desta missiva.
 O sr. presidente do conselho directivo da D.R.M.T.L.V.T., Crisóstomo Teixeira, não aparenta ter grandes maneiras. Dirige-se-me numa gritaria (as maiúsculas são o quê?) despropositada, e aquele modo imperativo na última frase que significa?!...
 Se este oficial da administração rodoviária acha necessário berrar-me com mau modo para eu cumprir o Código, porque arrisca ele enviar-me a carta de condução?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Novo postigo da Rua da Palma e a torre da Péla

Martim Moniz, Lisboa, 2008

Quando aqui me referi à abertura da Rua Nova da Palma assinalei onde passava a cerca fernandina. Àqueles que tenham curiosidade por estas memórias do que foi e do que é cá deixo agora a recriação esboçada com supina arte e design. Não é bem a muralha, é antes um supônhamos. Ali onde esvoaça a bandeira da C.E.E. é outro supônhamos:da porta ou postigo da Rua da Palma original (hoje desviada para o eixo da Rua do Socorro); o artista que reconstruiu o troço da cerca há talvez de ter sacado algum da caixa da comunidade, que lá nisto de arte moderna sempre são (cuido eu) os senhores alcaides mui benfazejos...
 Mas apreciai a torre ali adiante atrás duma grua, entre os novos edifícios da E.P.U.L. que se alevantam. É a torre do jogo da péla - porque havia ali há muitos séculos umas casas do jogo da péla que passaram o nome ao lugar: à calçada debaixo do plástico preto das obras; e à torre. - É genuína, do séc. XIV, a torre.

Calçada do Jogo da Péla

 Ao fundo um dos primeiros pavilhões de lojas do Martim Moniz, no lugar do quarteirão demolido onde estava desde o séc. XVII o palácio do Marquês do Alegrete. O Salão Lisboa é a casa mais adiante no sopé do monte do Castelo.



Calçada do Jogo da Péla, Lisboa (J.Benoliel, 195-)

Calçada do Jogo da Péla, Lisboa, 195...

Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

domingo, 9 de novembro de 2008

Da Rua da Adiça...

Parece que boletim meteorológico estava errado.

Igreja de Santo Estêvão, Alfama, 2008

Rua Norberto de Araújo (Rua da Adiça), Alfama, 2008.

Automatizada

Cobrança pelo motorista guarda-freio.

Largo das Portas do Sol, Lisboa (c) 2008
Largo das Portas do Sol, Lisboa, 2008.

sábado, 8 de novembro de 2008

domingo, 2 de novembro de 2008

Postal do Saldanha

 Passei hoje e vi a Praça Duque de Saldanha desafrontada da ignóbil publicidade à Audi que a C.M.L. lá deixou pôr.
 Considerando o que se deu depois da última desafronta, desta vez será por quanto tempo...?



Fotografia de António Passaporte, in Arquivo Fotográdfico da C.M.L.

A cerca da casa da avó Bama?!

 Esta R.T.P. é um fartote. Vi há pedaço um mamífero a que chamam jornalista plantado na selva ao pé duma cerca que parece que é da casa da avó Bama. Dizia que estava vedada e que a sua espécie não se podia aproximar.

 Quem andará a financiar este jornalismo?!...

 (Talvez seja melhor ficar por aqui...)


Vítor Gonçalves, R.T.P., em Richmond na Virgínia

 Um dos repórteres Especial América 2008 foi entrevistar o primeiro governador negro dum Estado norte-americano. Um marco [para o futuro], no entender do repórter. Um marco é a raça dum candidato a eleições nos E.U.A. ser mais conveniente? Vede lá o alarido politicamente correcto gerado por um dos candidatos [agora] ser mulato. A raça certa continua a existir, parece é que varia. Cuido que quando variar ou não, e já se não ouvir ruído em função da raça mais correcta, então sim, será um marco.

 Entretanto racista será ferrete para mim porque usei a palavra mulato. É o que indicam as sondagens.



(Revisto às 6h00 da tarde.)

Prefira os produtos d' O Bama

 No supermercado das notícias parece que a marca de produtos d' O Bama é um êxito mundial, equiparável à Coca-

-Cola e ao McDonalds. Dizem-me os noticieiros de bairro que é a marca que mais se vende, inclusive em África, onde é baixo (em geral) o poder de compra. Os produtos brancos - parece, mas há menos informação - andam muito mal de vendas, mesmo apesar da crise. A menos que esteja a acontecer dumping da marca d' O Bama por esses mercados...



 No entanto há artigos gourmet que apenas se encontram em certas lojas de conveniência...

Bruno Jesus e Márcia Rodrigues, R.T.P., Oeste selvagem

 No liceu, a malta mais dada à folgança que ao estudo encarregava-se de sempre organizar umas excursões de veraneio. Convinha, para sustentar a coisa, incluir uns professores e chamar-lhe muito institucionalmente 'visita de estudo'. E lá se faziam os passeios, quotizando-se todos, incluindo a conta gorjeta para o chauffeur.

 Pois ele há agora umas reportagens parecidas em que, quotizando-se todos, vão uns repórteres daqui ao Oeste selvagem para nos dizer que os gentios da América do Norte botarão todos voto pelo pajé. Parece-me natural, mas fica-me a dúvida: se fossem os gentios (todos) pelo homem branco, iriam daqui lá fazer excursão reportagem?


sábado, 1 de novembro de 2008

Travessa da Palha (Rua dos Correeiros)

 Não posso nem quero andar para diante sem te dar duas brevíssimas notícias retrospectivas, sabidas «por tôda a gente que sabe», o que não quere dizer que - como tantas que darei - elas estejam na tua memória e eu esteja no meu direito de as omitir.



 Neste troço da Rua de Santa Justa, entre as Ruas dos Correeiros (vulgo Travessa da Palha) e a Rua da Prata, passava antes de 1755 em terminus a formosa Rua das Arcas, o Largo da Palha, do qual nascia a Rua da Palha que ia desembocar na Rua da Betesga, velha. A Rua dos Correeiros, que foi destinada aos ofícios dos seleiros - ainda hoje [1939] subsistentes - e que se chamou também Correaria Nova, e Nova dos Correeiros, deve a sua designação oral, sobrevivente, à vizinhança com o Largo e Praça da Palha.



Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, livro XII, 2ª ed., Vega, 1991, p.42.


 


Colocação de tapumes na praça da Figueira, Lisboa (J. C. Alvarez, 1949)
Colocação de tapumes na Praça da Figueira; ao fundo a Rua dos Correeiros, Lisboa, 1949.
J. C. Alvarez, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



 Antes de 1755 a Rua da Palha desembocava naquela esquina que vedes ao fundo (cruzamento da Rua da Betesga com a dos Correeiros). Nasceria essa Rua da Palha por alturas do nº 43 da Rua de Santa Justa, entre as actuais Rua dos Correeiros e Rua da Prata. Seriam por aí o Largo e a Travessa da Palha.
 O fado Foi na Travessa da Palha, de 1958, cantado originalmente pela Lucília do Carmo (letra de Gabriel de Oliveira, música de Frederico de Brito), diz-me que a memória oral se mantinha nesse tempo. Mas a voragem destas coisas, dos anos 60 para cá tem sido grande. Não sei se a velha designação oral da Rua dos Correeiros perdura além do fado, mas afoito-me a pensar que não. Eu não a conhecia (mas todavia que sei eu...).
 O fado menciona a taberna dum certo Friagem, que as Páginas Amarelas dão como Adega Restaurante, precisamente na Rua dos Correeiros, ou, como já vimos, na Travessa da Palha. Nunca lá comi.
 Tudo isto a propósito dum comentário que o leitor italiano Roberto simpaticamente me deixou na Abertura da Rua Nova da Palma.

 Rua dos Correeiros, Lisboa (J. Benoliel, início do séc. XX.)
Rua dos Correeiros, Lisboa, início do séc. XX.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Adenda (13h37): só agora me dou conta - ampliando a fotografia - que os dizeres naquela tabuleta pendurada mais adiante na rua, do lado direito, dizem quase de certeza Adega Friagem. Sendo que estamos à porta do nº 151 e voltados para a Praça da Figueira, a tabuleta coincide com a morada das Páginas Amarelas: o nº 170. É extraordinário!