Pela avidez e pela bandalhice...
Alameda da Universidade, Lisboa, 2007.
sábado, 31 de março de 2007
sexta-feira, 30 de março de 2007
A varanda
— Não foram à varanda?!
— Não! Fomos ao aeroporto.
— Mas não foram à varanda? — insitia o meu irmão.
— Fomos ao aeroporto. Vimos os aviões…
— Então viram os aviões da varanda…
— Foi cá fora. O primo Zeca parou o carro e fomos ver os aviões ao pé da rede.
— Então ele não vos levou à varanda?! Assim não viram nada.
— Vimos sim! Eu vi os aviões ao pé da rede!
A varanda estava fechada. E tenho saudades do primo Zeca.
Da cabulice
Esta manhã [foi ontem] ouvi na telefonia do carro, em tom trágico, a notícia dum estudo qualquer sobre o agravamento do abandono dos estudos pela mocidade. Parece que o problema é das escolas: diz que são muito mal amanhadas e até as há - imagine-se - sem computadores. E assim a mocidade foge delas. No fim vem a desmoralização completa: o risco da desqualificação futura da mão-de-obra nacional.
Dito isto veio-me à ideia: a) Quem garante que, mantendo todos os cábulas no ensino público, a mão-de-obra nacional no futuro será mais qualificada? b) Por que diabo há-de haver tanta gente a mandriar no ensino público, dispendioso, generalista e pouco técnico (viva a tecnocracia!) - e sem computadores (sem computadores, imagine-se) - quando há tanta oferta de formação profissional privada particular? Não é por esta via que jorra a dinheirama comunitária? c) Por que motivo ninguém lhe ocorre que - se até um burro tem vontade própria - a vontade dos cábulas é mandriar e não estudar? d) Que razão há para se promoverem turmas cheias de cábulas e fecharem-se escolas com menos de 10 alunos se estes forem interessados? e) Porque haveremos de continuar a insistir em produzir simulacros de doutores e engenheiros...?
E agora, ou eu não sei procurar, ou não há sinal desta notícia na Internete... É a importância que as notícias trágico-bombásticas têm.
Liceu de Camilo Castelo Branco, Vila Real, 2006.
quinta-feira, 29 de março de 2007
O beijo-bicada
E o beijo-bicada da avó do Saramago se calhar não existiu.
— A avó Carolina [...] não me lembro que alguma vez me tivesse dado um beijo, e se me beijou foi com a boca dura como uma bicada (Saramago, «As Pequenas Memórias», p. 62).
O beijo-bicada da avó Carolina, a ter existido, haveria de levar o buço sobre bico. Haveria de o picar. Seria antes (talvez) como um beijo-barbado. Ná! Aquela memória do beijo-bicada deve advir dalguma tia. Mas aqui — sendo de tia — acho até que ele teve sorte por não ter gramado uma porção de beijos-babosos…
Senhora com uma criança na Av. da liberdade, Lisboa, 1912.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
quarta-feira, 28 de março de 2007
Amigos de Alex
Um artigo muito bom sobre os [meus] Amigos de Alex...
Aretha Franklin - Natural Woman
(Mike Douglas Show)
[E o cenário é muito moderno. Como no Habitat...]
Ouro velho, talvez...
O gira-discos do carro faz negaças a discos de 90 minutos. Ontem, porém, lá acedeu a tocar um desses, uma compilação dos tempos do TNT - Todos No Top. A nº 13 é esta.
The Stranglers - Golden Brown
terça-feira, 27 de março de 2007
Corrigenda
De acordo com o Genea Portugal eis um rascunho da ascendência de D. Maria Lívia Ferrari Schindler Castelo Branco que foi casada com João Franco Ferreira Pinto Castelo Branco, presidente do conselho de el-rei D. Carlos. Fica assim melhor ilustrada a adenda de correcção do verbete sobre a Real Fábrica das Sedas ao Rato.
Obrigado ao confrade Jansenista pela oportuna chamada de atenção.
O mar enrola na areia...
O presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica e a vice-presidente do Clube de Campismo de Lisboa exigiram hoje a demissão do responsável máximo do Instituto da Água, considerando que o avanço do mar resulta da inoperância desta entidade.
(Público [Sol], 26/3/2006 [2007].)
Estátua de Neptuno, Praça do Chile, ante[c. 1949-]1950.
Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Não deviam pedir antes a demissão de Neptuno?
domingo, 25 de março de 2007
Alvalade (Largo Frei Heitor Pinto)
Aqueloutra do cruzamento com a João XXI vi-a primeiramente num centro comercial da Av. de Roma, em tamanho gigantesco. Esta agora também lá estava. Surpreendeu-me - refiro-me à outra - ver os prédios da Guerra Junqueiro através da novíssima Praça de Londres por causa da ausência de arvoredo cortando o campo de visão. Já não sou do tempo em que se podia olhar sem obstáculos da Av. de Roma através da Praça de Londres. Foi intrigante a ideia que aquela fotografia me deu, pois o plano inclinado da Guerra Junqueiro nunca me pareceu ser tão acentuado na realidade. Como aqui a imagem é pequena não dá a mesma sensação...
Mas já estou a divagar.
Esta agora encantou-me pelo ar de cidade nova bem pensada, com autocarros, táxis... E o desafogo!
O postal é de António Passaporte, talvez de 59, e acha-se no Arquivo Fotográfico da C.M.L..
A Real Fábrica das Sedas
A Real fábrica das Sedas remonta ao tempo de el-rei D. João V. Ricardo Godin, industrial francês, fundou uma fiação de sedas na Fonte Santa, estabelecendo-a depois ao fundo da Rua de S. Bento; finalmente mudou-a para o Rato. A fábrica veio a decair ainda naquele reinado e por volta de 1750 o Estado deitou-lhe a mão. Com Pombal a Real Fábrica prosperou mas veio a decair novamente com a viradeira, arrastando-se todavia até 1855. A rainha D. Maria II mandou então vender tudo. |
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Fotografias: Real Fábrica das Sedas, Lisboa, [1907-1908]. Arquivo Fotográfico da C.M.L., A1678 e A3498. Adenda (27/3/2007): |
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sábado, 24 de março de 2007
Tinturaria do Chile: a original*
quinta-feira, 22 de março de 2007
Vistas de S. Pedro de Alcântara
Já faz algum tempo que o meu estimado amigo Fernando C., sabendo-me sempre interessado nas coisas antigas de Lisboa, gentilmente me ofereceu este belíssimo conjunto de vistas de São Pedro de Alcântara que encontrou, salvo erro, entre alguns objectos de família. Agradeço-lhe outra vez agora a generosa lembrança. E escudo-me na minha inépcia em descobrir mais cedo o modo de apresentação apropriado para justificar de algum modo a demora em pô-las aqui. Oxalá me desculpem, ele e os demais benévolos leitores.
E tal como prometera quando passei na Rua de Dom Pedro V, abrando agora o passo em São Pedro de Alcântara (uma vez mais).
Vistas de São Pedro de Alcântara, [s.n.], [c. 1890].
Música: Satie - Gymnopedie, 1.
Branding Macieira PUB
Ainda a propósito do exercício de branding do sr. ministro Pinho sobre o Allgarve Algarve vai daqui uma garrafinha de branding Macieira à laia do que fazia a Hermínia Silva à saúde do nosso Manel e da nossa Allzira Alzira.
- É p'ra matar saudades da nossa terra, sr. ministro, coisa que já deve ter diluída... nesse mundo global onde anda a lutar p'ra vida.
Imagem de Truca.
[Corrigido às cinco e meia da tarde.]
quarta-feira, 21 de março de 2007
Allgarve, Suntarém e Cashcais
Sei que a tentação é grande. Mas o verbete anterior não se destina a nenhum jogo de dardos. Foi um trocadilho inspirado num novo exercício de branding (cf. qualquer glossário da Deloitte ou quejandos para o significado deste barbarismo) do sr. ministro Pinho da República Portuguesa, S.A. para melhor promover a «venda» do reino do Algarve. Como a coisa mete investimento de uns tantos milhões convém melhorar a marca comercial para garantir o R.O.I. (cf. o benévolo leitor novamente o tal glossário supramencionado, tenha paciência, mas faz-me urticária explicar isso aqui).
A marca escolhida foi Allgarve (supõe-se que entoada à amaricana).
Fico na dúvida se o sr. ministro Pinho sofreu uma insolação em Sun-tarém ou se lhe deu uma febre por dinheiro em Cash-cais.
terça-feira, 20 de março de 2007
segunda-feira, 19 de março de 2007
Histórias de amendoins
Estava enganado na rua...
Algumas vezes vínhamos pela Sabino de Sousa para comprar amendoins. Mais a rogo do mano que meu, que eu era mais amigo de guloseimas. Vínhamos com a mãe das compras. O itinerário era influenciado por pequenas coisas: um dia pela Actor Vale por causa das bolas de Berlim ou dos sorvetes, outro dia pela senhora dos amendoins na Sabino de Sousa; habilidades da mãe que não encurtavam os trajectos a pé mas que os tornavam mais amenos a nós, o mano e eu.
A senhora lá adiante no passeio, além do carro, parecendo conversar de cabeça erguida com alguém à janela... Era por ali a janela da senhora dos amendoins. Talvez um nadinha mais para cá. Era num rés-do-chão pouco alto, porque eu, pequenino, chegava ao parapeito da janela. A senhora aviava os amendoins em cartuchinhos de mercearia e nós lá seguíamos satisfeitos rua adiante, escascando e comendo...
Por uma ou duas vezes - houve mais, por certo - atravessámos para o passeio de lá. Esta Rua Sabino de Sousa inflecte a 90º o seu curso e eu engraçava com o recanto do passeio lá ao fundo, mais as janelas das casas em ângulo, tão juntas ao canto que as vizinhas se podiam dar as mãos. Julgo que eram por capricho meu essas mudanças de passeio. Mas calhava bem, que na continuação do passeio, no troço final da rua já a chegar ao Jardim da Nêspera, havia um armazém de bananas de que éramos fregueses.
Os prédios de topo foram demolidos. O que se edificou tem um arco para ligação desta rua a uma praceta que se fez lá por trás.
Chafariz da Rua Sabino de Sousa, Alto do Pina, [s.d.] [1964].
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
O pitoresco chafariz é o marco mais notável desta rua; fica no cruzamento com a Rua Quatro de Agosto. Não conheço em Lisboa outro igual.
Sábado, cá a senhora comprou amendoins no café do costume lá na Praia das Maçãs. Vinham num pacote plástico luzidio, de cores metalizadas; tinham paprika ou especiarias - uma coisa assim -, e muito sal; aberto o pacote não era preciso descascar... Com isto lembrei cá à senhora umas máquinas que se punha cinco ou dez tostões e, rodando um manípulo, aparava-se os amendoins que caíam com as mãos em concha. E a seguir lembrou-me da história lá de cima.
Estava enganado na rua. Chamei à Sabino de Sousa Quatro de Agosto.
Chafariz da Rua Sabino de Sousa, Rua Quatro de Agosto, 1964.
Armando Serôdio in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
sexta-feira, 16 de março de 2007
Ainda a Praia das Maçãs (este mês)
Revisto e aumentado às 9h30.
Refundido em 25/3/2012, devido à desactivação do slide.com onde estava alojado o diaporama original. A música é o «Stardust» de de Benny Goodman
quarta-feira, 14 de março de 2007
segunda-feira, 12 de março de 2007
sábado, 10 de março de 2007
Bom tempo
Estamos no Inverno, diz o calendário.
Empoleirado numa varanda onde diz que era a taberna do Manuel do Prego, a luz, a temperatura, o cheiro do ar, os sons... os sabores, aproximaram o Verão. Não é o Verão, claro. Não é a Primavera, sequer. É só o bom tempo e a vontade de jogar o Inverno borda fora. Mesmo que seja um Inverno só de calendário.
Ala moço!
sexta-feira, 9 de março de 2007
C.C.D.T.T.L.P.
Não consigo já decifrar a sigla. No tempo em que os árbitros usavam sempre equipamento preto o meu padrinho apitava lá jogos de amadores.
Há muito tempo, como o guarda do campo era um padre, o povo do bairro chamou-lhe Campo do Padre. Ao depois do padre morou lá um guarda cuja alcunha era o Parte-a-Tola; talvez por correr dali com os cachopos à pedrada, não sei… [parece que sim]. Com o tempo foi-se aos poucos o povo do bairro esquecendo do padre e o nome virou Campo dos Telefones.
Pode ser que hoje os trabalhadores dos Telefones joguem só por sms. Daí a ruína.
Campo do Padre, Picheleira, 2006.
quarta-feira, 7 de março de 2007
Rua Castilho
Passeio central com árvores, vivendas; o bonito aspecto da Rua Castilho nos anos 30/40 em dia soalheiro. Avistava-se a estátua do Marquês de Pombal sobressaída do casario.
A casa era no 64-66, projecto de Raul Lino reflectindo concepções do arquitecto sobre o tema da «casa portuguesa»; foi prémio Valmor em 1930.
Demoliram-na em 1982.
Prémio Valmor de 1930, Lisboa, [1934-1947].
Paulo Guedes in José Manuel Pedreirinho, 100 anos de Prémio Valmor, Pandora, 2003.
Naquele terreno há um parque de estacionamento mas dali não se avista a estátua do Marquês. Tenho impressão que hoje nem nos dias mais soalheiros o Sol banha aquele passeio. As luminárias esgotaram-se na demolição...
segunda-feira, 5 de março de 2007
Vila Santos e Vila Jorge
Aquelas duas casas mais à direita eram o 254 e o 252 da Rua de Campolide. No intervalo entre o 254 e o 256 desce hoje a rua que liga a Av. Calouste Gulbenkian (vinda da Palhavã) à Rua de Campolide.
Por causa duma fotografia cuja legenda era simplesmente Obras na Rua de Campolide cismei eu em tempos com o lugar exacto onde tinham existido estas casas. Vendo ao longe havia-me já parecido que era ali, no cruzamento da Av. Calouste Gulbenkian com a Rua de Campolide. Agora sei que além de números de polícia aquelas casas também tinham nome: Vila Jorge e Vila Santos.
Troço em construção, Av. Calouste Gulbenkian, 1966.
Fotografia de Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
É interessante notar que a dita Av. Gulbenkian passa ao nível do 1.º andar das casas demolidas.
domingo, 4 de março de 2007
sexta-feira, 2 de março de 2007
Quinta de Belmonte
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As curvas de nível dão o cume da colina ao lado da Marechal Gomes da Costa e um suave declive para nascente... Julgo que não me enganei na localização da casa dum madeireiro (1). Pertencia a casa mais o seu telhado de quatro águas à quinta de Belmonte, à beira da Azinhaga da Graça, sendo que esta partia da Azinhaga das Teresinhas (Rua Pardal Monteiro no mapa) e seguia para NNO. na direcção da Portela de Sacavém (praça das partidas do aeroporto)... |
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quinta-feira, 1 de março de 2007
Universidade clássica
Rafael pintou a Escola de Atenas com os grandes filósofos da antiguidade em lugar de figuras alegóricas. Mas não no fez para ganhar nome com famosos. Os protagonistas principais, Platão e Aristóteles, têm uma pose precisa e solene, não inflamada; quem os acompanha são discípulos a sério, não gente se aglomera ali à roda como boys. E a arquitectura grandiosa conforma-se com as figuras dominantes da cena somente na justa medida; nem aquela padece de mármores preciosos, nem os últimos carecem de ostentar riqueza.
Algures na cena acha-se Sócrates...

A Escola de Atenas, 1509-1510
Rafael, fresco, 550 x 770cm
Stanza della Signatura, Museus do Vaticano
Imagem da wikipaedia
![Campo Grande, Lisboa (A.Goulart, s.d.]](https://live.staticflickr.com/65535/51638447023_0dd8aef0eb_o.jpg)
Enviado por O Jansenista em 27/03/07 às 05:47 PM
Tem razão. As duas últimas D. Lívia são a mesma pessoa: D. Maria Lívia Ferrari Schindler (1858-1950), de Castelo Branco pelo casamento com João Franco, filha de Gaspar (e não Guilherme) Schindler e Maria Lívia Ferrari, uma das três herdeiras de Francisco Ferrari.
Cf. http://genealogia.netopia.pt/pessoas/pes_show.php?id=28547.
[Respondido] com Bic Laranja em 27/03/07 às 09:33 PM