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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Mais pesado que uma locomotiva

 A inércia deve ser a coisa mais pesada.
 Há-de ter perto dum mês pouco mais ou menos, deduzo que tenha havido um choque na Av. da República por altura da Miguel Bombarda. É por ali, na tira do passeio separadador da avenida que pesa com toda a sua massa densa a inércia. Num pára-choques destroçado lá caído.
 A inércia é a coisa mais pesada e ainda bem. Assim nem o vento moderado a forte ou com rajadas levantará o pára-choques inerte do sítio. Só talvez alguma greve...


Locomotiva descarrilada (greve ferroviária), Portugal, 1919.
Arquivo Fotográfico da C.M.L..




Adenda em 30/9: há coisas que nem de propósito; hoje ao passar na Av. da República vi que a acção não grevista (alegadamen-
te) dalguém removera o destroço do pára-choques que ontem ainda lá jazia. Não acredito porém que tenha sido por ter cá isto escrito sobre o caso.

domingo, 28 de setembro de 2008

Mata-borrão

 Este postal do A.C.P. foi-me oferecido pelo meu amigo M. de Monsanto e, à falta de melhor argumento, fui eu que me lembrei de cá pô-lo na rede.

 




Assistência em viagem, [s.l.], fins dos anos 1920. (Ao escorrer da pena, img. 21.)

Foto: Automóvel Club de Portugal [tit. or.: Desempanagem com 'reboque'].




 Este recorte e ampliação duma fotografia de António Passaporte fui eu que fiz para mostrar onde era a Tinturaria do Chile: na esquina da Av. João XXI com a Av. de Roma. O escriba da pena ou copiou mal ou escolheu mal a fonte para copiar.





Av. João XXI, cruzamento com a Av. de RomaLisboa, c. 1953. (Ao (es)correr da pena..., img. 4).

Adaptado dum postal de António Passaporte (prova 
B086532in A.F.C.M.L.)



 Essa em baixo à esq. em que se identifica a sobrevivência duns prédios com mais de 100 anos na Rua José Falcão, 47 (o escriba da pena toma-a pela Av. Almirante Reis) é da srª Dª T. dos Dias que Voam, publicada a propósito duma vista da Penha de França. Essoutra à dir. também, para confronto com a Av. Almirante Reis, 86.





 
(Ao escorrer da pena, img. 6, 7.)


 




Adenda final: este mata-borrão podia continuar pelo postal da Casa da Moeda cujo rebordo denuncia minha manipulação quando havia pouca gente por ali...;  pela vista geral do Arco do Cego digitalizada por mim do Livro de Lisboa; pelo palacete da Av. da República 77 cuja rotação foi trabalho meu sobre a imagem de Paulo Guedes no Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Domingo 28: variedades



Nat King Cole - Nature Boy

Ao escorrer... dá pena!

 Certa vez, em pequeno, pedi à minha mãe se deixava uns mocinhos lá da rua, meus amigos, irem brincar comigo lá para casa. Ela não se opôs e ao depois que os chamei - logo que entraram - arrependi-me. Eram dos que viam com as mãos como os espanhóis. Mexiam em tudo; desarrumavam os móveis sem pedir; remexiam as coisas lá de casa: - "O que é isto?!" - perguntavam descaradamente enquanto abriam gavetas. Uma desgraça. Nem brinquei nada só por estar de olho neles, de certo modo injustamente - mas na época não o sabia.  

 Não vem isto a propósito de nada senão para me justificar eu de afirmar - não vá a vaidade de o dizer tornar-se rude - que estas fotografias são minhas. Fui eu que as tirei (ainda me incomoda mexerem nas minhas coisas).

 Lá onde as vi vêm sem menção do autor.





Av. dos Estados Unidos da América, Lisboa, 2004. (Ao escorrer da pena, img. 27)





Av. da República, Lisboa, 2006. (Ao escorrer da pena, img. 42)





Av. Fontes Pereira de Melo, Lisboa, 2007. (Ao escorrer da pena, img. 62.)



Palacete Sotto--Mayor (c) 2005

Palacete Sotto-Mayor, Lisboa, 2005. (Ao escorrer da pena, img. 63.)

Igreja de Nossa Senhora de Fátima, prémio Valmor de 1938

 Esgravatando nas colecções do Arquivo Fotográfico da C.M.L..aparecem-me algumas fotografias intrigantes; não se identifica o lugar. De Paulo Guedes, da Lisboa do início do séc. XX, vi já bastantes assim: não se percebe onde era o que se vê retratado. Outras há que nem o fotógrafo se sabe quem foi, embora se reconheça o lugar. Depois há notas curiosas: sobre esta da igreja de Nossa Senhora de Fátima sabe-se curiosamente que foi parar ao arquivo pela mão do prof. Mário Tavares Chicó que organizou o museu da cidade no palácio da Mitra em 1940-42. Quem sabe se foi ele o autor.


Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Lisboa, [c. 1938].
Arquivo Fotográfico da C.M.L.
______
Fotografia de Porfírio Pardal Monteiro (4/XI/17).

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Da casa que Brás de Albuquerque mandou fazer para o Saramago


« Passando o Arco das Portas do Mar para oriente, depois de dois prédios, encontra-se a célebre Casa dos bicos ou  dos diamantes, que segundo as investigações de Silva Túlio, foi construída pelo ano de 1523 por Afonso de Albuquerque, filho do que foi governador da Índia. A porta principal do palácio parece que era na antiga rua do Albuquerque, e a muralha da cêrca moura foi totalmente arrazada no sítio do palácio para a construção dêste. Em 1755 a propriedade de Francisco Xavier de Melo, chamada dos bicos, tinha de frente 93 palmos e 2/3 (20m,5), e de fundo até à rua do Albuquerque, 96 palmos (21m,12), com loja, sobre-loja e dois andares [Tombo de 1755, Bairro da Ribeira, fl. 9]. Pelo terremoto grande ficou reduzida apenas às lojas e sobre-lojas, como ainda hoje (1939) se conserva.»


A. Vieira da Silva, A Cêrca Moura de Lisboa; Estudo histórico descritivo, 3ª ed., Publicações Culturais da C.M.L., Lisboa, 1987, pp. 123, 124.




Tr. do Bicos, Lisboa (1898-1908)
Travessa dos Bicos, Lisboa, 1896-908.
Machado & Souza, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

(Revisto em 4/XI/17.)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Síndroma de igualdade de género

 Um dos canais de cabo dá à tardinha, pelo meio da publicidade, uma série com umas mulheres (mãe e filha) cujo ganha-pão é andarem à caça de bandidos. "As caça-recompensas", parece que é - um conceito americano que não entendo muito bem mas também não presto muita atenção... -  É curioso o paradoxo dessa moderna síndroma de igualdade de género que a série destila ao propor heroínas chapadas do modelo viril. Os vilões são todos homens.

 O comportamento viril só nas mulheres produz o Bem; nos homens é mau? É esse o recado subliminar? 

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O que é energia?

 Hoje ouvi o sr. ministro Pinho sobre as ondas (R.T.P. Jornal da Tarde, 23/9/2008, min. 36):  - "Há quinze anos a ideia de produzir energia a partir do vento parecia uma miragem. Mas a verdade..."



Nau Victoria (In Diário Universal)
No dia 20 de Setembro de 1519, Fernão de Magalhães inicia, a partir do porto espanhol
 de Sevilha, aquela que seria a primeira viagem de circumnavegação do mundo.
(Imagem no Diário Universal)



 
A verdade é que quem se afoita sobre as ondas (do Allgarve à Europe's west coast não é?), com mais ou menos dificuldade poderá vir aprender os princípios da navegação à vela.

Isto é estudo para se levar a sério?

Um estudo de três 'investigadores' da universidade de Aveiro revela... hortugrafia design.
E a falta que lhes faz umas orelhas de burro.

"xplika", por três investigadores sem maiúscula
xplika, por três investigadores sem maiúscula (um com hífen).
Universidade de Aveiro, 2008, in R.T.P., Jornal da Tarde.

Neptuno

Neptuno, Lg. D. Estefânia, 2004.
Neptuno, Lisboa, 2004.

 Os almeidas da Câmara andaram há dias de roda do tanque do Neptuno. Ficou mai' limpinho e com os repuxos a deitar água. Ora bem!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Vendo

Lisboa (c) 2004
Lisboa (c) 2004.

domingo, 21 de setembro de 2008

Equinócio

Pela altura em que fecha o Verão o sol (da minha sacada) põe-se por esta hora ali por trás do edifício do banco.
Tirado do Tejo tem mais poesia.

Rio Tejo — (c) 2005
Silo da Trafaria ao entardecer, Rio Tejo, Set. de 2005.

Dominó

 O efeito dominó sucintamente explicado à turba por Phill Collins.


Genesis - Domino (In The Glow Of The Night)
Ao vivo em Knebworth, 1992.

sábado, 20 de setembro de 2008

Complicado a valer só o 'c' dos factos

 Lisboa tem agora uma coisa chamada night bus, designação globalmente inteligível do Allgarve à Europe's west coast por todos os meninos da pré-primária socrática que vejam o Nodi na televisão.
 Saúde! Cheers, man!


Rossio de Lisboa, Portugal

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Meio-dia e meia à uma e dez

 Hoje à 1h10 da tarde o relógio do quartel de bombeiros da Encarnação dava meio-dia e meia.


Quartel de bombeiros da Encarnação, Lisboa (A.Goulart, s.d.)
Quartel de bombeiros do bairro da Encarnação, Lisboa, [s.d.].
Artur Goulart, in  Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Português de ambulância

 Há pedaço passou por mim uma ambulância medicalizavel. (Cuido que se diga medicalizável mas nem acento tinha.) Que diabo quererá dizer medicalizável? Será uma qualidade ou possibilidade de algo se medicalizar, à semelhança de regenerável e regenerar? Se assim for só preciso que me esclareçam o significado de medicalizar para eu regenerar o meu entendimento sobre a medicabilidade (a qualidade ou possibilidade de algo ser medicalizável) da ambulância.

 É claro que num futuro próximo todas as ambulâncias serão mais do que medicalizáveis. Serão medicabilizáveis. Seja lá o que isso for.




Imagem de Steve Beckett's vintage Matchbox.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A.I.G. (Grupo Americano de Seguros)

Sopa dos pobres durante a Grande Depressão

Sopa dos pobres durante a Grande Depressão nos E.U.A., anos 30.






Legenda:

 O maior nível de vida do mundo.

 Não há modo como à americana.


Fotografia n'O Lado Negativo do Noticiário Mundial.

Os intocáveis...



Roberto De Niro

Os Intocáveis, de Brian de Palma.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Muito conveniente

 A Câmara Municipal lembrou-se agora de pôr bandeiras da Coca-Cola nuns paus de bandeira novos lá à roda da estátua.
 


Inaguração do monumento ao Duque de Saldanha, Lisboa (P.Guedes, 1909)
Inauguração do monumento ao duque de Saldanha, Lisboa, 1909.
Paulo Guedes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

domingo, 14 de setembro de 2008

Pela noite dentro

Gira-discos Grundig





Gira-discos em móveis-rádio; álbum dos Carpenters da loja da Amazon.

Noite de domingo: variedades


The Carpenters - Rainy Days And Mondays

sábado, 13 de setembro de 2008

Há um cartel das gasolinas, não é...?

Internete móvel



Internete móvel, catálogo da Vobis, 10-29 Set. 2008, p. 21.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Presente e passado

Torno à Azinhaga das Teresinhas para ver melhor.

Azinhaga das Teresinhas, Lisboa, 2004

Azinhaga das Teresinhas, Lisboa, 2004.


Azinhaga das Teresinhas,Lisboa, 1961.
Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Azinhaga das Teresinhas

Az. das Teresinhas (A.Madureira, 1960)
Az. das Teresinhas junto à Av. Alm. Gago Coutinho, Lisboa, 1960.
Arnaldo Madureira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 A Azinhaga das Teresinhas ligava a Av. do Aeroporto ao colégio de Valsassina. Deixou de ser serventia pública. Puseram-lhe um portão. Entretanto - não sei se está relacionado - atalhou-se-lhe adiante um campo de golfe e rasgou-se a Av. José Régio no prolongamento da Av. Dom Rodrigo da Cunha para ligar a Av. do Aeroporto ao troço remanescente da Azinhaga das Teresinhas. Acho que foi isto no consulado do dr. João Soares, que ainda não há muito ouvi argumentar a favor do aeroporto da Portela com a ideia - que se falou [mas nunca se realizou, claro] - da vinda de empregados da Lufthansa até Lisboa para jogar golfe naquele campo; vinham de manhã e tornavam à tardinha para a Alemanha. Uma benesse da Lufthansa para o seu pessoal e vantagem insofismável para Lisboa por ter o aeroporto no perímetro urbano.
 Não penseis com isto que defendo o fecho da Portela.



Az. das Teresinhas, Lisboa (troço desactivado)
Az. das Teresinhas (troço afectado ao Golfe da Belavista), Lisboa, 2008.
Imagem em http://maps.live.com.

 Aquela casa sem telhado com outra inacabada no quintal é obra embargada? Há tanto tempo que vejo aquilo assim...
 




Texto revisto às 9h10 da noite. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Arte e engenho ponto final

 O engenho que lhe tirou o miolo emparelhará ele com a 'arte efémeraponto final'?
 E aquela espécie de eira...? É para disfarçar que Lisboa anda sem eira nem beira, ponto de interrogação?


Av. do Aeroporto, 100 (Lisboa, 2008)
Av. do Aeroporto, 100, Lisboa, 2008.
Imagem em http://maps.live.com.



(Calhando arranjar uma mais perto mando para Lisboa S.O.S..)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Ainda o Hospital de Arroios





Torno ao caso porque encontrei esta de Arnaldo Madureira no Arquivo Fotográfico da C.M.L.. É de 1961.

O Hospital de Arroios

 O hospital de Arroios não sei já quando foi que fechou. Em 1 Setembro 2004, com tempo cinzento, tinha um aspecto lúgubre e sombrio. O que não tinha era a carga de grafitos a agravar-lhe o sujo ar de abandono que tem hoje. Quem quer que lá passe aprecie as paredes, os muros à volta - museu efémero chamam-lhe alguns 'artistas'... Espreite pelas grades dos portões e veja o pardieiro que ali está. Queira o benévolo leitor, calhando ir por ali, dar-se ao trabalho de procurar a igreja deste antigo convento do séc. XVIII: dá a fachada para a Rua Quirino da Fonseca, por trás da Almirante Reis que é via mais moderna; aprecie a estatuária que merece interesse, antes que alguém a roube ou vandalize.
 A incúria do dono (uma imobiliária espanhola, segundo ouvi) não sei o que a motiva. E a incúria dos que mandam vê-
-se no costumeiro desmazelo; não fora assim e - pelo menos - já lá não estaria aquele sinal de trânsito a dizer 'hospital' na esquina da Pereira Carrilho. Nem em 2004, nem agora, em 2008.
 Ora passe o benévolo leitor por lá.

Hospital de Arroios (Lisboa, 2004)

Praça do Chile e Hospital de Arroios, Lisboa, 2004.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Meccano

Meccano, C.C.Colombo (L.Gonçalves, 2008)
Meccano, C.C.Colombo, Lisboa. 
(c) Luísa Gonçalves, 2008.

Banho ao cão

Duas vezes.
Banho ao cão (c) 2008

Nat King Cole


Nat King Cole - Mona Lisa

domingo, 7 de setembro de 2008

Rua de Entrecampos, 26-B, Campo Pequeno

Há coisas que levam muita volta. Em Janeiro o amigo Manuel publicou uma fotografia da casa da Rua de Entrecampos, 26, de 1988. Sendo o motivo fotografado de modo e resultado idêntico a uma fotografia que eu conhecia no Arquivo Fotográfico da C.M.L., de Artur Goulart, possivelmente de 1961, dei nota disso aqui no blogo. A casa entretanto foi demolida. Talvez por isso...
 Mas as coisas levam muita volta. Vede a vida, por exemplo. Em 8-12-930 a menina Cremilde da Conceição Costa Macedo completou 21 Primaveras. Os tios Vitorino e Eugénia enviaram-lhe um apertado abraço num singelo cartão de aniversário, fazendo votos pelas felicidades dela.  A direcção da sobrinha aniversariante era Rua de Entrecampos, 26-B, Campo Pequeno.





Postal ilustrado circulado para o Campo Pequeno, Lisboa em 1930, in Dias que Voam pela Dona T..

Arqueologia das estradas de Portugal

E.N. 224, 2006
E.N. 224, 2006.

sábado, 6 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Calçada da Ladeira e arredores

 A minha mãe há-de ter conhecido esta paisagem. Agora lembro-me: ela não dizia que eram campos; dizia sim que eram terras. Campos dizia ela mais para o Areeiro. Destas terras, em 39, quando veio ela para Lisboa, perguntei-lhe algumas vezes quando de quando em vez me dava a curiosidade sobre como fora o local: – "Andavam os terrenos em obras para fazer a Alameda, é só. Não havia grande coisa. Havia árvores e terras." – Nunca consegui eu disto formar uma imagem. E no entanto agora parece óbvio...

Quinta do Alperche, Lisboa (E. Portugal,1939)
Local onde foi construída a fonte monumental da Alameda, Lisboa, 1939.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


 O portão da quinta dava para a ladeira, ali à direita. Vinha lá de cima da Rua Barão de Sabrosa. Era uma típica azinhaga. O projecto de pavimentação em 1896 deu-lhe foros de calçada. Em 1904 foi alargada graças à cedência dalgum terreno pela srª Viscondessa do Vale de Sobreda. Mais larga porém, é a ladeira que por ali sobe hoje.
 A azinhaga que acompanhava o muro da quinta do Alperche no sopé do monte era a Azinhaga do Areeiro. Partia do fundo da Calçada do Poço dos Mouros, à Rua Conselheiro Morais Soares, e entroncava com a Estrada de Sacavém em chegando ao lugar do Areeiro, mais ou menos onde começa agora a Av. Afonso Costa. A quinta do Alperche estendia-se aqui até um pouco mais adiante a caminho do Areeiro confinado com a Quinta do Bacalhau por alturas onde hoje pára a R. José Acúrsio das Neves. Era nesse pedaço que ficava a casa principal da quinta.
 O casarão lá no alto não é [mesmo] da quinta e é curioso que ainda existe. Fica na rua Garrido nº 3, um beco sem saída, e também tem serventia pela Alameda, nº 44. Mas por aqui fica bastante recuado, quase se não dá por ele. Vai-se lá dar por um caminho de escadas.
 Enfim! Com a Alameda de Dom Afonso Henriques por fazer mas ainda assim reconhecível, era como vedes este lugar das quintas do Fole, do Martins e do Alperche em 1938.

Terrenos da futura Alameda, Lisboa (E. Portugal, 1938)
Terrenos da futura Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa, 1938.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..




Texto revisto à meia-noite e meia.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A vida da vizinha

 Bem dizem os americanos que a má publicidade não existe. Bastou os vendedores de sabonetes que promovem aquele candidato a presidente da América de que se não ouve notícia atirarem com uma tia mais dondoca que a madame Clinton e apregoarem despudoradamente que a filha dela com 16 anos estava grávida para que os tontos dos notícias fossem no engodo. Marimbaram-se para o messias e foram já cuscar a vida da vizinha. Ora aqui está uma coisa esperta.


 




 


 

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Quinta do Alperche (ou dos Alperces)

Portal, Calçada da ladeira (E. Portugal, ante 1942)
Portal, Calçada da Ladeira, [ant. 1942].
Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Dois prédios na Alameda (três, com o Império)

Vista aérea sobre a Alameda e o Areeiro, Lisboa (A. Nunes, c. 1950)
Fotografia aérea da Alameda e do Areeiro, Lisboa. c. 1950.
Abreu Nunes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.


 Há tempos o leitor Attenti comentava comigo na praça do Chile um detalhe duma fotografia aérea da Alameda e do Areeiro que afixei há mais tempo aqui no blogo. Dizia-me ele o seguinte: — «Reparei que, nessa foto, o edifício dos correios tinha sido ocultado. Porque terá sido? Poderá elucidar-me sobre isso, p.f.?» E ciente pela observação da fotografia no Arquivo Fotográfico da C.M.L. aventava, à falta doutra mais capaz, a hipótese dalguma possível lei vigente no Estado Novo que ditasse a ocultação dalguns edifícios públicos por razões de segurança. Ficou na altura o assunto assim, embora o bom amigo Atentti acabasse admitindo que haveria por certo explicação mais prosaica. 
 O Estado Novo tem as costas sempre largas quanto à censura de provas, pese embora outros regimes lhe levem a palma no condicionamento das mentes e dos juízos de valor que, voluntária ou involuntariamente, fazemos a partir daí. — Não me leve o meu estimado leitor a mal este à parte, mas a propaganda não deixa ninguém - por mais avesso que seja — imune ao reflexo condicionado. 
A explicação porém é muito mais simples. Os prédios em questão não estavam construídos à data da fotografia. Admito ter sido construído o prédio dos correios da Alameda e o outro a seguir, que faz esquina com a Rosa Damasceno Actor Isidoro, cerca do meado ou do terceiro quartel dos anos 50.

Panorâmica da Alameda tirada da fonte monumental, Lisboa (H. Novaes, c. 1951)
Panorâmica da Alameda tirada da fonte monumental, Lisboa. c. 1951.
Horácio Novaes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 Têm-me inúmeros amigos mandado por correio electrónico (obrigado!) algumas memórias de Lisboa, cuja compilação me parece decorrer dum foro do Skyscraper City. Ora nelas figura uma Panorâmica da Alameda tirada da fonte monumental, de Horácio de Novaes (original no Arquivo Fotográfico da C.M.L. também). Está datada de cerca de 1951. A datação provável deve estar certa; ela é de certeza anterior a 1952, ano em que foi edificado o cinema Império que, como podeis observar nela, acima, ainda não existia. Também do idêntico tamanho das árvores do jardim da Alameda se deduz que a data de ambas as fotografias de cima é aproximada.
 Já esta a seguir mostra o arvoredo mais crescido e os dois prédios que faltavam antes (três, com o Império) aparecem completamente edificados. É de Setembro de 1958, de há meio século, precisamente. Desde então a Alameda mudou pouco. Interessante era ver o que lá havia antes da edificação da fonte monumental. A minha mãe dizia que eram campos...


Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa (Salvador de Almeida Fernandes, Set. 1958)
Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa, Set. 1958.
Salvador de Almeida Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.