Praça do Areeiro, Lisboa, c. 1954-55.
Colecção de Manuel Campos Vilhena.
A fotografia original do Areeiro que o estimado confrade Manuel em tempos me ofereceu é a que aqui vai. O que publiquei há dias sobre a Sacor é apenas um pormenor.
Numa do lado oposto, de 1957-58, vê-se claramente a janela onde o fotógrafo esteve quando tirou. A árvore crescera um tanto...
sábado, 31 de agosto de 2013
Fotografia original
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Meios aéreos
Os noticieiros inflamados contam para aí aviões e helicópteros às metades. Três meios aéreos são o quê? Um aéreo inteiro e mais metade...?
Os governantes não são melhores que os noticieiros, mas nisto, são de maior proveito... Desde os anos 90...
Para todos aqueles que desconhecem a verdade, a prova está nas fotos [...] onde o sistema MAFFS e C-130 estão lado a lado... Nos anos 80 e 90 a Força Aérea Portuguesa combatia os incêndios com o C-130 Hercules, o sistema MAFFS e o Helicóptero AL III.
A F.A.P. foi forçada pelos governos corruptos a desistir de apoiar as populações... em detrimento de privados e outros interesses obscuros... (alguém se deu a muito trabalho para fazer desaparecer estas fotos, felizmente a Internet não tem memória curta).
[...] Em 1997, o Secretário de Estado Armando Vara entendeu (vá-se lá saber porquê!), que não competia à F.A. intervir nos incêndios mas sim que deveriam ser contratadas empresas civis. Compreende-se [...] A F.A. não paga comissões.Ten.-Cor. Brandão Ferreira, «Incêndios em Portugal», in O Adamastor, 26/VIII/13.
'Aéreos' é na realidade o que andamos a despejar nos fogos. Por isso continuamos a arder...
Berlina de viagem, c. 1910
Uma sobrinha de 8 pareceu-me há dias que jamais vira um relógio de corda. Ensinei-a, mas a falta de jeito para lhe dar corda admirou-me.
Neste admirável mundo novo ainda se fabricam brinquedos de corda, não…?!
Imagem: Carrinho de corda (Berlina de viagem), c. 1910. Museu da rainha Victoria e do príncipe Alberto em....
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Tapumes da Sacor no Areeiro
Mandou-me em tempos o confrade Manuel uma chapa batida do 245 ou 247 da Av. Almirante Reis com uns tapumes na base do arranha-céus do lado N do Areeiro.
Topei hoje com esta de Amadeu Ferrari no arquivo da câmara municipal, dada pelo arquivista de entre 1950 e 1970. É muito. Não cuido que fosse precisa tanta extensão para datar a fotografia. O Arranha-céus do lado N da praça do Areeiro foi concluído... em meados dos anos 50 -- não me recorda o ano ao certo -- e os tapumes, cuido, são indício da obra que bem se via pràticamente acabada.
Praça do Areeiro, Lisboa, c. 1955.
Amadeu Ferrari, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Adenda: reparo que os tapumes eram rematados com reclamos de néon da C.E.L.. Tínhamos um aparelho C.E.L. em casa, não me lembro já qual.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Dos lugares da Portela e da Encarnação
O mapa em baixo tem mais que se lhe diga, mas aqui vão apenas duas curiosidadezinhas.
Uma, a Estrada de Sacavém, que tanta curiosidade me desperta e tanta história tem. A história é a das hortas e dos retiros, esses sítios de romagem castiça dos alfacinhas na Lisboa doutras eras, bastamente conhecida e numerosamente publicada. A minha curiosidade, porém, é muitas vezes geográfica:
— em que terrenos pousava a velha estrada que já não existe?
— que lugares, quintas, casas fidalgas, fontes ou ermidas havia no seu caminho?
— que sobra deles (se sobra algo) e do seu serpentear dela, da estrada?...
Pois no mapa temo-la bem marcada a verde no troço além da Rotunda do Aeroporto. Das referências viárias, legendadas à máquina, cuido que deduzirá sem equívoco o benévolo leitor por onde seguia, até, e além do aeroporto da Portela. Quem bem procurar no terreno pode ser que ache hoje alguma coisa que dela sóbre. Em sendo o caso, por favor não se esqueça de nos dar notícia cá.
A segunda curiosidade é relativa a dois lugares bem assinalados no mapa: a Portela de Sacavém e a Encarnação.
Se perguntarmos hoje a alguém onde é a Encarnação, dir-nos-há toda a gente que é lá, a baixo do aeroporto, onde há uns bombeiros, onde foi feito pelos anos 40-50 um belo bairro de casinhas de bonecas. E está certo.
Da mesma maneira se perguntarmos onde é a Portela, responder-nos-hão sem hesitar que são umas grandes torres construídas nos anos 70 a cima de Moscavide, além já do perímetro da cidade de Lisboa.
Todavia, não é em nenhum destes locais que o mapa nos indica os dois lugares.
A Encarnação eram meia dúzia de casas numa encruzilhada de caminhos onde depois fizeram uma ampla rotunda e posteriormente um complexo lacete de estradas com umas umas modernas bombas de gasolina para quem se fazia à (ou chegava pela) auto-estrada n.º 1. Sucede que a esse lugar hoje chamamos vagamente RALIS ou nó do Prior Velho, conforme a Leste ou Oeste da auto-estrada. E o nome Encarnação desviou-se para o lugar da Panasqueira, segundo o mapa de 1940.
A Portela, por seu lado, era um lugarejo que desapareceu por completo com a construção do aeroporto que lhe herdou o topónimo, mas que hoje o quase não ostenta. Ficava rigorosamente entre a novíssima Av. da Cidade do Porto, rasgada a partir da Rotunda do Relógio, e a aerogare (hoje terminal de partidas). E vede lá a onde foi dar o nome deste lugar, Portela de Sacavém: pois fora de portas, ao concelho de Loures.
Comum a ambos os desvios geográficos: a construção de bairros novos e o seu baptismo com usurpação de nomes das adjacências que, em rigor, lhe não pertenciam. Quem cauciona esta prática? A fugacidade e o fraco rigor da nossa memória.
C.M.L./A.M.L., Projecto geral do Aeroporto da Portela de Sacavém (1935-40), 78/DMPGU, p.127.
(Revisto ás 10h25 da manhã de 28.)
O fim de Lisboa
domingo, 25 de agosto de 2013
Da falácia contumaz
No relatório dos intendentes de S. Bento ao caco gráfico aparece a pp. 18-19 (4.2 -- Argumentos favoráveis ao Acordo) que «os defensores [do dito] consideram que há uma mudança linguística (fonética) em curso que tem vindo a ocorrer desde o princípio do séc. XX, evidente na forma como certas pessoas ainda articulam consoantes mudas e outras não. A dupla grafia agora admitida poderá vir a desaparecer.»
Este parágrafo, só por si dava um tratado. Se fosse sério.
Primeiro, a única defensora que alguma vez vi propor este argumento foi uma Helena Topa Valentim num artiguelho no Público em 19/2/2012 (cf. «Uma Helena tola no Público»).
Depois, se há mais defensores, desconheço. Duvido, mas pode haver. Seria interessante sabermos deles para conhecermos em que se baseia a sua tese de que há uma mudança linguística (fonética) em curso -- não uma de devir lento e indefinido como é das leis do uso natural da linguagem, mas antes uma bem definida cujo rumo inequívoco é a síncope de consoantes dos grupos cç, ct, pç, pt, e mais alguns por aí que possam vir a calhar...
Uma afirmação daquelas, pois, é duma barbaridade capciosa.
- Qual o corpus científico em que se baseia?
- Qual o âmbito humano, geográfico e histórico da recolha?
- Qual o método de estudo dos dados recolhidos que concluiu ser evidente [a] forma como certas pessoas ainda articulam consoantes mudas e outras não? [ E daí a poder-se acabar com elas...]
E naquela inquestionada evidência quais afinal são os vocábulos ou famílias de vocábulos em que as ditas consoantes mudas
- nunca se articularam?
- se articularam, mas deixaram de articular-se, e/ou vice-versa?
- sempre se articularam?
E onde, a que povos, quando e, se possível, como, sucederam tão evidentes fenómenos de mudança linguística (fonética)?
Pois bem, enquanto o inventário dessa apregoada mudança não for dado a conhecer estamos perante publicidade enganosa, ou reles ciganice, como com maior propriedade se diria antes de tanta mudança em curso.
O respaldo no relatório dos srs. deputados duma particular excrescência intelectual da activista de caprichos fracturantes Helena Topa, mai-la generalização operada com ele no remate do ponto 4.2 -- Argumentos favoráveis ao Acordo é artifício de propaganda. Não tem validade científica, procura só inculcar subliminarmente no leitor, como verdadeira, uma ideia de que não há uma chispa de prova. Uma contumaz falácia dos poderes políticos que regem Portugal.
(Imagem da I.L.C. contra o Acordo Ortográfico.)
(Revisto às 9h10 da noite.)
Adenda em 21/III/15:
Caro responsável pela autoria deste post,
Sou Helena Topa Valentim. Um amigo, numa busca que fez procura de algo referente a mim, descobriu este seu texto e aí menção ao meu nome. Alertou-me e, com espanto, constato que o senhor se terá equivocado. Nunca me pronunciei publicamente em nenhum artigo do Público relativamente ao A.O. e acontece que, exactamente em virtude da minha formação e desempenho profissional, tenho uma posição crítica em relação ao mesmo. Sei o que se terá passado para que tenha incorrido nesta confusão: o artigo que refere é da autoria de Helena Topa, uma prima minha, mas não meu. Agradeço, por isso, que, por esta razão, elimine este post. Peço-lho por favor e agradeço muito a sua compreensão.
Cordialmente.
sábado, 24 de agosto de 2013
— Esta vida de turista!...
Caras
O Lincoln...
O homem que devorava livros começa a parecer-me uma (des)ilusão. Desde 2008 [a final é 2009] que o só acho cá lendo o jornal.....................
......................
Pensando agora de mim para mim o homem que devorava livros não (des)ilude; é uma boa personagem das férias na praia. Fôra eu escritor nem preciso era que existisse realmente o homem que devorava livros. Fôra eu escritor e tinha-o inventado à mesma, não no havendo ele. Nem precisaria eu ser grande escritor para isso, talvez... Seria de certo ele então, não sendo nada, maior devorador de livros do que já é.
O homem que devorava livros lendo o jornal, Algarve - (c) 2007
Notícias da urbe nuí (...da urbe no
)
Passos: «Não me demito. Não abandono o meu país.» -- Depois de ter mandado a gente emigrar é um apêgo notável.
Ainda nuí (no
)
I: «Passos manifesta "supresa" [entre aspas] com a demissão de Portas.» -- Surpesa entre aspas?...
Mais nuí (vós já percebestes)
«P.S.D. quer obrigar C.D.S. a ficar com a culpa do fim do govêrno.» -- E Portas assim, a armar uma cègada destas, é de se sentir inchado com ser novíssimo mandarete de Bilderberg?
Portugal é um joguete.
Praia
Vento fraco. Calmaria, ondas pelo artelho... Muito agradável, não fôra uma espuma intrigante à superfície...
Praia da Falésia, Algarve - (c) 2005
Caras II
O homem que devorava livros deve ter-me ouvido a pensar e desmente-me de há pedaço. Acaba de chegar e pôs-se já ali com um livro. -- Não vou documentar devidamente esta agora porque não trouxe a kodak; nem também dos senhores que têm estado sempre quando estamos e ficam mais ou menos aquém ou além donde ficamos e que até estavam ontem no restaurante logo à entrada; sempre os vejo cá na praia lendo. Somam-se hoje ao homem que devorava livros e àquela família do homem montanha, que são uns quantos e todos lêem. Mas estes são mais de jornais e revistas.
Despesas
Jornal: 200$00, bica... vestuário/calçado 3 542$40 ...
(— Esta vida de turista!..., 3/VII/13.)
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Da urbanização (ainda)
Às vezes ainda dou comigo a imaginar como seria tal ou tal sítio antes de lá haver prédios. Um deles é a Av. dos Estados Unidos ali onde quem vira da Av. do Aeroporto, que já descobri. Esta é já quando os prédios se iam fazendo.
Construção da Av. dos Estados Unidos da América, Lisboa, post 1951.
Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
A fotografia não é do do burro nem do Ferrari
Lembrais-vos do fulano do burro contra o Ferrari? Mandou lavar a minha rua esta noute. Fez bem, enlameou-me foi o automóvel todo, que tive de o mandar lavar.
A fotografia não é do do burro nem do Ferrari. É dum Porsche e dum muar...
Campanha da Porsche, Portugal, 1965.
H. Colitz, in Porsche 356 Portugal, apud Portugal Velho.
Galeria camiliana em 23 de Agosto
« Em 1815, um dos mais abastados mercadores de pannos da rua das Flores na cidade do Porto, era o senhor Antonio José da Silva. E a 23 d'agosto, do mesmo anno, o negociante da rua das Flores que mais suava, e bufava afflicto com a calma, era o mesmo senhor Antonio José da Silva. O senhor Antonio, como os seus caixeiros o chamavam, tinha razão para suar. As bochechas balofas e tremulas, dilatadas pelo calor do estio, ressumavam-lhe um succo oleoso, que descia em rêgos pelos tres rofêgos da barba, e vinha adherir a camisa ás duas grandes esponjas, que formavam os seios cabelludos do nosso amigo attribulado.
O senhor Silva inquieto, e resfollegando como um hippopótamo, passeava no seu escriptorio. O seu traje era muito simples: andava de cuecas, e alpercatas de estôpa com sola de cortiça. Este vestido, com quanto singelissimo, e o primeiro talvez que se seguiu ao que trajou Adão no Paraizo, dava-lhe ares d'um sátyro voluptuosamente gordo.
O negociante representava cincoenta e cinco annos, bem conservados. No ôlho direito tinha muita vida; o esquerdo, porém, n'esta occasião tinha um tersolho, e inflammado, de mais a mais, pelo calor.»Camillo Castello Branco, A filha do Arcediago, 3.ª ed., Porto, Cruz Coutinho, 1868, p. 7.
~~~ \\ ~~~
Cartaz adaptado da C.M. duma póvoa de ortofónicos (com tersolhos).
(Revisto às 11h00.)
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Portugal racista dos anos 60?
Ou a sociologia do «Público» exposta à porta da loja...
Aula de Electrotecnia, Ultramar português, 196... (S.E.I.T., nº 354734, cx. 445, env. 26).
Fotografia gentilmente cedidas pelo sr. António Fernandes.
Mito integracionista
Ilustração do colonialismo português
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Tribalismo do Estado Novo
Recumbir, v. intr.
(Por me bem haverem relembrado disto...)
É verbo latino (recumbō, is, ěre, cubŭi, cubĭtum); quer dizer recostar-se, deitar-se ou reclinar-se em português corrente. Em latim tomava ainda o sentido muito concreto de pôr-se à mesa; os romanos banqueteavam-se deitados. É verbo sinónimo de decumbō, is, ěre, cubŭi, cubĭtu, este com o sentido também de meter-se na cama (deitar-se, portanto), segundo informa António Gomes Ferreira no Dicionário de Latim-Português (Porto, Porto Editora, imp. 1995). Deles (ou melhor, dos seus particípios decubĭtus/recubĭtus, a, um) tomou o português por via erudita os nomes decúbito e recúbito que significam estar deitado ou encostado.
O verbo recumbir vem nos dicionários modernos (Priberam; Porto Editora, 5.ª ed.), mas há-de ser rebuscado usar tal verbo em português. O Corpus do Português recenseia-o apenas por três vezes no séc. XX, numa única autora e obra: Fernanda Botelho, O Ângulo Raso (1.ª ed., 1957). Em séculos anteriores só o verbo em latim consta nas obras portuguesas do Corpus (em expressões latinas pròpriamente ou em dicionários de Latim e afins).
A derivação recumbir > recumbente para qualificar um certo tipo de bicicletas (ou triciclos) em que o ciclista dá ao pedal deitado, à primeira vista não parece repugnar ao português (embora de pedir derivemos muito chãmente pedinte e de ouvir, ouvinte, a verdade é que de presidir derivamos presidente e de cair ainda fazemos melhor: cadente). Todavia cheira-me este recumbente a anglicismo. Se não inteiramente na forma, pelo menos no timing na oportunidade. E na facilidade. Também me cheira que há-de ser por esta última que o achais já tão prestes no Priberam, esse hostel albergue de todos os barbarismos.
E podeis quedar-vos só por aqui.
Ou...
Se vos não satisfizerdes só com facilidades débeis procurareis então o bárbaro recumbent em dicionário apropriado. E achareis o seu significado, a saber, estar deitado.
Em decúbito ou recúbito, portanto.
Logo, uma bicicleta em que se pedala deitado será... um velocípede de decúbito ou de recúbito.
Em reforço (e talvez por ironia das débeis facilidades, embora nem todos hajam de saber latim) relembro que recubitūs (s.m. pl.) era simplesmente como os romanos designavam os leitos em que se deitavam a comer.
(Imagem de triclinium, in Triclinium.)
Lógica de acordita
(Duarte Afonso, «Disparates, mentiras e teimosia», Jornal da Madeira, 21/VIII/2013.)
Pois é. Unificar é duplicar. Um acordita (o governo) raciocina deste modo.
Como diabo se chama à razão um irracional?...
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Negar Portugal com apoio da Antena 1
Na semana passada, na emissora nacional (crismada Antena 1, uma subsidiária da Radiotelevisão Portuguesa Brasileira), deram destaque matinal a um artista baiano. Um rico destaque, como a todos vindos daquelas partes (imagino se aos que vão daqui lá sucede o recíproco).
Na entrevista o cara revolvia-se e revirava-se a explicar o forró que trazia ao Coliseu de Lisboa. Procurava estribá-lo em tradições sanjoaninas «ibéricas» transpostas à Baía.
Ibéricas.
Lá numa vez recompôs o «ibéricas» com um «portuguesas»... Numa única vez.
Não cuido que haja tradição baiana fundada em nada senão substratos índio, negro, e português.
Pois... ibérico?!...
Ibérico aqui é «espanhol» e na pulhice do cabra é habilidadezeca para encobrir o nome «português». -- Não querem lá, pois, ver o jagunço?!...
Talvez me engane, mas gostaria de saber do artolas levar além Badalhouce o seu folclore de Zé Cabra, a ver o comprimento e a cor da passadeira lhe os ibéricos dali poriam. E qual o apoio da Rádio Nacional da Espanha, que dá no mesmo. Gostaria, pois!
(Imagem do «Apoio A1».)
[As] quebra agravaram [o] défice
Com um léxico de aprox. 30 palavras qualquer um redige títulos de 1.ª página. Dispensa-se a sintaxe (ou mero uso de artigos, assaz incómodos). Só aguardo agora vir aqui um freguês dizer-me que devo eu actualizar os conhecimentos técnicos de economia [ou seria Economia?] para comentar uma notícia do deficit.
(Imagem do jornal Negócios, 20/VIII/13.)
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
— Esta vida de turista!...
Notícias da praia
Comprei-me o jornal. A senhora comprou-se uma revista.
A mar acalmou. Agoa um nadinha mai' fria. Não há vento. O marulhar calmo das ondas inspira sossêgo. Ajuda-o não haver aqui muitos cro-magnons. Os poucochinhos que há em redor estão calados, a desfrutar o sossêgo também, talvez; e os que passam caminham sem se ouvir, vão descalços...
Cro-magnons, Algarve - (c) 2007
Um bando de gaivotas, só ele é que corta o marasmo grasnindo uns miados zangados.
Olhando na outra direcção nem pareceria que há ela uma multidão apinhada à boca da praia. Deve ser o sentido gregário dos sapiens sapiens que lhes dita não se desviarem da entrada da praia espaço dum ou dois campos de football, para não estarem a cavalo uns nos outros. Isso e curteza de horizontes. Ou mandriice de procurar ver mais além o que seja...
Sapiens sapiens, Algarve - (c) 2009
Caras
Ontem havia... Hoje só o Gaspar, na 1.ª pág. do jornal. Demitiu-se ontem. Colossalmente.
Notícia da urbe
O Portas demitiu-se irrevogàvelmente hoje.
Despesas
Jornal + revista: 920$00;
bica: 120$00; 1 bola de gelado: 320$00
...
(Algarve, 2/VII/2013.)
Leitaria Chic
Edifício a arrimar ao modernismo. -- Leitarias são algo que se esfumou nas pastelarias e nos snack-bar, como os botequins em cafés...
Na rua à esquerda anuncia-se um centro comercial de Alves de Pinho qualquer coisa -- mercearias, loiças, vinhos e tabacos -- logo abaixo dum anúncio à Lusalite -- coberturas, tetos, canalizações, algerozes, vasos, floreiras, reservatórios --, agência e depósito.
Um à-parte: cuido bem que por 1946 a questão ortográfica andava tão volátil como agora. Deve ser daqueles casos sem emenda em que havemos de passar a vida como as vacas, a ruminar...
Costa da Caparica, Portugal, c. 1946.
Estúdio de Mário Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Antes de dar comichão
A praia de Carcavelos. -- Tinha um senão; era longe da estação. Tinha de se andar um pedaço. Para a da Parede andava-se menos. E tinha iodo, fazia bem (talvez não à comichão...)
Praia de Carcavelos, post 1953.
Estúdio de Horácio Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
Nota: o automóvel encostado no sentido de Lisboa tem matrícula de 1953. E parece-me bem faltar-lhe uma roda...
Praia da Parede
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Sesimbra
Janeiro – 1923
O pescador de Sesimbra, que vai às vezes muito longe, não conhece a agulha de marear. Regula-se pelas estrelas e pela malha encarnada da serra. Lá fora, quando vêem o cabo ao nível de água, dizem que estão no mar do cabo raso, e, quando o farol desaparece, estão no mar do cabo feito. Conhecem a costa a palmo: o mar novo, que dá o peixe-espada, o mar da regueira, que dá a pescada, o mar da cornaça, que dá o goraz e o cachucho, e o do rapapoitas, que dá os grandes pargos, conhecidos por pargos de morro.
Este homem é de instinto comunista. Se um adoece, os outros ganham-lhe o pão: recebe o seu quinhão inteiro. Se morre, sustentam-lhe a viúva e os filhos, entregando-lhe o ganho que ele tinha em vida. Dão ao hospital e ao asilo uma parte do pescado. Toda a gente tem direito a ir ao mar – toda a gente tem direito à vida. Vai quem aparece, desde que seja marítimo. Acontece que o barco leva hoje quarenta homens e leva vinte amanhã... O produto das artes é dividido em quinhões iguais pela companha. A pesca do anzol é uma espécie de cooperativa, e a barca quase sempre dos pescadores.Raul Brandão, Os Pescadores, Porto, Porto Editora, [2003], p. 139.
Praia de Sesimbra, [s.d.].
Estúdio de Horácio Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
Da taxa sepulcral antecipada
Esta já tem algum tempo mas como ainda estou vivo continua válida pelo absurdo.
Do ponto de vista elementar, a Lei n.º 53-E/2006, de 29 de Dezembro, põe-me a par dos mortos e manda as câmaras cobrarem-me antecipadamente uma taxa sepulcral em função disso. -- Pois, que ocuparei eu de subsolo, vivendo à superfíce e habitando até em andar alto?!...
Na mesma lógica, a Resolução do Conselho de Ministros n.º 98/2008, de 8 de Abril deve entender que a decomposição do meu futuro cadáver se enquadra na distribuição de gás natural canalizado e manda a Companhia cobrar-me a taxa antes que eu mumifique.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Praia das Maçãs
Abalámos de Lisboa com 35º. Temperatura na praia: 25º. Da Rua de N.ª Sr.ª da Praia, a dita parece uma daquelas da Antárctida cheias de pinguins, como vemos nos documentários da National Geographic. Salvos o calor e o colorido dos chapéus de sol, bem entendido. Mas é como ali, aqueles pinguins todos pouco distantes, lado a lado, mergulhando e tornando a terra, lado a lado e pouco distantes, mas sempre estranhos ao pinguim do lado que não conhecem de lado nenhum.
Não me lembro há quanto não tomava banho na Praia das Maçãs, nem sei se tenho nota dele perdida algures...
Estranho não sentir a água fria [19º]. No Algarve, com esta temperatura, não seria só desconsolo, havia de ser arrepio. E no em tanto aqui nem nada.
Praia das Maçãs no dia de S. Lourenço de 2013.
~~~ \\ ~~~
Praia das Maçãs, [s.d.].
Estúdio de Horácio Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
sábado, 10 de agosto de 2013
Cacografia escolar: factos e argumentos
O relatório dos intendentes parlamentares ao caco gráfico gasta uma página A4 a expor a agenda da passagem da cacografia do governo aos livros da escola (pp. 21-22). A burrice vai a meio do curso; iniciou-se em 2011/12 para ter cabo em 2014/15 e os srs. deputados não há maneira de a atalharem. O desatino só tende para o absurdo...
Em o querendo, podem ater-se ao que escreveram em 5.2 — A Intervenção no Sistema Educativo: […] Nas audições/audiências realizadas surgiram opiniões contraditórias (p. 22) — e reflectir no que somaram ao relatório a título de opiniões e no que são, na realidade, os factos.
Os manuais publicados com as regras do Acordo [que] apresentam grafias diferentes (p. 22) são factos, verificados por professores e sem contradição de acorditas. É mais um reflexo do caos ortográfico criado e sobejamente corroborado na redacção cacográfica do Diário da República e do próprio relatório da intendência ao desatino ortográfico. É só mais um reflexo, mas muito grave, pois sucede onde é mais devastador: em livros de estudo.
Outro facto é o desagrado geral de alunos, pais e professores com a insciente reforma ortográfica (que ninguém pediu), veementemente manifestado em tempo oportuno por queixas ao Ministério, recebidas com menoscabo pelo Ministro.
O desagrado não é capricho, é o sentir geral da nação, sustentado em pareceres e comentários técnico-científicos sobre Acordo Ortográfico, laboriosamente esquecidos nas secretarias do Estado… Entre eles acha-se um da Direcção Geral do Ensino Básico e Secundário, do próprio Ministério da Educação. Tal é o descaso.
Esse desagrado foi sempre escamoteado pelo Ministério e pelos acorditas de plantão, como ainda agora se vê no relatório, no opinar inculpando pais por interferirem junto dos educandos, o que acaba por prejudicar a aprendizagem (p. 22). Ora só num Estado totalitário se há-de negar aos pais acção própria no orientar da educação dos filhos. Só a burocracia kafkiana dum Estado totalitário, enfim, para subjugar professores no ensino, não ao que seja cientificamente correcto, mas àquilo que o dito Estado quer impor como doutrina.
Daqui que uma frasezinha ali metida no relatório — a transição tem sido feita sem dificuldades de maior, na opinião do Ministério (p. 22) — haja necessariamente de ter de ser sopesada por inteiro. Porém, à míngua de estudo sério cabula-se a opinião do Ministério!
Do mesmo modo, a parte que se lhe segue, — dos editores foi avançada a informação de que o processo está a desenrolar-se na normalidade, e que voltar atrás seria um desastre político e económico — também é imperativo pô-la em contexto. Quem, dos editores, foi ouvido pelos srs. deputados e se referiu em termos de desastre à anulação agora do desatino ortográfico foi somente o sr. eng.º Vasco Teixeira, administrador da Porto Editora. Que se saiba não fala por todos os editores, pois há vários que declararam não seguir o Acordo Ortográfico. Mas ouçamo-lo. Ainda assim merece a pena. O seu depoimento foi gravado e acha-se transcrito nas páginas da I.L.C. e nele ficamos a saber ipsis verbis que
[…] o Ministério da Educação teve o bom senso [algum lhe havia de sobrar] de articular com os editores um plano relativamente alargado e faseado que permitiu que não se destruíssem stocks — e quando digo stocks, são stocks dos editores, stocks das livrarias, stocks que estão em casa dos pais e que se aproveitam e que por isso houve um plano - que ainda está em curso, acaba só em [2014/15].
(Vasco Teixeira, administrador da Porto Editora, em audição pelos Deputados do Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico da Comissão de Educação, Ciência e Cultura, Assembleia da República, 14/III/2013, p. 2, apud I.L.C., 26/II/2013.)
Pela estimativa deste senhor foram 2-4 milhões de euros despendidos neste trabalho. Mas atenção: os manuais são revistos de x em x anos (li não sei onde ainda ontem que o estão a ser em cada ano por razões doutra esp€cie…) pelo que o dispêndio pouco mais parece ser do que o custo rotineiro deste processo.
E diz mais:
Portugal cometeu o erro estratégico tremendo de avançar com a votação do acordo sem garantir que Angola e Moçambique avançavam ao mesmo tempo. Isso faz com que neste momento os editores portugueses tenham que escrever os livros que estão a fazer para Angola e Moçambique e há vários editores: nós, a Texto Editora e outros a trabalhar em livros para Angola e Moçambique, livros escolares mas não só — os tenham de fazer em duas versões. (Id., p. 1, ibid.)
Ora bem, o erro estratégico tremendo da cisão ortográfica com Angola e Moçambique não é dado nem achado como desastre político e económico? Isto surpreende! Tanto mais que não é indiferente nos custos, porque se eu — disse Vasco Teixeira — tiver que fazer duas versões diferentes, para Portugal e para Angola ou Moçambique […] vai afectar os custos e a gestão dos stocks!
Pois pasme-se: sendo isto dito assim, ressalva o relatório unicamente que — voltar atrás, isso sim, é que seria desastre económico!
Mas não é só. Pasme-se de novo: o tal desastre económico é, afinal, perfeitamente sofrível:
Quando eu referi o desastre, uma incapacidade de retroceder, como é óbvio eu… não queria dizer que era uma impossibilidade. O que eu acho é que para além dos custos — e diria os custos dos editores não é o que me preocupa muito, devo‑lhes dizer, porque a gente já assumiu esses custos neste trabalho e assumi‑lo‑íamos sem problema ou assumi-lo-emos se for considerado isso conveniente — a reverter o acordo… o que eu acho é que se dariam vários passos atrás num processo que já se iniciou em 1990 […] (Id., p. 1, ibid.)
E além dos custos pouco preocupantes, reverter o acordo é simplesmente… darem-se passos atrás. Darem-se passos atrás, ponto. Num processo que... andava a aboborar desde 1990, é só. Passos tanto mais certos porquanto é evidente que o que se iniciou em 1990 foi um desastre político, materializado na leviandade quase criminosa com que o assunto foi tocado diante de 2008 para cá [1].
Pois para um processo que no relatório dos srs. deputados se diz estar a desenrolar-se na normalidade, nada mais anormal do que a absurda normalidade duma teimosa anormalidade.
Eis o Acordo Ortográfico.
(Imagem da R.T.P., programa «Arte & Emoção».)
[1] Em detalhe, na ratificação apressada e seu humilhante anúncio («Quando fui ao Brasil em 2008, face à pressão que então se fazia sentir no Brasil, o Governo português disse-me que podia e devia anunciar a ratificação do acordo [ortográfico], o que fiz.» Cavaco Silva sobre o seu papel na ratificação do Acordo Ortográfico («Cavaco elogia Acordo Ortográfico mas confessa que em casa ainda escreve à moda antiga», Público, 22/V/2012); na cega aprovação da Resolução n.º 35/2008 na Assembleia; já para não falar do perfeito descaso jurídico da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 contrariando dois decretos-lei (Decr. 35:228, de 8 de Dezembro de 1945 e D.L. 32/73, de 6 de Fevereiro) pretensamente a cavalo dum tratado internacional não ratificado pelas oito partes signatárias, nulo, portanto (cf. J. Faria Costa e F. Ferreira de Almeida, «O chamado ‘novo acordo ortográfico’: um descaso político e jurídico», D.N., 13/2/12), ou do errático Aviso n.º 255/2010 do M.N.E., de 17/9, dando o Acordo Ortográfico como estando em vigor desde 13/5/2009, um ano e quatro meses antes de publicado o seu anúncio no Diário da República.
(Revisto à 1h00 da tarde.)
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Scena de rua com prédios de rendimento
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Cinema com porteiro fardado
Meio desatento e especado, mas havia (porteiro de farda).
O filme em cartaz é Kismet, estreado em Portugal em 3 de Junho de 1947. Deve ser duma tarde desse Verão a fotografia.
Nota curiosa onde se aloja a imagem, dada pelo sr. José Leite:
« Sendo um cinema de reprise, funcionou sempre com programação coordenada com o Chiado Terrasse, outra sala de cinema inaugurada em 1908, na Rua António Maria Cardoso.
« Nos anos 40 do século XX, era comum existir uma única cópia de cada filme em exibição para ambos os cinemas, funcionando as sessões duplas com um programa alternado. Ou seja, o filme era exibido primeiramente no Chiado Terrasse e depois era exibido no Lys e vice-versa. No intervalo, partia de motociclo o transportador das bobinas da película, tentando chegar a tempo do início da segunda parte da exibição do filme no outro cinema.»
E duas profissões que se acabaram entre tanto: porteiro de cinema (com direito a farda e bonnet) e motociclista estafeta de cinemas de reprise. (Motociclista estafeta para outras coisas ainda haverá...)
Fotografia (fragmento): Cinema com porteiro fardado, Anjos, [c.1947]. Estúdio de Horácio de Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
À porta do Lys
Nota-se o interesse do garotito no automóvel. Ele saberia com certeza dizer a marca -- eu não. Pela cábula sei só dizer da matrícula que o automóvel é de 1936-38. Aqui entrava na Rua Andrade. A scena é posterior a Junho de 47, como havemos de ver...
Fotografia (fragmento): À porta do Lys, Anjos, [c.1947]. Estúdio de Horácio de Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Prova de ciclismo
Prova de ciclismo, Praça do Areeiro (Lisboa), c. 1943.
Estúdio Horácio Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
— Esta vida de turista!...
Correio da praia
O mar ficou calmo. Corrente de SE. Vento rodou para O, fraco.
Já ali vi o homem que devorava livros!
O homem que devorava livros, Algarve - (c) 2009
...
Mar do Algarve - (c) 2010
Tarde encoberta. Poisadas no horizonte, duas velas (dois veleiros). Uma beleza! Há dois séculos era só o que se podia ver, não havia outros [navios].
¼ para as sete, desponta o Sol. Toma a senhora um longo banho de mar.
Praia da Falésia, Algarve - (c) 2009
Correio da urbe
O ministro das Finanças fez-se swap.
(— Esta vida de turista!..., 1/VII/13. Do caderninho de capa preta.)
